domingo, 12 de fevereiro de 2012

4-DEUS NOS CHAMA À SANTIDADE

Deus é santo e nos chama à santidade, por meio de várias vocações: sacerdotal, missionária, religiosa, eremítica, monacal, de cristão leigo, cristã leiga. “Deus capacita a quem ele chama”, diz um ditado.
1ª PEDRO 1,16:
“Sede santos porque eu sou santo (também Levítico 19,2).
Mateus 5,48: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”
Muitos dizem que é impossível ficar sem pecar. Então, o que é a santidade? É ficar sem pecado? Eu diria que, se Deus nos chamou à perfeição e à santidade, é possível, sim, ficar sem pecar, embora continuemos pecadores na “teoria”. Somos pecadores principalmente no sentido de que sempre estamos no perigo de pecar. Os santos viveram praticamente sem pecados, apenas com algumas pequenas faltas.
Para não cometermos pecado é preciso que não queiramos pecar. Se queremos pecar, a matéria é grave e sabemos disso, fazermos um pecado mortal. Entretanto, mesmo não sendo matéria grave, o “querer” pecar demonstra má índole e acabaremos caindo em pecado mortal (ou grave). Veja Romanos 7, 14-25, em São Paulo percebe nele uma força que o leva a fazer o que não quer e não fazer o que quer.
O cristão deve tirar da mente o desejo de pecar, como diz S. Paulo: “Tornai-vos sóbrios, como é necessário, e não pequeis!” Veja que ele não fala “não cometais pecados graves”, mas sim, “não pequeis”, ou seja, não cometer pecado algum!  Ora, se ele está pedindo para não cometermos nenhum pecado, é porque isso é possível! Ele, como Apóstolo, nunca iria pedir-nos que fizéssemos o impossível.
Em todo caso, eu diria que precisamos nos colocar sempre diante de Deus, humildemente, pedindo perdão pelos pecados que ainda não conseguimos dominar e recomeçar a cada dia a luta para atendermos São Pedro e, antes dele, Jesus: “Sede perfeitos (santo) como o vosso Pai é perfeito (Santo)”.
A santidade depende muito do “vigiai e orai” de Mateus 26,41, Marcos 14,28 e também Mateus 24,42; 25.13; Marcos 13,35; Mateus 13,33; 37; 1ª Pedro 5,8 etc. Sem a vigilância, acabaremos deixando a oração e, sem a oração, acabaremos não vigiando.
Na verdade, o eixo de toda a nossa atividade e busca de Deus é a oração. A oração é o “plug” que nos liga ao paraíso. Sem ela, dificilmente conseguiremos deixar o pecado e sequer iniciarmos o processo de auto santificação. É preciso lembrar, entretanto, que não existe uma “auto santificação”, pois é Deus quem nos santifica.
“Santificar” tem o mesmo entendimento que “consagrar”. Sermos santos quer dizer sermos consagrados a Deus.
Pelo Batismo todos somos consagrados a Deus e, por isso mesmo, santificados. É por isso que nos Atos os cristãos (portanto os batizados) são chamados santos. O cálice que o padre usa na Missa, por exemplo, é consagrado e não pode ser usado para qualquer outro motivo. Nós também somos consagrados a Deus pelo batismo e, nesse clima de santidade, não podemos deixar que outro “poder” a não ser Deus tome conta de nossa vida; ou seja, não podemos mais pecar, pois com o pecado estamos negando nossa consagração.
Enfim, lembro também que santificar-se, mais do que “ficar sem pecado”, é, essencialmente, recomeçar sempre, sem nunca desanimar, a cada queda. O papa Francisco diz que devemos pedir sempre a Deus que nos dê a graça de nos acharmos pecadores!
1ª TESSALONICENSES 2,12
“Deus vos chama ao seu Reino e à sua glória”
1ª Pedro 5,10; “Depois de terdes sofrido um pouco, o Deus de toda a graça, aquele que vos chamou para sua glória eterna em Cristo, vos restaurará, vos firmará, vos fortalecerá e vos tornará inabaláveis”.
O sofrimento oferecido a Deus nos purifica, nos limpa de toda a mancha e, desse modo, nos torna aptos para o céu.
Diz o Apocalipse 21,27 que nada de imundo entrará na Cidade Celeste, nenhuma abominação, nenhum mentiroso.
Hebreus 12,10, diz que “Deus nos permite o sofrimento como purificação, a fim de que possa transmitir-nos sua santidade”. Ou seja, se um amigo me oferece um vinho fino, devo tirar o chá do copo e lavá-lo bem, a fim de apreciar a bebida. Assim deve ser em relação a Deus: para recebê-lo, precisamos nos purificar, e isso se torna possível pela oração, pela caridade e pelo sofrimento. Depois de um tempo de sofrimento aceito e oferecido, nos perdoará e nos tornará inabaláveis, capazes de suportar tudo com alegria e em comunhão profunda com Ele.
Deus nos chamou desde toda a eternidade para uma vida eterna, para partilharmos de sua glória. Quer mais do que isso?
Entretanto, para participarmos de seu Reino de Glória, é preciso querermos, desejarmos, aceitarmos.
Vamos ver exemplos de chamamento de pessoas que aceitaram:
Isaías 6,1-8: Isaías foi chamado, perdoado de seus pecados e aceitou o convite, mas antes reconheceu-se pecador diante de Deus, que o perdoou.
Jeremias 1,4-10- Na vocação de Jeremias, ele também se reconheceu indigno e pecador, mas também foi perdoado por Deus e atendeu ao chamado.
Gênesis 12,1-6- Na vocação de Abraão, nosso primeiro pai, não havia mais ninguém que acreditasse no único Deus, mas, como diz Romanos 4,18, Abraão “acreditou contra toda a esperança”. Em Hebreus capítulo 11 todo, vemos um grupo enorme de pessoas da Bíblia que creram e pela pura fé aceitaram o caminho, aceitaram o chamado que Deus lhes fez.
No Novo Testamento esse número é ainda maior, como João Batista, Maria, José, Isabel, Zacarias, os apóstolos, os discípulos inúmeros de Jesus.
E nós? Será que estamos reconhecendo-nos pecadores, pedindo perdão e aceitando o chamado?
NO NOVO TESTAMENTO
Romanos 11,29: “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento”. Ou seja: por mais injustos que lhe sejamos, Deus não volta atrás em relação ao chamado que nos fez, primeiro, pelo Batismo, a sermos verdadeiros discípulos de Jesus e entrarmos em seu Reino; depois, por meio da vocação que nos deu.
Paulo disse isso para dizer aos hebreus que, apesar deles não terem aceitado Jesus, Deus ainda os ama e os aguarda.
Quando por fraqueza pecamos, não podemos desanimar nem desistir: Deus continua a nos amar e quer que recomecemos nossa vida, a fim de podermos atender ao seu chamado de amor.
VOCAÇÃO DE PAULO
Atos 9,1-19 (leia o trecho todo, por favor. Clique aqui:
Foi uma das mais bonitas. Paulo perseguia a Igreja, mandando prender e até levando à morte os cristãos, como ele mesmo conta em 1ª Coríntios 15,9: “Pois sou o menor dos Apóstolos, nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus”.
Jesus lhe apareceu e perguntou: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? (Atos 9,4). Essa pergunta de Jesus nos leva a um outro ensinamento: perseguir ou maltratar os cristãos é o mesmo que perseguir Jesus, o que leva a consolidar o que ele dizia, ou seja, que quem o ama, ama os irmãos. Nosso amor a Deus é praticado no amor ao próximo (leia a 1ª carta de João. É só clicar aqui):
A que vocação Deus nos chamou? Nós a seguimos ou a abandonamos? Lembre-se de que, se a abandonamos, Ele não se arrependeu de ter-nos chamado e ainda nos acolherá, se pedirmos perdão e quisermos retomá-la.
São Paulo reconheceu o chamado de Deus e seguiu Jesus, mudando 180 graus a sua caminhada. Veja em Gálatas 1,15: “Quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça...”
VOCAÇÃO DE JOÃO BATISTA
João 1, 6: “Houve um homem enviado por Deus. Seu nome era João”. Lucas 1,15-17 fala sobre a vocação sobre o chamamento de João Batista: “Ele será grande diante do Senhor (...), ficará pleno do Espírito Santo (...) e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus (...) para preparar ao Senhor um povo bem disposto”.
João Batista viveu uma vida austera e foi elogiado pelo próprio Jesus em Lucas 7,24-30 ou Mateus 11,7-15: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? (...) Um homem vestido de roupas finas? (...) Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais do que um profeta (...). Dentre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João Batista”.
Eis o “retrato” de João em Mateus 3,4-12: “João usava uma roupa de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Seu alimento consistia em gafanhotos e mel silvestre”.
João acreditava no que falava, e praticava o que ensinava. Ele foi um dos que disseram um “sim” pleno a Deus pelo chamado, pois sabia que nenhum bem ou prazer da terra sequer se parecem com as alegrias que nos esperam no céu. A vida austera vale a pena! Foi seguida também por Jesus, de maneira inigualável e só de longe imitável. Ele podia viver na riqueza, mas escolheu uma vida pobre e austera, como a de João.
Se Deus (Jesus) escolheu essa vida é porque é a única que nos pode fazer felizes.
VOCAÇÃO DE PEDRO
Em Lucas 5,1-11, Jesus, tendo acabado de falar, sentado num dos barcos, o de Simão Pedro, pediu que fossem pescar. Pedro lembrou-lhe que haviam tentado pescar a noite toda, em vão. Mas ele obedeceu a Jesus e lançou a rede. Apanharam tantos peixes que as redes até se rompiam. Simão Pedro, assustado com tal poder, atirou-se aos pés de Jesus dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador!” E Jesus lhe disse, no versículo 10:”Não tenhas medo! Doravante sereis pescadores de homens!”
Isso nos ensina a confiarmos na Graça divina, que suplantará nossas deficiências e fraquezas. Não podemos alegar nenhuma desculpa para seguirmos nossa vocação.
Isaías (6,1-8), por exemplo, quis se esquivar do chamamento que Deus lhe fizera, alegando não saber falar e ter os lábios “impuros”; Deis fez um sinal ao anjo do incenso, que “queimou”, ou seja, purificou os lábios do profeta, e em seguida lhe falou: “Pronto! Agora você está purificado!” E lhe disse o que teria de fazer no seu ministério.
Quantas vezes nós demos desculpas a Deus para não enfrentarmos algum apostolado que Ele nos pediu?
VOCAÇÃO DOS DEMAIS APÓSTOLOS
As de Pedro, André, Tiago (filho de Zebedeu), João (seu irmão), estão contadas em Mateus 4,18-22: “Eles, deixando imediatamente o barco e o pai, o seguiram”. Seguir Jesus implica em deixar todo o resto, até a família: “Deixaram (...) o pai”.
A vocação de Mateus está contada em Mateus 9,9. Veja o texto que escrevi sobre isso clicando neste linK:
Mateus deu uma festa para comemorar sua conversão e talvez para despedir-se de seus colegas publicanos (cobradores de impostos). Será que nós temos coragem de deixarmos nossa comodidade para obedecermos ao chamado de Deus? Veja a festa e o problema que ela ocasionou em Mateus 9.10-13. E sabemos que essa reunião foi feita na própria casa de Mateus em Marcos 2,15 (ele era chamado também de Levi).
Jesus não se preocupa em ser taxado de “impuro”, por ter tomado refeição com os pecadores. Ele quer salvar-nos e enfrenta qualquer coisa para conseguir isso, No nosso dia-a-dia também: muitas coisas que nos ocorreram, talvez tenhas sido permitidas por Deus para nossa salvação, para que ele possa nos receber no céu.
Em Mateus 10,1-42, Jesus orienta os já chamados 12 apóstolos para a missão de anuncia-lo. Lembra-lhes as alegrias e os percalços que essa missão lhes irá trazer e que sejam simples e pobres.
A orientação, como sempre, é a da simplicidade de vida, da pobreza, da humildade, e da convicção do quer se prega. Sobretudo, que se procure praticar o que se prega.
OUTRAS CONVERSÕES

Os Atos dos Apóstolos narram inúmeras outras conversões, como a de Cornélio (cap. 10), Priscila e Áquila, Apolo, e podem ser “saboreadas“ na leitura diária da Bíblia. A orientação é esta: ouvirmos a palavra de Deus, orarmos sobre ela, pedindo a inspiração divina, seguirmos a vocação a que fomos chamados (as).

Nenhum comentário:

Postar um comentário