sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 06


 Lucas 6,1-5 : AS ESPIGAS ARRANCADAS NO SÁBADO. O problema aqui é o dia do sábado, em que não se podia fazer quase nada. O exagero do legalismo, em que a lei começou a ser imposta de modo irracional, a ponto de tornar o sábado, que seria um dia agradável, “tempo do encontro livre e amoroso entre o fiel e o Pai” (MC), e no NT através de Jesus, foi sufocado por uma enxurrada de leis absurdas e vazias.
 Como diz um documento da Igreja, “O dia do Senhor ressuscitado e elevado aos céus reúne os crentes em assembleia para torná-los sempre mais Igreja. É dia de alegria, de descanso do trabalho, de fraternidade” (RdC 116). Jesus se apresenta aos fariseus como rei, descendente de Davi. E se Davi não infringiu a lei porque estavam com fome, nem Jesus nem os apóstolos também não foram contra a lei ao pegarem as espigas para comerem. Não entro aqui em mais detalhes sobre essa lei, porque a mensagem é clara: o domingo foi feito para nós o curtirmos com a família, descansarmos, passearmos, e não para ficarmos sob uma tonelada de peso imposto pelas autoridades. Quanto ao fato de usarmos o domingo e não o sábado como dia de descanso, deve-se a três motivos:

1- Foi o primeiro dia da criação, dia que realmente existiu. O sábado não é realmente o dia em que Deus “descansou”, primeiramente porque Deus nunca está cansado; depois, porque Deus nunca está sem fazer nada: está sempre mantendo o mundo e a criação. Cada criança que é concebida, por exemplo, tem uma alma imortal criada por Deus no momento da concepção.

2- O domingo era dedicado, pelos romanos não cristãos, ao deus sol (até hoje, em inglês, domingo se chama “dia do sol” = Sunday). Era feriado e os cristãos aproveitavam para o dia de descanso e de encontro para a oração, principalmente para a Santa Missa participada por mais pessoas.

3- O mais importante, no domingo, é o fato da ressurreição de Jesus, que ressuscitou no primeiro dia da semana (portanto, domingo). Ao observarmos o domingo, estamos comemorando a ressurreição de Jesus. Não podemos usar o domingo para o pecado, nem para outras coisas mundanas que nos afastem de Deus. Se não for preciso, devemos também nos abster do trabalho no domingo, a não ser quando necessário, ou para fazer alguma caridade (por exemplo ajudar o vizinho a cobrir a casa dele, coisa muito comum na periferia, mas que sempre acaba numa gostosa feijoada...).

Lucas 6,6-11 – CURA NO SÁBADO (o homem de mão atrofiada). Achei tão bonito o comentário do Missal Cotidiano (MC) que simplesmente vou copiá-lo: “Jesus ensina curando. É bela a altivez com que 'volve o olhar sobre todos eles' e depois liberta o homem de sua doença, com vigor e autoridade. Jesus conhece o coração do homem e seus pensamentos, interpela, inquieta. Aqui está o segredo da autoridade com que ensina: não apenas ensina, mas liberta; não só conhece a lei como os outros rabis, porém conhece os homens, em sua malícia e em sua bondade; não põe no mesmo plano todas as prescrições da lei, mas põe a solidariedade e a fraternidade, a “salvação de uma vida” acima das observâncias exteriores do culto. E enquanto ele salva, os outros tramam sua ruína. Isso acontece ainda hoje no mundo”. (A.de Dominicis, Turim).

 Acrescento a ideia de que, ao curar a mão atrofiada, Jesus indica que deseja que continuemos a trabalhar sem desânimo (simbolismo das mãos), sejam quais forem as circunstâncias.

Lucas 6,12-16 – A ESCOLHA DOS DOZE Qual teria sido o critério usado por Jesus para escolher os doze apóstolos? Seria o mesmo usado para nos ter escolhido para a vocação a qual temos dado a nossa vida? Ninguém sabe! Apóstolo significa “enviado”. O termo já era conhecido no mundo grego e no mundo judaico(=sheliah). Com os apóstolos, toma o conceito de “testemunhas de Cristo, de sua vida, morte e ressurreição “ (BJ. Veja Atos 1,8).

Só Lucas diz que Jesus teve essa decisão, fez essa escolha na montanha, depois de passar a noite toda em oração. É um dos momentos mais importantes de sua missão, pois eles deveriam garantir o futuro (veja Atos 1,25). Formam um grupo, são os fundamentos do novo povo de Deus, os cristãos. A pedro, Jesus mudou o nome por estar recebendo uma missão própria. Pedro, masculino de “Pedra”, “Rocha” (=Cefas ou Kefas) (M.C). A ele foi confiado o governo da Igreja aqui na terra (ver Lucas 22,32; Mt 16,18-19)(TA) Como toda vocação, a dos apóstolos vai crescendo e se desenvolvendo aos poucos, na convivência e na familiaridade com Cristo, com os seus ensinamentos, com a experiência de sua Páscoa e com a descida do Espírito Santo (MC). Conosco não é diferente. Nossa vocação se enriquece na presença de Jesus.

O Dr Augusto Cury diz, num de seus livros, que Judas Iscariotes era o único que possuía uma estrutura adequada para ser apóstolo! Os demais, não tinham nenhum condição, pelo menos se olharmos externamente. Mas Deus olha o íntimo, o coração, e não a parte externa.

Lucas 6,17-19 – AS MULTIDÕES SEGUEM JESUS Esses versículos introduzem o “sermão da planície”, dizendo que Jesus desceu da montanha e fez esses ensinamentos à multidão das pessoas que o aguardavam. Aqui é preciso lembrar que a origem dessas pessoas e os nomes geográficos mostram um sentido de universalidade da Palavra de Deus. Não quer dizer que houvesse naquele local pessoas de todos os lugares mencionados. Aliás, Lucas repete isso nos Atos 2,5-11, em Pentecostes.

A Palavra de Deus a partir daí, foi pregada em todas as regiões do mundo. Quero lembrar aqui um ponto importante para a compreensão do modo como a bíblia foi escrita. Não podemos lê-la como se fosse um diário ou coisa parecida, ao pé da letra. Mateus coloca o “Sermão” na montanha porque é judeu e quer mostrar Jesus como um novo Moisés, dando uma nova lei, que completa a primeira. Lucas coloca o sermão na planície porque é de origem pagã e quer mostrar Jesus como Deus feito homem, que “desceu” ao mesmo nível que nós,seres humanos. O Sermão da Montanha, de Mateus, é mais completo que o de Lucas, mas aborda os assuntos com algumas diferenças de foco.

Lucas 6,20-26- DISCURSO INAUGURAL – AS BEM AVENTURANÇAS E AS AMEAÇAS. A forma deste discurso é mais breve aqui do que em Mateus, porque Lucas não fez as mesmas adições que Mateus e suprime aquilo que teria menos interesse para seus leitores não-judeus, principalmente com referência à Lei (confira Mt 5,17 a 6,18)- (BJ) . Em Mateus as bem aventuranças são oito e aqui, em Lucas, são quatro, acompanhadas dos correspondentes opostos, começados por “Ai de vós”. No v.20: Felizes os pobres; no v. 24, Ai de vós os ricos.

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