quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

LIVRO MUITO BOM

VEJA NO NOSSO SITE O RESUMO DO ÓTIMO LIVRO DO PE. RENÉ VOILLAUME:

Basta clicar aqui:

RESUMO DO LIVRO IRMÃO DE TODOS,, DO PADRE RENÉ VOILLAUME
Eis um trecho do resumo: AS REGRAS DE OURO DA CONVIVÊNCIA
A palavra, uma vez proferida, não mais pode ser recolhida e, não raro, nossa expressão trai nosso pensamento! Ver Tiago 3,2-12 sobre os problemas da língua!
Fazemos muito mal quando falamos sem discernimento. Alguns exemplos do que devemos evitar:
1- falar de forma desfavorável de uma pessoa ausente;
2- criticar um responsável ou a decisão de uma autoridade;
3- deixar-se levar a observações demasiadamente frequentes ou injuriosas, ou a gracejos que ferem e humilham;
4- emitir juízos apressados de outras pessoas;
5- fazer eco aos julgamentos desfavoráveis sobre o próximo, mesmo que esses julgamentos pareçam fundamentados;
6- não se esquecer que contar o defeito de alguém é murmurar, quando não é caluniar!
7- reparar os prejuízos causados quando falamos mal ou criticamos.
8- nada falar de alguém que não se possa falar na presença dele

Estas normas aplicam-se também a grupos de pessoas, a um país ou a uma raça.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

TRECHOS DA “MISERICORDIAE VULTUS”

Alguns trechos que eu considerei importantes.
§2- Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia
§3- A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado
§9- A misericórdia é o critério para que Deus saiba quem são seus verdadeiros filhos (parábola do servo sem compaixão, que foi perdoado mas perdoou, em Mateus 18,33-35. Somos chamados a viver de misericórdia!
§10- A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia.
§11- A misericórdia divina, que a Igreja professa e proclama, é o mais admirável atributo do Criador e do Redentor (cita a encíclica Dives in Misericordia, nº 13).
§13- “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lucas 6,36). Deve ser nosso programa de vida!
§14- Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados (Lucas 6,36-38). Falar mal do irmão, na sua ausência, equivale a deixa-lo mal visto, a comprometer a sua reputação e deixá-lo à mercê das murmurações.
§15- Não nos esqueçamos das palavras de São João da Cruz: “Ao entardecer desta vida, examinar-nos-ão no amor (Ditos de luz e amor, 57).
§16- Neste ano da misericórdia (de 8/12/15 a 20/11/16), vamos fazer o que o profeta Isaías disse em 61,1-2, adaptados aos nossos tempos: levar uma palavra e um gesto de consolação aos pobres, anunciando a libertação a quantos são prisioneiros das novas escravidões da sociedade contemporânea, devolver a vista a quem já não consegue ver porque vive curvado sobre si mesmo, e restituir dignidade àqueles que dela se viram privados. E mais: “Quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria” (Romanos 12,8).
§17-Vós, Senhor, sois um Deus que tira a iniquidade e perdoa o pecado, que não se obstina na ira, mas se compraz em usar a misericórdia. Vós, Senhor, voltareis para nós e tereis compaixão do vosso povo. Apagareis as nossas iniquidades e lançareis ao fundo do mar todos os nossos pecados (Miquéias 7,18-19). Vamos meditar sempre essas palavras, principalmente na quaresma, ao lado de tantas outras páginas da Sagrada Escritura.
Também Isaías 58,6-11:  Se retirares da tua vida toda a opressão, o gesto ameaçador e o falar ofensivo, se repartires o teu pão com o faminto e matares a fome do pobre, a tua luz brilhará na escuridão, e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio dia. O Senhor te guiará constantemente, saciará a tua alma no árido deserto, dará vigor aos teus ossos. Serás como um jardim bem irrigado, como uma fone de águas inesgotáveis..
Ainda no parágrafo 17, o papa fala sobre o sacramento da confissão. O que me impressionou foram estas palavras: “Não hão de fazer perguntas impertinentes (ao penitente), mas como o pai da parábola, interromperão o discurso preparado pelo filho pródigo, porque saberão entender individualmente, no coração de cada penitente, a invocação de ajuda e o pedido de perdão. Em suma, os confessores são chamados a ser sempre e por todo o lado, em cada situação, e apesar de tudo, o sinal do primado da misericórdia”. Ou seja, confiar na sinceridade do penitente e não o encher de perguntas “indiscretas”.
§19- O papa convida à conversão das pessoas que estão longe da graça de Deus pela sua conduta de vida, principalmente homens e mulheres que pertencem a grupos criminosos, sejam quais forem. “Para vosso bem,. peço-vos que mudeis de vida! Não caiais na terrível cilada de pensar que a vida depende do dinheiro e que, à vista dele, tudo o mais se torna desprovido de valor e dignidade. Não passa de uma ilusão. Não levamos o dinheiro conosco para o além. O dinheiro não nos dá a verdadeira felicidade. (...) Não nos torna poderosos nem imortais”. Ninguém escapa do juízo de Deus, conclui o papa. “Esse é o momento favorável para mudar de vida” (o Ano Santo). “Basta acolher o convite à conversão e submeter-se à justiças, enquanto a Igreja oferece a misericórdia”.
§20- Quanto à justiça, na escritura, “É concebida essencialmente como um abandonar-se confiante à vontade de Deus”.
§21- “É mais fácil que Deus contenha a ira do que a misericórdia” (Santo Agostinho, “Enarratio in Psalmos, 76). “A ira de Deus dura um instante, ao passo que a sua misericórdia é eterna”.
Quanto às punições, o papa fala que a justiça faz parte da misericórdia de Deus. “Quem erra, deve descontar a pena; só que isso não é o fim, mas o início da conversão, porque se experimenta a ternura do perdão”.
§22- A indulgência apaga o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos.
§23- Ninguém pode pôr limites à misericórdia divina porque suas portas estão sempre abertas, acreditam também os muçulmanos.
§25- Deixemo-nos surpreender por Deus! Ele nunca se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e que deseja partilhar conosco, para sempre, a sua vida.


SIMPLICIDADE E POBREZA- PARTE1

Escrevi TRÊS textos sobre este assunto. Para não perder nenhuma reflexão, coloco dois aqui. O terceiro texto está na "parte 1", que é mais antigo que estes.


Jesus insistiu muitas vezes nessas duas orientações:
A pobreza,   principalmente a pobreza voluntária, leva à confiança plena em Deus. Se acharmos que temos alguma força, não recorreremos a Deus e não estaremos disponíveis à sua proteção e à sua graça. Ou 8 ou 80: ou confiamos em Deus e com isso nos desapegamos do que é material ou nos apegamos às coisas e com isso descartamos a ajuda divina e seremos deixados por Deus às nossas próprias forças.

Confiar em Deus é a única saída para quem quiser vencer e ser feliz. Veja a comparação que Jeremias 17,8 e o Salmo 01 fazem: quem confia no Senhor é como a árvore plantada à beira do riacho: nunca secará e suas folhas estarão sempre verdes e dará fruto a seu tempo.

Jesus vivia confiante na Providência Divina, ou seja, vivia o seu dia a dia, sem se preocupar com o amanhã. Viver intensamente, cristãmente, o dia a dia, é confiar na graça e na presença divinas em nossa vida. Quanto mais você se apegar ao dinheiro ou em suas próprias forças, menos terá a proteção e a presença de Deus.

Em Lucas 14,33, Ele nos convida a renunciarmos a tudo o que possuímos para sermos seus discípulos: “Qualquer um de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”. Ele nunca nos convidaria a viver na miséria, mas nos convida a viver uma vida simples, sem tantas falsas necessidades. Algumas pessoas são chamadas a uma pobreza radical; outras, nem tanto.

Em Lucas 6,24-25, Ele diz: “Ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação! Ai de vós que estais agora saciados! Porque tereis fome!”. Ao jovem rico, Jesus exigiu tudo: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me”. Entretanto, em Lucas 19,8-9 ele falou a Zaqueu que a salvação tinha entrado naquela casa quando o homem prometeu que ia dar metade do que tinha aos pobres e devolver quatro vezes mais o que tinha roubado; ou seja, não ia dar tudo o que possuía.

Quem tem muito dinheiro, confia só nele; quem é pobre, está livre para confiar plenamente em Deus, seu único apoio. No sermão da montanha, Jesus falou, logo no inicio do capítulo 5, que são felizes os pobres em espírito. Isso quer dizer que, mesmo que tenhamos capacidade e oportunidade de sermos ricos, devemos viver de modo modesto.

Em Mateus 6,19-20 Jesus nos diz: “Não acumuleis tesouros para vós aqui na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os roubam. Mas acumulai tesouros para vós no céu”. Em Mateus 6, 24: “Não podeis servir a Deus e às riquezas!”.
S. Paulo nos fala em Timóteo 6,7-10: “ A raiz de todos os males é o dinheiro”. É preciso aprendermos a viver de modo simples, com o suficiente para uma vida confortável e digna, partilhando com os pobres e necessitados o que economizarmos. Deus sustenta até os passarinhos, como vemos em Mateus 6,26. Ele nos ajudará, e nada nos faltará, se confiarmos nele. (Ver Mateus 6,30-34).

Todos sabemos, pelos jornais e pela televisão o quanto as pessoas ricas têm problemas, cometem suicídio, morrem de overdose e coisas desse tipo. Se o dinheiro trouxesse felicidade, eles seriam felizes; a vida que levam, entretanto, mostram que são muito infelizes. Só Deus pode nos fazer felizes. Só o bem pode nos dar a paz.


Vamos dar sempre aos outros, principalmente aos não cristãos e aos ateus, o bom exemplo em tudo, principalmente no fato de que confiamos em Deus e não no dinheiro. Não é isso que parece no nosso dia a dia, e mesmo de muitas autoridades eclesiásticas. Nós nos preocupamos tanto com o dinheiro que parece que não confiamos na Providência Divina.

Veja Marcos 6, de 7 a 13, em que os discípulos são enviados a pregar o evangelho na pobreza e com o bom exemplo. Diz o beato padre Carlos de Foucauld que “Devemos (não só proclamar, mas ) gritar o evangelho com a própria vida”, com o nosso bom exemplo. Desse modo, como diz Mateus 13, 33, seremos como o fermento na massa, o sal da terra, a luz do mundo.



Devemos escolher, portanto, sempre, o bom caminho, como diz Prov. 23,26: “ Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Também em Mt 7,13-14, Jesus pede que escolhamos o bom caminho, mesmo estreito, porque é esse que nos levará à vida eterna. Fazer o bem, ser santo como o Pai é santo (Mt 5,48; 1ª Pedro 1,16) é muito difícil, é um caminho estreito, mas é o único que nos traz a salvação e a vida eterna. O caminho do mal é sempre largo e espaçoso.

Pergunto: Você tem medo de ficar pobre, ou mais pobre do que já é?

Podemos confiar na Providência Divina (=que nada nos faltará)? Por quê?

Os ricos são sempre felizes? Comente.


ESTE É MAIS NOVO, DE 2015


Por mais que muitos tentem, não vão conseguir mudar o fato de que Jesus escolheu nascer, viver e morar na simplicidade e na pobreza.
No Novo Testamento são essas as orientações dadas por Jesus. No Antigo Testamento as orientações eram diferentes: a riqueza era considera um sinal das bênçãos de Deus. É por isso que eles se assustavam e até se escandalizavam quando Jesus propunha a pobreza como caminho de vida.
Entretanto, mesmo no Antigo Testamento houve pessoas que buscaram a simplicidade e a pobreza como modo de vida. Jeremias, por exemplo, Elias, e quase todos os profetas.
João Batista pertencia, talvez, a um dos grupos que buscavam viver uma vida simples e pobre, como os Essênios: “ João usava uma roupa de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Seu alimento consistia em gafanhotos e mel silvestre.
Diz um comentário da bíblia de Jerusalém sobre Sofonias 2,3: “Procurai ao Senhor vós todos, os pobres da terra, que realizais o seu julgamento. Procurai a justiça, procurai a humildade: talvez sejais protegidos no dia da ira de Javé. “Pobres” ou “humildes”, em hebraico são os “anawim”. Os pobres ocupam um lugar especial na bíblia. Se a literatura sapiencial considera, às vezes, a pobreza, “rêsh”, como consequência da preguiça, Provérbios 10,4,  os profetas, sabem que os pobres são, antes de tudo, oprimidos, “Aniy^ym”, e reclamam justiça para os fracos e pequenos, “dablîm, e para os indigentes, “ebyonîm. (...) Com Sofonias, o vocabulário da pobreza toma coloração moral e escatológica. (...) Os “anawim” são, em resumo, os israelitas submissos à vontade divina. Na época da Setenta, o termo “anaw” (ou “anî) exprimia cada vez mais uma ideia de altruísmo. Aos “pobres” será enviado o Messias. Ele mesmo será humilde e manso e até será oprimido”
Em Isaías 57,15: “ Eu habito em lugar alto e santo, mas estou junto com o humilhado e o desamparado”.
No Novo Testamento vemos vários textos que aconselham a pobreza (e, consequentemente, a simplicidade: Lucas 12; “Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não fiquem velhas, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Pois onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”.
Atos 4,32: “ A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum”.
Entretanto, um trecho que me impressiona muito é o final da parábola do homem que calcula se pode ou não construir uma torre, ou do rei que pondera se pode ou não se confrontar com o inimigo mais forte que ele: Jesus simplesmente nos dá o “xeque-mate”: “Igualmente, portanto, qualquer de vós que não renunciar a tudo o que  possui, não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14,33).
No envio dos discípulos, Jesus recomenda a simplicidade e a pobreza. É só ler Mateus 10,1-42. Eis alguns trechos:
“De graça recebestes, de graça dai” (v.8). “Não leveis ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos, nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado, pois o operário é digno do seu sustento” (v. 9-10).
“Quando entrardes numa cidade ou num povoado, procurai saber de alguém que seja digno e permanecei ali até vos retirardes do lugar” (v.11)
E diz essas palavras de confiança: ”Quanto a vós, até mesmo os vossos cabelos foram todos contados”. E diz que os pardais não têm valor algum comercial, mas “nenhum deles cai em terra sem o consentimento do vosso Pai”. No trecho do jovem rico: “Como é difícil aos que têm riquezas entrar no Reino de Deus! Com efeito, é mais fácil o camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que o rico entrar no Reino de Deus!” (Lucas 18,18-27).
As pessoas ricas fazem de tudo para diminuir o tamanho do camelo e aumentar o buraco da agulha, mas isso é impossível! É mais fácil proporem-se a partilhar o que possuem, e aprenderem a viver com menos, a fim de que seus funcionários comecem a ganhar um pouco mais da miséria que ganham.
Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, não há quem tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus, sem que receba muito mais neste tempo e, no mundo futuro, a vida eterna” (Lc 18,29).
REALIDADE
Baseado nesses e em inúmeros outros textos da Bíblia, podemos garantir a preferência que Jesus tem para a vida simples e pobre. Estes recebem a graça abundante de Deus, o que os torna mais felizes em paz.
Vemos hoje em dia como certos políticos e empresários correm atrás do dinheiro. É ridículo que pessoas que ganham 20, 30 mil ou mais do que isso mensalmente ainda queiram mais e mais! Não tem sentido viver assim! Vivemos aqui na terra pouco tempo. É muito rápida a passagem do tempo. Nossa capacidade de aproveitar tudo o que existe é muito limitada. Contentemo-nos em viver uma vida simples e pobre, em aproveitar umas poucas coisas do dia-a-dia, em vivermos felizes com nossa família, e seremos felizes!
Quando eu falo aqui numa vida simples e pobre, penso em dois valores: um para os sacerdotes e religiosos, que devem (ou pelo menos deveriam) levar essa vida de modo mais radical, e outro, para os casados e casadas, para os que vivem em família, que precisam de um mínimo necessário para educarem os filhos, tirarem férias, comerem bem etc.
Jesus não pediu que vivêssemos na miséria, mas numa vida simples, sem muitas exigências, e pobre, sem riquezas nem posses desnecessárias. Na História vemos muitos exemplos de pessoas que deixaram suas riquezas para viverem pobres. O Beato Carlos de Foucauld, por exemplo (veja no blog http://gritaroevangelho.blogspot.com.br toda a história dele).
ABANDONAR-SE À PROVIDÊNCIA
Não confundir “providência” com “previdência”. Quem confiar só na previdência social, vai passar fome. Digo da Providência Divina, a proteção “escandalosa” que Deus dá a quem o busca.
Mateus 6,25-34
25-“Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? 26. Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?28. E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.29. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.30. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?31. Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? 32. São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.33. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.34. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” tirado de http://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-mateus/6/
Jesus praticou tudo isso que nos pediu para fazer. Se houvesse outro caminho melhor, Ele nos teria ensinado.
Diz o Beato Carlos de Foucauld: “Nós amamos na medida em que cremos. Se fizermos a vontade de Deus, nada vamos temer” (de “Um Pensamento Para Cada Dia”, dia 03 de julho).
1ª Pedro 5,7: “Lançai nele (em Deus) toda a vossa preocupação, porque é ele que cuida de vós!” Aliás, é a mesma frase que o Salmo 55(54), 23, portanto, já conhecido desde o Antigo Testamento.
Fico por aqui. Espero que essas meditações tenham ajudado alguém. Lembro que nosso e-mail é 2001catequese@gmail.com


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

MELHORE SUA ORAÇÃO





Autor: Bíblia Católica | Postado em: Espiritualidade
Se você já se sentiu frustrado na oração, não se preocupe: é muito simples

Você conhece a importância da oração, mas talvez ache que Deus não quer ouvi-lo porque você se afastou durante algum tempo. Você provavelmente sabia que a oração madura é algo além de simples petições a Deus, mas talvez não esteja seguro de como proceder.

Talvez você esteja realmente ocupado, e tema que buscar a “prática da oração” exija um compromisso que você não pode assumir. Ou pode ser que você tenha medo de “fracassar” em sua tentativa de orar em profundidade.

Seja como for, fique tranquilo. A única maneira de fracassar na oração é deixar de orar. Não há nada que Deus não queria ouvir de você. Ele o ama, não se esqueça disso!

Anote aí as 5 dicas para voltar a orar intensamente:

1. Faça o sinal da cruz

Esta é uma maneira rápida e eficaz de se conectar com Deus e recordar, num só gesto, toda a entrega de Jesus por nós. Esta é uma oração rápida e um bom ponto de partida. Para saber mais sobre o sentido do sinal da cruz, clique aqui e depois aqui.

2. Inclua gotinhas de oração ao longo do seu dia

As jaculatórias ajudam a manter-nos na presença de Deus. São orações breves, em forma de frases simples, que dirigimos a Deus em meio às atividades cotidianas, colocando nelas toda a força da nossa fé e todo o carinho do nosso coração ao pronunciá-las. Alguns exemplos: “Senhor, tu sabes tudo, sabes que te amo”, “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”, “Estou em tuas mãos, faça-se a tua vontade”, “Maria, sou todo teu”, “Espírito Santo, ilumina-me”, “Sagrado Coração de Jesus, confio em ti” etc.

3. Observe algo belo

A beleza das coisas ao nosso redor nos remete a Deus. Você pode observar uma flor, uma folha caída no chão, a alegria de uma criança, um amanhecer… O ser humano é o único animal capaz de admirar a beleza, Deus nos deu este dom – talvez precisamente para que nos encontremos com Ele.

4. Escute

Você não precisa estar com o fone de ouvido o tempo todo, pode desligar o celular e a televisão de vez em quando. Programe-se para desligar os estímulos externos em alguns momentos da semana e curta o silêncio. Nesses momentos, pode dizer para Deus: “Tu me chamaste, Senhor, aqui estou”. E permanecer em paz e silêncio, para ir aprendendo a identificar a voz de Deus em seu interior.

5. Cante

Santo Agostinho dizia que quem canta ora duas vezes. Você certamente conhece algumas canções espirituais ou pode explorar mais este universo. Monte sua seleção e curta momentos de intimidade com Deus por meio da música. Cante a Maria também, porque isso conforta nosso coração de filhos e a deixa alegre como Mãe. Você também pode cantar partes da missa, se isso o ajudar a se conectar com Deus.

Está disposto a recomeçar? Deus com certeza já recomeçou, já está esperando você. Apenas dê o primeiro passo, e o resto será mais fácil. Confie.

(Adaptação do texto original de Elizabeth Scalia

domingo, 11 de outubro de 2015

ACESSE O BLOGUINHO MOD. DINÂMICO

AGORA VOCÊ JÁ PODE USUFRUIR DO NOSSO QUERIDO BLOGUINHO DE UMA FORMA MIAS DINÂMICA! CONHEÇA O 

BLOGUINHO CATEQUÉTICO MODELO DINÂMICO,

que, aliás, tem mais cinco modelos à sua escolha, bastando clicar na palavra "Magazine", na barra do cabeçalho. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

PALAVRAS DO PAPA

Ultimas palavras do querido Papa Francisco antes de iniciar o Sínodo sobre a família. Inspirado no rebelde profeta Jonas.

Poderia ser mais claro e explicito o seu recado???.

Rezemos que prevaleça a misericória.

Grande e fraterno abraço.
+ edson damian (bispo de S. Gabriel da Cachoeira, AM)


O grito do Papa: “Não à rigidez; Deus quer misericórdia”.
O coração duro é o verdadeiro perigo para o ser humano, porque não deixa entrar a misericórdia de Deus. O destaque é do Papa Francisco e feito durante a homilia na missa matutina na Capela da Casa Santa
Marta, antes de se dirigir, segundo indicou a Rádio Vaticano, à aula nova do Sínodo, onde acontece a assembleia geral dos bispos sobre o tema da família.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada por Vatican Insider, 

06-10-2015. A tradução é de André Langer.

O Pontífice pediu para não obstaculizar a misericórdia do Senhor, considerando mais importantes as próprias ideias ou uma lista de mandamentos que devem ser seguidos. Disse-o referindo-se ao profeta
Jonas, que resiste à vontade de Deus, mas que depois aprende que deve obedecer. 

Francisco baseou sua homilia na primeira leitura do dia, do livro de Jonas, e destacou que a cidade de Nínive converte-se graças à sua pregação: “Realmente faz um milagre, porque neste caso ele deixou sua teimosia de lado e obedeceu à vontade de Deus, e fez aquilo que o Senhor lhe havia pedido”.

Nínive converte-se e por este motivo Jonas, homem “não dócil ao Espírito de Deus, se enfurece: sentiu um enorme desgosto e foi desdenhado”. E vai além, chegando inclusive a se queixar de Deus.

O Papa explicou que a história de Jonas e Nínive articula-se em três pontos: o primeiro é “a resistência à missão que o Senhor lhe confia”; o segundo é “a obediência, e quando se obedece, milagres acontecem. A obediência à vontade de Deus, e Nínive se converte”. O terceiro, “a resistência à misericórdia de Deus”.

Francisco prosseguiu refletindo sobre a dureza dos corações. “‘Senhor, não era justamente isso que eu dizia quando estava ainda em minha terra? Porque Tu és um Deus misericordioso e piedoso’, e eu fiz todo o trabalho de pregar, cumpri bem meu dever, e Tu os perdoas? É o coração com aquela dureza que não deixa entrar a misericórdia de Deus. É mais importante a minha pregação, são mais importantes os meus pensamentos, é mais importante a lista de mandamentos que devo observar, tudo, exceto a misericórdia de Deus”.

E esta situação, “este drama”, o próprio Jesus o viveu “com os doutores da Lei, que não entendiam porque ele não permitiu que a mulher adúltera fosse apedrejada, como ele fazia refeições junto com os publicanos e os pecadores: eles não entendiam. Não entendiam a misericórdia. ‘Tu és misericordioso e piedoso’”.

Mas o Salmo do dia sugere esperar “o Senhor, porque com o Senhor está a misericórdia, e grande é com Ele a redenção”.

O Papa acentuou: “Onde está o Senhor está a misericórdia. E Santo Ambrósio acrescentava: ‘E onde há rigidez ali estão seus ministros’. A teimosia que desafia a missão, que desafia a misericórdia”.

Assim, enquanto nos aproximamos do Ano da Misericórdia, recordou o Papa, “rezemos ao Senhor para que nos faça entender como é seu coração, o que significa ‘misericórdia’, o que quer dizer quando Ele diz: ‘Quero misericórdia e não sacrifício!’”

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

TEATRINHOS



Há vários textos que podem ser usados como teatrinhos ou jograis no nosso site Eremitas Vivendo Nazaré e um deste blog:

No site Eremitas Vivendo Nazaré: Natal Interrompido e Seu Amigo se chamava Angélico

deste blog: teatrinho de natal


Veja também as HISTÓRIAS CURTAS do nosso site Eremitas Vivendo Nazaré. Lá há muitas historinhas que podem ser aproveitadas. Ou mesmo no blog Meus Pobres Rascunhos, neste link: textos

TEATRINHO DE NATAL 1º ATO


É bem simples e pode ser feito até dentro da igreja.

1º ATO
Comentarista- Dona Marly está pedindo para o padre Júlio que empreste o salão paroquial e o pátio para uma quermesse. Ela é milionária.
(Dona Marly em frente ao padre Júlio, ambos sentados e de lado para o público).
Padre- Como tem passado, dona Marly?
D. Marly- Ai, padre, só problemas! Só pro-ble-mas!
Pe- Como vai seu esposo?
D. M.- Ah! Ele está no Guarujá. O nosso iate está velho e ele foi trocá-lo por um novo!
Pe. Velho? Quantos anos vocês o possuem?
D.M.- Imagine, padre Júlio! Já faz três longos anos que o utilizamos! Não aguento mais navegar nessa “arca de Noé”!
Pe- Três anos? Só? Mas... D. Marly, é pouco tempo!
D.M.- Padre Júlio, o senhor não troca seu carro de vez em quando?
Pe.- O Xavier? Não! Ele é de 1985!
D.M.- Ah, Esqueci-me de que seu Uno se chama Xavier! Mas... por que ainda não o trocou?
Pe- Não tenho dinheiro suficiente. Mas a paróquia está pagando o consórcio de um pálio. O Xavier é meu, não é da paróquia. Vou dá-lo para a minha mãe, quando chegar o carro novo. Eu adoro esse carrinho!
D.M. Eu poderia ajudar a compra o carro, mas estamos com tantos gastos! O senhor sabe quanto vou pagar pela nova piscina que estamos instalando em nossa mansão?
Pe.- Não faço ideia. Mas... o que a trouxe aqui?
D.M.- Eu preciso de seu salão e do pátio para montar um desfile de modas beneficente.
Pe.- Para ajudar a quem? Os pobres da paróquia?
D.M.- Não! Os pobres o senhor já ajuda! É para o Natal dos cachorros de dona Dida! São oitenta! Vamos comprar uma carne melhor e leva-los a um salão de beleza canina! Vão ficar uns amores!
Pe.- Ah! Que interessante! (Olha para o público e faz um sinal de quem diz: “vejam se pode uma coisa dessas!” Olha novamente para ela e diz): mas eu pensei... eu pensei...
D. M.- (interrompendo-o) Ora, padre Júlio, o senhor já tem bastante gente que ajuda a “pobrada”!
Pe- Sim, mas há muitos pobres e o dinheiro é sempre pouco!
D.M.- Ora, padre, Sei que o senhor se vira!
Pe.- O Natal ainda demora alguns meses! E também por que a senhora quer usar o pátio?
D.M.- É que vamos fazer convites a determinado preço, com direito a certa quantia de salgadinhos e refrigerante, que serão servidos lá fora, em barracas.
Pe.- Bem... eu vou falar com o conselho de finanças e de festas e depois lhe dou a resposta. Ou melhor, eu a convidarei para nossa reunião. Tudo bem?
D.M.- (levantando-se e se despedindo)- Tudo bem, padre. Aguardarei com ansiedade! Obrigado! Os cachorrinhos de D. Dida já estão latindo de alegria!
Pe.- Passe bem, D. Marly, e que Deus a abençoe!
(Quando ela sai, o padre faz um sinal de protesto com o punho fechado e diz, virado para o público:) Só por cima do meu cadáver, D. Marly! Nunca vou deixar que isso aconteça! (fazendo careta) “Os cachorrinhos de D. Dida”... Só essa faltava!
Comentarista – (enquanto um rapaz de uns 18 anos ou pouco mais entra e senta-se em frente ao padre, que o está recebendo):Naquele mesmo dia, o padre Júlio recebe um jovem da pastoral da juventude.
 Pe- Tudo bem, Carlos? Como vai?
Carlos- Tudo bem, padre.
Pe. E o grupo de jovens, a quantas anda?
C- Foi exatamente sobre isso que vim lhe falar. Estamos fazendo um trabalho no lixão da cidade...
Pe- Estão catando lixo?
C- Não, padre Júlio (rindo). Estamos dando assistência ao pessoal que trabalha lá sem condições! É uma tristeza!
Pe- Eu imagino! Com o meu trabalho na paróquia não tenho muito tempo de ir a esses lugares!
C- O senhor me perdoe, padre, mas deveria encontrar um tempinho! Valeria a pena!
Pe.- Fale-me um pouco do trabalho de vocês!
C- Falei  com um rapaz, o Luís, e com sua mãe, Felisbina, entre outros, mas percebi que eles exercem uma certa liderança entre os catadores de papel e material reciclável!
Pe.- Que bom! E como eles vivem?
C- Numa miséria incrível! Bebem chá mate e pão duro que ganham. O dinheiro obtido com o lixo mal dá para o alimento básico!
Pe.- E o esposo de D. Felisbina?
C- Está preso! E eles não podem comer tudo o que vem no lixão, pois há muita coisa estragada, mas aproveitam certos tipos de alimentos, além de catarem o material que transportam para um local meio distante daqui, para a reciclagem. Nem sei como ainda não morreram envenenados!
Pe.- E o que vocês pretendem fazer para ajuda-los?
C- Criar um posto de reciclagem de lixo aproveitável!
Pe.- Que ideia boa!
C- Haverá melhores condições de separar o lixo e embalar o lixo reciclável para o envio às indústrias especializadas nisso!
Pe.- Mas não temos um lugar para isso!
C- Sei de alguém que tem um terreno com um barracão que está há muito tempo sem uso!
Pe.- E o dinheiro, como conseguirão?
C- É aí que o senhor entra na história. Precisamos do salão e do pátio, várias vezes, até o Natal, para quermesses, a fim de obtermos o dinheiro necessário.
Pe.- Tudo bem, concordo com a ideia, mas há um outro pedido de utilização do salão que preciso propor ao conselho de finanças. Convido você a participar de uma reunião em que resolveremos isso. Tudo bem?
C- O.K., padre. Voltarei nesse dia. O senhor me avisa?
(Carlos, já em pé, cumprimenta o padre)
Pe- (dando-lhe a mão)- Aviso. Até logo!

C- (saindo) Até! Vamos mudar a vida dessa gente!

TEATRINHO DE NATAL 2º ATO


2º ato
(D. Felisbina e o Luís, um rapaz de uns 15 ou 16 anos, mal vestidos. Eles estão num semi-círculo com o padre, o Carlos, D. Marly, e mais dois homens, o Gustavo e o Paulo, do conselho de finanças).
Comentarista- A tal reunião chegou. Após uma oração inicial, o padre Júlio explicou a todos o motivo da reunião. Estão ali o padre, o Carlos, D. Marly, o Luís, D. Felisbina, o Paulo e o Gustavo, que são do conselho de finanças e festas.
Pe.- Amigos, juntos vamos decidir quem vai e quem não vai utilizar o salão e o pátio nestes meses até o Natal. O Paulo e o Gustavo fazem parte do conselho de finanças. Vocês conhecem D. Marly, que não precisa de apresentação. Ela é nossa colaboradora
D.M (roubando a palavra)-E saibam que de onde veio o dinheiro com o qual por várias vezes ajudei a paróquia, tem mais!
Carlos- A senhora quer dizer com isso que se não for atendida vamos ficar sem a sua ajuda?
D. M.- É por aí! É dando que se recebe!
Paulo- Mas... padre Júlio! Isso é uma pressão! É injusto!
Gustavo-(meio afetado)- Gente, eu sempre fui fã de D. Marly e acho que ela sempre será bem vinda a esta paróquia. Atendê-la e dar a esses cachorrinhos um Natal mais gostoso vai custar menos e é algo mais realizável do que um posto de reciclagem, que demanda mais recursos materiais e humanos! A reciclagem pode esperar mais um tempo!
D.M- Seu Gustavo, muito obrigada! Quando o senhor precisar de alguma coisa, qualquer que seja, me procure!
Pe.- É... parece que já começamos a discussão!
Carlos- Ô, padre, a D. Marly é milionária e pode muito bem dar ela mesma os panetones para os cachorros, se quiser, e até mesmo uma cesta de Natal para cada um deles!(Todos riem, menos D. Marly). Mas as quermesses seriam muito úteis para a montagem do nosso posto de reciclagem!
D.M .- Não gosto de piadinhas maldosas, Sr. Carlos.
Pe. – Bem... vamos ouvir os outros dois, que ainda não falaram!
D.M-(interrompendo)- Antes que eles falem, devo dizer ao Sr. Carlos que não posso ajudar a D. Dida porque tenho que terminar a reforma de minha piscina e trocar o meu iate! Essas coisas custam dinheiro!
Pe. – Por favor, fale, D. Felisbina!
D. Felisbina- Ôceis mi discurpe d’eutá aqui, mais a recicrage vai sê bão pra muita genti! Vai dá mais dinhêro pros pobre como nóis!
Carlos- O Brasil desperdiça muito lixo reciclável e mujita matéria prima. Vejam estes dados (lê num papel): 50 Kg de papel usado substituem 1 árvore, que não precisa ser derrubada. 1000 kg de alumínio substituem 5000 kg de minério, que não precisa ser extraído! 1 kg de vidro quebrado dá exatamente 1 kg de vidro novo, mas se utilizarmos matéria prima, serão necessários 1 kg e 300 gramas para fazer 1 kg de vidro novo!
Pe.- Muito obrigado, Carlos, valeu! (Voltando-se à D. Marly) Dona Marly, a senhora já passou fome?
D. M.- Por que essa pergunta, padre?
Pe.- Simplesmente responda!
D.M.- Sim, por conta dos regimes que faço para emagrecer.
Pe- É bom passar fome?
D.M.- Eu detesto. Fico nervosa, angustiada, fraca.
Pe.- Quantas refeições a senhora faz por dia?
D.M- Bem... de manhã tomo o café da manhã
Pe. – Do que consiste?
D.M.- Ovos mexidos, iogurte, presunto, queijo, geleia, frutas, sucos naturais, bacon etc
Pe. –E o almoço?
D.M- O senhor se esqueceu do lanchinho das 10 hs: torradas com caviar e grapefruit (pronuncia-se greipefrut)
Luís- Nossa! U qui é issu, sô?
D. M.- É uma fruta chamada toronja. É parecida com a laranja, mas é importada. No almoço coisas mais simples: salmão, arroz à grega, molho tártaro, filé mignom com cogumelos ao molho suíço, salada mista.. às vezes capeletti ao molho de frango (o coordenador do teatrinho pode inventar outras comidas chiques).
Pe. – Sobremesa...
D.M.- Sorvete de nozes, ou doce de leite cremoso vindo diretamente da minha fazenda de Minas, ou coisas assim.
Pe. Café da tarde?
D.M. – Suco de laranja com bolo light.
Pe. – O jantar...
D.M- Salada mista, bisteca de boi ou de porco, sopa finlandesa, ou brodo italiano com vinho importado, ou presunto, ou simplesmente um xistudo, ou um prato árabe, como o tabule...
Pe.- E para o término da noite?
D.M.- Um aperitivo tipo Martini com petiscos, ou um achocolatado importado.
Pe. – Agora quero perguntar o mesmo a vocês dois (dirigindo-se ao Luís e à D. Felisbina). O que vocês tomam no café da manhã?
(D. Felisbina dá uma cotovelada no Luís, para ele falar)
Luís- Chá mate, quando tem, e, às veiz, pão duro qui a gente ganha da padaria. Num temo gais pra torrá u pão. Ás veiz a genti acha um pedaço de pissa (ele fala assim mesmo, com dois esses) no lixão (D. Marly faz uma careta de nojo)
Pe.- E o almoço?
Luís- Arrois, feijão, cebola cru
Pe.- Só cebola?
Luís – Não! Às veiz nóis encontra lata de sardinha ou ôtras coisa vencida, e ovo cuzido. Nóis num frita pruquê nóis num tem óio pra fritá.
Pe – Tem sobremesa?
Luís- Às veiz nóis comi fruita do lixão, ou pega fruita no fim da fêra. Só qui vai tanta genti qui quase num sobra.
Pe.- Comem alguma coisa à tarde?
Luís- Não. Só um chá mati, às veiz.
Pe.- E o jantar?
Luís- Nóis comi o qui sobra no armoço. Às veiz nóis consegui pão cum margarina, qui nóis come cum chá.
Pe- E para terminar o dia?
Luís-Chá mate. Às veiz, café, mais só di veiz im quando.
(Todos param de se movimentar, como se a cena se congelasse. O comentarista toma lugar à frente do palco ou de onde se está apresentando a peça e diz:)
Comentarista: Caros amigos e amigas: o autor deste teatrinho ficou em dúvida: Dona Marly se converterá ou não com essa demonstração de pobreza? Ela abriria as mãos para ajuda-los? Abriria mão de seu pedido para que eles conseguissem o dinheiro para o posto de reciclagem? Hoje em dia precisamos reciclar tudo o que for preciso, até a nós mesmos! Estamos falando do tempo de Natal, em que tudo é possível, os milagres acontecem... ou será que isso é apenas uma ilusão? Como ficará o coração de D. Marly? O Natal não se identifica com comes e bebes. Nós precisamos comemorá-lo mudando nossa vida para melhor! Jesus nasceu para tornar-nos cidadãos do céu, mas nós insistimos em viver aqui na terra, mesmo se isso for dolorido e penoso! Uma senhora, a D. Maria de Aguiar, filha de escravos, sempre dizia à uma sua amiga que fazia jejum no dia 24 de dezembro porque Maria, nesse dia, estava com todos os incômodos do nascimento de uma criança, no caso Jesus, e decerto não comeu nada! O Natal é a festa do amor que se encarnou, da misericórdia, da fraternidade, que muitas vezes confundimos com comes e bebes, e sempre com mais “bebes” do que “comes”! Que a comemoração do nosso Natal tenha esse sentido espiritual, e não material como costumamos fazer! Procuremos ser generosos e partilharmos com os que passam fome, não só nesse tempo, mas sempre! Mas agora vamos ver como o autor achou por bem terminar esta história!
(Dona Marly levanta-se, furiosa, dizendo:
DM- Isto é um complô contra mim! Foi tudo ensaiado! Nunca fui tão humilhada! Jesus mesmo disse que sempre haveria pobres! E ele deixou a pecadora ungir seus pés com perfume caro, em vez de gastar aquele dinheiro com os pobres do seu tempo! Padre Júlio, por favor, se esqueça de mim e do meu rico dinheirinho! (E sai, batendo os pés. Gustavo levanta-se e a segue, dizendo):
Gustavo- Eu vou acompanhá-la!
Pe.- Sr. Paulo, o que me diz?
Paulo- Sem dúvida alguma, padre, sou a favor da reciclagem1
Pe.- Que bom! É o melhor presente que esta comunidade recebeu! Não é um presente-consumo, comprado em lojas! (Dirigindo-se à D. Felisbina e ao Luís:) Quanto a mim, D. Felisbina, Luís, conhecê-los e fazer esta reunião foi o meu presente de Natal. Aproximou-me da classe mais humilde, falha esta que sempre quis superar, mas nunca tinha tido coragem ou oportunidade! Que bom é poder partilhar sempre (se abraçam).

D.Felisbina – Como o sinhô falô bunito!