sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 22



Nestes últimos capítulos, vamos comentar apenas alguns versículos, anotados da Bíblia de Jerusalém (BJ). Quando for de outra autoria, eu assinalo: MC= Missal Cotidiano; MD= Missal Dominical; FA=Fernando Armellini; TA - Teófilo Aparecido (eu).

v.1-2-Lucas não narra a unção de Betânia; em 7,36-50 já apresentou um fato do mesmo gênero.

v.4- Os chefes da guarda eram oficiais da polícia do templo, recrutados entre os levitas (Atos 4,1).

v. 15-Lucas adota a convenção helenística (grega) da refeição de despedida do Mestre com seus discípulos. As palavras pronunciadas por Jesus na ceia têm em Lucas lugar mais importante do que em Mateus e Marcos. Lucas parece ter concebido esses discursos à luz das primitivas assembleias eucarísticas.

v.16- A páscoa vai cumprir-se de maneira inicial pela instituição da Eucaristia, centro da vida espiritual do Reino fundado por Jesus, porém de maneira total e sem véus, no fim dos tempos.

v.17- Lucas distingue a páscoa e a taça dos vv. 15-18 do pão e da taça dos vv 19-20, para pôr em paralelo o rito antigo da páscoa judaica e o rito novo da Eucaristia cristã. Sem compreender esta construção teológica e admirados de encontrar duas taças, documentos antigos omitem o v. 20, ou mesmo o fim do v. 19. (a partir de: "que será dado por vós").

v.21-23 - Judas não foi "marcado por Deus" para trair Jesus, como muitos pensam. Ele talvez quisesse provocar a reação de Jesus ao traí-lo, pois como os demais, pensava que o messianismo de Jesus era político, ou seja, que ele fosse combater contra o poder romano e tomá-lo. Mas não era preciso que Jesus morresse na cruz. Ele nos salvaria simplesmente aceitando sua morte, fosse qual fosse. Jesus não nos salvou porque morreu na cruz, mas sim, porque ACEITOU morrer na cruz. Eu não estou inventando isto, não. Vi um texto de Maertens, que diz:

" A vontade do Pai jamais foi a morte do seu Filho. Tal atitude seria própria de um Deus sanguinário, que só se aplacaria com o sangue de um ente querido (...)Na realidade, o desígnio de Deus foi tornar seu próprio Filho participante da condição humana, com todo aquele amor necessário para que tal condição fosse transfigurada. Ora, a condição humana supõe a morte, e o Pai não a excluiu da sorte de seu Filho, a fim de que sua fidelidade à condição de homem só tivesse como limite a sua fidelidade ao amor do Pai (Maertens, comentário de Hb 10,1-10, 3ª Semana Comum, Missal Cotidiano).

v. 24-27 - Lucas coloca aqui o que Mateus e Marcos colocaram como resposta à pergunta dos filhos de Zebedeu em Mateus 20,25-28 e Marcos 10,42-45. O motivo pode ser esclarecer, neste novo contexto, as questões acerca da precedência e do serviço às mesas, que certamente se apresentavam nas primitivas assembléias litúrgicas. Confira Atos 6,1; 1Cor11,17-19; Tiago 2,24. Jesus se coloca como exemplo: apesar de sua dignidade, está no meio deles como aquele que serve.

v. 28-30- A recompensa para quem serve o Senhor é muito grande. Vale a pena ouvir e praticar o que Jesus ensinou.

v.31-34- Trecho muito importante para a Igreja Católica: "Confirma teus irmãos". "Esta palavra confere a Pedro, em relação aos outros apóstolos, um papel de direção na fé. Seu primado no próprio seio do colégio apostólico afirma-se aqui mais claramente do que em Mateus 16,17-19 (...) Ver também Jo 21,15-17, onde "cordeiros" e "ovelhas" que ele deve apascentar parecem incluir estes seus companheiros apostólicos, os quais ele supera no amor".

vv 35-38 - Este trecho é de difícil interpretação, mas talvez inteligível se o unirmos a Lucas 12,51; Mateus 10,34, quando Jesus disse que não veio trazer a paz, mas a espada à terra. Ou seja: Jesus pede que se compre "uma bolsa para comprar e um alforje para guardar víveres, que doravante não mais serão dados livremente aos discípulos; uma espada para se proteger num mundo que se torna hostil".

Há momentos em nossa vida em que nos sentimos abandonados e não sabemos o que fazer. É como os discípulos se sentiriam ao ver Jesus morrer nas mãos das autoridade. Só mesmo a ação do Espírito Santo em Pentecostes pôde lhes mostrar o caminho a seguir. Quando nos encontrarmos nessas situações, a solução é continuarmos fazendo nossa parte (a bolsa, o alforje e a espada ) e pedirmos que Deus nos oriente e nos conduza (TA).

v. 35- A oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Mostra um Jesus plenamente humano. Sua paixão se lhe apresentava na mente como algo muito terrível e difícil. Como Deus, ele poderia livrar-se daquilo tudo. A tentação do maligno é bem evidente nesses momentos últimos da vida de Jesus. Aceitar ou não a Paixão? Por isso, a oração intensa, e o conselho que oremos e vigiemos também nós em nossas tentações, para não sucumbirmos ao pecado.

v 47-53 - Lucas mostra aqui mais uma vez a bondade e a misericórdia de Jesus, ao curar a orelha do servo do sumo sacerdote decepada por algum dos apóstolos (Lucas não fala qual deles foi). "A mensagem deste gesto é transparente: o discípulo não só não pode agredir ninguém, como deve estar sempre disposto a curar as feridas provocadas pelos outros. Cura até quem lhe causou o mal e que talvez ainda queira prejudicá-lo (FA)

vv 54-62 - Colocando a prisão de Jesus só depois de seu discurso (vv 47-53), Lucas quer mostrar como Jesus dominava o acontecimento. Em João 10, 18, vemos: "Ninguém a tira (=a vida) de mim, mas eu a dou livremente. Tenho o poder de entregá-la e o poder de retomá-la". A BJ comenta: "Cristo tem em si mesmo a vida (Jo3,35) e ninguém lha pode tirar; ele a dá livremente; daí essa serena majestade, essa completa liberdade diante da morte".

No versículo 61, só Lucas nota que "O Senhor, voltando-se, fixou o olhar em Pedro", mostrando "a compreensão de Jesus pela fraqueza do seu discípulo e é o sinal do perdão que lhe concede. Lucas quer nos ensinar que não devemos nos desencorajar diante das fraquezas e dos pecados. Jesus é muito compreensivo e a todos dirige um molhar misericordioso e pleno de amor" (FA).

Quanto à fuga dos apóstolos do cenário da paixão, Lucas tenta atenuar a responsabilidade deles: não fala da fuga deles, mas diz que "se conservaram à distância" (FA).

vv 63-65 - Este trecho de Lucas é mais verossímil do que Mateus e Marcos, pois ele mostra que os ultrajes tornam-se um jogo de adivinhação, bem conhecido no mundo antigo e mesmo em todos os tempos. Lucas a coloca durante a espera da noite antes da sessão do Sinédrio, por parte da criadagem, e não depois dela, como em Mateus e Marcos, que diz serem feitas pelos sinedritas. 

vv 66-71- Lucas coloca um só comparecimento de Jesus no Sinédrio, de manhã, ao contrário de Mateus e Marcos, que colocam dois. 

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