terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A REALIDADE DA IGREJA CATÓLICA

SANTA IGREJA CATÓLICA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO



O Papa Francisco afirma: “A Igreja seja lugar da misericórdia e da esperança de Deus, onde cada qual possa sentir-se acolhido, amado, perdoado e encorajado a viver em conformidade com a vida boa do Evangelho. E para fazer com que o outro se sinta acolhido, amado, perdoado e encorajado, a Igreja deve manter as suas portas abertas, a fim de que todos possam entrar. E nós temos que sair através de tais portas e anunciar o Evangelho”. (Audiência Geral, 12/06/2013).

De acordo com o ensino de São Paulo Apóstolo, há na Santa Igreja uma íntima relação entre os seus membros: “Embora sejamos muitos, formados um só corpo em Cristo”. E, como todo corpo bem constituído, ele tem uma cabeça “da qual todo corpo, pela união das junturas e articulações, se alimenta e cresce conforme um crescimento disposto por Deus” (Cl 2,19). De Jesus Cristo, “cabeça do Corpo da Igreja” (Rm 12, 4-5), dimana a vida, a força e a vitalidade para o resto do organismo. É em Cristo que se faz comunhão e evangelização.

Ensina-nos São Paulo: “Nenhum de nós vive pra si, e ninguém morre pra si” (Rm 14,7). E especifica: “Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; e se um membro é tratado com carinho, todos os outros se congratulam por ele” (I Cor 12,26).

O relacionamento entre os membros do Corpo Místico, muito diferentes entre si, regia-se pela caridade e pelo espírito de comunhão. Todos eles, desde os sucessores dos Apóstolos até a mais humilde viúva, articulavam-se numa harmonia convivência que não visava de nenhum modo destruir os carismas ou superioridade dos mais dotados, nem permitia o menosprezo dos inferiores, pois, como diz o Apóstolo dos gentios: “Em um só Espírito formos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres; e todos fomos impregnados do mesmo Espírito. Assim o corpo não consiste em um só membro, mas em muitos. [...] Deus dispôs no corpo cada um dos membros como Lhe aprouve.

Conforme explicou o renomado Papa teólogo Bento XVI, este título de “Cabeça” tem dois significados. Primeiro: Cristo é “o governante, o dirigente, o responsável que guia a comunidade cristã como seu chefe e Senhor”. Segundo: Ele é “como a cabeça que alimenta e une todos os membros do corpo” governado por ela. Ou seja, “não é só alguém que dá ordens, mas alguém que organicamente está unido a nós, do qual vem também a força de agir de modo reto” (cf. Audiência Geral, de 14/01/2009).

Os Três Estados da Única e Indivisível Igreja

Esse Corpo Místico, porém, não é constituído apenas da Igreja visível, peregrina na Terra. Como nos explica o teólogo Padre Jacques M.L. Monsabré, OP, esta “não é senão uma porção da vasta assembléia na qual se aplicam diversamente os efeitos da Redenção; ela engloba também a Igreja Triunfante e a Igreja Padecente”. A Igreja Triunfante é a porção do Corpo Místico que já se encontra na eterna bem-aventurança, termo final de nossa caminhada. Por estar junto do trono de Deus, essa assembléia de Eleitos roga constantemente pelos seus irmãos que ainda peregrinam no mundo.

Denomina-se Igreja Padecente o conjunto de fieis que sofrem no Purgatório, expiando seus defeitos e purificando suas vistas espirituais para encontrar-se com o bom Deus.

E nós que, neste vale de lágrimas, lutamos para, pelos méritos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, conquistar a coroa de glória, constituímos a Igreja Militante (Ecclesia Militans), segundo o termo clássico, que não põe em realce a necessidade de combater nesta vida o pecado e as más inclinações.

Estes três estados da única e indivisível Igreja Católica estão estreitamente unidos entre si, como bem acentua o Concílio Vaticano II: “Enquanto o Senhor não vier na sua majestade e todos os seus Anjos com Ele (cf. Mt 25,314) e, vencida a morte, tudo Lhe for submetido (cf. I Cor 15, 26-27), dos seus discípulos uns peregrinam sobre a Terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados e contemplam ‘claramente Deus trino e uno, como Ele é”; todos, porém, comungamos, embora em modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de louvor. Com efeito, todos os que são de Cristo e tem o seu Espírito, estão unidos numa só Igreja e ligados uns aos outros n’Ele (cf. Ef 4,16)”. (LG n.49).

“A Igreja cresce e caminha, portanto, “no temos do Senhor, cheia da consolação do Espírito Santo” (At 9,31). Essa permanente atualização da presença ativa de Nosso Senhor Jesus Cristo em seu povo – operado pelo Espírito Santo e expressa na Igreja através do ministério apostólico e a comunhão fraterna – é o que em sentido teológico se entende pela palavra Tradição: não é a mera transmissão material daquilo que no inicio foi dado aos Apóstolos, mas sim a presença eficaz do Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado, que acompanha e guia mediante o Espírito Santo a comunidade reunida por Ele”, diz Dom Bráulio Rodríguez Plaza, arcebispo de Toledo- Primaz da Espanha. 

VITÓRIA DA IGREJA 

Nosso Senhor Jesus Cristo nunca perde batalhas: No mundo tereis tribulações; mas confiai, Eu venci o mundo (Jo 16,23), declarava o Senhor às vésperas da sua aparente derrota na Cruz. E a sua promessa estende-se à Igreja que fundou: As portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16,18). De todas as perseguições a Igreja saiu purificada e engrandecida, de todas as falsidades ela triunfou. Enquanto os anticristos ruíam por si mesmos ao longo destes vinte séculos, a Igreja lhes sobrevivia. Porque, se os homens morrem a Igreja, tal como o seu Fundador a Cabeça, ressuscitar incessantemente.

Georges Chevrot, na sua obra Simão Pedro, tem umas palavras que merecem reproduzir-se aqui: “Já em tempos de Santo Agostinho de Hipona os inimigos da Igreja declaravam: (A Igreja vai morrer, os cristãos tiveram a sua época)”. Ao que o bispo de Hipona respondia: (No entanto, são eles que morrem todos os dias e a Igreja continua de pé, anunciando o poder de Deus às gerações que se sucedem). (Vinte anos mais – dizia o infeliz filósofo francês Voltaire -, e a Igreja Católica terá acabado...) Vinte anos depois, Voltarei morria e a Igreja católica continuava a viver. [...]

“Assim, desde Celso, no século III, não houve uma única geração em que os coveiros não se preparassem para sepultar a Igreja; e a Igreja vive. O notável escritor Charles Forbes René de Tryon, conde de Montalember dizia-o magnificamente, em 1845, na Câmara dos Pares: (Apesar de todos os que a caluniam, subjugam ou atraiçoam, a Igreja Católica tem há dezoito séculos uma vitória e uma vingança asseguradas: a sua vingança é orar por eles; a sua vitória, sobreviver-lhe)”.

Mesmo o doloroso espetáculo dos mártires não deve desanimar-nos, antes o seu exemplo deve servir-nos de estímulo e orientação. Martírio significa “testemunho”, e, na verdade, trata-se do máximo testemunho da fé; e por isso o Senhor associou a ele as mais sentidas promessas de glorificação e fecundidade. Referindo- se aos mártires deste século que acaba de passar, João Paulo II dizia: “A Igreja encontrou sempre, nos seus mártires, uma semente de vida”. Sanguis martyrum, sêmen Christiano-rum (Tertuliano, Apologeticum 50, 13: PL 1, 534): esta célebre (lei) enunciada por Tertuliano, sujeita à prova da História, sempre se mostrou verdadeira. Por que não haveria de sê-lo também no século e milênio que começamos? 

Talvez estivéssemos um pouco habituados a ver os mártires de longe, como se tratasse de uma categoria do passado associado especialmente com os primeiros séculos da era cristã. A comemoração jubilar descerrou-nos um cenário surpreendeste, mostrando o nosso tempo particularmente rico de testemunhas, que souberam, ora de um modo, ora de outro, viver o Evangelho em situações de hostilidade e perseguição, até darem muitas vezes a prova suprema do sangue”. 

Transcendência Divina

Percorrendo as vicissitudes histórias da Santa Igreja, apontamos as linhas gerais do governo de Deus. Mas, são quatro os pontos que melhor caracterizam a História da Igreja e manifestam a sua transcendência divina.
1. Invicta estabilidade. É uma lei inexorável que todas as coisas tendem para a sua decomposição. Este princípio é aplicado por Santo Agostinho à história com a profundidade e poder do seu gênio. Nota que qualquer instituição conhece três períodos: o início, ao qual sucede quase sempre um triunfo relativo, e depois a decadência até à extinção. E aduz, como exemplos, os grandes impérios da Babilônia, da Pérsia, da Macedônia. Também intelectual Jacques-Bénigne Bossuet na Historia Universal, e o erudito Henri Lacordaire, na Conferência sobre as leis da história, põem em evidência esta verdade.

De fato, nenhuma instituição humana resistiu à erosão do tempo: empresas industriais, comerciais e econômicas, associações filantrópicas, artísticas, literárias, poderosas famílias aristocráticas, cidades, ditaduras implacáveis, monarquias absolutistas, reinos e impérios, tudo acabou no rápido turbilhão dos anos.

Mas, há uma instituição que resistiu às provas mais difíceis e renova continuamente a sua perene juventude: a Igreja Católica de Cristo. Depois de vinte séculos de existência, mantém os mesmos elementos essenciais, a mesma jerarquia, o mesmo Credo, os mesmos sacramentos o mesmo sacrifício. As mudanças efetuadas são simplesmente acidentais. Como se explica tão poderosa vitalidade? Muito mais se pensarmos na guerra encarniçada que sempre teve de suportar. 

Quantas vezes foram anunciadas o seu fim! Plínio, no tempo de Trajano, escrevia: “Dentro em breve a Igreja desaparecerá”. Mais tarde, Juliano apóstata gloriava-se de ter preparado “o caixão para o Carpinteiro de Nazaré”. Martinho Lutero, reformador alemão e inimigo de Roma, lançava o grito: “Ó Papa, eu serei a tua morte”. Também Voltaire afirmava que estava iminente o fim do Papado. 

Napoleão Bonaparte, a noticia da morte de Pio IV, exclamou: “Morreu o último Papa!” E, contudo o papa e a Igreja continuam hoje mais vivos do que nunca. Nem se creia poder explicar o fenômeno afirmando que a Igreja encontrou caminho favorável para a sua expansão. Pelo contrario. Já vimos que nenhuma outra instituição teve tanto que sofrer como a Igreja. A única explicação conveniente é que a Igreja não é uma instituição humana. Como diz o Papa Francisco: “A Igreja não é uma ONG piedosa”. Teve origem na vontade de Deus; por isso, nem o diabo, nem o tempo, nem as vicissitudes humanas poderão destruí-la.

2- Unidade católica. Outro fenômeno singular é a unidade da Igreja de Cristo. Munida do magistério infalível e da autoridade suprema, goza duma ordem perfeita, donde deriva a indefectível coesão de todos os seus elementos. Tal unidade manifesta-se visivelmente na doutrina, no culto, e no governo. Ao mais diversos povos por origem, por ação, por língua, por caráter, por costumes e por civilização fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. 

Apesar disso, todos professam o mesmo Credo, participam dos mesmos sacramentos, assistem ao mesmo sacrifício e praticam a mesma moral. E a unidade também aparece perfeita no governo. Em toda a parte a hierarquia é composta de párocos, sujeitos aos seus bispos e todos conjuntamente ao Papa.

Esta unidade, glória e grandeza da Igreja Católica, são tanto mais admirável se a comparamos com as infinitas divisões das Igrejas dissidentes, cada uma das quais tem uma doutrina, um culto e um governos próprios. 

Existe na Igreja Romana, além da unidade, a catolicidade. Universal é a sua fisionomia e abrange, acima das divisões nacionalistas e raciais, povos de todas as cores e civilizações. Aqui está, em parte, o segredo da sua força expansionista. Não tem preconceitos que a impeçam ou barreiras que a detenham no seu caminho. A sua missão é a plena obediência ao Seu Senhor de anunciar o Seu Santo Evangelho no mundo inteiro.

Nos três primeiros séculos, embora no seio das mais tremendas dificuldades, conquista a maior parte do mundo greco-romano. Depois, expande-se por toda a Europa. Descobertas novas terras pelos navegadores e exploradores intrépidos, espalham os seus valentes missionários por todos os cantos do mundo. Hoje conta milhões de católicos na Ásia, na África, nas Américas e na Oceania e, enquanto os missionários pacientes, mas continuamente estendem o seu reino entre os cismáticos, muitos são os que voltam do cisma e do protestantismo para unidade católica.

3- Santidade admirável. Outras características da Igreja de Cristo, refulgente ainda hoje de luz admirável, são a sua santidade. Santa é a doutrina da Igreja. Ela ensinou sempre as mais belas virtudes individuais e sociais: a caridade, a humildade, a justiça, o amor para com os inimigos. Deu à família uma vida nova, repudiando a poligamia, impondo a indissolubilidade do matrimônio, defendendo os direitos da mulher, da criança e do idoso.

No campo social, primeiro suavizou e, a seguir, trabalhou contra a escravatura, condenou sempre o despotismo absoluto, limitando as funções do Estado, inculcou aos súbditos a submissão que não deriva do terror servil, mas da convicção religiosa que toda a autoridade vem de Deus. Deus é amor e justiça, daí as autoridades têm que praticar esses valores para o bem comum.

Doutrina tão sublime não podia deixar de produzir frutos admiráveis de santidade, e eis que ao lado dos mártires que deram a vida com heroísmo sobre-humano para defender esta mesma doutrina, germinaram no seio da Igreja falanges escolhidas de virgens, de confessores, de ermitãs, monges, frades e de apóstolos. Forjas de santidade souberam serem as famílias espirituais – as ordens religiosas – no seio das quais desabrocham os mais ilustres campeões do catolicismo.

Tal floração maravilhosa de santidade não impede que na Igreja Romana se tenham manifestado fraquezas. Não devemos exagerar como fazem os nossos adversários. A luz excede em muito as sombras e as próprias sombras contribuem para salientar mais a ação da assistência divina a uma instituição onde entra o elemento humano com as suas inevitáveis deficiências.

4- Fecundidade inesgotável. Com a santidade admirável está intimamente ligada a fecundidade prodigiosa que se manifesta, sobretudo na conservação do patrimônio de fé através das provas mais árduas e do pulular continuo das mais diversas heresias. 

A este propósito escreve o célebre historiador G. Kurtb, autor das Origens da civilização modernas: “Sozinha no meio do turbilhão, que agitava os espíritos com todos os ventos de doutrina, a Igreja de Roma, semelhante a um farol sublime na noite tempestuosa, fez sempre brilhar a chama da ortodoxia. Sempre fez ouvir a voz da mais pura tradição apostólica.

 O apóstolo que tinha recebido a gloriosa missão de confirmar os seus irmãos na fé, não cessou de denunciar o erro e de proclamar a verdade e tal foi a vigor desta palavra invicta e invencível no meio de todas as revoluções dogmáticas que deteve todas as heresias e Roma sozinha salvou a unidade da sociedade cristã e a integridade da sua fé”.

E a Igreja aumenta e desenvolve esta fé assimilando, entretanto tudo o que de verdade, de belo e de bom encontra nas outras doutrinas. Aos poucos e simples escritos dos tempos apostólicos seguem-se as grandes obras dos Santos Padres, as imensas coleções conciliares, as Sumas Teológicas.

 A mestra da fé tornou-se a mestra da ciência. Das escolas de Alexandrina e de Antioquia às Universidades medievais, aos Seminários, às faculdades filosóficas, teológicas, às universidades católicas, dos últimos tempos, é um gigantesco caminho percorrido pela Igreja no campo científico e da cultura em beneficio da civilização cristã.
A Igreja é de Natureza Divina 

Diz o Papa Francisco: “A Igreja não é de natureza política, mas essencialmente espiritual” (Audiência aos representantes dos meios de comunicação social, 16/03/2013).

A Santa Igreja Católica de Cristo é uma realidade viva, renovada, reavivada, indestrutível, eterna, visível, espiritual, tradicional, presente, atuante e futurista; sem nunca perder a fidelidade do projeto do Reino de Deus. Guiada em toda verdade de Jesus Cristo, na beleza da santidade do Espírito Santo e no infinito amor de Deus Pai.

Dizia o Papa Gregório XVI: “É mais fácil destruir o Sol do que destruir a Igreja e o papado”.

O Espírito Santo leva a Igreja continuamente a abrir espaço para a vinda do reino, e ser fiel á sua identidade, e coerente com sua missão. Por causa dessa sua fidelidade e coerência a Igreja encontra rejeições e perseguições, como Cristo as encontrou.

Mas a Igreja não passa apenas por provações externas. Seus próprios membros, ás vezes, se comportam como se ela fosse uma instituição puramente humana. Nos dois mil anos da sua história, o povo de Deus sofreu repetidamente a tentação de construir para si fortalezas, com o risco de confundi-las com o reino de Deus; ou de identificar-se com estruturas sociais e políticas. 

Não é de pouca monta o julgamento que continuamente vitaliza sua história, ainda que a presença do espírito é garantia de que jamais será destituída da sua primogenitura e da sua vocação católica. Ela é, todavia sempre a arca que consegue navegar entre as ondas da história. Os dons do Espírito Santo lhe garantem que não naufragará: “As portas do inferno nada poderão contra ela” (Mt 16,18).

A Igreja é certamente santa, isto é, inteiramente de Deus, pela fé que ensina e professa, pela graça que recebe e doa, principalmente pelo Espirito que nela está. Como tal, permanece unida a Cristo, sua cabeça, e é sacramento universal de salvação. Todavia se reconhece “sempre necessita de purificação” (LG 8), no tocante á fidelidade a Cristo e, portanto, a si mesma. Reconhece assim que o julgamento de Deus está sobre ela, e que a história pode ser seu lugar e instrumento.

O antigo Israel, nas desventuras e no exílio, crescia graças á voz ora ameaçadora ora encorajadora dos profetas. A Igreja cresce e se renova também através do sofrimento e das derrotas. “A Igreja confessa que progrediu muito, e pode progredir com a própria oposição daqueles que lhe são adversários ou que a perseguem” (GS 44).

A narrativa dos Atos Apóstolos mostra que a Igreja cresce em qualidade quando, deixando-se interpelar pela palavra de Deus, vive de modo mais evangélico. Cresce quantitativamente quando, aumentado o número de crentes, fundam-se novas igrejas locais, alargam-se seus limites visíveis, melhoram suas estruturas pastorais. Mas, um aspecto não deve prevalecer sobre o outro. Isto acontece quando nos contentamos com uma minoria de eleitos; ou damos crédito demasiado ás estatísticas.

Há uma alternação nas situações que acompanha este duplo crescimento: sucessos e fracassos, rupturas e recuperações da comunhão. Na história da Igreja não existem épocas inteiramente de ouro ou inteiramente de ferro. O bem e o mal se entrelaçam sempre, e os olhos de Deus julgam os acontecimentos e situações com medidas diferentes das nossas. O que nos parece prosperidade satisfatória, pode na realidade ser aparência estéril; onde vemos desolação, pode estar em preparação um fecundo progresso.

Não é por acaso, que épocas particularmente difíceis foram marcadas por grandes figuras de santos, e seguidas de desenvolvimentos nunca imaginados.

A vida da Igreja se desenvolve com contínua tensão: entre memória, celebração dos fatos salvíficos do passado, e empenho pelo futuro do reino. Deus quis condividir este empenho com os homens: explicitamente, com os crentes convocados na Igreja; implicitamente, com quantos, sem saber ou querer, mesmo combatendo e perseguindo a Igreja, possam colaborar com o seu desígnio.

Um Tesouro Em Vasos de Barro

São passados mais de vinte séculos desde que Cristo instituiu a Igreja e com o seu Espírito lhe deu vida. Os não-crentes veem no seu caminhar bimilenar o nascimento e o percurso de uma instituição humana, e o julgamento que fazem dela depende de seus diferentes pontos de vista ideológicos e práticos. Mas ninguém pode ignorar sua capacidade de resistência ante os adversários e de renovar-se internamente, o que não acontece com nenhuma outra instituição.

Á Igreja foi confiada à tarefa de “tornar conhecida à ciência da glória de Deus, que se reflete na face de Cristo” (2 Cor 4,6). Mas esse tesouro ela o guarda “em vasos de barro, para que apareça claramente que este extraordinário poder provém de Deus” (2 Cor 4,7). Os vasos de barro são os homens, do papa ao último dos crentes.

Como todos os homens, eles podem mostrar-se fracos, por vezes incapazes de resistir ao mal, ao desgaste do tempo, á persistência das tribulações, aos compromissos. Não, porém, ao ponto de a Igreja perecer, porque a presença do Espírito a mantém. Esta ininterrupta ação do Espírito é a primeira e fundamental chave de leitura para interpretar autenticamente a história da Igreja.

A grande experiência do Concílio Vaticano II confirma essa autêntica historicidade eclesiástica. Sob a ação do Espírito Santo, o Concílio libertou a Igreja de muitos vínculos que aprendiam ao passado e ao mesmo momento reafirmou que serão sempre válidos.

Nesta sua liberdade, centrada na missão de continuar a obra de Cristo, a Igreja anuncia ao mundo o mistério de salvação, que deve ser encarnado na história. Não uma Igreja que foge do mundo, mas age no mundo e para a salvação do mundo.

Por isso se coloca religiosamente á escuta da palavra de Deus, e se faz atenta também á palavra dos homens – com os seus problemas, experiências, aspirações – para discernir a voz do Espírito, que a chama para modos novos de exprimir e testemunhar o mistério de Jesus Cristo.

Na época difícil após o Vaticano II, mesmo em meio a dificuldades, já está, todavia aparecendo uma nova imagem da Igreja renovada. É uma mudança análoga àquela vivida pela comunidade primitiva, quando o Espírito a impulsionou ao encontro dos pagãos, para abri-los á fé no único Salvador, sem lhes impor pesos inúteis.

A Igreja contempla confiante o futuro, porque segue as pegadas de cristo que é a verdade. O “depósito da fé”, a ela confiado e por ela guardado com a assistência do Espírito, está destinado a fermentar o mundo. A vida nova de Cristo move o caminhar da Igreja ao longo da história, em direção á perfeição última do reino. Dizia o sábio escritor francês Félicité de Lamennais: “A Igreja olha o futuro com coragem”.

Não podemos prever as etapas precisas que ela deverá percorrer em meio aos homens e ás vicissitudes do mundo. Sabemos, porém, que o Espírito a conduz como e para onde quer, e lhe dá força: “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus avança, peregrina, a Igreja, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que venha (Cf. 1 Cor 11,26). 

Mas é fortalecida pela força do Senhor ressuscitado, a fim de vencer pela paciência e pela caridade suas aflições e dificuldades tanto internas quanto externas, para poder revelar ao mundo o mistério dele, embora sob as vestes da sombra, porém com fidelidade, até que no fim seja manifestado em plena luz” (LG 8).

“Ainda que a Igreja, por virtude do Espírito Santo, permaneça a fiel esposa de seu Senhor e não cesse jamais de ser um sinal de salvação para o mundo, ela, contudo não ignora de modo algum que não faltaram entre seus membros, clérigos e leigos, na série ininterrupta de tantos séculos, os que foram infiéis ao espírito de Deus. 

Também em nossos tempos não escapa á Igreja perceber quanto se distanciam entre si a mensagem que ela profere e a fraqueza humana daqueles aos quais o Evangelho foi confiado. Seja qual for o juízo que a história pronunciar sobre estes defeitos, devemos estar conscientes deles, combatê-los ativamente, para que eles não tragam prejuízo á difusão do Evangelho.” (Gaudium Et Spes, 43).
Conclusão

A Igreja prossegue sua peregrinação entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus, sinal vivo do Cristo que anuncia. As provações a que é exposta são coparticipação na paixão de Cristo, que a purifica. Do Senhor ressuscitado e do Espírito Santo a Igreja consegue força para a sua fidelidade que não poderá falhar. Sua obra é abissal num mais importante projeto da dignidade da pessoa humana. Amar Cristo e tê-lo como seu Salvador é viver para Igreja como verdadeiro discípulo da Boa Nova do Reino de Deus. 

A Santa Igreja Católica do Senhor Jesus é de natureza divina. Ela é o Corpo Místico de Cristo, povo escolhido de Deus, coluna e sustentáculo da verdade. Ela é o que tem de mais belo na face da terra. É algo que vai além da intelectualidade humana; muito mais além do que qualquer corporação bem administrada; sua missão tem o decreto de vencedora pela justiça e caridade. Ela é um grande mistério, como o da Santa Eucaristia e da Santíssima Trindade.

Pe. Inácio José do vale
Professor de História da Igreja
Instituto de teologia Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com


Fontes:
MONSABRÉ, OP, Jacques Marie-Louis. La Communion des Saints. In: Exposition du Dogme Catholique. Gouvernemant de Jésus-Christ. Carême 1882. 9. Edição. Paris: P. Lethielleux, 1882, p.294-295.
Arautos do Evangelho, agosto de 2013, pp. 38 e 39.
Dolz, Michele. O anticristo: mito ou profeta? São Paulo: Quadrante, 2001, pp.71 e 72.
Galli, A. Grandi, D. História da Igreja. São Paulo: Edições Paulinas, 1964, 2 edição, pp. 406 e 409.
Zagheni, Guido. A idade moderna: curso de História da Igreja. São Paulo: Paulus, 1999, p.352.
O Caminho do Senhor. Catecismo para adulto. Aparecida–SP: Editora Santuário, 1985, pp. 179 e 180.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A UM PADRE EREMITA DE J. M.



Hoje, 8 de Dezembro de 2013, os ANJOS cantam louvores , pois faz 40 anos que o senhor disse SIM ao SACERDÓCIO.



«O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus» (São João Maria Vianey)

DEUS SEJA LOUVADO PELAS SUAS MÃOS SACERDOTAIS. MÃOS QUE NOS ABENÇOAM E NOS OFERECEM JESUS O PÃO DA VIDA.

Belíssimas palavras de São João Maria Vianey:


«Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia».

«Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? 

O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu».

«Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».


Mãos Sacerdotais


Mãos do sacerdote, mãos predestinadas,

Mãos de Jesus Cristo, mãos divinizadas,

Feitas lá no céu de essências imortais.

Mãos do sacerdote, feitas sob modelo

Que Jesus traçara cheio de desvelo,

Desde todo sempre, mãos sacerdotais.

*

Mãos do sacerdote para a cruz voltadas,

Mãos de lírios roxos sobre a cruz pregadas,

Sempre, sempre abertas, sem fechá-las mais,

Mãos de sofrimentos, mãos de mil suplícios,

Têm as veias rubras feitas de cilícios,

Mãos de mil calvários, mãos sacerdotais.

*

Mãos do sacerdote, mãos de toda hora,

Quando a noite é negra, quando brilha a aurora,

Quando reina a calma, quando há temporais,

Mãos de sacerdote, mãos de toda gente,

Mãos do fervoroso, mãos do indiferente,

Mãos dos sofredores, mãos sacerdotais.

*

Mãos do sacerdote, mãos feitas de lodos,

Frágeis, passageiras, como as mãos de todos,

Filhas do pecado como as dos demais,

Mãos feitas de lodo, frágeis, pecadoras…

Mãos purificadas, santas, redentoras…

Beatificantes, mãos sacerdotais.

*

Quantas mãos existem. Que diversidade!

Mãos para a virtude, mãos para a maldade,

Mãos cheias de lodo, mãos cheias de luz.

Mãos que ferem, mãos que fecham as feridas,

Mãos que dão a morte, mãos que dão a vida,

Mãos que dão o diabo, mãos que dão Jesus.

*

Quantas mãos existem. Que diversidade!

Mas somente vós não sois como as demais.

Pois somente vós levais à eternidade;

E há recantos n’alma em que só vós tocais.

E há espinhos fundos que ninguém alcança,

E há doridos prantos que ninguém estanca

A não serdes vós, ó mãos sacerdotais!

*

Mãos do sacerdote, luz, calor, guarida,

Para cada morte trazem uma vida,

Para cada vida acendem mil fanais.

Mãos do sacerdote, báculo que arrima,

Bálsamo que alenta, asa que sublima,

Cofre dos consolos, mãos sacerdotais


alguns testemunhos que nos tocam profundamente:


A venerável Catarina Vannini via, em êxtase, os Anjos que, durante a Missa, circundavam as mãos do Sacerdote e as sustentavam no momento da elevação da Hóstia e do Cálice.

Poderemos imaginar com que respeito e afeto a Venerável beijava aquelas mãos?


Santa Edwirges, rainha, cada manhã assistia a todas as Santas Missas que eram celebradas na capela da Corte, mostrando-se muito agradecida e reverente para com os Sacerdotes que tinham celebrado: convidava-os entrar, beijava suas mãos com suma devoção, fazia que se alimentassem, tratando-os com as mais distintas honras. Ouvia-se como a rainha exclamava comovida: "Bendito seja quem fez Jesus descer do Céu e O deu a mim."


S. Pascoal Baylon era o porteiro do convento. Todas as vezes que chegava um Sacerdote, o Santo Fradinho se ajoelhava e lhe beijava respeitosamente as duas mãos. Dele foi dito, como de S. Francisco, que "era devoto das mãos consagradas dos Sacerdotes." Ele as julgava capazes de deter longe os males e cumular de bens a quem nelas tocasse com veneração, porque são as mãos das quais Jesus se serve.


E, como era edificante ver o Pe. Pio de Pietrelcina procurando beijar com amor as mãos de qualquer Sacerdote, às vezes até agarrando-as de surpresa! E, que dizer de outro Servo de Deus, Dom Dolindo Ruotolo, que não admitia que um Sacerdote pudesse negar-lhe “a caridade” de deixá-lo beijar-lhe as mãos?

Enfim, sabemos que este ato de veneração muitas vezes foi premiado por Deus com verdadeiros milagres. Na vida de Santo Ambrósio se lê que um dia, logo após a celebração da Santa Missa, o Santo viu aproximar-se dele uma mulher paralítica, que queria beijar suas mãos. A pobre mulher tinha grande fé naquelas mãos que tinham acabado de consagrar a Eucaristia: e ficou curada no mesmo instante. A mesma coisa aconteceu em Beneveto: uma mulher paralítica, havia quinze anos, pediu ao Papa Leão IX licença para beber a água por ele usada durante a Santa Missa, quando lavou os dedos. O Santo Papa atendeu aos desejos da enferma em seu pedido humilde, como o pedido da Cananéia, rogando a Jesus que lhe desse “as migalhas que caem da mesa do dono da casa” (Mt 15,27), e ficou imediatamente curada.

Catequista Maria Ângela lem.prof.maria.angela@gmail.com>


CATECISMO RESUMIDO - 01


Resumo da doutrina católica para cursos rápidos.

Como ler as citações bíblicas deste texto:

Lc 18,1-8: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículos de 1 a 8

Lc 18,1.8; 19,1: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículos 1 e 8. Capítulo 19, versículo 1.

Lc 18,1.3-8: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículo 1 e versículos 3 a 8.

Ou seja: o ponto separa os versículos. A vírgula separa capítulo de versículos. O ponto e vírgula separa capítulos. O traço significa que devemos ler todos os versículos entre o primeiro e último número.

1- É POSSÍVEL SER LIVRE E FELIZ!

O único modo de ser livre e feliz é fazer a vontade de Deus e viver como ele nos programou. Fomos criados para viver a vida em abundância: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10b), mas independentes e livres de tudo: sem estarmos amarrados a nenhum vício, a nenhum tipo de vingança, de ódio, de maus desejos, de malícia, de gulodice, de vaidade, de orgulho, de autossuficiência, de egoísmo, de impureza, de preguiça etc. Todo somos chamados à santidade (Mt 5,48; 1Pe. 1,16). Não há outra maneira de ser feliz. Pecar contraria tanto nossa natureza como se lavássemos meias num liquidificador. Não dá certo! Se viermos a pecar, pedir logo perdão e recomeçar a vida.

2- DEUS NOS AMA SEMPRE!

O amor de Deus por nós é eterno: “Com amor eterno eu te amei!” (Jer 31,3). “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Deus nos ama tanto que enviou seu Filho à terra, Deus como ele, que morreu na cruz para nos salvar e nos abrir as portas do paraíso, fechadas pelo pecado da humanidade, simbolizada em Adão e Eva. Ressuscitando, Jesus venceu a morte e renovou a vida. Se colocarmos em Jesus nossas preocupações, ele cuida de nós (1 Pd 5,6-8) porque nos ama. Se o amarmos, apenas estaremos respondendo seu apelo de amor, pois foi Ele quem nos amou por primeiro (1João 4,10; Provérbios 23,26).

Uma das mais belas imagens do amor de Deus por nós, na minha opinião, é o da galinha choca, que acolhe os pintinhos debaixo de suas asas. O próprio Jesus foi quem fez essa comparação: comparou-se a uma galinha choca, que recolhe seus pintinhos sob suas asa. Ele quer nos abrigar, com receber, nos confortar, mas precisa que O aceitemos (Mt 23,37), pois até ele concorda que nosso é, muitas vezes, pesado (Mt 11,28-30).

3- O NOSSO AMOR POR DEUS:

Acontece quando obedecemos aos ensinamentos de Jesus. O maior mandamento dado por Deus e ratificado por Jesus é o amor a Deus e ao próximo: “Assim como eu vos amei, vós deveis amar uns aos outros” (Jo 13,34-35). “Amar ao próximo como a si mesmo” (Mc12,28-34). Jesus nos manda amar até aos inimigos (Rm 12,19-20; Mt 5,44-48). Isso é possível porque amar não é o mesmo que gostar. Amar é próprio da alma. Gostar é próprio do corpo. Jesus não nos mandou gostar, mas amar, mesmo que não gostemos. Amar é fazer tudo para que o outro possa aprender a agradecer a Deus, ir par o céu e realizar-se como pessoa. Veja Rom 12-20: Se tratarmos bem quem nos odeia, isso vai levá-lo ao remorso e à conversão, como se tivéssemos colocado “brasas” de remorso em sua cabeça. Leia e medite os capítulos 5,6 e 7 de Mateus, o Sermão da Montanha, que comentaremos logo adiante.

4- QUEM É DEUS.

Deus é puro Espírito, eterno, totalmente perfeito. “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos” (Efésios 3,20).
“Deus não é solidão, mas uma família” (Doc. De Puebla 582 e de Aparecida 434). Deus é um só, mas vive em três Pessoas: o Pai, cuja voz se ouviu no céu no Batismo de Jesus, o Filho (Jesus), que estava sendo batizado, e o Espírito Santo, que nesse trecho apareceu como uma pomba, mas em Pentecostes se manifestou como “vento impetuoso” e como línguas de fogo (Atos cap 1 e 2). Este é o “Mistério da Santíssima Trindade”, revelado em Mt 3,26-17 e 28,19-20.

Foi Deus que criou tudo o que existe. Deus sabe tudo, está em todos os lugares, ou melhor, ele vive fora do tempo e do espaço, e o que existe só subsiste porque Ele quer e sustenta. É todo-poderoso, eterno, todo misericordioso, infinitamente perfeito. Ele é totalmente independente de tudo o que existe.

Como Ele é perfeito e tem em plenitude tanto as virtudes de Pai como as da Mãe (Frei Carlos Mesters). E quer que tenhamos a mesma união entre nós como ele a tem na Santíssima Trindade.

Textos para refletir: Jeremias 31,2; Mt 28,19-20; Jo 1,1-15; cap.14,11; cap.17,21-22.

5- ADÃO E EVA.

Eles existiram, sim, mas não sabemos exatamente como foram criados. A história do Gênesis é simbólica. Deus criou tudo o que existe e Jesus estava presente não ainda como homem, mas como Verbo ou Palavra de Deus (João 1,1-18). O ser humano foi criado por Deus de modo especial: ele é feito à imagem e semelhança de Deus. A cada criança concebida Deus cria nela uma alma imortal. Isso está colocado, em forma simbólica, em Gênesis cap. 1, vers. 1 até cap. 2, vers. 4A, e Gênesis cap. 2, vers. 4a até cap. 3, vers. 24.

Não podemos ler esses trechos ao pé da letra. São duas versões diferentes, como você pode constatar (na primeira o homem e a mulher teriam sido criados num mesmo instante, já dentro do paraíso, e em último lugar, ou seja, depois de tudo o mais. Na segunda, a mulher foi criada do homem, este foi criado fora do paraíso e antes das outras coisas). Em qual delas acreditar?

A ciência diz que o homem inteligente apareceu há mais de dois milhões de anos (recentemente descobriram um fóssil de três milhões de anos) e os cientistas aceitam a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin, que diz que o homem e o macaco vieram de um ancestral-primata comum (eles não dizem, como muitos afirmam, de que o homem veio do macaco, mas que os dois vieram de um outro animal primata).

Essa teoria pode ser admitida, se quiserem, desde que acreditemos que é Deus que a criou e a mantém. A um dado momento da história, Deus interferiu e infundiu, já então nesse animal bem evoluído, a alma imortal.

6-O PECADO DE ADÃO E EVA NÃO FOI SEXUAL.

Eles eram marido e mulher. O pecado deles foi, mesmo, de desobediência e o desejo de se igualarem a Deus. Jesus nos salvou fazendo o contrário disso: ele, mesmo sendo Deus, humilhou-se fazendo-se homem, e morrendo numa morte horrível, morte de cruz, e obedeceu plenamente ao Pai (Filipenses 2,6-11).

7-O DEMÔNIO EXISTE! O PECADO.

O pecado de Adão e Eva prejudicou toda a humanidade. Somos purificados dele, assim como de todos os demais pecados, pelo Batismo.

Há dois tipos de pecado: o mortal (grave) e o venial (leve). Para um pecado ser mortal, é preciso que tenha três quesitos:

1- Seja matéria grave;

2- Tenha sido feito com pleno conhecimento disso.

3- Tenha sido feito com pleno consentimento.

Por exemplo, matar uma mosca não é pecado grave (nem pecado leve), porque não é matéria grave e você sabe disso, embora tenha matado a coitadinha com pleno consentimento.

Já os demônios são anjos, chefiados por Lúcifer (significa: o portador da luz!), que também desobedeceram a Deus e não o aceitaram. Jesus disse:”Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago!” em Lucas10,18. Dê uma olhadinha também em Apocalipse 12,7-9 (conta a história da expulsão do demônio do céu, por S. Miguel Arcanjo).

Como eu disse acima, Jesus venceu o demônio fazendo o caminho inverso deste e de Adão e Eva, ou seja, obedecendo ao Pai até à morte, e morte de Cruz (Filipenses 2,6-11).

Depois do Batismo somos perdoados dos nossos pecados pedindo perdão a Deus pelo sacramento da confissão, no caso dos pecados graves, ou por meio dos sofrimentos, penitências, orações e boas obras deste mundo, oferecidos com amor e arrependimento a Deus.

Sem a purificação não podemos entrar no céu, pois lá nada de impuro entrará, como diz Apocalipse 21,27. Cada um é responsável pelos seus atos!

Podemos vencer o demônio e o pecado com a vigilância e a oração, a penitência e os sofrimentos do dia a dia quando os oferecemos a Deus, e sobretudo nos esforçando para não pecarmos mais.

O demônio não pode nos obrigar a pecar. O poder de Deus é maior do que o poder do mal, e se confiarmos plenamente em Deus, ele nos ajudará a vencermos qualquer tipo de mal.

Veja Marcos 3,23-30.

Quando tiver um tempinho extra, leia: 1Jo 1,9; MT 16,18-19; Tiago 5,15; Gênesis 2e3; Lucas 10,18; Apocalipse 12,7-9; 1Coríntios 15,21-22; Filipenses 1,6-8; Provérbios 23,26; 1Pedro 5,8-9; Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Mt 12,31; Rom 3,23-24 (todos pecaram!), João 20,21-23; Mt 26,41 e Apocalipse 16,15 (Vigiar para não pecar).

8- A  BÍBLIA


A bíblia foi escrita no decorrer dos séculos, desde o tempo do rei Salomão, aproximadamente no ano 1000 antes de Cristo, a partir de narrativas e tradições orais contadas de pai para filho. 

A Bíblia não foi ditada por Deus, como muitos pensam, mas inspirada por Ele a pessoas muito simples, que entendiam essa inspiração de acordo com a instrução ou com a pouca instrução que possuíam. Como os costumes de um lugar geralmente são diferentes do outro, há fatos iguais contados de maneiras diferentes pelos que escreviam. 

Isso nos leva a tomar muito cuidado ao lermos ou procurarmos interpretar os textos bíblicos. Na Igreja Católica é costume já muito antigo confiarmos essas interpretações e esclarecimentos a especialistas aprovados pelas autoridades eclesiásticas. Eles dedicam suas vidas nesse trabalho e merecem toda a nossa confiança. 

Como uma obra inspirada por Deus mas escrita por homens limitados que usavam aquilo que sabiam, a bíblia não pode ser lida ao pé da letra. Há muitas informações contraditórias. Ao lermos um trecho precisamos, pois, saber o que aquilo queria dizer para as pessoas da época e só então aplicá-lo ao nosso tempo. 

Dou alguns exemplos: O capítulo 1 do Gênesis diz que Adão e Eva foram criados juntos, ao passo que o capítulo 2, diz que Eva foi criada depois de Adão, de uma costela dele. 

O cap. 1 fala que o homem e a mulher foram criados após todo o restante da criação; O cap. 2 fala que foram criados em primeiro lugar. 

O cap. 3 fala que os primeiros filhos de Adão e Eva foram Caim e Abel, mas o cap. 5 diz que foi Set, e nem sequer mencionam Caim e Abel que, na verdade, não foram filhos de Adão e Eva, mas nasceram muito tempo depois, na era do bronze, quando já havia muita gente na terra. Isso inclusive é mostrado no finalzinho da Bíblia de Jerusalém. 

Em Lucas cap. 6 Jesus teria dito:” Bem aventurados os pobres”. Em Mateus, cap. 5, ele teria dito: “Bem aventurados os pobres em espírito”. Afinal, Jesus falou pobres ou pobres em espírito? Em Mateus, o sermão foi dito numa montanha; Em Lucas, numa planície. Qual dos dois tem razão? 

É por isso que precisamos tomar muito cuidado com as interpretações. Esse, aliás, é também o motivo pelo qual muitos fundaram outras religiões. Geralmente nascem de uma discordância a respeito dos textos evangélicos. 

Por esse motivo os cristãos que não são católicos seguem a bíblia definida pelos judeus no ano 100 de nossa era, que não tem os livros escritos em grego depois de Esdras (400 a.C) acrescentado o Novo Testamento. Esses livros que foram tirados da bíblia por eles são:1º e 2º Macabeus, Eclesiástico (não confundir com o Eclesiastes, que tem nos dois), Sabedoria, Baruc, Tobias, Judite e complementos gregos de Ester e Daniel, restando 66 livros. Permaneceram 73 na bíblia católica: 46 no AT e 27 no NT (Eles têm apenas 39 no AT). 

Acostume-se a ler os ótimos comentários encontrados em nossa bíblia, tanto antes das leituras como no rodapé delas. Esses comentários são feitos por pessoas realmente capacitadas, que dedicam suas vidas nesse estudo, como já dissemos. 

Quanto às diferenças que mostramos acima, não devem deixar você preocupado (a). O núcleo da narrativa é verdadeiro, baseada num fato real, mas contada de formas diferentes, dependendo muito da região onde era contada e que tipo de pessoas a contaram. 

Dou um exemplo: um médico, um engenheiro, um psicólogo e um mecânico vão ver cada um a seu modo um mesmo acidente ocorrido no caminho por onde passavam. Ao chegarem às suas casas e contarem o fato às respectivas esposas, cada um contará a seu modo, notando coisas próprias de sua profissão. Só mesmo unindo as quatro narrativas é que chegaremos perto do que realmente aconteceu no dito acidente. É isso que ocorreu com a Bíblia.

Várias pessoas, mesmo inspiradas por Deus, viram os acontecimentos cada um a seu modo. Cabe aos estudiosos e especialistas, também eles inspirados por Deus, definirem quais as partes principais de cada fato e narrativa. 


CATECISMO RESUMIDO - 02


9- O POVO DE DEUS 


O povo de Deus teve início com Abraão, cerca de 1850 AC. Abraão foi o primeiro homem a confiar plenamente em Deus, pelo menos de que nós temos conhecimento. Deus fez com ele uma aliança, da qual surgiu a circuncisão, como marca indelével dessa aliança. Abraão confiou em Deus e deixou sua cidade natal, UR, na Caldéia, e emigrou , para a região conhecida hoje como Palestina (Gênesis 12) 

Todos os habitantes da cidade de Ur tinha um deus próprio, deus de pedra, material, feito por eles mesmo. Cada família tinha um deus de sua preferência. Abraão era o único que acreditava num Deus invisível, Criador e não criado, independente de tudo o que existe, que não podia ser representado nem substituído por nada nesta terra. Como diz a carta aos Hebreus, Abraão agia “Como se visse o invisível”. 

A circuncisão consiste na retirada do prepúcio. Equivale hoje a uma operação de fimose. Só era considerado do povo de Deus quem fosse circuncidado. As mulheres participavam do povo quando se casavam com um judeu. Jesus Cristo a substituiu pelo Batismo que, como diz S. Paulo, é a circuncisão do coração. 

José (1650 AC), filho de Jacó (Israel), fora vendido pelos irmãos invejosos para o Egito. Lá ele conquistou a simpatia do Faraó e tornou-se o primeiro depois dele. Numa grande fome que se alastrou pela terra, ele chamou o pai e os irmãos para viverem no Egito e assim o povo de Deus se desenvolveu nesse país (Gênesis 37;39;42;46;47). 

Os doze filhos de Jacó deram origem às doze tribos de Israel, lembrando que os filhos de Levi não herdaram nada, porque se dedicaram ao sacerdócio, e os dois filhos de José tomaram o lugar dele e de Levi. É por isso que Jesus escolheu doze apóstolos: para mostrar bem mostrado que a Igreja Cristã estava substituindo o povo de Israel, estava entrando no lugar das doze tribos de Israel. 

Logo no início do livro do Êxodo você pode constatar que o povo israelita começou a ser maltratado e explorado no Egito, pelo faraó e seus mandatários. Deus suscitou então Moisés (1250 AC) para libertá-los. Moisés fora salvo das águas pela filha do faraó, numa perseguição feita por ele a todos os meninos israelitas que nascessem: tinham que ser mortos. 

Depois de muitas peripécias e de muitas pragas, Moisés conseguiu tirar o povo do país. Atravessaram o Mar Vermelho a pé enxuto. (Esse mistério até hoje é estudado e nunca foi desvendado. Eu prefiro acreditar que eles passaram pela parte rasa do Mar Vermelho, na praia, aproveitando a maré baixa, auxiliados, é claro, por Deus). 

Por causa da falta de fé dos israelitas, que não quiseram tomar posse da terra prometida por medo de seus habitantes, por castigo ficaram 40 anos no deserto, quando no dia a dia se leva apenas 11 dias para atravessar. 

No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés os dez mandamentos, que foi escrito em duas tábuas, guardadas na Arca da Aliança, que era venerada por eles mais do que a imagem de N. Sra. Aparecida é venerada por nós. Atribuíam à Arca grandes poderes, só podendo ser tocada por pessoas autorizadas. 

Os mandamentos foram um guia seguro para o povo, que era muito inconstante e muitas vezes se voltavam à idolatria, adorando bezerros de ouro e coisas desse tipo. Isso acarretou ao povo muitos problemas e castigos. 

Já na Palestina, após 40 anos, Deus suscitou os juízes para governarem o povo, substituídos depois pelos profetas e pelos reis. 

O primeiro rei de Israel foi Saul, depois Davi, depois seu filho Salomão, reinado em que o povo dividiu-se entre Israel (Norte) e Judá (Sul). A dinastia de Davi foi ameaçada várias vezes, mas Jesus nasceu dentro dela, como descendente de Davi, nos únicos 14 anos em que o mundo teve paz, no reinado de César Augusto, imperador de Roma, que havia conquistado quase todo o mundo civilizado da época, inclusive Israel e Judá. 

Jesus nasceu em Belém da Judéia, mas viveu em Nazaré, na Galileia, uma região que se havia separado de Israel, bem ao norte. 

Jesus chamou então os doze apóstolos que substituíram, como já dissemos, as doze tribos de Israel e deram origem ao cristianismo, sendo Pedro o primeiro chefe da Igreja, mudando a sede de Jerusalém para Roma. Ele está enterrado sob a Basílica de S. Pedro, no Vaticano. S. Paulo Apóstolo está enterrado na Igreja de S. Paulo- fora- dos- muros, também em Roma. 

O nosso Batismo e Crisma substituíram a circuncisão; o sacramento da confissão substituiu o batismo de S. João Batista. Poucos judeus acreditaram na divindade de Jesus. Os pagãos, entretanto se converteram em massa ao cristianismo, que logo acabou se separando do judaísmo. 

Para um melhor estudo, leia, por favor, logo que você puder, Gênesis 12 em diante. Êxodo todo, Atos 2,14-36 (discurso de Pedro)e o discurso de Estêvão, Atos 7. Há também um ótimo resumo em Eclesiástico 42,15 até 49,19 . 

 10-OS ENSINAMENTOS DE JESUS.  - QUEM É JESUS CRISTO.

É a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Nasceu da Virgem Maria e é 100% Deus e 100% homem. Antes de nascer, ele vivia no céu, na Santíssima Trindade, como diz João 1,1-3.14.

Jesus foi igual a nós em tudo, menos no pecado (veja Filipenses 2,5-11). Ele nasceu para nos ensinar o caminho do Céu e nos salvar. Por isso, obedeceu ao Pai em tudo e aceitou morrer na cruz, vencendo o pecado, a desobediência e a morte, ressuscitando no terceiro dia, abrindo-nos assim as portas do céu, fechadas pelo pecado original (de Adão e Eva). Agora ele vive novamente no céu, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem (veja Atos 2,32-3).

Muitos dos ensinamentos de Jesus estão reunidos no que chamamos “Sermão da Montanha”(Mt cap. 5,6 e 7; Lucas 6,20-49); outros, nas parábolas. A seguir coloco um resumo dos ensinamentos do Sermão da Montanha para lermos e meditarmos; mais adiante, os ensinamentos das parábolas:

a)- FELIZES OS POBRES EM ESPÍRITO

Ser pobre em espírito é não se apegar aos bens materiais, por saber que Deus nunca nos abandonará. Deixar os gastos supérfluos para ajudar os pobres e necessitados. A raiz de todos os males é o dinheiro, diz S. Paulo em Timóteo 6,7-10. Quem é pobre em espírito é feliz porque é livre: não é escravo do dinheiro. Jesus foi pobre e humilde e foi o homem mais feliz que existiu.

Apesar de ser dono de tudo o que existe, pois tudo foi criado por Ele, na Santíssima Trindade, ele quis nascer pobre, viver com os pobres, se alimentava na companhia deles (aliás, também com os pecadores), apesar disso ser proibido pela religião judaica. Ele diz em Lucas 9,58: “O Filho do Homem (=ele, Jesus) não tem onde reclinar a cabeça”.

Jesus só recebe por discípulo a quem renuncia a tudo o que possui e diz isso em Lc 14,28-33. Veja Isaías 58. Precisamos confiar em Deus e não ter medo do futuro. Ele sustenta até os passarinhos! (Mt 6,26). É infeliz quem se apega ao dinheiro e aos bens materiais, vivendo com ambição desmedida e desespero, trabalhando feito louvo por medo de passar necessidade. Não deve ser a atitude de quem confia em Deus e segue seus caminhos (Provérbios 23,26).

Em Lucas 14,33 ele diz: “Qualquer um de vós que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo!” Em Lc 6,24-25:”Ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação! Ai de vós que estais agora saciados! Porque tereis fome!”.

Entretanto, Jesus falou a Zaqueu, após este ter prometido devolver quatro vezes o que roubara e dar metade do que tinha aos pobres (como era exigido naquele tempo para quem quisesse se arrepender e começar uma vida nova): “Hoje entrou a salvação nesta casa!” (Lc 19,9).

Também exigiu do jovem rico que ele vendesse tudo o que tinha para segui-lo (Lc 18,18-25). Jesus trouxe aos pobres a Boa-Nova da salvação. Em Mt 6,19-20, diz:”Não acumuleis tesouros para vós, aqui na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os roubam. Mas acumulai tesouros para vós no céu...” Em Mt 6,24: “Não podeis servir a Deus e às riquezas!”

Aprendamos a viver de modo simples, com o suficiente para uma vida confortável e digna,partilhando com os pobres e necessitados o que economizarmos. Deus nos ajudará e nada nos faltará, se soubermos, é claro, sermos vigilantes também no que se refere aos gastos supérfluos. Mateus 6,30-34:”Buscai em primeiro o Reino de Deus e tudo o mais vos será dado em acréscimo”.

b)- FELIZES OS MANSOS E HUMILDES DE CORAÇÃO

Jesus é manso e humilde de coração: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mt 11,29) e quer que todos nós também sejamos assim. Ser humilde não é ser tímido, mas conhecer nossos limites e fraquezas e aceitá-los. É reconhecer os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando ninguém (Tiago 2,1-7; Mc 2,15-17 e 6,37-44). Jesus morreu justamente porque enfrentou as autoridades de seu tempo, que escravizavam o povo.

Quanto mais nos conhecermos e nos aceitarmos, mais humildes e pacíficos seremos. Se confiarmos em Deus, seremos sempre pacientes e humildes. Acharemos tempo para tudo e nada nos irritará. Nunca teremos pressa e passaremos a tratar os outros como Jesus quer que os tratemos. Nunca querer fazer tudo sozinho, mas sempre buscar a ajuda de Deus e a das pessoas capacitadas para aquela ação. “Quando eu sou fraco então é que sou forte!” (2Cor 12,10). Isto acontece porque teremos a ajuda divina: “Sou pobre e indigente, mas Deus cuida de mim!” ( Salmo 41,18). O orgulhoso é abandonado às próprias forças. Deus dirige nossa vida e é poderoso para fazer qualquer coisa(Ef. 3,20).

A ira e o orgulho vêm da falta de confiança nele. Façamos calmamente a nossa parte, com nossos limites e deficiências, procurando aperfeiçoar com a prática, mas sempre em paz, como diz Santa Teresa de Jesus: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!” Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus (Lc 1,46-54).

Sabemos que não somos humildes quando nos irritamos diante de alguma crítica à nossa pessoa. O humilde nunca se importará, porque se conhece e sabe se aquelas críticas são verdadeiras ou falsas e não precisa provar nada a ninguém. Perceba como ser manso e humilde nos deixa livres! A humildade nos traz o perdão de nossos pecados (Lc 18,9-14; 1Pd 5,5-7). Sendo mansos e humildes, seremos também puros de coração, que é não mentir, não ter duas caras, não usar máscaras e ser sempre sincero. Somos apenas o que somos diante de Deus, e nada mais!

c)- SEMPRE DARMOS BOM EXEMPLO

Jesus Cristo insistiu muito sobre o bom exemplo. O anúncio do Evangelho vem antes pelo testemunho que por outros meios, como diz Mc 6,7-13. Devemos não apenas proclamar, mas “gritar” o Evangelho com nossa vida, com nosso bom exemplo (Carlos de Foucauld). Desse modo, seremos o fermento da massa (Mt 13,33), o sal da terra, a luz do mundo. Isso inclui nunca julgarmos, que é o que fazemos quando julgamos que o outro fez o que fez por maldade, e nunca caluniarmos ninguém. Quantas vidas bonitas se perderam por causa da calúnia! Quando alguém é caluniado por coisas que não fez, passa a não dar mais bom exemplo, por causa do escândalo, e isso não é culpa dele (dela). Imaginem com que severidade vão ser julgados os que caluniaram!

Como acontece sempre, a vida de alguém caluniado é marcada para sempre e, faça o que faça, nunca vai ser acolhido como era antes das calúnias.

O bom exemplo de quem foi caluniado é, embora seja uma ação limitada, perdoar aos que o (a) caluniaram e recomeçar a vida como alguém que caminha num caminho de santidade. Muitos vão ver isso e sua vida passará a ser novamente um bom exemplo, embora com alcance mais limitado que anteriormente.

CATECISMO RESUMIDO-03


d)- PERDOAR SEMPRE E SEM LIMITES

Jesus diz que devemos perdoar setenta vezes sete vezes, o que significava para eles, perdoar sempre (veja em Mt 18,22). Em Lc 17,4,: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás!”

 Em Mt 6, 14-15 Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam. Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade. Jesus pede, também para tirarmos qualquer pensamento de vingança. Diz Romanos 12,19:”A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”.

Jesus quer que amemos a todos, sem ódio, sem ofensas, não rir dos outros, não humilhá-los, não julgá-los, não nos vingarmos. A vingança e a maldade não valem a pena! Nós somos sempre perdoados por Deus de pecados muito graves e por isso precisamos perdoar sempre aos que nos ofenderam em coisas que, diante do que devemos a Deus, é nada!

O súdito daquele rei da parábola devia a ele o equivalente a 3 milhões de gramas de ouro (faça a conta para ver que fortuna!), o que equivale 10 mil talentos (cada talento pesa cerca de 34 quilos). Ele foi perdoado, mas ao sair de diante do rei, não quis perdoar a um amigo que lhe devia o equivalente a 450 gramas de ouro. Resultado: o rei o chamou de volta e o mandou prender “até que pagasse tudo”, ou seja estaria até agora na prisão...

e)- DEUS SEMPRE NOS PERDOA !

Se ele nos pede isso, é porque também pratica! A condição que ele põe é que peçamos perdão. Os pecados graves devem ser confessados a um sacerdote (veja Mt 16,18-19; Jo 20,22-23; Tiago 5,16). Os outros pecados, que não são graves, são perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e de caridade: “A caridade cobre a multidão de pecados (1 Pd 4,8).
O que nos proporciona também o perdão de Deus são os atos de reparação, as orações, jejuns (mesmo pequenos e abrangendo a renúncia de alimento, tevê, bebidas, pelo menos de vez em quando). Diz 1 João 1,9; “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a culpa”.

O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso acabamos não pedindo perdão. Veja 1 Jo 5,16-17; Mt 12,31-32; Hb 6,6.

f)- A MISERICÓRDIA NOSSA E A DE DEUS.

Jesus é misericordioso. Diz Ef 2,4: “Deus é rico em misericórdia”. Ele quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las. Tg 2,15-26 diz que a fé, sem as obras, é morta: ou seja, precisamos demonstrar a nossa fé ajudando os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém.(Tg 2,1-10). 

Agindo assim, Deus também será misericordioso para conosco, não nos deixará faltar nada, como Jesus prometeu em Mt6,25-33. No Juízo Final seremos julgados segundo a misericórdia que tivemos ou não dos que precisam dela, como diz Mt 25,31-46. Diz também Tg 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. A misericórdia implica, também em não julgarmos a ninguém. Veja Mt 7,1-4 e 1 Pd 4,3.

g)- OS DOIS CAMINHOS

Deuteronômio 30,15-20 pede que há dois caminhos à nossa frente, para escolhermos um deles: o bem e o mal, a vida e a morte. Deus pede que escolhamos o caminho do bem, a vida.

Em Provérbios 23,26, Deus nos diz: “Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Jesus diz em Mt 7, 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque é larga a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida! E quão poucos são os que acetam com ele!”.

Santo Tomás de Aquino diz que é preferível andar devagar e mancando no caminho do bem a correr no caminho do mal.

Jesus pede em Mt 5,48 que sejamos perfeitos como o Pai celeste é perfeito, e 1 Pd 1,16, que sejamos santos (ou seja, que escolhamos o caminho apertado do bem) como Deus é Santo.

Quem escolhe o caminho do bem, escolhe Jesus, estará construindo sua casa sobre a rocha (Jesus), como diz Mt 7,24-27; Lc 6,47-49, e não sobre a areia (o pecado, o egoísmo). Vento algum poderá derrubá-la.

h)- A CASTIDADE

Jesus foi contra o adultério. João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes (Mc 6,17-29). Nenhum relacionamento sexual é permitido fora do casamento, como pode ser lido em Mt 5,27-32; Tg 4,4; Mc 6,17-29. Em João 8,11 Jesus perdoou a mulher adúltera, mas foi bem claro quando exigiu dela que mudasse sua vida: “Vai e não peques mais”.
Este é um assunto muito difícil, principalmente num mundo tão hedonista (=que ama o prazer pelo prazer) como o de nossa época, em que o sexo é idolatrado.

 É necessário não só muita vigilância e oração, mas também muita humildade para reconhecermos nossas fraquezas e limites nesse campo. Se não tivermos cuidado podemos também ser caluniados e, nesse campo, a calúnia pode nos levar facilmente à prisão e estragar nossa caminhada. Afirmo e repito: neste assunto, “todo cuidado é pouco”.

Quanto ao homossexualismo e desvios em geral, a Igreja é bem clara: fora do casamento entre um homem e uma mulher, qualquer tipo de relacionamento sexual é pecado. Sem exceções. Os que sofrem esses distúrbios devem procurar uma vida casta, fortificando-se pela oração, vigilância e trabalhos que sublimem os impulsos sexuais. Nunca é tarde para recomeçar.

Levar uma vida casta hoje em dia é muito difícil, mas é algo muito compensador: o nosso relacionamento com Deus e com os (as) irmãos (ãs) se estrutura numa amizade sólida e forte, a paz inunda nosso ser de tal forma que nos enleva ao paraíso mesmo em vida. Passamos a ver as pessoas com outros olhos, sem aquela malícia de quem pratica esses atos indiscriminadamente. 

As tentações são fortes em certas ocasiões, em certos dias, mas depois se enfraquecem e nos deixam um pouco em paz. Esses dias de paz compensam todos os dias de tentações, se as vencermos.

i)- OS MANDAMENTOS

Os três primeiros se referem a Deus. Os outros sete se referem a nós e ao nosso relacionamento com as pessoas:

I- EM RELAÇÃO A DEUS

1-Amar a Deus sobre todas as coisas;

Ou seja, nada do que existe pode tomar o lugar de Deus em nossa vida. As idolatrias atuais, como o apego ao poder, dinheiro, prazeres, são pecados graves
.
2- Não tomar seu santo nome em vão;

Nunca falar o nome de Deus em piadas, em brincadeiras ou qualquer coisa que não seja séria. Nunca jurar pelo nome de Deus nem por nada. Seja o nosso sim sim, o nosso não, não.

3- Guardar os domingos e dias santos;

Isto implica em prestar culto a Deus aos domingos, dias santos e sempre que for possível. Quando não pudermos fazer isso no domingo, façamos num outro dia livre.

II- EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO

4- Honrar pai e mãe;

Honrar significa, principalmente, nunca deixar faltar nada aos pais, tanto material como espiritualmente; se os pais ficarem esclerosados, não abandoná-los. Se for necessário a internação numa casa de repouso, que seja digna, limpa e honesta. 

O quanto for possível, os pais idosos devem conviver com os filhos, ou seja, nunca serem abandonados. Lembro que não se trata apenas de obedecê-los. Depois dos 21 anos, ninguém mais precisa obedecer aos pais, a não ser em coisas proibidas por Deus ou pela Igreja.

5- Não matar;

Não só não matar, mas também não odiar, não prejudicar a ninguém, não enganar ninguém, não fazer ninguém de bobo etc. Devemos amar até os inimigos, sempre nos lembrando que amar não é gostar. Precisamos amar até as pessoas de quem não gostamos.

6- Não pecar contra a castidade;

Qualquer ato sexual consentido fora do casamento é pecado. Mesmo no casamento, nem tudo é permitido.

7- Não furtar;

Nunca prejudicar ninguém nesse assunto. Ser sempre honesto com todos. Quem rouba não tem a proteção de Deus: vai ter que se virar sozinho e isso implica em nunca ter o suficiente para viver: estará sempre procurando a quem roubar ou furtar. Os que furtam ou roubam nunca estarão satisfeitos com o que conseguiram.

8- Não levantar falso testemunho;

Isso é muito importante. No tempo de Moisés, duas testemunhas que estivessem concordando com alguma acusação poderiam condenar uma pessoa à morte! Acusar os outros é algo muito grave, principalmente as calúnias. Uma senhora foi a S. Francisco de Sales falar que havia espalhado uma calúnia contra uma pessoa. 

O santo pediu que como penitência ela espalhasse as penas de uma galinha pela cidade. No dia seguinte ela voltou para a absolvição e ele lhe pediu que recolhesse todas as penas espalhadas. Coisa tão impossível quanto reparar o dano cometido após uma calúnia.

9- Não desejar o cônjuge (homem ou mulher) do próximo;

Jesus disse que nem em pensamento devemos desejar a mulher ou o marido de outra pessoa. Qualquer pensamento nesse sentido deve ser logo combatido para não se instalar em nossa mente.
10- Não cobiçar nada que não seja seu.

Não cobiçar não significa que não podemos achar bonito ou admirar o que é de outra pessoa. O que é proibido é a inveja, o desejo exagerado de ter o que é de outros.

Jesus resumiu esses dez mandamentos, no início de seu ministério, em dois, que na verdade são três:

1-Amar a Deus sobre todas as coisas,

2- Amar ao próximo

3- Como a si mesmo.

No final de sua vida, ele resumiu os dez mandamentos em apenas um: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS TENHO AMADO” (Mc 12,28-34;Jo13,34-35)