sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 18




Lucas 18,1-8 - O JUIZ INÍQUO E A VIÚVA IMPORTUNA

Jesus compara Deus a um "juiz iníquo" talvez pelo silêncio de Deus diante de nossas dificuldades (MC). Lucas usa no versículo 1 vocabulário de S. Paulo. Veja em Rom 1,10; 12,12; 1 Tess 5,17 ("Orai sem cessar"). A justiça de Deus não é complicada como a nossa. Precisamos estar sempre ligados a ele pela oração e tudo sairá bem, embora aparentemente ele pareça estar ausente. Será que o que estamos pedindo é bom para a nossa vida eterna? Agradeço a Deus por não ter-me ouvido em muitos de meus pedidos no passado! Vejo agora que seriam desastrosos! Orar sem cessar significa estar sempre ligado a Deus para perseverarmos na fé, sem desânimo. Diz Santo Agostinho que se nós nos mantermos sem pecado e sempre agindo em favor do próximo, estamos sempre em clima de oração.

Lucas 18,9-14 - O FARISEU E O PUBLICANO

O fariseu levava um vida bem mais santa que o publicano. A sua falha foi basear-se em suas boas obras para orar, ao passo que o publicano humilhou-se e reconheceu-se fraco e pecador diante de Deus. Diz a Lumen Gentium que, sem Deus, o mundo se reduz a nada. Ninguém é grande diante de Deus. Diante de Deus, sempre estamos de mãos vazias. Para nos ajudar, para nos encher de bens espirituais, precisamos estar vazios de nós mesmos. "Olhou para a humilhação de sua serva" (Lucas 1,48). (TA e FA). Um pecado que afastou o fariseu de Deus foi o desprezo ao publicano (TA). 

Lucas 18,15-17 - JESUS E AS CRIANCINHAS

Aqui Lucas reassume a narrativa de Marcos, que abandonara em 9,50 (veja Marcos 10).
As crianças eram desconsideradas na sociedade daquele tempo e daquele povo. Ninguém lhes dava atenção. Eram "zero à esquerda". Jesus as recebe e pede aos que o seguem que sejam como as crianças, ou seja, simples e confiem plenamente em Deus, como as crianças, que dependem em tudo de seus pais. 

Lucas 18,18-30 - O RICO NOTÁVEL E A RENÚNCIA (o "jovem rico").

Trata-se talvez de uma vocação para ser apóstolo, com renúncia total de tudo. A Zaqueu, Jesus pediu a renúncia da metade do que possuía. Ao jovem Geraseno, não exigiu coisa alguma, e até lhe disse algo que não dissera a ninguém: "Diga para todos o que eu lhe fiz". 
O fato, porém, é que Jesus exige, para quem quiser segui-lo, uma renúncia de tudo e uma partilha constante a fim de que no mundo não haja mais essa diferença entre ricos e pobres. As riquezas dão uma (falsa) segurança aos ricos e, desse modo, muitos deles não sentem necessidade de Deus e vivem afastados dele.
Quanto ao camelo, era mesmo um camelo; a agulha, era mesmo uma agulha. Não podemos "ajeitar" a nosso gosto as palavras de Jesus. Quem vive na riqueza e despreza os demais, não partilha, comete injustiças, não age em favor dos outros, não vai se salvar, a não ser que Deus o permita.
v.30 - Quem renuncia a tudo e passa a depender de Deus, vive em paz. Não teme os ladrões, nem a morte, nem nada, porque não tem nada a perder: já ofereceu tudo o que possuía!

Lucas 18, 31-34 - TERCEIRO ANÚNCIO DA PAIXÃO

Jesus procura preparar os discípulos para a sua morte, e várias vezes disse que os profetas predisseram isso (Lucas 24,25.27.44; Atos 2,23; 3,18.24; 8,32-35; 13,27; 26,22s (BJ).

Lucas 18,35-43 - O CEGO NA ENTRADA DE JERICÓ

A cura de cegos sempre tem uma conotação de cegueira espiritual: os fariseus e demais autoridades eram "cegos" porque se recusaram a ver em Jesus o Salvador. Muitas vezes somos "cegos" e não vemos a presença de Deus em nossa vida. O interessante aqui é ver como os que estavam mais próximos de Jesus impediam que o cego se aproximasse dele. Quantas pessoas dificultam que outras cheguem a Jesus, com proibições, tabus, preconceitos, em nome muitas vezes de uma "pureza litúrgica", ou de um "decoro litúrgico" !


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