segunda-feira, 12 de maio de 2014

A RELIGIÃO COMPLEXA E POLÊMICA

Religião: Complexa e Polêmica
Disse Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito, mas, quando conseguis conquistá-lo, vós o tornais duas vezes mais digno do inferno do que vós” (Mt 23, 15).

O sistema religioso é complexo e polêmico. Religião, política e capitalismo andam juntos e misturados. Esse assunto é altamente complicado.

Há várias modalidades de transmitir a doutrina religiosa, como por exemplo, na forma proselitista e imperiosa.

Saber o conteúdo em profundidade do esquema doutrinário religioso é impossível. No entanto, o que sabemos muito bem é a pregação nos demasiados sermões de amor, caridade, fé, esperança, felicidade, conversão, adoração, céu, paraíso, anjos, almas e eternidade.

Na teoria tudo são lindo e maravilhoso, na prática a diferença é escandalosa. Não existe um sistema que dissimula, que esconde, que impera a hipocrisia do que o sistema religioso. A melhor máquina para alienar, manipular, condicionar e escravizar é a religião. E a ferramenta que nunca estraga, que não perece, não desvaloriza e que não tem prejuízo é “Deus!”. Em nome de Deus, já se cometeu as mais terríveis carnificinas.

Tudo por maldade, pelo poder e pela ganância do dinheiro, pela idolatria de seus ídolos capitalistas, pelo culto a personalidade e pelas luxúrias bacanais.

De tanto falar em Deus de amor, de caridade ao próximo, do sagrado, do sobrenatural, da paz, da salvação eterna, de fraternidade e de um planeta para todos, na prática resulta em tanta incompatibilidade, perseguição, inimizade, separação, cisma, detração, inveja, assassinato de reputação e escândalos. Muitos líderes religiosos são capitalistas cruéis verdugos. A falácia é a atitudes destes. Religiosos sofistas são inimigos ferrenhos dos verdadeiros seguidores de Jesus de Nazaré.

Será que não seria diferente se a religião fosse de fato e de verdade um sistema de guerra aberta e declarada, mas que na prática tudo fossem “paz e amor”, “vida e felicidade abundante”, “pão e rosas” para todos, “riquezas e salvação do planeta e da humanidade”. Que se falasse muito do diabo, mas que na prática as atitudes fossem de anjos bons, de cismas, mas a unidade e a comunhão sempre em primeiro lugar. 

Os sermões dos líderes religiosos fossem tomados pelo o ódio e pela perseguição, no entanto, no dia-a-dia vivessem a fraternidade e o amor. Se o conteúdo doutrinário fosse perverso, mas que no cotidiano fosse de bondade. Que os líderes religiosos pregassem o fanatismo e a boçalidade, todavia, os fiéis vivessem a tolerância e a intelectualidade pós-moderna. Que os líderes religiosos ensinassem o capitalismo e a luxúria, mas vivessem na pobreza e na santidade.

É infernal, diabólico e criminoso ler o livro sagrado, orar, está no templo, ofertar, dizimar ser líder religioso e não praticar as virtudes divinas, não compartilhar o bem comum e não trabalhar pela amizade do irmão e pela partilha do pão de cada dia.

Escreve São Tiago Apóstolo: “A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: visitar os órfãos e guardar-se livre da corrupção do mundo” (Tg 1,27).
Afirma o premiado historiador, biógrafo, crítico inglês e autor do livro Guerra Santa: como as viagens de Vasco da Gama transformaram o mundo, Nigel Cliff: “A cooperação, às vezes, se desenvolve, mas as guerras santas nunca terminam” (*).

Pe. Inácio José do Vale
Pesquisador de Seitas
Professor de História da Igreja
Instituto de Teologia Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião


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