domingo, 27 de março de 2016

CONFISSÕES DE UM CONVERTIDO

Ex-pastor protestante explica a fórmula que usava para “converter” católicos


Eu fui protestante durante vinte anos antes de me converter ao catolicismo.
Eu fiz muitas pessoas deixarem a Igreja Católica. Minha fórmula para os católicos deixarem a Igreja em geral era composta de três etapas.

Passo 1: Convidar os católicos a terem uma experiência de conversão em um ambiente protestante.

Muitas comunidades eclesiais fundamentalistas, evangélicas e carismáticas têm programas dinâmicos para os jovens, intensos ofícios religiosos toda quarta-feira e domingo à tarde e pequenos grupos de estudos bíblicos. Além disso, eles patrocinam cruzadas, seminários e concertos especiais. Os católicos, convidados por um amigo protestante, podem assistir a um ou mais desses eventos sem deixarem sua participação nas missas de domingo em sua paróquia local.

A exposição da doutrina protestante é simples: se arrependerem de seus pecados e seguir a Cristo na fé. Além disso, salientam a importância de uma relação pessoal com Jesus e a recompensa da vida eterna. A maioria dos católicos que frequenta estes eventos não está acostumada a ouvir tais desafios diretos a abandonar o pecado e seguir a Cristo. Consequentemente, muitos católicos experimentam uma verdadeira conversão.
Devemos louvar o fervor protestante, colocando-o para promover conversões.

Os líderes católicos devem aumentar as oportunidades para as pessoas terem e se agruparem em um ambiente católico.
A razão é simples: cerca de cinco em cada dez pessoas adotam a crença na qual experimenta sua conversão. Esta percentagem é ainda maior para aqueles com conversões profundas ou experiências carismáticas graças a protestantes. (acreditem em mim, eu sei muito bem, me formei em uma escola da Assembleia de Deus e fui ministro da juventude em duas comunidades carismáticas).

Pastores, líderes da juventude, ministros e leigos estão bem cientes de que as experiências de conversão em ambientes protestantes muitas vezes causam a adesão à fé e à “igreja” protestante.

Questões importantes:

Por que existem tantos líderes católicos que não têm conhecimento disto?
Por que são tão indiferentes a um processo que tirou centenas de milhares de católicos da Igreja?


Passo 2: “Dê à conversão uma interpretação protestante”.

A conversão genuína é uma das experiências de vida mais preciosas, comparável ao casamento ou ao nascimento de uma criança. A conversão desperta uma fome profunda de Deus. Os ministros protestantes eficazes treinam seus trabalhadores para que deem seguimento a esse vivo desejo espiritual.

Antes de uma cruzada em um estádio, ele capacita seus trabalhadores por seis semanas. Ele mostra como apresentar uma interpretação protestante da experiência de conversão fazendo uso seletivo de versículos da Bíblia.
A citação escolhida, é claro, João 3.3, o verso sobre “nascer de novo”: “Jesus lhe respondeu: Eu lhe asseguro, se alguém não nascer de novo, não poderá  ver o reino de Deus”.

Ele está usando uma técnica semelhante à “touch and go” que é usada em treinamento de pilotos para pousos e decolagens. Jogamos João 3,3 brevemente para mostrar que era necessário nascer de novo para a vida eterna. Logo a conversão era descrita em termos de nascer de novo. Fazíamos uma abordagem rápida antes de ler João 3.5 que enfatiza a necessidade de nascer da água e do Espírito.

Porém, nunca se dizia a eles que por 20 séculos as igrejas ortodoxas e católicas, ecoando os ensinamentos unânimes dos Padres da Igreja, entendiam essa passagem como referência ao sacramento do batismo! E, obviamente, nunca fazia a citação de Tito 3.5 (“Nos salvou … pela regeneração pelo batismo e renovação pelo do Espírito Santo”) como referência paralela à João 3: 5.

à Na minha experiência como protestante, todos os católicos que tiveram uma conversão em um ambiente protestante não tinham firme conhecimento da fé católica.

Em vinte anos de ministério protestante, eu nunca conheci um católico que sabia que João 3: 3-8 descreve o sacramento do batismo. Assim, não era muito difícil convencê-los a ignorar os sacramentos e, ao mesmo tempo, a igreja que os praticava, ensinava e enfatizava.

O livro de Provérbios diz:
Quem advoga sua causa, por primeiro, parece ter razão; sobrevém a parte adversa, que examina a fundo “(18:17).
Católicos que não têm uma base bíblica para as suas crenças nunca ouvem o resto da história. Meu uso seletivo da escritura fazia parecer que a perspectiva protestante tinha todas as luzes seguras. Ao longo do tempo, esta abordagem unilateral das escrituras fazia os católicos rejeitarem sua fé católica.


Passo 3: “Acusar a Igreja Católica de negar a salvação pela graça.”

Os católicos geralmente consideram que os protestantes que fazem proselitismo são intolerantes. Isto é injusto e impreciso; uma profunda caridade vigoriza seu fervor equivocado.
Só havia uma razão que me fazia tirar os católicos de sua Igreja: pensava que estavam indo para o inferno!
Eu pensava que a Igreja Católica negava a salvação pela graça. Eu sabia que qualquer um que acreditasse nisso não ganharia o Céu.

Eu usava Efésios 2,8-9 para convencer os católicos que era essencial deixar a Igreja: “Porque fostes salvos pela graça mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; Não vem das obras, para que ninguém se glorie. “
Primeiro, dizia “a Bíblia indica que a salvação é pela graça e não pelas obras. Certo? ” A resposta foi sempre sim.
Então dizia “a Igreja Católica ensina que a salvação é pelas obras. Certo? ”
Eu nunca conheci um católico que não dissesse sim! Absolutamente todos os católicos que conheci durante meus 20 anos de ministério confirmaram minha ideia equivocada de que o catolicismo ensinava que a salvação era pelas obras e não pela graça)!
Finalmente, lhes dizia “a Igreja Católica está sendo fiel ao inferno quando nega que a salvação seja pela graça. Melhor fazer parte de uma igreja que ensina o verdadeiro caminho para o céu!“.

Como também fazia uma rápida revisão do livro de Efésios, eu raramente citava versículo 10 que diz:
“Com efeito, somos obras sua criados em Cristo Jesus para as boas obras, que Deus de antemão preparou para que nós praticássemos.”

Preste muita atenção ao Evangelho que pregam nos estádios, na televisão e no rádio. Nove em cada dez vezes enfatizam Efésios 2,8-9, mas nunca mencionam o versículo seguinte:
Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus.
Não provém das obras, para que ninguém se glorie.
Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.
Isso é uso seletivo das escrituras.

O Catolicismo ensina e acredita na mensagem completa de Efésios 2, 8-10, sem equívocos ou cerceando a verdade.
Por vinte séculos da Igreja Católica fielmente ensinou que a salvação é pela graça.
Pedro, o primeiro Papa disse:
“Mas nós acreditamos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus” (Atos 15, 11).

O Catecismo da Igreja Católica, totalmente endossado pelo Papa João Paulo II, diz: “Nossa justificação vem da graça de Deus” (No. 1996).

O protestantismo começou quando Martinho Lutero declarou que somos justificados (feitos justos) pela fé. Quando trabalhava para que os católicos deixassem a Igreja, eu não me dava conta que Martinho Lutero acrescentou a palavra “somente” à sua tradução de Romanos 3:28 para provar sua doutrina.
A palavra “apenas” não é encontrada em qualquer tradução contemporânea protestante em inglês de Romanos 3, 28)!!

Eu não percebi que o único lugar na Bíblia que a menção de “fé somente” no contexto da salvação é em São Tiago 2,24, onde a ideia de somente fé é explicitamente REFUTADA:
Você vê como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.”

Este versículo era perturbador, mas eu o ignorei ou deturpei inconscientemente para significar outra coisa que o versículo e seu contexto claramente ensina!
Steve Wood


Quem é Steve Wood?
Ex-diretor do Instituto Bíblico da Flórida, ex-pastor de uma igreja evangélica interdenominacional. Ele também estava servindo em Costa Mesa na Igreja Evangélica “El Calvario” ao fazer os seus estudos em um instituto da Assembleias de Deus. Ele trabalhou em projetos de evangelização da juventude; foi líder de ministérios evangélicos na prisão; organizou o Instituto de estudo bíblico para adultos. Em seguida, fez estudos de pós-graduação no famoso Seminário Evangélico de Teologia de Massachusetts Gordon-Conwell.

Entre outras coisas em seu testemunho de conversão Steve diz:

Quanto mais eu estudava os primeiros séculos da igreja primitiva mais eu percebia que se assemelhava a Igreja Católica. Estudar mais os “primeiros padres da Igreja” e examinar mais a Bíblia. Mas houve uma confusão em mim. Para piorar as coisas, eu descobri que dois dos meus colegas do seminário mais inteligentes e anticatólicos começaram também a pensar em se tornarem católicos. “Um dia, quando estava pregando”, continuou Steve dizendo: “Eu senti o Senhor me dizendo: ‘Agora ou nunca’. Em meio a tudo isso eu percebi a fé verdadeira e reconheci que ia perder tudo: Perder o meu emprego como pastor; eu não poderia sustentar a minha família, era a minha carreira e meu chamado. Eu tinha passado 20 anos me preparando para ser um ministro protestante e Deus me disse: Faça isso agora! … e eu fiz ”
“Pedi desculpas à minha congregação reunida. Os líderes anciãos me ouviram. Eu lhes disse que não podia continuar enganando a mim mesmo. Minha peregrinação à Igreja que Cristo fundou, a Católica, já tinha começado. Então eu orei mais, estudei mais, conheci a plenitude e cheguei. A plenitude de um relacionamento pessoal com Cristo é ter uma relação pessoal também com o corpo de Cristo, a Sua Igreja (1 Cor 12) Católica.

Fonte: leia na íntegra em inglês catholiceducation.org
Tradução: romadesempre

sexta-feira, 25 de março de 2016

TESTEMUNHAS DA MISERICÓRDIA


03/02/16

Deus sempre perdoa. Todos nós que fomos perdoados e acolhidos por ele, somos testemunhas de sua misericórdia. Pedir perdão e recomeçar sempre! Eis o segredo da perseverança. Achar-se “sem pecado” é o maior pecado que existe, contra o Espírito Santo, e não tem perdão (Mateus 12,31-32), porque a pessoa que se acha assim, nunca vai pedir perdão. 

Reconheçamos, pois, nossos pecados, nossas fraquezas, diante de Deus, peçamos-lhe perdão e recomecemos nossa vida com maior ânimo e alegria! Sejamos, pois, sempre, “Testemunhas da Misericórdia”!

O maior erro de uma pessoa é não pedir perdão, não confiar no perdão divino. “O que mais fere o meu Coração não são os pecados, mas o fato das pessoas não quererem refugiar-se em mim depois de tê-los cometido”! (Jesus à Irmã Josefa Menendez). Veja quando puder Lucas 17,3-4; Mateus 6,14-15; 18,21-22.34-35; Isaías 43,18-19; Filipenses 3,13-14; Miqueias 7,19 (“Vou jogar seus pecados no mais fundo do mar”).

Na narrativa da Santa Ceia, vemos como Jesus disse a Pedro que se ele não o deixasse lavar seus pés, não teria parte com ele. Deixar que Jesus lave os nossos pés é deixar que ele nos ajude, que ele nos oriente, nos mostre o caminho da verdade, de nossa verdadeira liberdade para a Vida Eterna! 

Poderíamos talvez substituir o que Jesus disse em Apocalipse 3,20, “A quem me abrir a porta, eu cearei com ele e ele comigo”, por: “A quem me abrir a porta, eu lavarei os seus pés”. 

Por que nos fecharmos em nós mesmos, em nossas pretensas capacidades, e não pedirmos a ajuda divina? Por que essa asneira? É pura vaidade, puro orgulho!

Senhor, eu permito que me laveis meus pés! Sim, não quero fazer sozinho o que tenho que fazer! Quero e peço a vossa ajuda! Não me deixeis sem a vossa graça, o vosso amor, o vosso perdão, a vossa luz! Não quero caminhar no escuro!



Amigo (a), deixe-se levar por Jesus, deixe que ele lave os seus pés, que o (a) perdoe, e você também será uma TESTEMUNHA DA MISERICÓRDIA!

NOSSOS TRÊS ENGANOS



20/01/16

Segundo o Papa Paulo VI, num comentário do missal cotidiano sobre a primeira leitura da quarta-feira da segunda semana comum, ano par, de 1ª Samuel 17,33 ss.

1º ENGANO- 

“Enganarmo-nos interiormente pelas aparências de bem que o mal às vezes aparenta”.

2º ENGANO-

“Deixarmo-nos sufocar pelos obstáculos à verdadeira liberdade da reta consciência”.

3º ENGANO-

“Levados pelas lisonjas, acabamos cedendo à aquiescência e à experiência do mal”. Ou seja, preferimos conservar os amigos, mesmo que para isso vamos nos deixar levar pelo pecado. 

O pecado exerce sobe nós uma atração muito forte e acabamos sendo levados por ele e por ilusões como a de que não vamos conseguir ficar sem praticar aquilo, ou que a tentação não vai passar nunca, ou que vamos ser felizes se fizermos aquilo.

Muitas vezes vemos o mal como se fosse um bem, e isso atrasa nossa vida! Vamos perceber nosso engano tarde demais.

Um jovem evangélico contava a outros que naquelas férias Deus tinha “preparado” uma garota para ele, e acabaram pecando. Eu lhe mostrei que ele acabara de fazer, talvez, um pecado contra o Espírito Santo, pois era algo mau o que ele fizera, e isso nunca teria sido preparado por Deus.

Deus não “prepara” pecado algum para quem quer que seja! Veja Mateus 12,31-32: Esse tipo de pecado, de atribuir coisas más a Deus, “não tem perdão nem neste mundo, nem no vindouro”.

Muitas pessoas não sabem o que é pecado. Quando sabem, muitas ve3zes pecam apenas para não contrariar os amigos (3º engano). Ficam “sem graça” de praticar o que é correto, para não serem chamados de “xarope” pelos amigos.

Outros desistem da luta, “dependuram a chuteira”, e, para isso, deixam a comunidade eclesial a que pertencem, deixam a leitura bíblica e as orações. 

O comentário do missal dominical referente a 1ª Coríntios 10,1-12 e Lucas 13,1-9 (3º dom. da quaresma ano C) fala da gravidade e da seriedade da conversão. A graça de Deus, sozinha, não é suficiente. É preciso, também, nosso empenho, nossa colaboração. Eis o comentário:

“O caminho de conversão pode levar a opções dilacerantes e que transtornam, situações em que não é fácil ou até impossível voltar atrás ou serem modificadas”. E enumera: divórcio, rompimento com a Igreja ou com a vida sacerdotal ou religiosa, concubinato com filhos, uma inesperada e não desejada maternidade (que às vezes leva ao aborto), o não estar psicologicamente preparada para aceitar um filho, um viciado em drogas, uma grande injustiça sofrida, o comportamento de desconfiança e de ciúmes entre marido e mulher ou entre pais e filhos, conflitos entre famílias, vinganças...”

“No entanto, sempre e em todos os casos, é válido o apelo à conversão. É um caminho longo e difícil, que dilacera o coração e exige o respeito e o auxílio de toda a comunidade”.

Jesus nos pede a conversão custe o que custar, embora muitas opções não dependem mais de nós. Ele nos dá força para vencermos, para retomarmos nosso caminho. Veja Hebreus 12, 4: “Vós ainda não resististes até o sangue na vossa luta contra o pecado”!

Talvez possamos vencer as tentações nos conscientizando disto:

1- A tentação dura pouco. Amanhã ela “já era”.

2- A pessoa que peca fica frustrada e humilhada se não vencê-la.

3- Se a pessoa vencê-la, ficará satisfeita com a vitória, sentir-se-á mais feliz em saber que não pecou, e, o melhor de tudo, sentirá no mais profundo de sua alma a graça e a presença de Deus. Deus nunca abandona quem luta por seu amor.

Realmente, a ilusão é muito forte e dá a impressão que é invencível. O pecado nos traz um imenso vazio e nos tira a proteção divina.

O Beato Irmão Carlos de Foucauld diz que nossa vida consiste numa escolha e numa provação para a Vida Eterna. Muitos obstáculos prejudicam nossa caminhada ou nos impedem de ir ao céu.



A “ordem do dia” é, pois, nos conscientizarmos desses três enganos e mudarmos totalmente a nossa vida, para chegarmos ao paraíso.


E VEJA O QUE O PAPA FALA SOBRE O "ACOSTUMAR-SE COM O PECADO":


Cidade do Vaticano (Sexta-feira, 29/01/2016, Gaudium Press) - Já houve ocasiões em que o Papa Francisco falou sobre o acostumar-se ao pecado, ser indiferente a ele, não pedir perdão, tornar-se corrupto.

Hoje, sexta-feira, 29 de janeiro, este foi novamente o assunto tratado em sua homilia durante a Missa Matutina celebrada na Capela da Casa Santa Marta. Sem dúvida um tema importante ao qual o Pontífice voltou, sem repetir-se.

História Bíblica

Francisco fez seu comentário após narrar a história bíblica de Davi e Betsabé. Quando ele aproveitou para mostrar no fato bíblico o ensinamento de que o demônio induz os corruptos a julgar que pouco importa obter ou não o perdão de Deus.

Eles não sentem necessidade do perdão de Deus.

O Papa mostrou que se pode pecar de muitas maneiras e em intensidade. E por todos os males que se pratica pode-se pedir perdão a Deus. O arrependimento sincero e o pedido de perdão levarão o pecador a ser perdoado.

Francisco aponta o nascimento da dificuldade do perdão com o surgimento dos corruptos.

A maldade do corrupto está no fato de ele julga que não necessita do perdão e, muito menos, necessite ser perdoado: "ele não precisa pedir perdão", porque lhe é suficiente o poder no qual se sustenta a sua corrupção, disse o Santo Padre.

Não preciso de Deus

Este foi o mesmo comportamento assumido por Davi, depois de se apaixonar pela esposa de seu oficial Uria que combatia por ele numa frente de batalha. A paixão por Betsabé tornou-o insensível no reconhecimento de seu pecado, levou-o à corrupção quando já pouco lhe importava saber do que era o bem ou o mal.

Citando trechos das sagradas escrituras, o Papa ilustrou seu pensamento descrevendo o caminho de Davi para chegar à corrupção, a insensibilidade diante do bem ou do mal:

Depois de seduzir a mulher e saber que ela estava grávida, Davi arquiteta um plano para encobrir o adultério. Ele chama Uria da frente de batalha e lhe propõe um descanso em sua casa.

Em sua lealdade, Uria não aceita descansar enquanto seus homens morrem.

Mas, insensato em sua corrupção, Davi tenta de novo, levando-o à embriaguez,, Mesmo assim não obteve sucesso...

Diz o Papa sobre o fato: "Isto colocou Davi em dificuldade, mas Uria disse: ‘Não, não posso...' E escreveu uma carta, como ouvimos: "Façam Uria ser capitão, coloquem-no à frente da batalha mais difícil e depois, retirem-se, para que seja atingido e morra". Uma condenação à morte. Este homem, fiel - fiel à lei, fiel a seu povo, fiel a seu rei - recebeu uma sentença de morte". 

Falsa "segurança" do corrupto

"Davi é santo, mas também pecador". Apesar de ter cedido à luxuria, lembra o Pontífice, que Deus "gostava tanto" dele.

"O grande, o nobre Davi" sente-se tão "seguro" - ‘porque o reino era forte' - que, depois de cometer adultério, move todas as alavancas à sua disposição para chegar onde inescrupulosamente queria ir. Conspirou, ordenou as coisas, de um modo mentiroso, até conseguir o assassinato de um homem leal, praticando um crime com capas de infortúnio de guerra. Diz o Santo Padre:

"Este é um momento na vida de Davi que nos faz ver um momento pelo qual todos nós podemos passar em nossa vida: é a passagem do pecado à corrupção. Aqui Davi começa, ele dá o primeiro passo em direção à corrupção.

Ele detém o poder e a força. E por isso, a corrupção é um pecado mais fácil para todos nós que temos um poder qualquer, seja poder eclesiástico, religioso, econômico, político...

Porque o diabo nos faz sentir seguros: ‘Eu posso'".

Rotina do Pecado: endurecimento do coração

Davi, aquele mesmo rapaz de coragem, vencedor dos filisteus, teve o coração arruinado pela corrupção da alma.

"Hoje gostaria de destacar somente isso", disse o Papa.

Para o Pontífice, há "um momento em que a rotina do pecado, um momento em que a nossa situação é tão segura e somos bem vistos e temos tanto poder" que o pecado deixa "de ser pecado" e passa a ser "corrupção".

E "uma das piores coisas que há na corrupção é que o corrupto não sente necessidade de pedir perdão":

"Façamos hoje uma oração", propôs Francisco:

‘Senhor, salvai-nos, salvai-nos da corrupção. Pecadores sim, Senhor, somos todos pecadores, mas corrompidos, jamais'. Peçamos esta graça". (JSG)

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/76304#ixzz440WvvFQ6 


Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte.