quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

SIMPLICIDADE E POBREZA- PARTE1

Escrevi TRÊS textos sobre este assunto. Para não perder nenhuma reflexão, coloco dois aqui. O terceiro texto está na "parte 1", que é mais antigo que estes.


Jesus insistiu muitas vezes nessas duas orientações:
A pobreza,   principalmente a pobreza voluntária, leva à confiança plena em Deus. Se acharmos que temos alguma força, não recorreremos a Deus e não estaremos disponíveis à sua proteção e à sua graça. Ou 8 ou 80: ou confiamos em Deus e com isso nos desapegamos do que é material ou nos apegamos às coisas e com isso descartamos a ajuda divina e seremos deixados por Deus às nossas próprias forças.

Confiar em Deus é a única saída para quem quiser vencer e ser feliz. Veja a comparação que Jeremias 17,8 e o Salmo 01 fazem: quem confia no Senhor é como a árvore plantada à beira do riacho: nunca secará e suas folhas estarão sempre verdes e dará fruto a seu tempo.

Jesus vivia confiante na Providência Divina, ou seja, vivia o seu dia a dia, sem se preocupar com o amanhã. Viver intensamente, cristãmente, o dia a dia, é confiar na graça e na presença divinas em nossa vida. Quanto mais você se apegar ao dinheiro ou em suas próprias forças, menos terá a proteção e a presença de Deus.

Em Lucas 14,33, Ele nos convida a renunciarmos a tudo o que possuímos para sermos seus discípulos: “Qualquer um de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”. Ele nunca nos convidaria a viver na miséria, mas nos convida a viver uma vida simples, sem tantas falsas necessidades. Algumas pessoas são chamadas a uma pobreza radical; outras, nem tanto.

Em Lucas 6,24-25, Ele diz: “Ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação! Ai de vós que estais agora saciados! Porque tereis fome!”. Ao jovem rico, Jesus exigiu tudo: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. Entretanto, em Lucas 19,8-9 ele falou a Zaqueu que a salvação tinha entrado naquela casa quando o homem prometeu que ia dar metade do que tinha aos pobres e devolver quatro vezes mais o que tinha roubado; ou seja, não ia dar tudo o que possuía.

Quem tem muito dinheiro, confia só nele; quem é pobre, está livre para confiar plenamente em Deus, seu único apoio. No sermão da montanha, Jesus falou, logo no inicio do capítulo 5, que são felizes os pobres em espírito. Isso quer dizer que, mesmo que tenhamos capacidade e oportunidade de sermos ricos, devemos viver de modo modesto.

Em Mateus 6,19-20 Jesus nos diz: “Não acumuleis tesouros para vós aqui na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os roubam. Mas acumulai tesouros para vós no céu”. Em Mateus 6, 24: “Não podeis servir a Deus e às riquezas!”.
S. Paulo nos fala em Timóteo 6,7-10: “ A raiz de todos os males é o dinheiro”. É preciso aprendermos a viver de modo simples, com o suficiente para uma vida confortável e digna, partilhando com os pobres e necessitados o que economizarmos. Deus sustenta até os passarinhos, como vemos em Mateus 6,26. Ele nos ajudará, e nada nos faltará, se confiarmos nele. (Ver Mateus 6,30-34).

Todos sabemos, pelos jornais e pela televisão o quanto as pessoas ricas têm problemas, cometem suicídio, morrem de overdose e coisas desse tipo. Se o dinheiro trouxesse felicidade, eles seriam felizes; a vida que levam, entretanto, mostram que são muito infelizes. Só Deus pode nos fazer felizes. Só o bem pode nos dar a paz.


Vamos dar sempre aos outros, principalmente aos não cristãos e aos ateus, o bom exemplo em tudo, principalmente no fato de que confiamos em Deus e não no dinheiro. Não é isso que parece no nosso dia a dia, e mesmo de muitas autoridades eclesiásticas. Nós nos preocupamos tanto com o dinheiro que parece que não confiamos na Providência Divina.

Veja Marcos 6, de 7 a 13, em que os discípulos são enviados a pregar o evangelho na pobreza e com o bom exemplo. Diz o beato padre Carlos de Foucauld que “Devemos (não só proclamar, mas ) gritar o evangelho com a própria vida”, com o nosso bom exemplo. Desse modo, como diz Mateus 13, 33, seremos como o fermento na massa, o sal da terra, a luz do mundo.



Devemos escolher, portanto, sempre, o bom caminho, como diz Prov. 23,26: “ Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Também em Mt 7,13-14, Jesus pede que escolhamos o bom caminho, mesmo estreito, porque é esse que nos levará à vida eterna. Fazer o bem, ser santo como o Pai é santo (Mt 5,48; 1ª Pedro 1,16) é muito difícil, é um caminho estreito, mas é o único que nos traz a salvação e a vida eterna. O caminho do mal é sempre largo e espaçoso.

Pergunto: Você tem medo de ficar pobre, ou mais pobre do que já é?

Podemos confiar na Providência Divina (=que nada nos faltará)? Por quê?

Os ricos são sempre felizes? Comente.


ESTE É MAIS NOVO, DE 2015


Por mais que muitos tentem, não vão conseguir mudar o fato de que Jesus escolheu nascer, viver e morar na simplicidade e na pobreza.
No Novo Testamento são essas as orientações dadas por Jesus. No Antigo Testamento as orientações eram diferentes: a riqueza era considera um sinal das bênçãos de Deus. É por isso que eles se assustavam e até se escandalizavam quando Jesus propunha a pobreza como caminho de vida.
Entretanto, mesmo no Antigo Testamento houve pessoas que buscaram a simplicidade e a pobreza como modo de vida. Jeremias, por exemplo, Elias, e quase todos os profetas.
João Batista pertencia, talvez, a um dos grupos que buscavam viver uma vida simples e pobre, como os Essênios: “ João usava uma roupa de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Seu alimento consistia em gafanhotos e mel silvestre.
Diz um comentário da bíblia de Jerusalém sobre Sofonias 2,3: “Procurai ao Senhor vós todos, os pobres da terra, que realizais o seu julgamento. Procurai a justiça, procurai a humildade: talvez sejais protegidos no dia da ira de Javé. “Pobres” ou “humildes”, em hebraico são os “anawim”. Os pobres ocupam um lugar especial na bíblia. Se a literatura sapiencial considera, às vezes, a pobreza, “rêsh”, como consequência da preguiça, Provérbios 10,4,  os profetas, sabem que os pobres são, antes de tudo, oprimidos, “Aniy^ym”, e reclamam justiça para os fracos e pequenos, “dablîm, e para os indigentes, “ebyonîm. (...) Com Sofonias, o vocabulário da pobreza toma coloração moral e escatológica. (...) Os “anawim” são, em resumo, os israelitas submissos à vontade divina. Na época da Setenta, o termo “anaw” (ou “anî) exprimia cada vez mais uma ideia de altruísmo. Aos “pobres” será enviado o Messias. Ele mesmo será humilde e manso e até será oprimido”
Em Isaías 57,15: “ Eu habito em lugar alto e santo, mas estou junto com o humilhado e o desamparado”.
No Novo Testamento vemos vários textos que aconselham a pobreza (e, consequentemente, a simplicidade: Lucas 12; “Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não fiquem velhas, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Pois onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.
Atos 4,32: “ A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum”.
Entretanto, um trecho que me impressiona muito é o final da parábola do homem que calcula se pode ou não construir uma torre, ou do rei que pondera se pode ou não se confrontar com o inimigo mais forte que ele: Jesus simplesmente nos dá o “xeque-mate”: “Igualmente, portanto, qualquer de vós que não renunciar a tudo o que  possui, não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14,33).
No envio dos discípulos, Jesus recomenda a simplicidade e a pobreza. É só ler Mateus 10,1-42. Eis alguns trechos:
“De graça recebestes, de graça dai” (v.8). “Não leveis ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado, pois o operário é digno do seu sustento” (v. 9-10).
“Quando entrardes numa cidade ou num povoado, procurai saber de alguém que seja digno e permanecei ali até vos retirardes do lugar” (v.11)
E diz essas palavras de confiança: ”Quanto a vós, até mesmo os vossos cabelos foram todos contados”. E diz que os pardais não têm valor algum comercial, mas “nenhum deles cai em terra sem o consentimento do vosso Pai”. No trecho do jovem rico: “Como é difícil aos que têm riquezas entrar no Reino de Deus! Com efeito, é mais fácil o camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que o rico entrar no Reino de Deus!” (Lucas 18,18-27).
As pessoas ricas fazem de tudo para diminuir o tamanho do camelo e aumentar o buraco da agulha, mas isso é impossível! É mais fácil proporem-se a partilhar o que possuem, e aprenderem a viver com menos, a fim de que seus funcionários comecem a ganhar um pouco mais da miséria que ganham.
Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, não há quem tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus, sem que receba muito mais neste tempo e, no mundo futuro, a vida eterna” (Lc 18,29).
REALIDADE
Baseado nesses e em inúmeros outros textos da Bíblia, podemos garantir a preferência que Jesus tem para a vida simples e pobre. Estes recebem a graça abundante de Deus, o que os torna mais felizes em paz.
Vemos hoje em dia como certos políticos e empresários correm atrás do dinheiro. É ridículo que pessoas que ganham 20, 30 mil ou mais do que isso mensalmente ainda queiram mais e mais! Não tem sentido viver assim! Vivemos aqui na terra pouco tempo. É muito rápida a passagem do tempo. Nossa capacidade de aproveitar tudo o que existe é muito limitada. Contentemo-nos em viver uma vida simples e pobre, em aproveitar umas poucas coisas do dia-a-dia, em vivermos felizes com nossa família, e seremos felizes!
Quando eu falo aqui numa vida simples e pobre, penso em dois valores: um para os sacerdotes e religiosos, que devem (ou pelo menos deveriam) levar essa vida de modo mais radical, e outro, para os casados e casadas, para os que vivem em família, que precisam de um mínimo necessário para educarem os filhos, tirarem férias, comerem bem etc.
Jesus não pediu que vivêssemos na miséria, mas numa vida simples, sem muitas exigências, e pobre, sem riquezas nem posses desnecessárias. Na História vemos muitos exemplos de pessoas que deixaram suas riquezas para viverem pobres. O Beato Carlos de Foucauld, por exemplo (veja no blog http://gritaroevangelho.blogspot.com.br toda a história dele).
ABANDONAR-SE À PROVIDÊNCIA
Não confundir “providência” com “previdência”. Quem confiar só na previdência social, vai passar fome. Digo da Providência Divina, a proteção “escandalosa” que Deus dá a quem o busca.
Mateus 6,25-34
25-“Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? 26. Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?28. E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.29. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.30. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?31. Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32. São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.33. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.34. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” tirado de http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/6/
Jesus praticou tudo isso que nos pediu para fazer. Se houvesse outro caminho melhor, Ele nos teria ensinado.
Diz o Beato Carlos de Foucauld: “Nós amamos na medida em que cremos. Se fizermos a vontade de Deus, nada vamos temer” (de “Um Pensamento Para Cada Dia”, dia 03 de julho).
1ª Pedro 5,7: “Lançai nele (em Deus) toda a vossa preocupação, porque é ele que cuida de vós!” Aliás, é a mesma frase que o Salmo 55(54), 23, portanto, já conhecido desde o Antigo Testamento.
Fico por aqui. Espero que essas meditações tenham ajudado alguém. Lembro que nosso e-mail é 2001catequese@gmail.com


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