quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

20- HERODES E OS STOS. INOCENTES

HOMILIA DE DOM JÚLIO ENDI AKAMINE, ARCEBISPO DE SOROCABA- 28/12/2017

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Evangelho Mateus 2, 13-18 (para ler o evangelho clique nele)

Irmão e irmãs, três dias depois do natal, a festa dos santos inocentes produz em nós uma surpresa dolorosa, pois depois de tanta alegria e tanta doçura, ouvimos a narrativa da matança dos inocentes. 

Herodes, enfurecido porque não conseguiu informação dos Magos, resolveu mandar matar todos os meninos menores de dois anos em Belém e seus arredores. Essa matança é a expressão mais repulsiva, da crueldade e da ambição pelo poder. Sabemos, por fontes não bíblicas, que Herodes foi um déspota que viveu assombrado pelo medo de perder o poder. Ele raciocinava apenas segundo as categorias do poder.

Suspeitava de todos, e sua suspeita era tão doentia que no ano 7 Antes de Cristo ele mandou matar seus filhos Alexandre e Aristóbulo e três anos depois eliminou mais um filho, Antípatro, também por se sentir ameaçado por ele.

Em contraste com as canções natalinas, ouvimos hoje o grito, o choro de Raquel. Ela chora seus filhos mortos e seu lamento é inconsolável. Ela mesma não quer ser consolada porque seus filhos não existem mais. O clamor da mãe desolada é como um grito dirigido a Deus. Mesmo que não queira ser consolada, a desolação da mãe é um pedido de consolação, que não pode ser dada a não ser por Deus. De fato, a única consolação da mãe é a vida dos filhos.

Somente a ressurreição pode superar a injustiça e revogar a constatação amarga dos filhos que já não existem. Por que celebrar os santos inocentes na Oitava do natal? Natal é uma festa bonita que nos faz contemplar o recém-nascido no presépio, nos faz tomar consciência do dom que Deus nos faz de si mesmo, de seu amor pela humanidade. A festa dos santos inocentes, porém, não quebra o clima natalino, pelo contrário, nos faz tomar consciência da seriedade do natal de Jesus.

O menino nascido em Belém é a Luz do Mundo. Mas as trevas imediatamente se opõe ,não quer ser iluminada por essa luz. A festa de hoje nos mostra essa luta, entre Luz e Trevas, Jesus veio vencer as trevas, mas sua vitória passa pelo sofrimento. A Festa de hoje nos adverte: hoje começa a realizar-se a Salvação. Nossa primeira atitude é a de reconhecer que precisamos da Salvação.

Não precisamos fingir sermos grandes pecadores e não o somos, mas precisamos confessar que em nós estão presentes as raízes do pecado. Em nós está presente o egoísmo que nos faz insensíveis ao sofrimento alheio, que faz ver o outro como adversário a ser eliminado. Nós temos a necessidade da luz, do salvador, para ver que Herodes ainda está vivo em nós e que precisamos do amor salvador para vencer o pecado.

Também nós podemos estar do lado de Herodes, podemos também nós agir como Herodes. Herodes está vivo, não só nos outros, mas também em nós. Está vivo quando o egoísmo se desenvolve socialmente, quer nas muitas formas de corrupção que se difunde de maneira capilar, quer na formação de organizações criminosas que ferem a dignidade da pessoa.

Essas organizações ofendem gravemente a Deus, prejudicam os irmãos e lesam a criação, revestidos de uma gravidade ainda maior, se tiver conotações religiosas. Herodes está vivo no drama dilacerante da droga, com a qual se lucra, desafiando leis morais e civis. Herodes vive na devastação dos recursos naturais, na poluição em curso, na indiferença e na insensibilidade pelas vítimas indefesas, das guerras esquecidas. Herodes prolonga sua colheita de inocentes na tragédia das vítimas da exploração do trabalho, nos tráficos ilícitos de dinheiro como também na especulação financeira que assume características nocivas para os sistemas econômicos e sociais, lançando na pobreza milhões de homens e mulheres.

Herodes continua sua obra de morte na prostituição que diariamente ceifa suas vítimas inocentes, sobretudo entre os mais jovens roubando-lhes o futuro. Herodes prossegue seu extermínio no abominável tráfico de seres humanos, nos crimes e abusos contra os menores. Herodes perdura na escravidão que ainda espalha o seu horror em muitas partes do mundo, na tragédia frequentemente ignorada dos imigrantes, sobre quem se especula indignamente na ilegalidade.

Será que Herodes pode se converter? Ainda temos tempo. Nós podemos nos converter, e é essa a mensagem do Natal: o pecador jamais deve se desesperar da possibilidade de mudar de vida. O Natal proclama uma mensagem de confiança para todos. Mesmo para aqueles que cometeram crimes hediondos porque Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva.

Que a Festa dos Santos Inocentes nos faça acolher o Salvador. Dele temos necessidade absoluta para que Herodes não continue a sua matança!


Créditos áudio e texto – Rádio Cantate FM 104,5 - “A Frequência do Amor de Deus”


17 anos evangelizando na Internet
E nos canais tradicionais, em texto:


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