sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CATECISMO RESUMIDO-03


d)- PERDOAR SEMPRE E SEM LIMITES

Jesus diz que devemos perdoar setenta vezes sete vezes, o que significava para eles, perdoar sempre (veja em Mt 18,22). Em Lc 17,4,: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás!”

 Em Mt 6, 14-15 Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam. Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade. Jesus pede, também para tirarmos qualquer pensamento de vingança. Diz Romanos 12,19:”A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”.

Jesus quer que amemos a todos, sem ódio, sem ofensas, não rir dos outros, não humilhá-los, não julgá-los, não nos vingarmos. A vingança e a maldade não valem a pena! Nós somos sempre perdoados por Deus de pecados muito graves e por isso precisamos perdoar sempre aos que nos ofenderam em coisas que, diante do que devemos a Deus, é nada!

O súdito daquele rei da parábola devia a ele o equivalente a 3 milhões de gramas de ouro (faça a conta para ver que fortuna!), o que equivale 10 mil talentos (cada talento pesa cerca de 34 quilos). Ele foi perdoado, mas ao sair de diante do rei, não quis perdoar a um amigo que lhe devia o equivalente a 450 gramas de ouro. Resultado: o rei o chamou de volta e o mandou prender “até que pagasse tudo”, ou seja estaria até agora na prisão...

e)- DEUS SEMPRE NOS PERDOA !

Se ele nos pede isso, é porque também pratica! A condição que ele põe é que peçamos perdão. Os pecados graves devem ser confessados a um sacerdote (veja Mt 16,18-19; Jo 20,22-23; Tiago 5,16). Os outros pecados, que não são graves, são perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e de caridade: “A caridade cobre a multidão de pecados (1 Pd 4,8).
O que nos proporciona também o perdão de Deus são os atos de reparação, as orações, jejuns (mesmo pequenos e abrangendo a renúncia de alimento, tevê, bebidas, pelo menos de vez em quando). Diz 1 João 1,9; “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a culpa”.

O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso acabamos não pedindo perdão. Veja 1 Jo 5,16-17; Mt 12,31-32; Hb 6,6.

f)- A MISERICÓRDIA NOSSA E A DE DEUS.

Jesus é misericordioso. Diz Ef 2,4: “Deus é rico em misericórdia”. Ele quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las. Tg 2,15-26 diz que a fé, sem as obras, é morta: ou seja, precisamos demonstrar a nossa fé ajudando os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém.(Tg 2,1-10). 

Agindo assim, Deus também será misericordioso para conosco, não nos deixará faltar nada, como Jesus prometeu em Mt6,25-33. No Juízo Final seremos julgados segundo a misericórdia que tivemos ou não dos que precisam dela, como diz Mt 25,31-46. Diz também Tg 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. A misericórdia implica, também em não julgarmos a ninguém. Veja Mt 7,1-4 e 1 Pd 4,3.

g)- OS DOIS CAMINHOS

Deuteronômio 30,15-20 pede que há dois caminhos à nossa frente, para escolhermos um deles: o bem e o mal, a vida e a morte. Deus pede que escolhamos o caminho do bem, a vida.

Em Provérbios 23,26, Deus nos diz: “Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Jesus diz em Mt 7, 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque é larga a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida! E quão poucos são os que acetam com ele!”.

Santo Tomás de Aquino diz que é preferível andar devagar e mancando no caminho do bem a correr no caminho do mal.

Jesus pede em Mt 5,48 que sejamos perfeitos como o Pai celeste é perfeito, e 1 Pd 1,16, que sejamos santos (ou seja, que escolhamos o caminho apertado do bem) como Deus é Santo.

Quem escolhe o caminho do bem, escolhe Jesus, estará construindo sua casa sobre a rocha (Jesus), como diz Mt 7,24-27; Lc 6,47-49, e não sobre a areia (o pecado, o egoísmo). Vento algum poderá derrubá-la.

h)- A CASTIDADE

Jesus foi contra o adultério. João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes (Mc 6,17-29). Nenhum relacionamento sexual é permitido fora do casamento, como pode ser lido em Mt 5,27-32; Tg 4,4; Mc 6,17-29. Em João 8,11 Jesus perdoou a mulher adúltera, mas foi bem claro quando exigiu dela que mudasse sua vida: “Vai e não peques mais”.
Este é um assunto muito difícil, principalmente num mundo tão hedonista (=que ama o prazer pelo prazer) como o de nossa época, em que o sexo é idolatrado.

 É necessário não só muita vigilância e oração, mas também muita humildade para reconhecermos nossas fraquezas e limites nesse campo. Se não tivermos cuidado podemos também ser caluniados e, nesse campo, a calúnia pode nos levar facilmente à prisão e estragar nossa caminhada. Afirmo e repito: neste assunto, “todo cuidado é pouco”.

Quanto ao homossexualismo e desvios em geral, a Igreja é bem clara: fora do casamento entre um homem e uma mulher, qualquer tipo de relacionamento sexual é pecado. Sem exceções. Os que sofrem esses distúrbios devem procurar uma vida casta, fortificando-se pela oração, vigilância e trabalhos que sublimem os impulsos sexuais. Nunca é tarde para recomeçar.

Levar uma vida casta hoje em dia é muito difícil, mas é algo muito compensador: o nosso relacionamento com Deus e com os (as) irmãos (ãs) se estrutura numa amizade sólida e forte, a paz inunda nosso ser de tal forma que nos enleva ao paraíso mesmo em vida. Passamos a ver as pessoas com outros olhos, sem aquela malícia de quem pratica esses atos indiscriminadamente. 

As tentações são fortes em certas ocasiões, em certos dias, mas depois se enfraquecem e nos deixam um pouco em paz. Esses dias de paz compensam todos os dias de tentações, se as vencermos.

i)- OS MANDAMENTOS

Os três primeiros se referem a Deus. Os outros sete se referem a nós e ao nosso relacionamento com as pessoas:

I- EM RELAÇÃO A DEUS

1-Amar a Deus sobre todas as coisas;

Ou seja, nada do que existe pode tomar o lugar de Deus em nossa vida. As idolatrias atuais, como o apego ao poder, dinheiro, prazeres, são pecados graves
.
2- Não tomar seu santo nome em vão;

Nunca falar o nome de Deus em piadas, em brincadeiras ou qualquer coisa que não seja séria. Nunca jurar pelo nome de Deus nem por nada. Seja o nosso sim sim, o nosso não, não.

3- Guardar os domingos e dias santos;

Isto implica em prestar culto a Deus aos domingos, dias santos e sempre que for possível. Quando não pudermos fazer isso no domingo, façamos num outro dia livre.

II- EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO

4- Honrar pai e mãe;

Honrar significa, principalmente, nunca deixar faltar nada aos pais, tanto material como espiritualmente; se os pais ficarem esclerosados, não abandoná-los. Se for necessário a internação numa casa de repouso, que seja digna, limpa e honesta. 

O quanto for possível, os pais idosos devem conviver com os filhos, ou seja, nunca serem abandonados. Lembro que não se trata apenas de obedecê-los. Depois dos 21 anos, ninguém mais precisa obedecer aos pais, a não ser em coisas proibidas por Deus ou pela Igreja.

5- Não matar;

Não só não matar, mas também não odiar, não prejudicar a ninguém, não enganar ninguém, não fazer ninguém de bobo etc. Devemos amar até os inimigos, sempre nos lembrando que amar não é gostar. Precisamos amar até as pessoas de quem não gostamos.

6- Não pecar contra a castidade;

Qualquer ato sexual consentido fora do casamento é pecado. Mesmo no casamento, nem tudo é permitido.

7- Não furtar;

Nunca prejudicar ninguém nesse assunto. Ser sempre honesto com todos. Quem rouba não tem a proteção de Deus: vai ter que se virar sozinho e isso implica em nunca ter o suficiente para viver: estará sempre procurando a quem roubar ou furtar. Os que furtam ou roubam nunca estarão satisfeitos com o que conseguiram.

8- Não levantar falso testemunho;

Isso é muito importante. No tempo de Moisés, duas testemunhas que estivessem concordando com alguma acusação poderiam condenar uma pessoa à morte! Acusar os outros é algo muito grave, principalmente as calúnias. Uma senhora foi a S. Francisco de Sales falar que havia espalhado uma calúnia contra uma pessoa. 

O santo pediu que como penitência ela espalhasse as penas de uma galinha pela cidade. No dia seguinte ela voltou para a absolvição e ele lhe pediu que recolhesse todas as penas espalhadas. Coisa tão impossível quanto reparar o dano cometido após uma calúnia.

9- Não desejar o cônjuge (homem ou mulher) do próximo;

Jesus disse que nem em pensamento devemos desejar a mulher ou o marido de outra pessoa. Qualquer pensamento nesse sentido deve ser logo combatido para não se instalar em nossa mente.
10- Não cobiçar nada que não seja seu.

Não cobiçar não significa que não podemos achar bonito ou admirar o que é de outra pessoa. O que é proibido é a inveja, o desejo exagerado de ter o que é de outros.

Jesus resumiu esses dez mandamentos, no início de seu ministério, em dois, que na verdade são três:

1-Amar a Deus sobre todas as coisas,

2- Amar ao próximo

3- Como a si mesmo.

No final de sua vida, ele resumiu os dez mandamentos em apenas um: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS TENHO AMADO” (Mc 12,28-34;Jo13,34-35)



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