domingo, 30 de abril de 2017

PROLIFERAÇÃO RELIGIOSA

Brasil: A cada hora nasce uma nova organização religiosa

Desde 2010 no país sul-americano a cada hora nasce uma nova organização religiosa. São os dados impressionantes citados na pesquisa realizada pelo jornal O Globo. O fisco brasileiro registrou 67.951 entidades sob a rubrica de “organizações religiosas ou filosóficas”, uma média de 25 por dia. Segundo o relatório, os principais motivos que podem explicar o fenômeno são a facilidade para a abertura de novas igrejas, o fortalecimento do movimento neopentecostal e os efeitos da situação econômica.

Em fins de 2016, o Instituto Datafolha publicou uma pesquisa que fez ressoar uma campainha de alarme na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O estudo mostra que, nos últimos dois anos, 9 milhões de pessoas abandonaram o catolicismo no país. Em 2014, a porcentagem da população que declarava ser católica era de 60%, ao passo que em dezembro de 2016 baixou para 50%. No mesmo período, os fiéis pentecostais ou neopentecostais passaram de 18% a 22%. Embora a recente baixa na porcentagem de católicos não foi acompanhada por uma ampla expansão dos fiéis pentecostais ou neopentecostais, o que preocupa os bispos é outro dado: a metade dos que declaram ser pentecostais ou neopentecostais provém da Igreja Católica, onde haviam crescido.

A ascensão do pentecostalismo: da religião à política

O crescimento do pentecostalismo é um fenômeno que se expande para além da religião: ele “cresce ao mesmo tempo na base social e em espaços de poder, como mídia e cargos eletivos nacionais, estaduais e municipais”, diz a socióloga Christina Vital. Um exemplo “bem-sucedido” dessa expansão na política, aponta, foi à vitória de Marcelo Crivella nas eleições municipais do Rio de Janeiro. “Quando Crivella foi eleito, a grande repercussão na mídia enfatizava aquela como uma vitória de sua denominação de origem. Mas não é esse o ponto: ele ganhou não por ser evangélico, mas porque fez inúmeras alianças na sociedade e tinha uma fala que contemplava anseios sociais. Teve alta votação em periferias, mas também ganhou em bairros da Zona Sul, como em Ipanema”, relata. Contudo, frisa, ainda é cedo para avaliar “em que medida o elemento religioso faz diferença nesse âmbito da gestão pública, porque o fato de a pessoa ter uma vinculação religiosa não necessariamente implica um atravessamento religioso institucional”.

As razões deste crescimento são muitas. Desde estratégias propriamente institucionais até os anseios privados, que giram em torno de demandas motivacionais. Por exemplo, as igrejas evangélicas estabelecem uma proximidade com o seu público, proporcionam espaços de encontro diários, fazem aconselhamentos espirituais, mas também emocionais e financeiros/profissionais. Seus pastores são, via de regra, muito disponíveis aos fiéis. Geralmente moram nas mesmas áreas e estabelecem grande empatia porque vivem condições muito semelhantes aos demais. Do ponto de vista institucional, como a maioria tem um modelo de governo congregacional, não precisam se subordinar a um ministério, nem a uma centralidade administrativa. O observamos o crescimento da participação de pentecostais na organização política local, social e também econômica, com a abertura de variados comércios com uma marca gospel e que difere, por exemplo, do comércio que sustentava o circuito do tráfico até meados dos anos 1990.

O catolicismo é dominante no Brasil em diferentes aspectos, mas o pentecostalismo cresce ao mesmo tempo na base social e em espaços de poder, como mídia e cargos eletivos nacionais, estaduais e municipais. Sendo assim, ganham muita visibilidade, embora, em termos percentuais, sejam minoritários em relação aos católicos.

Conclusão

Escreveu o sociólogo alemão Max Weber, em seu clássico texto Rejeições religiosas do mundo e suas direções, ou teoria dos conflitos, as religiões de salvação têm uma relação de tensão e concessão com o mundo. Portanto, com os pentecostalismos não poderia ser diferente. Há uma conexão entre conflitos e benefícios, ascensão e retribuição, poder político e poder religioso, glória, escândalo e corrupção. 

Os fundamentos e crescimento do pentecostalismo se encontram na Teologia Carismática e da Prosperidade. A mística e o misticismo, sincretismo e biblicismo fundamentalista. Daí: cura divina, milagres, exorcismo, falar em línguas, arrebatamento ou repouso no espírito. A força da doutrinação e a procura de novos membros para que se salvem da perdição e das religiões idólatras,  levam os fiéis doares dízimos e ofertas, seu tempo ou toda a sua vida para obra de evangelização. Segue o empreendimento da mídia, escrita e falada, construção de templos, engajamento na política e as bênçãos de Deus como barganha no fator econômico para converter o mundo às igrejas pentecostais. Sem burocracia e sem a ditadura hierárquica seu avanço é progressivamente colossal!
Dr. Sigmund Freud, o pai da psicanálise disse: “o ser humano não é só razão é também emoção”. No mundo tomado pela ansiedade, medo, depressão, drogas e violência, mania de suicídio e vícios da internet, o pentecostalismo abraça e acolhe a todos com a sua gigantesca ferramenta: o emocionalismo!

Frei Inácio José do Vale
Professor e Conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião
Formador do Instituto dos Irmãozinhos de Charles de Foucauld
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Fontes:

http://www.ihu.unisinos.br/566635-brasil-a-cada-hora-nasce-uma-nova-organizacao-religiosa

http://www.ihu.unisinos.br/565856-a-grande-onda-do-pentecostalismo-no-brasil-e-as-propostas-de-alguns-bispos-para-enfrentar-a-perda-de-fieis


http://www.ihu.unisinos.br/566735-ascensao-do-pentecostalismo-da-religiao-a-politica-entrevista-especial-com-christina-vital

quarta-feira, 26 de abril de 2017

MENSAGEM DE STA. CATARINA



Santa Catarina de Sena escreveu esta carta em março de 1377 ao papa Gregório XI. E você ainda diz que os dias de hoje estão maus!

Até parece que o demônio está governando o mundo pessoalmente. O demônio nada pode, mas nós o autorizamos. Para qualquer lado me volte, só vejo que cada pessoa usa seu livre-arbítrio com vontade pervertida. Leigos, religiosos e clérigos, cheios de soberba correm atrás de prazeres, altas posições sociais, riqueza material, impureza e

miséria. Mas acima de todos esses males, eu vejo que é abominável a Deus o fato de que as flores plantadas no jardim da Igreja, que deveriam ser rosas perfumadas e espelhos de virtude, zelosos promotores da glória divina e da salvação das almas, emitem o mau cheiro do pecado, são egoístas, unem seus defeitos aos dos outros, sobretudo na perseguição à esposa de Cristo e à vossa santidade. Ai de mim, caímos no exílio da morte, entramos na guerra contra Deus. 

domingo, 16 de abril de 2017

2017- CNBB- SOBRE O ABORTO

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
Presidência
P - No. 0209/17 NOTA DA CNBB PELA VIDA, CONTRA O ABORTO

“Não matarás, mediante o aborto, o fruto do seu seio” (Didaquê, século I)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através da sua Presidência, reitera sua posição em defesa da integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural 1. Condena, assim, todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil.
O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece, na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem a do pai, nem a da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir- a-ser. Ele não viria jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde início2. Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação de cunho teológico ou religioso.

A defesa incondicional da vida, fundamentada na razão e na natureza da pessoa humana, encontra o seu sentido mais profundo e a sua comprovação à luz da fé. A tradição judaico- cristã defende incondicionalmente a vida humana. A sapiência3 e o arcabouço moral4 do Povo Eleito, com relação à vida, encontram sua plenitude em Jesus Cristo5. As primeiras comunidades cristãs e a Tradição da Igreja consolidaram esses valores6. O Concílio Vaticano II assim sintetiza a postura cristã, transmitida pela Igreja, ao longo dos séculos, e proclamada ao nosso tempo: “A vida deve ser defendida com extremos cuidados, desde a concepção: o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis”7.

O respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas. A Igreja quer acolher com misericórdia e prestar assistência pastoral às mulheres que sofreram a triste experiência do aborto. O aborto jamais pode ser considerado um direito da mulher ou do homem, sobre a vida do nascituro. A ninguém pode ser dado o direito de eliminar outra pessoa. A sociedade é devedora da mulher, particularmente quando ela exerce a maternidade. O Papa Francisco afirma que “as mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo

1 Cf. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, art. 1°, III; 3°, IV e 5°, caput. 2 CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Declaração sobre o aborto provocado, in AAS 66 (1974) 730-747, 12. 3 Sb 1,13: “Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos”. 4 Ex 20,13: “Não cometerás homicídio”. 5 Jo 10,10: “Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância”. 6 TERTULLIANO, Apologeticum, IX, 8: “É um homicídio antecipado impedir alguém de nascer... É já um homem aquele que o virá a ser”. 7 VATICANO II, Gaudium et spes, n. 51.

egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer”8. Neste tempo de grave crise política e econômica, a CNBB tem se empenhado na defesa dos mais vulneráveis da sociedade, particularmente dos empobrecidos. A vida do nascituro está entre as mais indefesas e necessitadas de proteção. Com o mesmo ímpeto e compromisso ético-cristão, repudiamos atitudes antidemocráticas que, atropelando o Congresso Nacional, exigem do Supremo Tribunal Federal-STF uma função que não lhe cabe, que é legislar.

O direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo. O Projeto de Lei 478/2007 - “Estatuto do Nascituro”, em tramitação no Congresso Nacional, que garante o direito à vida desde a concepção, deve ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado. Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros.

Essa discriminação é iníqua e excludente; “causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto”9. São imorais leis que imponham aos profissionais da saúde a obrigação de agir contra a sua consciência, cooperando, direta ou indiretamente, na prática do aborto.
É um grave equívoco pretender resolver problemas, como o das precárias condições sanitárias, através da descriminalização do aborto. Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil. Espera-se do Estado maior investimento e atuação eficaz no cuidado das gestantes e das crianças.

É preciso assegurar às mulheres pobres o direito de ter seus filhos. Ao invés de aborto seguro, o Sistema Público de Saúde deve garantir o direito ao parto seguro e à saúde das mães e de seus filhos. Conclamamos nossas comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana. Neste Ano Mariano Nacional, confiamos a Maria, Mãe de Jesus, o povo brasileiro, pedindo as bênçãos de Deus para as nossas famílias, especialmente para as mães e os nascituros.

Brasília-DF, 11 de abril de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ Arcebispo de Brasília Arcebispo de São Salvador Presidente da CNBB Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo U. Steiner, OFM Bispo Auxiliar de Brasília Secretário-Geral da CNBB

8 PAPA FRANCISCO, Catequese, 7/01/2015. 9 PAPA FRANCISCO, Discurso aos membros do corpo diplomático acreditado junto a Santa Sé, 13/01/2014.

O QUARTO EVANGELHO


O Quarto Evangelho

por Dom Henrique Soares da Costa   
Da Igreja de Maceió

( DO SITE GOTAS DA PALAVRA)



“A flor de toda a Sagrada Escritura é o evangelho, e a flor do evangelho é o evangelho que nos foi transmitido por João, cujo sentido profundo e oculto ninguém conseguirá compreender em toda a plenitude”.


“Ninguém pode captar o sentido do evangelho de João se não reclina a cabeça sobre o peito de Jesus e não recebe de Jesus Maria por Mãe”.

(Orígenes)

I. Observações preliminares 

O Quarto Evangelho é um evangelho diferente dos sinóticos. Será mesmo um evangelho ou antes uma meditação especulativa, meio hermética e até gnóstica, sobre o Cristo? Será histórico, o chamado Evangelho segundo João?

Trata-se de uma obra diversa dos demais evangelhos: ignora vocábulos caros aos sinóticos (por exemplo: não há as palavras apóstolos, evangelho, batismo, publicano, anunciar, conversão, escriba, etc). O texto contém extravagâncias: duas conclusões (cf. 20,30s e 21,24s); em 14,31 Jesus levanta-se da ceia... e depois o seu discurso continua; o modo de falar de Jesus é totalmente diverso dos sinóticos: longos discursos, numa forma monótona, repetitiva e ondulada; os temas tratados por Jesus são bem diversos: o Senhor não prega o Reino, mas a si próprio (basta pensar na abundância da expressão “EU SOU”); faltam também alguns outros temas importantes, recorrentes nos sinóticos: a infância de Jesus, as tentações, o sermão da montanha, o ensino em parábolas, as expulsões dos demônios, a transfiguração, a instituição da Eucaristia... Por outro lado, apresenta material que não consta nos sinóticos: as alegorias do Bom Pastor, da porta, do grão de trigo e da videira, o discurso sobre o pão da vida, o da ceia, a oração sacerdotal, os episódios das bodas de Cana, da ressurreição de Lázaro e do lava-pés, os diálogos com Nicodemos e com a samaritana... Enquanto nos sinóticos o ministério de Jesus dá-se quase por inteiro na Galiléia, a maior parte do Quarto Evangelho passa-se na Judéia, com poucas cenas na Galiléia. Os discursos de Jesus são numerosos e longos, ao passo que são poucos os episódios narrativos. 

No entanto, trata-se de um Evangelho (= Boa Nova): é um anúncio das palavras e obras de Jesus como mensagem salvífica a ser aceita na fé. Como os sinóticos, trata-se de um anúncio de Jesus como Messias e Filho de Deus (cf. 20,31). O Quarto Evangelho não pretende completar os sinóticos; é sim uma tradição independente, que apresenta de um modo todo próprio o mistério de Cristo! 
II. Autor, data, destinatários, história literária

Muito se estuda e muito se diz sobre o Quarto Evangelho. Segundo a tradição, seu autor é João, filho Zebedeu e irmão de Tiago Maior, um dos Doze. Seria ele o “Discípulo Amado” ou “o outro discípulo”, que aparece ao lado de Pedro. Um problema é explicar como esse João, um simples pescador galileu era “conhecido do Sumo Sacerdote” (cf. 18,15).

Segundo alguns bons estudiosos, poderíamos, hoje, pensar a formação do evangelho do seguinte modo:

(1) O Discípulo Amado é realmente João, testemunha ocular da história de Jesus e pregador do Evangelho. Com Jesus manteve diálogo íntimo e profundo e ocupou posição de prestígio, junto com Pedro: foi ele quem “viu e acreditou” (cf. 20,28): o “ver” é histórico-testemunhal, o “acreditar” é a leitura fiel do fato, a interpretação religiosa do acontecimento. Ao que tudo indica, este discípulo fora seguidor de João Batista e depois passou para Jesus. São dele as afirmações sobre o Batista: “ele não era a luz, mas viera para dar testemunho da luz” (1,8), não era o Cristo, nem o Esposo, mas apenas o amigo do Esposo (cf. 3,28-30), não realizou sinal algum, mas tudo que disse sobre Jesus era verdade (cf. 10,41). Certamente João não escreveu nada – o texto do Quarto Evangelho é de um grego bom demais para um pescador da Galiléia -, mas João é o fundamento da tradição escrita que viria depois dele. Ele realmente é o pai da tradição joanina!

(2) Do Discípulo Amado surgiu toda uma tradição. A história de Jesus de Nazaré é vista como símbolo e revelação de uma realidade superior que somente pode ser desvendada através da fé. Neste processo inserem-se os sete milagres de Jesus, chamados de sinais, que revelam juntamente com os discursos, quem é Jesus (mais uma vez, observe-se a importância dos “Eu Sou”). Também a paixão-morte-ressurreição são apresentadas de um modo novo. Por seu fundamento no apóstolo João, esta tradição tem profundo conhecimento da topografia da Palestina e da liturgia do Templo. Podemos afirmar que esta tradição já aparece difundida na Palestina antes do ano 70, em língua aramaica (pensem-se nos termos hebraicos e aramaicos usados por João).

(3) A tradição foi posteriormente cristalizada na primeira edição do evangelho, escrito em grego, com a conclusão em Jo 20,30-31. O evangelista (isto é, quem redigiu a tradição deixada pelo apóstolo João) é, portanto, este teólogo que vive no mundo grego, na Ásia Menor, e dirige-se aos judeus-cristãos de cultura grega que aí viviam. Os símbolos de João são bíblicos, há inúmeras referências às festas judaicas e alusões às Escrituras: o dualismo moral tão caro a Qumran, o Verbo que arma a tenda (ekénosen = skn = shekinhah). Há também várias alusões à excomunhão que os cristãos sofreram por parte da sinagoga lá pelo ano 90. Aos judeus-cristãos, refutados pelos judeus, o evangelista convida a permanecer na palavra de Jesus e no seu amor (cf. 8,31; 15,7.9)... “para que continueis a acreditar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus... e tenhais a vida em seu nome” (20,31).

(4) Finalmente, numa segunda edição, além de alguns retoques internos, acrescentou-se o capítulo 21, com nova conclusão geral, exaltando o Discípulo Amado; tanto ele quanto Pedro morrerão; ficará a Igreja com as duas testemunhas: a tradição joanina e o ministério de Pedro (cf. Jo 21,22s; 21,19; 21,15ss). Assim, com toda certeza, o Evangelho de João encontrou sua redação final já entre os anos 90 e 100 de nossa era. 
III. O Jesus de João 

Para João, Cristo é o Enviado, revelador do Pai. É o Filho de Deus, Senhor, Salvador, pão da vida, luz do mundo, bom pastor, caminho, verdade e vida, ressurreição, verdadeira videira e Verbo encarnado.

João tem um núcleo histórico e apresenta o Jesus histórico, mas seu evangelho não é primariamente uma narração historicamente fidedigna no sentido atual nem é uma crônica de fatos ligados a Jesus de Nazaré. Trata-se, antes, do sentido soteriológico (= salvífico) de sua vida, morte e ressurreição e, mais ainda, de sua Pessoa. O evangelho de João não dissolve a história, mas nos fatos históricos descobre uma significação profunda, que aponta para a identidade e am issão de Jesus, o filho de Deus, revelador único e absoluto do Pai: seu fundamento é a consciência da importância histórica, concreta de Jesus: “O Verbo se fez carne e armou tenda entre nós!” (1,14).

No entanto, a linguagem dos discursos de Jesus não é de Jesus, mas do evangelista (basta comparar com as epístolas e as palavras do próprio Batista – cf. Jo 3,27-36)! Isso não quer dizer que o evangelista tenha imposto uma teologia sua a Jesus, tenha inventado um Jesus: em João, Jesus revela-se a si mesmo como o Salvador e caminho para o Pai, já que dele vem. A intenção do evangelista é explicitar a revelação acontecida na pessoa e na história de Jesus de Nazaré; com sua linguagem própria, ele transmite o que o Senhor revelou e o que a Comunidade eclesial experimentou na fé (cf. 3,11; 21,24). João, numa teologia bem desenvolvida, contempla Jesus do alto da sua glória de ressuscitado. A gente somente compreende bem o Jesus de João e seus gestos e palavras, quando o contempla como o Glorioso-Ressuscitado! Na pobreza dos dias terrenos de Jesus, João deseja mostrar a glória do Filho de Deus. 
IV. Uma proposta de leitura de João

Um esquema do Evangelho de João é muitíssimo discutido. Sendo assim, apresentaremos apenas algumas pistas para a leitura. 

A. PRÓLOGO (1,1-18)

Trata-se de um hino oriundo dos círculos joaninos que fala da revelação de Deus, de como ele se explicou para nós: através do seu Verbo existente desde o princípio e, depois, feito carne.

Esquema:

A. O Verbo voltado para Deus (vv. 1-2) A’. O Filho no seio do Pai (v. 18)

B. Papel na criação (v. 3) B’. Papel na recriação (v. 17)

C. Dádiva à humanidade (vv. 4-5) C’. Dádiva à humanidade (v. 16)

D. Testemunho de João (vv. 6-8) D’. Testemunho de João (v. 15)

E. O Verbo vem ao mundo (vv. 9-11) E’. O Verbo se faz carne (v. 14)

F. Por intermédio do Verbo nos tornamos filhos de Deus (vv. 12-13)

B. O LIVRO DOS SINAIS (1,19 – 12,50)

Apresenta o ministério de Jesus: por sinais e palavras ele se mostra ao seu povo como revelação do Pai. O resultado é a rejeição.

a) A semana inaugural: Primeiro dia (vv. 19-28), segundo dia (vv. 29-34), terceiro dia (vv. 35-39), quarto dia (vv. 40-42), quinto dia (vv. 43-51), sétimo dia (vv. 2,1-11): “No terceiro dia houve núpcias e ele manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele”. 

b) Os sete sinais:

O primeiro sinal: a água transformada em vinho (2,1-11): o vinho de Jesus é o último a ser servido, é o melhor e mais abundante: o Cristo fulgura no seu sinal, que produz a fé dos discípulos.

A isso seguem-se três narrativas com a mesma lógica de recriação e superação: a purificação do Templo (Jesus é o novo templo); o encontro com Nicodemos, judeu que estuda Jesus e vem procurá-lo nas trevas (é necessário nascer do Alto, pela água e o Espírito) e o encontro com a Samaritana (Jesus é o Salvador do mundo que dá á água da vida; por ele é possível adorar o Pai em espírito e verdade, superando Jerusalém e o Monte Garizim).

O segundo sinal: a cura do funcionário real em Caná (4,43-54), encerra esta seção. ”Se não virdes sinais não acreditareis...” – Jesus relativiza os sinais: são importantes se levam ao entendimento. Observe-se que o funcionário é um pagão (o centurião?), como os samaritanos que creram. Este sinal, onde Jesus age somente pela sua palavra, já prepara o próximo... 

Dos capítulos 5 – 10 são as festas judaicas que servem de marcos para a revelação de Jesus.

O terceiro sinal: a cura do paralítico de Betesda, numa Festa (segundo muitos Pentecostes, festa dos sete sábados): ele faz o que somente Deus pode fazer no sábado; ele tem o poder de julgar.

O quarto sinal: a multiplicação dos pães, numa festa da Páscoa: Jesus é o novo Pão, o novo ázimo: pão de sua Palavra, de sua Carne e seu Sangue. (Na purificação do Templo Jesus já havia expulsado as ovelhas e os bois: ele é o novo Cordeiro!).

O quinto sinal: Jesus caminha à noite sobre as águas: evocação do Êxodo, juntamente com a multiplicação dos pães. Ele se revela como o EU SOU!

O sexto sinal: a cura do cego de nascença, na Festa dos Tabernáculos (procissão de luzes e água lustral de Siloé): Cristo dá a vista ao cego, mandando-o lavar-se em Siloé: “quem tem sede venha a mim e beba!” – promessa do Espírito.

O sétimo sinal: Jesus ressuscita Lázaro logo após a Festa da Dedicação: ele se apresenta como o verdadeiro Consagrado-Dedicado ao Pai. A ressurreição de Lázaro é antecipação da de Jesus e da dos que nele acreditam: “Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; os que a tiverem ouvido, viverão!” O óleo de Maria guardado para a sepultura e o grão de trigo que cai e morre ligam a morte de Lázaro à de Jesus. 

c) A conclusão final: a rejeição de Jesus (12,37-50) 


C. O LIVRO DA GLÓRIA


Aos que o aceitam Jesus revela sua glória, retornando ao Pai pela sua Páscoa. Plenamente glorificado, ele comunica o Espírito de vida.


A Última Ceia, com o lava-pés, gesto de extrema humilhação (segundo O. Cullmann é representação não somente da morte como também da Eucaristia, carne e sangue oferecidos ao homem).


O último discurso, centrado nos temas da fé e do amor. – agora o preceito já não mais é amar o próximo como a si mesmo, mas como Jesus que dá a vida. Jesus promete por cinco vezes o Paráclito e termina confiando ao Pai sua Comunidade.


A narrativa da paixão. Cristo é preso numa cena epifânica (EU SOU). A narrativa desenvolve-se em quatro cenas: no jardim, o Eu Sou; o processo judaico, o processo romano que se dá em torno das idéias de “rei” e de “verdade”; finalmente a cruz, que revela a verdadeira realeza de Jesus. Com o “Está consumado!” Jesus, do alto, celebra seu triunfo. A cena do lado aberto é de rico significado...


Jesus ressuscitado: é necessário um olhar diferente para reconhecê-lo; já não se pode retê-lo – ele é transcendente. O Ressuscitado doa o Espírito. 


D. COMPLEMENTO 


O capítulo 21 é complemento posterior, resultado da segunda redação. Pedro e João, as testemunhas desaparecem: permanece a Igreja, com o ministério petrino, que deve amar e apascentar e a certeza de ser amada pelo Senhor. Assim encerra-se uma época – a das primeiras testemunhas.


Conclusão geral (20,30-31) 


V. Conclusão 


Ler e meditar o Evangelho de João é uma verdadeira experiência mística de Cristo. É um texto para ser saboreado num clima de oração, docilidade ao Espírito Santo e profundo espírito de fé e intimidade com o Senhor.


Além de apresentar o mistério de Cristo deu m modo saborosíssimo, João apresenta-nos os temas fundamentais da fé e do amor, a revelação mais completa dos mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação do Verbo, Filho eterno e Unigênito no seio do Pai, que nos torna filhos adotivos. Apresenta-nos também pontos sobre a doutrina a respeito da Igreja (cf. 10,1-18; 15,1-17; 21,15-17) e dos sacramentos (cf. 3,1-8; 6,51-59; 20,22-23) e apresenta-nos muito sobre o papel da Virgem Maria, a “Mulher”, nova Eva, Mãe da nova humanidade resgatada (cf. 2,1-5; 19,25-27).


Por tudo isso, vale a pena uma leitura meditada, estudiosa e orante do Quarto Evangelho.




sábado, 15 de abril de 2017

CONVERSÃO

SE NÃO HOUVER CONVERSÃO, A 3ª GUERRA MUNDIAL VEM AÍ! LEIA AS MENSAGENS DE MARIA EM MEDJUGORJE:

NOSSA PÁSCOA É A DE JESUS!


16/04/17 

Se a nossa Páscoa for mera comemoração,
Louvor, honra e glória ao consumismo
Dos ovos e coelhinhos de chocolate,
Dos perus recheados e leitoas pururucas
A MORTE – RESSURREIÇÃO de Jesus não passou de faz-de-conta!

Se for também a Páscoa da insensibilidade:
Das diferenças e indiferenças,
Dos partidarismos e egoísmos,
Dos dominadores e dominados,
Dos “civilizados” e “não civilizados”,
Da fome e da miséria,
Será um triste agravo a quem se fez doação,
Entregando tudo, inclusive, a própria vida!

A nossa Páscoa será como a PÁSCOA DO SENHOR:
Rompimento com a morte – aliança com a Vida!
Vida que não se interrompe pelo egoísmo,
Que não é esmagada para se poder subir,
Que não é mentira para se manter no poder,
Que não é usada, gasta e descartada
Em troca da ganância e da riqueza de poucos!

Será, de verdade, a PÁSCOA – PASSAGEM:
Da servidão para a liberdade,
Da fome para a fartura,
Da mesquinhez para a partilha,
Da ignorância para a Luz,
Da angústia para a alegria,
Da morte para a Vida!

CREMOS E AFIRMAMOS que ressuscitar com Jesus,
Neste  momento,
É fazer o Ser Humano ter Vida e ser Gente,
É amar e ser amado,
É ser construtor de uma história de amor
Sem vencedores ou vencidos.
É ajudar a lançar sementes de paz
Nos campos da humanidade
Para que neles floresçam sorrisos
E abundem frutos de fraternidade!

João José Corrêa Sampaio

Prof. João J. C. Sampaio
Curso de Filosofia
Universidade de Sorocaba
Rodovia Raposo Tavares Km 92,5

Sorocaba/SP.

sábado, 8 de abril de 2017

A OBRA DO CALVÁRIO



A Obra do Calvário

“Deus amou o mundo de tal modo, que deu seu Filho único, para que todos o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).

A obra do Calvário é a mais alta expressão do amor de Deus. Sem ela não haveria a manjedoura, a Páscoa e a Igreja. Por essa gloriosa obra há profundas revelações e conexões: Anás, Caifás e a inquisição religiosa, Barabás e a multidão, Pilatos e a bacia, Pedro e o galo, Simão Cireneu e a cruz, Maria e os amigos, o soldado e a lança, o ladrão e o paraíso.

Foi dito: “verdadeiramente este era filho de Deus”. Viu alguém morrer de amor, entendeu que essa obra é toda de amor de Deus. Essa é a mais sublime confissão de fé declarada no Calvário. “Sangue, água e a Igreja”, (Sacramentos e o Corpo de Cristo) fundamentos e sustentáculos dos discípulos que caminham no amor do reino de Deus.

A suprema beleza está no amor, sobre o Calvário, o amor se entrega completamente para ser pregado, pobre, humilhado e nu, esse é o lugar para morrer de amor. Belíssimo é quem morrer de amor! A cena do Calvário é a mais abissal que existe na face da terra. É paradoxal e tomado de mistério...

As representações da Semana Santa tem uma capacidade de mobilizar multidões cuja essência ultrapassa claramente os limites da crença devocional, do domínio eclesiástico, do contexto turístico-cultural, das crises humanas e sociais. Tudo por causa do amor que respinga do Calvário.

“Ecce Homo”, é a expressão mais conhecida do drama da Paixão evocando o julgamento de Cristo, quando o governador romano Pôncio Pilatos se dirigiu à multidão e proclamou “Eis o Homem”, em latim “Ecce Homo”. Ou seja, “Eis o Amor” que é entregue gratuitamente por todos. “Eis o Homem”. O conjunto da obra de amor: três pregos, a cruz, o condenado, o pregador, a rejeição e o Calvário.

Diante desse fato colossal e dramático da Paixão, quantos não fazem parte do sistema religioso que ainda hoje crucificam inocentes? Assim também, muitos miseráveis, excluídos restam tão somente para eles o amor do Calvário em prol da sua remissão!

Os desgraçados são os protagonistas do espetáculo de horror e adentram no que há de mais primitivo da raça humana crucificando assim mesmo e onde existem expressões de amor. Quem não é participante da crucificação com eles é também crucificado, no entanto é partícipe da graça, ou seja, são agraciados pelo amor de Deus.

Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche que condena o cristianismo como algo próprio de fracos, de doentes, de escravos, de pessoas que inverteram os valores próprios da vida, fazendo da doença, da fraqueza, da submissão os novos bens. No entanto, é melhor ser fraco, leigo, ou a ralé de crucificados, do que ser poderosas autoridades civis e eclesiásticas crucificantes! Tais autoridades são desconstruidoras do Calvário do amor pela vida, e construtores de calvários que eliminam seus opositores.

O Calvário é expressão máxima do amor de Deus para aqueles que não têm vez e nem voz, nem eira e nem beira. Para o pobre pecador arrependido.


Frei Inácio José do Vale
Professor e conferencista
Sociólogo em Ciência da Religião
Formador dos Irmãozinhos da Visitação da Fraternidade de Charles de Foucauld

quinta-feira, 6 de abril de 2017

SANTA CATARINA DE SENA


adendo nosso: 

Mesmo analfabeta, escreveu, por meio de uma secretária, mais de 300 cartas que enviava a pessoas simples e às autoridades, até mesmo ao papa. Foi a promotora do retorno do papa a Roma, exilado que estava em Avinhão na França. Veja no blog e no site da catequese um resumo de seu livro O DIÁLOGO, em que relata suas conversas com Deus. 

da Gaudium Press:

No princípio, achava tratar-se simplesmente de um exagero de expressão, próprio à nacionalidade de ambos, mas a santa de Siena continuava de modo sério:

Redação (Terça-feira, 04-04-2017, Gaudium Press) O confessor, que muito conhecia e admirava Catarina, não sabia o que pensar sobre o que esta dizia em sua última confissão.

- É verdade, Padre. Posso dizer que estou privada de meu coração. O Senhor me apareceu, abriu-me o peito do lado esquerdo, e o levou consigo.

Tentou então o Padre dissuadi-la, dizendo ser impossível continuar viva sem tal órgão. Ela, porém, retrucava dizendo que para Deus nada é impossível, e que estava convencida de não possuir mais o coração.

De fato, tempos antes, em um dia no qual a santa rezava com grande fervor o salmo de Davi: "Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza", (Sl 50, 12) lhe havia aparecido o Divino Mestre, e, tendo aberto o peito dela, tirou-lhe o coração. Daí fazer tal afirmação com tanta certeza.

E, assim, viveu sem o órgão vital durante certo tempo.

Um dia, porém, estava ela na capela da Igreja dos frades pregadores, onde costumavam reunir-se as irmãs da Penitência de São Domingos. Terminada as orações, todas se retiraram. Catarina, contudo, ficou sozinha rezando. Quando já ia sair, uma forte luz a envolveu, e lhe apareceu o Senhor, tendo nas mãos um coração humano resplandecente. O Redentor se aproximou dela, abriu-lhe o peito e disse:

- Caríssima filha, como no outro dia tomei teu coração, dou-te, pois, agora o meu.

Catarina tomada de uma grande alegria sentia em seu interior as palavras de São Paulo: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim" (Gl, 2, 20).

E no seu peito ficou para sempre a cicatriz da sublime ferida. (1)


Por Irmã Maria Teresa Ribeiro Matos, EP
(Do Instituto Filosófico Teológico Santa Escolástica - IFTE)

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(1) Cf. UNDSET, Sigrid. Santa Catarina de Siena. Trad. Maria Helena Amoroso Lima Senise. Rio de Janeiro: Agir, 1956, p. 91.




Santa Catarina de Sena: exemplo luminoso de amor a Cristo e à Igreja


29 DE ABRIL- Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja festeja nesta terça-feira (neste dia) a memória litúrgica de uma gigante da fé, Santa Catarina de Sena, virgem, doutora da Igreja, padroeira da Itália e co-padroeira da Europa, que vestiu o hábito das Irmãs da Penitência de São Domingos (Ordem Terceira de São Domingos).

Tendo vivido na segunda metade do Séc. XIV, lutou com força em favor da paz e do retorno do Pontífice de Avignon para Roma. Mística corajosa, a figura de Santa Catarina tem ainda uma extraordinária atualidade. Sinal disso é a sua proclamação, em 1999 – pelo Papa São João Paulo II –, como co-padroeira da Europa.

No Séc. XIV, em que a Europa cristã se dividia em lutas fratricidas, esta humilde consagrada – analfabeta até a idade adulta e que depois veio a tornar-se doutora da Igreja – não teve medo de dirigir-se com determinação a papas e reis, a eclesiásticos e homens das armas para indicar "Cristo crucificado e a doce Virgem Maria" aos contendedores.

"Faz certa impressão – escreve São Karol Wojtyla proclamando-a co-padroeira da Europa – o tom livre, vigoroso, agudo com o qual ela adverte sacerdotes, bispos e cardeais." E também ao Pontífice, a quem define "doce Cristo na terra", pede que, sem mais tardar e sem hesitações, deixe Avignon e volte para Roma, junto ao túmulo de Pedro.

Ademais, Catarina a mística – desde criança em diálogo com o Senhor na "cela interior" de sua alma – já havia manifestado sua coragem em tenra idade quando desafiando a vontade dos pais renunciou a um matrimônio terreno para unir-se em esponsalício a Cristo. De fato, somente assim sentia fazer a vontade de Deus.

E no final de sua vida, aos 33 anos, disse aos que a assistiam no momento de sua passagem ao Pai: "Tenham por certo, caríssimos, que dei a vida pela Santa Igreja". Era o ano 1380. Passaram-se 80 anos e Catarina foi canonizada por outro filho da cidade de Sena, o Papa Pio II.

Na iconografia, desde cedo Santa Catarina passou a ser representada com um livro e um lírio branco: símbolos de sabedoria e pureza. Duas virtudes que se fundam naquela realidade especial que é a Santidade.

Seu "Epistolário", sua coletânea de oração, o "Diálogo sobre a Divina Providência" alcançam ápice extraordinário de riqueza espiritual e são um patrimônio que o tempo não consegue desvanecer.

"Aprendemos de Santa Catarina a ciência mais sublime: conhecer e amar Jesus e sua Igreja", disse Bento XVI em audiência geral cuja catequese foi a ela dedicada. E dela, disse ainda, aprendamos novamente "a amar com coragem, de modo intenso e sincero, Cristo e a Igreja." (RL)
























































Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

AO COMUNGAR, CUIDADO!

03/04/2017
Precisamos ter muito cuidado ao comungarmos. Estamos recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus de modo real, verdadeiro. Não podemos deixar que partículas do pão consagrado caiam ao chão. Jesus se deixou ficar entre nós na Eucaristia de modo muito indefeso. Podemos fazer o que quisermos com seu Corpo e Sangue, mas se não tomarmos cuidado as partículas serão pisoteadas por outros. São Pio de Pietrelcina era muito cuidadoso, como se pode ver em suas missas, algumas delas filmadas. Você as pode ver no You Tube, mas eu vou deixar aqui um link. Copie esse link e o cole na janela de pesquisa do you tube. É a última missa de São Pio de Pietrelcina e você pode ver com que devoção ele comungava e tinha cuidado com as partículas. 
Ademais, se o corpo dele está ainda incorrupto, é porque Deus gostava dessas atitudes dele.
Outro cuidado na comunhão é estar em estado de graça, ou seja, sem pecado grave. Os pecados leves são perdoados no ato penitencial, e é por isso que eu insisto em nunca chegar atrasado (a) à missa. Quem perde o ato penitencial não deveria comungar!
São Paulo fala no capítulo 11 da carta aos coríntios que os que comungam indignamente são réus do Corpo e do Sangue de Cristo. Veja por você mesmo(a)1ª Coríntios 11:26-30:
“Porque, sempre que comerem deste pão e beberem deste cálice, vocês anunciam a morte do Senhor até que ele venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.  Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram”.
Vejo muitos artigos, na internet, condenando a comunhão na mão, como a do bispo Athanasius Schneider, que você pode assistir colando este link na busca do you tube: https://youtu.be/1grq2tHNPp8 . O problema é que comungar na mão é algo irreversível, ou seja, acredito que nunca mais voltará a comunhão diretamente na boca, pelo menos na maioria das igrejas, ainda mais com esse perigo de contágio de doenças atuais.

A solução é uma instrução maior por parte dos senhores párocos. Vejo aí a solução para o caso. Que ensinem os paroquianos a tomarem cuidado com a sagrada partícula. Muitos dizem que Jesus não teve nenhuma preocupação com as migalhas do pão que ele consagrou, mas acho que isso não é desculpa. Se acreditamos que o pão consagrado é o Corpo e o Sangue de Cristo, temos que tratá-lo com todo o cuidado e reverência que Jesus merece. Eu particularmente acho muito constrangedora a comunhão diretamente na boca, além de facilitar a falta de higiene e ser perigosa quanto ao contágio de doenças.