sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CATECISMO RESUMIDO-06


18- MORTE-JUÍZO-INFERNO-PARAÍSO

Esses são os chamados “novíssimos” do homem. Quando morrermos, seremos julgados pelo que fizemos enquanto vivemos aqui na terra e nós mesmos vamos ao céu, ao inferno ou ao purgatório, conforme nossa consciência, que após a morte  se torna 100% sincera.

É um erro muito comum entre os que não são católicos pensarem que ficaremos dormindo depois da morte. Quando isso aparece na bíblia deve ser entendido de  modo simbólico. Nós ressuscitamos no outro “lado” completo, de corpo e alma. Nossa alma não vive sem o corpo. Logo que morremos, este corpo passa com a alma para a vida eterna já transformado, transfigurado, rejuvenescido. Maria, em suas aparições, aparenta ter menos de 20 anos de idade. É talvez a idade com que ressuscitaremos.

Veja alguns exemplos bíblicos:
Em Lucas 23,42-43:”Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” – é o que Jesus falou a Dimas, o  “bom ladrão”, na cruz.

Lucas 16,19-31: Lázaro e o rico avarento estão bem acordados, após a morte, um no inferno e outro no paraíso, com Abraão. Jesus não é mentiroso. Ele nunca teria contado uma parábola dessas se isso não fosse verdadeiro. Outra coisa importante dessa história é que o rico pede a intercessão de Abraão para a salvação de seus irmãos, assim como nós pedimos a intercessão dos santos. Aliás, quando pedimos algo a algum santo nós realmente estamos pedindo que ele reze conosco, pois Jesus é o nosso único intercessor.

Mateus 22,31-32 diz que “Deus é Deus de vivos e não de mortos”, referindo-se a pessoas já mortas, mas que continuam vivas e acordadas, como Abraão, Isaac e Jacó.

O PARAÍSO

É para os que escolheram Deus durante a vida. Se morrerem escolhendo viver com Deus, após a morte viverão no paraíso. O importante não é não ter cometido pecados. O importante é pedir perdão deles, orar e lutar para não mais pecar, mesmo não sentindo um arrependimento profundo. O arrependimento é um dom de Deus para os que O buscam e são sinceros em sua retomada constante de vida. Não vou dar citações aqui, porque a bíblia toda praticamente fala do paraíso. Os ensinamentos de Jesus, que já expusemos

Diz o Apocalipse 21,27  que na “Cidade Celeste” não entrará nada de imundo; ou seja, só entrará no céu quem for plenamente puro, santo.

 O INFERNO

Na verdade Deus não manda ninguém para o inferno. Ele apenas permite que a pessoa vá para lá, ou seja, é a própria pessoa que decide viver sem Deus. Tomamos ou deixamos de tomar essa atitude durante nossa vida. Ele sempre nos perdoa, e quer que todos nós estejamos um dia no céu. Parece incrível isso, mas é a mais pura verdade: há pessoas que não querem viver com Deus, ou vivem desinteressados de tal forma que não conseguem acolhê-lo antes do momento final.

O suicídio, por exemplo, quando feito em plena consciência (o que acho pouco provável, pois quem chega a essa atitude está depressiva e desesperada) é uma negação da criação divina: a pessoa renega a vida que Deus lhe deu. Mas se fizer isso em estado de desespero e fora de si, na certa poderá ainda ser perdoada por Deus, que é de infinita misericórdia.

No inferno não há fogo como é mostrado, pois o fogo é algo material. O fogo é simbólico, e talvez seja a angústia da solidão. Sim, porque quem nega a Deus nega toda a sua criação, incluindo o fogo, a luz, a natureza, e vive numa escuridão e solidão plena. Algum outro ser humano que ficasse junto ao que está no inferno, é também criatura de Deus, que foi negada por aquela pessoa que está no inferno. Quando negamos o irmão aqui na terra, isto nos será concedido no inferno: vamos viver como desejamos viver agora, ou seja, completamente sozinho, sem ninguém, sem absolutamente nada. A única criatura de Deus com quem teremos que conviver é a nossa própria pessoa. E isso vai ser um inferno...

Jean Paul Sartre disse aquela famosa frase: “O inferno, para mim , são os outros”. Ele até pode ter razão se levarmos em conta que as pessoas tolhem nossa liberdade e deixam nossa vida mais difícil, pois não podemos fazer tudo o que quisermos quando vivemos com os outros. Entretanto, a outra pessoa pode ser um paraíso em nossa vida. A convivência é difícil, mas muito  compensadora, como todos sabem.

Jesus baseou o julgamento final no acolhimento ou não às outras pessoas: “Eu estive com fome e me destes de comer, com sede e me destes de beber, doente ou na prisão e me visitastes, etc” (Mt 25,31-46).

 O PURGATÓRIO

Quando morremos sem nos arrepender profundamente dos pecados, mesmo os tendo confessado e deles pedido perdão, teremos um tempo para fazer isso antes de entrar no céu, num estado de vida a que chamamos “purgatório”, que vem da mesma raiz que “purgante”, essa bebida horrível que muitos tomam para limpar os intestinos.

Quem se arrepende profundamente de todos os pecados e oferece tudo o que passa nesta vida como oferenda a Deus, já morre purificado e vai diretamente para o paraíso.

Embora não esteja explícito na bíblia, podemos encontrar nela várias passagens que falam do purgatório:

1 Pedro 3,19: “ Jesus Cristo foi pregar aos espíritos em prisão” ou seja, aos que estavam no purgatório.

Mateus 5,25 diz que podemos ser colocados na prisão (=purgatório) de onde não sairemos até pagarmos o último centavo (=enquanto não estivermos purificados). Vejam bem: como aplicarmos essa palavra apenas aos que deviam dinheiro aos outros? Se eles fossem presos, iam pagar a dívida de que maneira? Por isso, acho que esse trecho se refere mesmo a algum modo de nos purificarmos dos nossos pecados.

Mateus 12,32  diz que há pecados “que não perdoados nem neste mundo nem no mundo vindouro”. Ora, se há pecados que não são perdoáveis nem aqui nem na outra vida, então, por consequência, há pecados perdoáveis neste mundo e no outro. Certo?

1 Coríntios 3, 11-16 diz que muitos serão salvos “como que através do fogo” por terem construídos não com ouro, nem com material resistente, mas com palha. Ora, é um modo de dizer que ou construímos esta vida seriamente, com material de valor, resistente, ou vamos ter que passar pelo Purgatório para nos purificarmos. Vejam que o fogo do Inferno não purifica ninguém. Então é um outro tipo de “fogo”, o do Purgatório, que purifica, como o fogo purifica o ouro e o separa de outros metais não preciosos, no cadinho.

ORAÇÃO PELOS MORTOS

E se eu disser a você que o próprio Jesus rezou pelos mortos? Certifique-se disto lendo os milagres de ressurreição que Jesus fez, como o de Lázaro, o filho da viúva de Naim, ou S. Paulo, quando ressuscitou algumas pessoas. Eis as citações:

João 11,32-44; Lucas 7,11-15; Marcos 5,35-43; Atos 20,7-12; 9,38-41.

Para ressuscitar essas pessoas, tanto Jesus como S. Pedro e S. Paulo precisaram rezar, orar por essas pessoas enquanto ainda estavam mortas! Isso não é rezar pelos mortos? Não havia maneira de ressuscitar ninguém sem pedir por eles (mortinhos da silva) a Deus. E se Jesus, S. Pedro, S. Paulo rezaram por pessoas mortas, nós também podemos!

Há também vários trechos de pessoas que fizeram luto por pessoas falecidas e mesmo ofereceram sacrifícios (no templo) por elas. Veja estes textos:

1 Samuel 31,11-13; 2 Samuel 1,12; 3,35;  Gênesis 50,10: “José celebrou por seu pai (falecido) um luto de sete dias”. Judite 16,24; Eclesiástico 22,12; 1 Macabeus 12,42-45.



19 - A INTERCESSÃO DOS SANTOS

Este é outro tema polêmico. Afinal, podemos ou não pedir a intercessão dos santos? Afinal, Jesus não é nosso único intercessor entre nós e o Pai?

Inúmeros textos bíblicos falam que as pessoas podem rezar, interceder umas pelas outras, como em Gênesis 18,17-33; João17, Isaías 53,10. Ora, se uma pessoa pode rezar, interceder por outra agora que ainda está viva, por que não fazer isso depois que morre? Qual é o problema?

O rico da parábola de Jesus do pobre Lázaro e do rico avarento nos mostra que este pediu a intercessão de Abraão para que os seus irmãos, que ainda estavam vivos, se salvassem. (Lucas 16,31). Jesus disse, em outra ocasião, que o que ele fala é verdadeiro, pois “Se não fosse assim, eu vos teria dito” (João 14,2). Ou seja, se a intercessão dos santos não fosse verdadeira, Jesus também nos teria dito e nunca teria contado a parábola mencionando o pedido que o rico fizera da intercessão de Abraão!

Quando pedimos a intercessão de Maria ou de alguma pessoa que viveu em santidade, na verdade estamos pedindo que essa pessoa se junte à nossa oração, para que Jesus, nosso único intercessor, interceda ao Pai e nós recebamos essa graça.

Na bíblia vemos como os anjos intercedem por nós! Veja por exemplo Mt 18,10; Jó 5,1; 33,23-24; Salmo 91(90), 11-13. Zacarias 1,12: o anjo intercede por Jerusalém. E veja Apocalipse 8,3: “Adiantou-se um outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono”

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