sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CATECISMO RESUMIDO - 02


9- O POVO DE DEUS 


O povo de Deus teve início com Abraão, cerca de 1850 AC. Abraão foi o primeiro homem a confiar plenamente em Deus, pelo menos de que nós temos conhecimento. Deus fez com ele uma aliança, da qual surgiu a circuncisão, como marca indelével dessa aliança. Abraão confiou em Deus e deixou sua cidade natal, UR, na Caldéia, e emigrou , para a região conhecida hoje como Palestina (Gênesis 12) 

Todos os habitantes da cidade de Ur tinha um deus próprio, deus de pedra, material, feito por eles mesmo. Cada família tinha um deus de sua preferência. Abraão era o único que acreditava num Deus invisível, Criador e não criado, independente de tudo o que existe, que não podia ser representado nem substituído por nada nesta terra. Como diz a carta aos Hebreus, Abraão agia “Como se visse o invisível”. 

A circuncisão consiste na retirada do prepúcio. Equivale hoje a uma operação de fimose. Só era considerado do povo de Deus quem fosse circuncidado. As mulheres participavam do povo quando se casavam com um judeu. Jesus Cristo a substituiu pelo Batismo que, como diz S. Paulo, é a circuncisão do coração. 

José (1650 AC), filho de Jacó (Israel), fora vendido pelos irmãos invejosos para o Egito. Lá ele conquistou a simpatia do Faraó e tornou-se o primeiro depois dele. Numa grande fome que se alastrou pela terra, ele chamou o pai e os irmãos para viverem no Egito e assim o povo de Deus se desenvolveu nesse país (Gênesis 37;39;42;46;47). 

Os doze filhos de Jacó deram origem às doze tribos de Israel, lembrando que os filhos de Levi não herdaram nada, porque se dedicaram ao sacerdócio, e os dois filhos de José tomaram o lugar dele e de Levi. É por isso que Jesus escolheu doze apóstolos: para mostrar bem mostrado que a Igreja Cristã estava substituindo o povo de Israel, estava entrando no lugar das doze tribos de Israel. 

Logo no início do livro do Êxodo você pode constatar que o povo israelita começou a ser maltratado e explorado no Egito, pelo faraó e seus mandatários. Deus suscitou então Moisés (1250 AC) para libertá-los. Moisés fora salvo das águas pela filha do faraó, numa perseguição feita por ele a todos os meninos israelitas que nascessem: tinham que ser mortos. 

Depois de muitas peripécias e de muitas pragas, Moisés conseguiu tirar o povo do país. Atravessaram o Mar Vermelho a pé enxuto. (Esse mistério até hoje é estudado e nunca foi desvendado. Eu prefiro acreditar que eles passaram pela parte rasa do Mar Vermelho, na praia, aproveitando a maré baixa, auxiliados, é claro, por Deus). 

Por causa da falta de fé dos israelitas, que não quiseram tomar posse da terra prometida por medo de seus habitantes, por castigo ficaram 40 anos no deserto, quando no dia a dia se leva apenas 11 dias para atravessar. 

No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés os dez mandamentos, que foi escrito em duas tábuas, guardadas na Arca da Aliança, que era venerada por eles mais do que a imagem de N. Sra. Aparecida é venerada por nós. Atribuíam à Arca grandes poderes, só podendo ser tocada por pessoas autorizadas. 

Os mandamentos foram um guia seguro para o povo, que era muito inconstante e muitas vezes se voltavam à idolatria, adorando bezerros de ouro e coisas desse tipo. Isso acarretou ao povo muitos problemas e castigos. 

Já na Palestina, após 40 anos, Deus suscitou os juízes para governarem o povo, substituídos depois pelos profetas e pelos reis. 

O primeiro rei de Israel foi Saul, depois Davi, depois seu filho Salomão, reinado em que o povo dividiu-se entre Israel (Norte) e Judá (Sul). A dinastia de Davi foi ameaçada várias vezes, mas Jesus nasceu dentro dela, como descendente de Davi, nos únicos 14 anos em que o mundo teve paz, no reinado de César Augusto, imperador de Roma, que havia conquistado quase todo o mundo civilizado da época, inclusive Israel e Judá. 

Jesus nasceu em Belém da Judéia, mas viveu em Nazaré, na Galileia, uma região que se havia separado de Israel, bem ao norte. 

Jesus chamou então os doze apóstolos que substituíram, como já dissemos, as doze tribos de Israel e deram origem ao cristianismo, sendo Pedro o primeiro chefe da Igreja, mudando a sede de Jerusalém para Roma. Ele está enterrado sob a Basílica de S. Pedro, no Vaticano. S. Paulo Apóstolo está enterrado na Igreja de S. Paulo- fora- dos- muros, também em Roma. 

O nosso Batismo e Crisma substituíram a circuncisão; o sacramento da confissão substituiu o batismo de S. João Batista. Poucos judeus acreditaram na divindade de Jesus. Os pagãos, entretanto se converteram em massa ao cristianismo, que logo acabou se separando do judaísmo. 

Para um melhor estudo, leia, por favor, logo que você puder, Gênesis 12 em diante. Êxodo todo, Atos 2,14-36 (discurso de Pedro)e o discurso de Estêvão, Atos 7. Há também um ótimo resumo em Eclesiástico 42,15 até 49,19 . 

 10-OS ENSINAMENTOS DE JESUS.  - QUEM É JESUS CRISTO.

É a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Nasceu da Virgem Maria e é 100% Deus e 100% homem. Antes de nascer, ele vivia no céu, na Santíssima Trindade, como diz João 1,1-3.14.

Jesus foi igual a nós em tudo, menos no pecado (veja Filipenses 2,5-11). Ele nasceu para nos ensinar o caminho do Céu e nos salvar. Por isso, obedeceu ao Pai em tudo e aceitou morrer na cruz, vencendo o pecado, a desobediência e a morte, ressuscitando no terceiro dia, abrindo-nos assim as portas do céu, fechadas pelo pecado original (de Adão e Eva). Agora ele vive novamente no céu, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem (veja Atos 2,32-3).

Muitos dos ensinamentos de Jesus estão reunidos no que chamamos “Sermão da Montanha”(Mt cap. 5,6 e 7; Lucas 6,20-49); outros, nas parábolas. A seguir coloco um resumo dos ensinamentos do Sermão da Montanha para lermos e meditarmos; mais adiante, os ensinamentos das parábolas:

a)- FELIZES OS POBRES EM ESPÍRITO

Ser pobre em espírito é não se apegar aos bens materiais, por saber que Deus nunca nos abandonará. Deixar os gastos supérfluos para ajudar os pobres e necessitados. A raiz de todos os males é o dinheiro, diz S. Paulo em Timóteo 6,7-10. Quem é pobre em espírito é feliz porque é livre: não é escravo do dinheiro. Jesus foi pobre e humilde e foi o homem mais feliz que existiu.

Apesar de ser dono de tudo o que existe, pois tudo foi criado por Ele, na Santíssima Trindade, ele quis nascer pobre, viver com os pobres, se alimentava na companhia deles (aliás, também com os pecadores), apesar disso ser proibido pela religião judaica. Ele diz em Lucas 9,58: “O Filho do Homem (=ele, Jesus) não tem onde reclinar a cabeça”.

Jesus só recebe por discípulo a quem renuncia a tudo o que possui e diz isso em Lc 14,28-33. Veja Isaías 58. Precisamos confiar em Deus e não ter medo do futuro. Ele sustenta até os passarinhos! (Mt 6,26). É infeliz quem se apega ao dinheiro e aos bens materiais, vivendo com ambição desmedida e desespero, trabalhando feito louvo por medo de passar necessidade. Não deve ser a atitude de quem confia em Deus e segue seus caminhos (Provérbios 23,26).

Em Lucas 14,33 ele diz: “Qualquer um de vós que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo!” Em Lc 6,24-25:”Ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação! Ai de vós que estais agora saciados! Porque tereis fome!”.

Entretanto, Jesus falou a Zaqueu, após este ter prometido devolver quatro vezes o que roubara e dar metade do que tinha aos pobres (como era exigido naquele tempo para quem quisesse se arrepender e começar uma vida nova): “Hoje entrou a salvação nesta casa!” (Lc 19,9).

Também exigiu do jovem rico que ele vendesse tudo o que tinha para segui-lo (Lc 18,18-25). Jesus trouxe aos pobres a Boa-Nova da salvação. Em Mt 6,19-20, diz:”Não acumuleis tesouros para vós, aqui na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os roubam. Mas acumulai tesouros para vós no céu...” Em Mt 6,24: “Não podeis servir a Deus e às riquezas!”

Aprendamos a viver de modo simples, com o suficiente para uma vida confortável e digna,partilhando com os pobres e necessitados o que economizarmos. Deus nos ajudará e nada nos faltará, se soubermos, é claro, sermos vigilantes também no que se refere aos gastos supérfluos. Mateus 6,30-34:”Buscai em primeiro o Reino de Deus e tudo o mais vos será dado em acréscimo”.

b)- FELIZES OS MANSOS E HUMILDES DE CORAÇÃO

Jesus é manso e humilde de coração: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mt 11,29) e quer que todos nós também sejamos assim. Ser humilde não é ser tímido, mas conhecer nossos limites e fraquezas e aceitá-los. É reconhecer os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando ninguém (Tiago 2,1-7; Mc 2,15-17 e 6,37-44). Jesus morreu justamente porque enfrentou as autoridades de seu tempo, que escravizavam o povo.

Quanto mais nos conhecermos e nos aceitarmos, mais humildes e pacíficos seremos. Se confiarmos em Deus, seremos sempre pacientes e humildes. Acharemos tempo para tudo e nada nos irritará. Nunca teremos pressa e passaremos a tratar os outros como Jesus quer que os tratemos. Nunca querer fazer tudo sozinho, mas sempre buscar a ajuda de Deus e a das pessoas capacitadas para aquela ação. “Quando eu sou fraco então é que sou forte!” (2Cor 12,10). Isto acontece porque teremos a ajuda divina: “Sou pobre e indigente, mas Deus cuida de mim!” ( Salmo 41,18). O orgulhoso é abandonado às próprias forças. Deus dirige nossa vida e é poderoso para fazer qualquer coisa(Ef. 3,20).

A ira e o orgulho vêm da falta de confiança nele. Façamos calmamente a nossa parte, com nossos limites e deficiências, procurando aperfeiçoar com a prática, mas sempre em paz, como diz Santa Teresa de Jesus: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!” Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus (Lc 1,46-54).

Sabemos que não somos humildes quando nos irritamos diante de alguma crítica à nossa pessoa. O humilde nunca se importará, porque se conhece e sabe se aquelas críticas são verdadeiras ou falsas e não precisa provar nada a ninguém. Perceba como ser manso e humilde nos deixa livres! A humildade nos traz o perdão de nossos pecados (Lc 18,9-14; 1Pd 5,5-7). Sendo mansos e humildes, seremos também puros de coração, que é não mentir, não ter duas caras, não usar máscaras e ser sempre sincero. Somos apenas o que somos diante de Deus, e nada mais!

c)- SEMPRE DARMOS BOM EXEMPLO

Jesus Cristo insistiu muito sobre o bom exemplo. O anúncio do Evangelho vem antes pelo testemunho que por outros meios, como diz Mc 6,7-13. Devemos não apenas proclamar, mas “gritar” o Evangelho com nossa vida, com nosso bom exemplo (Carlos de Foucauld). Desse modo, seremos o fermento da massa (Mt 13,33), o sal da terra, a luz do mundo. Isso inclui nunca julgarmos, que é o que fazemos quando julgamos que o outro fez o que fez por maldade, e nunca caluniarmos ninguém. Quantas vidas bonitas se perderam por causa da calúnia! Quando alguém é caluniado por coisas que não fez, passa a não dar mais bom exemplo, por causa do escândalo, e isso não é culpa dele (dela). Imaginem com que severidade vão ser julgados os que caluniaram!

Como acontece sempre, a vida de alguém caluniado é marcada para sempre e, faça o que faça, nunca vai ser acolhido como era antes das calúnias.

O bom exemplo de quem foi caluniado é, embora seja uma ação limitada, perdoar aos que o (a) caluniaram e recomeçar a vida como alguém que caminha num caminho de santidade. Muitos vão ver isso e sua vida passará a ser novamente um bom exemplo, embora com alcance mais limitado que anteriormente.

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