quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

A MISERICÓRDIA DIVINA

 MIQUEIAS 7,19
“Mais uma vez ele (Deus) terá piedade de nós, pisará aos pés nossas faltas, lançará no fundo do mar todos os nossos pecados”.
Começo esse tema com esse versículo maravilhoso, que nos enche de alegria. O Senhor quer nos perdoar e jogará no mar os nossos pecados e com um detalhe importante: no mais fundo do mar. Antes de jogá-los no mar, ele os pisará e os destruirá. É incrível como Deus releva nossas faltas para que estejamos possibilitados de estar junto dele! Digo isto porque Deus nunca se afasta de nós: nós é que nos afastamos dele.
Sempre comparo essa situação com os pais que permitiram que o filho abandonasse o carro em que estariam viajando, mas continuam dirigindo ao seu lado, até que o filho resolva entrar novamente no carro.
O perdão de Deus é isso: deixar que voltemos aos seus braços.
O segredo de recebermos o perdão divino é o arrependimento de nossos pecados ou, pelo menos, o desejo sincero de não pecar mais.
Diz um artigo da revista Aparecida de setembro de 2015, pág. 23, do Pe. Evaldo: “ O julgamento feito por Deus, que não se revesse pela simples acusação das culpas, mas se reveste pela acolhida misericordiosa de Deus, que a todos perdoa, contanto que haja no coração do penitente o arrependimento de seus crimes e pecados”.
Não devo ter vergonha nem receio de me achegar a Deus para pedir perdão.
Há muitos trechos de menção do perdão divino no livro de Isaías e dos demais profetas, mas escolhi um deles que me marcou muito:
ISAÍAS 40,1-2 : “Consolai, consolai meu povo, diz o vosso Deus, falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que seu serviço está cumprido, que sua iniquidade foi expiada, que ela recebeu da mão do Senhor paga dobrada por todos os seus pecados”.
Deus sempre recebe de volta os “filhos pródigos” que se afastam dele, e abomina o filho que não quer receber o outro que voltou. A misericórdia divina é infinita. Como diz o papa Francisco em sua carta sobre a Misericórdia: “ A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado”.
Confiemos plenamente em Deus! Ele realmente nos ama, nos quer junto dele, mas, como não quer robôs, espera que nos cheguemos a Ele com o pedido de perdão e com os propósitos que permitem essa aproximação. Às vezes nos parece que Deus não está nem aí conosco, não O ouvimos e achamos que nos abandonou. Eu pergunto: fazemos silêncio interno para que O ouçamos?
O Leonardo Boff após o Pe. Arturo Paoli, recentemente falecido, com 102 anos (morreu em 13/07/15), haver terminado uma de suas Horas Santas diárias perguntou a ele o que Deus falava nessas ocasiões. Ele respondeu: “Absolutamente nada!” Aí o Leonardo lhe perguntou: “ E por que você insiste em ficar aí em oração?” O Arturo lhe respondeu: “Para que, quando Ele resolver falar comigo, eu esteja aqui ouvindo-o, pois Ele vem apenas uma vez, como outrora”.
Que fé maravilhosa para alguém que fora ateu na mocidade e se converteu plenamente só aos 46 anos, dedicando-se, a partir daí, aos pobres e injustiçado, a ponto de ter sido expulso de vários países por ser “persona non grata”!
Portanto, confiemos em Deus totalmente! Ele nos perdoa, nos ama e nos quer no paraíso com ele, para sempre!
DEUS DÁ O EXEMPLO
MATEUS 18,21-22
“Não te digo (perdoar teu irmão) sete vezes, mas setenta vezes sete”.
“Se teu irmão pecar contra ti sete vezes por dia e sete vezes retornar arrependido dizendo ’estou arrependido’, tu lhe perdoarás”.
Se Jesus mandou que fizéssemos isso, é porque Ele também nos perdoa. Ele praticava tudo o que pedia que os demais praticassem. Se nos pede para perdoar sempre, é porque sempre nos perdoará, contanto que estejamos arrependidos.
Por que temos tanta desconfiança do perdão, do amor de Deus? Talvez porque não perdoamos ou temos dificuldade em perdoar, como dizia o Beato Carlos de Foucauld: “ As faltas passadas não me assustam. Os homens não perdoam porque não podem retornar à pureza perdida, mas Deus perdoa porque ele apaga até as manchas e torna à sua plenitude a beleza primeira”.
Temos a tendência de projetar em Deus nossos limitados pensamentos e tendência. Se aprendermos a perdoar tantas vezes quantas o irmão vier nos pedir perdão, acabaremos acreditando que Deus, fonte do amor, do perdão e da paz, também nos perdoará.
ROMANOS 12,20-21
Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer. Se tiver sede, dá-lhe de beber. Agindo dessa forma estarás acumulando brasas sobre a cabeça dele. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.
Eis outro texto que nos faz lembrar que, se Deus inspirou Paulo para nos dar esse conselho, é porque Ele faz isso também. Quando Deus continua a dar suas graças mesmo aos que não o amam, está colocando “brasas” de remorso sobre suas cabeças. E se formos nós que os perdoarmos e não lhes negarmos um prato de comida se ele estiver com fome, o nosso inimigo vai começar a pensar nessa atitude e sua “surpresa” pode se transformar uma conversão de vida!
Se nós precisamos “vencer o mal com o bem”, é sinal de que Deus também não se vinga de nós, mas está sempre pronto a nos perdoar.
A uma ação corresponde uma reação igual. Se tratarmos os outros com raiva e ódio, a resposta será de raiva e ódio. Se a ação for feita com amor, no primeiro instante talvez a reação será de revolta, mas num segundo instante será também de amor.
MATEUS 12,7
“Se soubésseis o que significa: misericórdia é o que eu quero e não sacrifício, não condenaríeis os que não têm culpa”.
Jesus está falando aí que o repouso do sábado (para nós no domingo) ou qualquer outra nossa atividade não deve ser algo absolutamente de acordo com uma lei rígida, mas deve ter a maleabilidade da misericórdia, que é superior a qualquer ato litúrgico (=sacrifício).
Não podemos entender aqui “sacrifício” como “penitência”, mas como ato sacrifical do oferecimento de algo ou de nossa vida a Deus. Deus não vai aceitar o nosso oferecimento, se estivermos numa atitude de não-perdão ou de vingança contra os irmãos. Veja por exemplo:
ISAÍAS 1,10-20: Deus pede que ante de irem oferecer touros e carneiros a ele (hoje seriam os atos litúrgicos, como a Missa), que as pessoas praticassem a caridade e a misericórdia. “ Tirai de minha vista vossas más ações! Cessai de praticar o mal, aprendei a fazer o bem! Buscai o direito, corrigi o opressor! Fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva!” Em seguida diz que aí, sim, seus pecados ficarão perdoados, ou seja, se fizerem o que ele pediu.
JEREMIAS 2,33-36
Nos versículos 33 e 34, Deus, por Jeremias, lembra os crimes (assassinatos e roubos) que as pessoas faziam e depois diziam: “Eu sou inocente, certamente a sua ira vai afastar-se de mim!”. Eis que eu te julgarei (diz Deus) porque dizes: “Eu não pequei”.
No versículo 36: “Quão pouco te custa mudar o teu caminho!”
Esta é uma constatação verdadeira, que nos devia encher de esperança. Mudar nosso caminho, nosso estilo de vida, é muito importante para poder continuarmos a receber Deus em nossa vida.
Em JEREMIAS 7,1-20 Deus manda Jeremias conscientizar os que pecam e depois vão oferecer sacrifícios no templo, pensando que isso lhes dá direito a voltar a pecar. Não receberão o perdão, pois de Deus não se zomba. Com Deus não se brinca!

O arrependimento implica em não queremos pecar mais. Só assim receberemos o perdão. E se não conseguimos nos arrepender, pelo menos nos comprometamos a não voltar mais a pecar. A luta contra o pecado é necessária e muito importante. 

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