sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A EUCARISTIA NA LUA



“Jesus Cristo quer de tal modo unir-se conosco, pelo amor ardente que nos tem, que nos tornemos uma só coisa com Ele na Eucaristia.”

São João Crisóstomo (349-407)

Doutor da Eucaristia e

Patriarca de Constantinopla



A nave espacial Apollo 11 aterrissou na Lua em 20 de julho de 1969 com três astronautas: Neil Armstrong (1930-2012), Buzz Aldrin e Michael Collins. A maioria de nós está familiarizada com a afirmação histórica de Armstrong, quando ele pisou na superfície da Lua: “Um pequeno passo para o homem; mas um salto gigante para a humanidade.” Poucos sabem a respeito da primeira Eucaristia realizada na Lua.

Buzz Aldrin havia levado à nave um pequeno estojo da Santa Ceia Eucarística. Ele fez uma transmissão via rádio a Terra, pedindo aos ouvintes para contemplar os acontecimentos daquele dia e dar graças a Deus. Depois, com o rádio desligado, para maior privacidade, Aldrin pôs o vinho num cálice de prata, e leu: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto...” (João 15,5). Em silêncio, deu graças e serviu-se do pão e vinho.

Deus está em todo lugar e nossa adoração deveria refletir esta realidade. Aprendemos no Salmo 139 que por onde formos, Deus está intimamente presente conosco. Buzz Aldrin celebrou essa experiência na superfície da Lua. Milhares de quilômetros distantes da Terra, ele reservou um tempo para ter comunhão com aquele que o criou, o redimiu e relacionava-se com ele.

“Você está longe de casa? Você se sente como estivesse no topo de uma montanha ou num vale escuro? Qualquer que seja a sua situação, a comunhão com Deus está apenas a uma oração de distância,” escreve o escritor americano Rev. H. Dennis Fisher (1).

A EUCARISTIA É JESUS

“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, e tendo-o abençoado, partiu-o e deu aos discípulos dizendo: Tomai todos e comei, isso é o meu Corpo que será entregue por vós. Tomou, depois, o cálice, deu graças e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai todos e bebei: este é o cálice do meu Sangue, Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim.”(Mateus 26, 26-29).

Constava no projeto soteriológico de Nosso Senhor Jesus Cristo permanecer conosco, até o fim dos tempos, presente num sinal visível, sensível, palpável, como convém a nós, seres humanos. Um ano antes de Jesus instituir a Santa Eucaristia, já a havia anunciado com toda certeza, a muitos discípulos e aos doze Apóstolos reunidos em Cafarnaum. Ele disse: “Eu sou Pão vivo que desceu do céu. Quem comer desse Pão viverá eternamente. E o Pão que eu ei de dar é minha carne para a salvação do Mundo!” Disse ainda: “Se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no ultimo dia” (João 6, 51-58).

Na Quinta-Feira Santa, após ter realizado a “última Ceia judaica”, Jesus põe fim aos sacrifícios e rituais do Antigo Testamento e entra no Novo Testamento, instituindo a “Santa Ceia Cristã”, a Eucaristia, “Sacrifício” da nova e eterna aliança, assinada com Seu sangue, e “Comunhão” com Ele próprio, presentes nas espécies sacramentais e, por meio d’Ele, comunhão com Deus e com os irmãos.

O Doutor Angélico Santo Tomás de Aquino (1225-1274) escreveu: “A presença do verdadeiro Corpo de Cristo e do verdadeiro Sangue de Cristo, deste Sacramento, não se pode descobrir só pelos sentidos, mas sim pela fé, baseada na autoridade de Deus”. A fé deve fundamentar-se na “autoridade” d’Aquele que fala: Jesus, que é Deus! (Mateus 1, 23).

Seguindo esse raciocínio, afirmamos que “cremos”, que “temos fé” na presença real de Jesus Vivo na Eucaristia, não por que podemos provar em laboratório ou porque podemos constatar com nossos olhos ou tocar com nossos dedos. Mas, cremos, depositamos nossa fé, porque foi Ele, Jesus, quem o afirmou ser ortodoxo! Por isso, São Cirilo de Tessalônica (826-869) acrescenta: “Não ponhas em dúvida se é ou não é verdade! Aceita com fé as palavras do Senhor, porque Ele, que é a Verdade, não mente! Eis a verdadeira fé: depositar nossa certeza e segurança sobre o Coração de Jesus ressuscitado!

“A Eucaristia não é só garantia do amor de Jesus Cristo, mas é também garantia do Paraíso que ele nos quer dar”, afirma o Bispo e Doutor da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787). Segundo Santo Afonso, “a devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós”(2). 

“A Eucaristia é a fonte e ápice de toda vida Cristã.” “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa” (3).

A caminhada cristã tem como etos a fortaleza da “fração do pão” (Atos 2,42) até Jesus voltar (1 Cor 11, 26). Esse é o poderoso alimento que sustenta a alma nos mais terríveis embates da vida dos seguidores de Jesus Cristo. O partir do pão, por meio do qual os discípulos de Emaús reconheceram o ressuscitado (Lucas 24, 35) é a nossa práxis de sermos reconhecidos pela nossa comunhão fraterna com Cristo e com todos os irmãos. A mesa eucarística está no centro da nossa vida e de todas as nossas obras e em torno dela estão as nossas alegrias e tristezas, felicidades e sofrimentos, incompatibilidades e esperanças e por fim, a Sua companhia que faz arder os nossos corações por sua graça (Lucas 24, 32) e a certeza da glória celestial!

De forma esplêndida dizia o Bem-aventurado Charles de Foucauld (1858-1916): “Contemplar Nosso Senhor na Santa Eucaristia é também um dever, porque Ele se oferece a nós por isto, com a vontade que nós nele O contemplemos...”.

Pe. Inácio José do Vale

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

Irmãozinho da Visitação de Charles de Foucauld 

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com



Notas: 

(1) Pão Diário: 19/07/2015.

(2) Visitas ao Santíssimo Sacramento e a Maria Santíssima, Introdução: Obras Ascéticas (Avelino 2000), p. 295.



(3) Catecismo da Igreja Católica nº. 1324.

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