sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CATECISMO RESUMIDO- 04



11- O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO


Deus nos quer felizes (João 10,10b) mas permite os sofrimentos para purificar-nos, a fim de transmitir-nos a sua santidade e poder receber-nos no céu (Hebreus 12,4-13). Ofereçamos, pois, todos os sofrimentos que não pudermos evitar como reparação de nossos pecados e para nossa santificação, pois “Coisa alguma imunda entrará na Cidade Celeste” (Apocalipse 21,27).

Jesus, Filho único de Deus, também sofreu muito para nos salvar. Às vezes sair de um sofrimento não depende de nossa fé em Deus, mas de sua Santíssima vontade. Se ele não nos libertou ainda de muitos problemas e de certas condições sofridas de vida, só ele sabe o porquê, pois “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos” (Efésios 3,20). 

Talvez se nos libertarmos do problema em questão não vençamos o pecado e desse modo não possamos ser recebidos no paraíso, que é o que Deus quer para nós. De nada vale vivermos libertos, saudáveis materialmente mas em pecado: viveremos bem esta vida, mas... e a vida eterna? 

Cabe a nós confiarmos nele e aguardarmos com confiança, humildade e paciência a libertação. Deus sabe a hora certa para nos libertar. Não maldigamos a Ele e a ninguém, por pior que esteja nossa vida. Ainda podemos ser felizes!



12- OS CINCO PASSOS PARA UMA VIDA SANTA.


Eu costumo indicar cinco passos para quem quer levar uma vida mais santa:

1º PASSO – Rezar (orar) pelo menos uma hora diária ou, melhor que isso, 2 h 24 minutos, que corresponde ao dízimo de oração de um dia.

2º PASSO – Conhecer-se a si mesmo e aceitar os próprios desvios, fraquezas, problemas, vícios, limites, manias, preguiça, vaidade, prepotência, mentiras, orgulho etc., a fim de vencê-los aos poucos. Enquanto não aceitarmos humildemente reconhecer nossos limites e deficiências, não conseguiremos “alçar voo” rumo à santidade.

3º PASSO -  Pedir perdão de tudo isso a Deus e pedir-lhe também força e coragem para mudar de vida.

4º PASSO – Ler a bíblia diariamente e outros livros católicos. A boa leitura converteu Santo Inácio de Loyola e muitos outros santos.

5º PASSO – Vigiar, além de orar, e pedir ajuda quando for preciso (Mateus 26,41). Sem a vigilância de nada valerá a oração. Em caso de muita dificuldade em deixar o pecado ou as más orientações de sua vida, procurar a ajuda de uma pessoa competente e capacitada, como um psicólogo cristão ou um sacerdote capacitado para direção espiritual. Repito: peça ajuda sempre que precisar!



13– A ORAÇÃO


Jesus, como ninguém, deu-nos exemplo de oração. Ele rezava sempre, em todas as ocasiões, sozinho, no silêncio, e com os demais, no templo.

Em Lucas 9,18, mesmo estando no meio dos discípulos, mostra que ele rezava sozinho. Neste mundo tão barulhento e conturbado é preciso aprender a se isolar quando necessário!

Veja também estes trechos sobre a oração:

Mt 14,19.23; 26,36-44; Mc 1,35; Lc 5,16; 15,36; 26,26-27; 3,21; 6,12; 11,1; 9,18.28-29; João 17,1-5; 14,16.

A oração pode ser individual ou comunitária; vocal ou mental e de contemplação. Há um modo muito difundido atualmente de oração chamada “Leitura orante da bíblia”.

Consiste em seguir este roteiro:

1 – Ler um trecho;

2 – Meditá-lo;

3 – orar sobre o que se meditou

4 – Contemplar Jesus baseando-se no texto e na oração.

A oração proposta como modelo por Jesus é o Pai-Nosso, em que fazemos sete pedidos principais, sendo três deles em relação a Deus (Santificado seja vosso nome;  venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade) e quatro em relação a nós próprios e a nossos semelhantes (o pão nosso de cada dia nos dai hoje;  perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; não nos deixeis cair em tentação; livrai-nos do mal). Veja o Pai-nosso em Mateus 6,9-13. Diz Santo Agostinho que qualquer pedido que façamos a Deus já está incluído na oração do Pai-nosso.

Há algumas parábolas que falam da oração, como O amigo importuno (Lc 11,5-8); O fariseu e o publicano (Lc 18,9-14); O juiz iníquo (Lc 18,1-8).

Diz 1 Tess 6,17 que devemos “ORAR SEM CESSAR”, sem desânimo. Se não cometermos pecado, tudo o que fizermos de bom e oferecermos a Deus, será oração! Se não recebermos as graças é porque Deus tem outros planos em seus desígnios. O padre Fernando Cardoso disse, numa de suas homilias (www.padrefernandocardoso.com.br) que ele agradece a Deus por não tê-lo ouvido em várias orações que fez, porque estaria arrependido agora se então tivesse sido atendido. E é a mais pura verdade.

Outra coisa que é bom dizer aqui é que a oração, seja ela qual for, não é “poderosa” em si mesma. Não existe essa história de oração poderosa. Qualquer oração depende da vontade de Deus para ser atendida e de nossa necessidade, aliada à nossa sinceridade. Por isso é errado “determinar” ou praticamente “obrigar” Deus a nos atender. Acho muito oportuno o que Tiago diz em Tiago 4,3-4.14.16 sobre colocarmos nossos pedidos diante de Deus com humildade, deixando que Ele decida o que vai fazer.

Quanto à oração comunitária, procuremos seguir as Missas, as celebrações da Palavra, pelo menos uma vez por semana, aos domingos, os grupos de oração, numa determinada comunidade e atuemos nela com um apostolado fecundo! Procuremos conhecer e seguir as normas litúrgicas e nunca deixar de participar das atividades paroquiais.

Quando não pudermos participar da Missa no domingo por estarmos longe da comunidade, como nas férias ou num final de semana na praia, ou por estarmos trabalhando no domingo, consigamos pelo menos mais uma pessoa e façamos a leitura de um trecho da Bíblia, rezemos algumas orações como o Pai-nosso, a Ave-maria e o Glória ao Pai por nossos parentes, amigos, conhecidos, pelo Papa, pela Igreja e por todos. Essa prática substitui de certo modo a participação à Santa Missa quando estamos impedidos de participar dela.

Pela oração estamos sempre em contato com Deus, que nos inspira tudo o que precisamos  nos santificar. Leia também, quando tiver um tempinho: Mt 11,25; 13,11; Sabedoria 1,1-2; Lamentações 3,26; Oséias 2,14.



14- A VIGILÂNCIA


Sem a vigilância a oração é fraca e não dá resultado. Jesus manda vigiar sempre. Com a vigilância vencemos todas as nossas más tendências  e vícios porque não damos chance para o pecado.

Deus é todo – poderoso e pode nos livrar de todos os pecados e perigos, mas nós é que temos que lutar, demonstrando, assim, para Ele que queremos nos livrar daquilo. Temos o livre-arbítrio e Deus o respeita plenamente. Ele não vai lutar em nosso lugar.

O próprio São Paulo Apóstolo, que era um homem de muita fé, bem superior a nós todos, não conseguiu livrar-se de um problema narrado em 2 Cor 12,7 e teve que continuar vigiando e lutando.

Vigiar exige que nos conheçamos profundamente e aceitemos os próprios erros. Ou seja, exige muita humildade. Quem é vaidoso e orgulhoso nunca acha que vai cair, e acaba mesmo se esborrachando. Quantas vezes eu e você não fizemos isso? Enfrentamos o leão sem arma alguma e nos danamos.

Vigiar exige também que peçamos perdão das faltas que já cometemos. Isso mostra que não queremos mais cair naquele e em outros pecados. Evitaremos, então, as ocasiões de pecar, se soubermos os nossos pontos fracos naquele determinado assunto. Aliás, todos somos fracos! Não há uma só pessoa no mundo que seja forte. Há pessoas fracas e pessoas que rezam e vigiam. Os que não rezam são fracos. Os que rezam e vigiam se tornam fortes.

Vou dar alguns exemplos: o alcoólatra deve vigiar para não tomar o primeiro gole; o fumante que deseja deixar o vício deve vigiar para não fumar o primeiro cigarro; o diabético deve vigiar para não comer doce algum; quando você percebe que vai encontrar alguém com quem tem muita discordância e frequentes discussões, vigiar consistiria, se não der para não se encontrar com essa pessoa, precaver-se em conversar calmamente, em não discutir nem brigar. É como diz João 8,32: “A verdade vos libertará!”

Se você está a fim de meditar mais sobre esse assunto, eis algumas indicações:

Mateus 26,41; 1 Pedro 5,8-9; 1 Tim 4,16; Marcos 13,33-37; Apocalipse 16,15; Mt 5,13-19; 5,27-48; Colos 3,9; Rom 2,1-2;12,20; Mt 6,16-18; Isaías 58,6-10; Mt 7,1-5; Tiago 4,12; Mt 25,1-13; 24,42-44; Lc 12,35-40. Se vigiarmos, vamos conseguir cumprir tudo o que Jesus disse acima.



15- AS PARÁBOLAS DE JESUS

Além dos ensinamentos que vimos até agora, dados no sermão da montanha em Mateus (5,6 e7) e no sermão da planície de Lucas (6, 20s), Jesus ensinou muitas coisas por meio de parábolas e alegorias.


Parábola é uma história que tem um sentido geral, ou seja, não tem sentido ficarmos perguntando o que isto ou aquilo dentro da parábola significa, mas tentarmos perceber o sentido geral do texto. É o caso, por exemplo, da parábola do administrador infiel, em que não perguntamos o que significam os barris de óleo etc.


Alegoria é a história em que cada parte tem seu significado, como por exemplo a parábola do semeador: a semente que cai na pedra é uma coisa, a que cai no caminho é outra etc. Assim também como na parábola da vinha abandonada (Lc 20,9—19), em que a vinha é o povo de Deus, os servos e empregados são os profetas e o filho do dono é Jesus.


Eu distribuí as parábolas em vários temas principais, embora algumas delas caibam em  mais de um tema. Eis a lista:

a)- USAR OS BENS QUE  PASSAM

Para garantir a vida eterna:- Lucas 16,1-9.19-31; 12, 16-21; 10.25-37


b) – O alimento não nos deixa impuros: Mateus 15,11. São nossas ações que deixam o coração impuro, e não o que comemos ou deixamos de comer. Só são proibidos os alimentos que fazem mal a certos doentes, como o açúcar para os diabéticos, a bebida alcoólica para os alcoólatras etc.


c)- Aceitar Jesus como nosso Salvador e Senhor: Lucas 14,16-24;     5,37-39;   20,9-19;   6,47-49;  


 Mateus 22,1-14;    7,24-27;  21,28-32;     21,33-46;      18,12-13;   9,16;    13,1-23    


Marcos 12,1-12;    2,22


João 10,1-6; 15,1-8


Nessas parábolas os judeus não aceitaram Jesus como o Messias. Se o aceitarmos, se o obedeceremos, se seguirmos o que ele nos ensinou, vamos nos salvar. Ele é o bom pastor e nós somos suas ovelhas perdidas.


d)- A santidade de vida: Lucas 6,47-49; 17,7-10;  5,36-39;   18,9-14;   19,11-27.


Mateus 7,24-27;   5,15;    13,52;   13,44;  13,45-46;   9,16;  25,11-30;   13,33;  13,1-23;   5,13.


Marcos 4,3-14;   9, 49-50;    2,21;  


João 12,24


e)- A vigilância: Mateus 25,1-13;   24,42-44;


Lucas 12,35-40


f)- O perdão: Lucas 7,41-42;  15,1. 7.11-32; 


Mateus 18,23-35


Marcos 4,24.


g)- A paciência: Lucas 13,6-9;


Mateus 13,24-43


h)- O Reino de Deus: Lucas 13,18


Mateus 13,31-32;  13, 45-46; 13,1-23; 20,1-16; 13,47-50


Marcos 4,30;   4,26-29;


João 12,24


i)- Confiar plenamente em Deus : Lucas 14,28-30;     14,31-33





16- OS MILAGRES DE JESUS

Diz o Frei Carlos  Mesters em seu livro “Deus, onde estás?”  que os milagres são “Amostras grátis”  do Reino de Deus. O que acontece nos milagres é o que Deus quer que seja comum no nosso dia-a-dia, que será possível se vencermos o pecado, o mal, a vingança, a cobiça, a inveja, as guerras, o ódio etc.


Jesus usa os milagres para manifestar a sua divindade. Eles se destacam por sua simplicidade. Também inauguram a vitória do Espírito Santo sobre o império de Satanás e sobre as forças do mal, sobre os pecados e as doenças. O maior milagre de Jesus foi, é claro, sua ressurreição.  (Mt 12,29—40).


Na verdade, qualquer pessoa pode ser o canal da graça de Deus, mesmo sendo pecadora. Deus faz o que Ele bem quiser, do jeito que Ele quer e não precisa de intermediários. Quando ele usa alguém como seu instrumento, o faz porque a coisa é séria e grave e geralmente não há, no caso, nenhuma solução humana. No mais, Ele deixa a coisa correr, desde que lhe permitamos de agir. Aí ele pode executar a sua vontade. Deus permite os acontecimentos mesmo quando não são de sua vontade.


O perigo que vejo, atualmente, é a busca excessiva de milagres e graças que às vezes podem ser por outros modos, antes de se apelar apenas para a Graça de Deus. Muitas pessoas não buscam a ajuda médica e especializada (às vezes porque não querem, às vezes porque são pobres e impossibilitadas) e buscam resolver todos os seus problemas por meio da magia. Exigir de Deus o milagre é tentá-lo!


O correto é fazer a nossa parte, dentro de nossos limites, procurando a medicina atual, e procurando fazer a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que pedimos a graça ou mesmo o milagre. Ele nos dará a cura, até às vezes por meio do médico, que fará corretamente seus procedimentos porque, pela nossa oração, será assistido por Deus.


Em 2Cor 12,7-9, S.Paulo pede três vezes a Deus que o livre de um sério problema (não se sabe o que era), mas não foi atendido. Só recebeu o conforto de Deus e nada mais. Digamos, então, como o apóstolo S. Tiago em Tg 4,15: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto e aquilo”.


A conclusão é a que já mencionei antes, no texto sobre a oração: não determinemos nada! Apenas coloquemos nossos problemas, doenças, limites, projetos diante de Deus suplicando-lhe as graças de que necessitamos. Ele sabe o que é melhor para nós e, quando nos nega algo, é porque isso iria prejudicar a nossa salvação eterna. Lembrem-se de que ele nos conhece muito mais do que nós mesmos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DIGITE AQUI O SEU COMENTÁRIO