sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 05



Lucas 5,1-11 – OS 4 PRIMEIROS DISCÍPULOS
Lucas agrupou nesta narrativa:
1- Uma descrição dos lugares e uma pregação de Jesus (vv 1-3);

2- A história de uma pesca milagrosa (vv4-10a), que se assemelha à de João 21,4-11;

3- O chamado de Simão (vv 10b-11), aparentado com Mc 1,17.20. Isso torna mais verdadeira a resposta imediata (dos apóstolos) ao chamado (BJ).

v. 8 - Jesus dá a Simão o apelido de Pedro (=pedra, rocha), somente mais tarde, no cap. 6,14. É uma antecipação literária.

Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador!” A maneira de agir de Jesus faz com que o homem tome consciência da própria fraqueza (v.5-a) e indignidade (v.8), que são superadas pela fé na palavra de Jesus (v5b). Isto indica a disposição ao chamado que se concretiza em um deixar tudo (v. 11; ver também Mc 1 e Mt 4 ) (MD).

Lucas aproveita este trecho para exprimir a seu modo o primado de Pedro ( ver também cap. 22,31-32; cap 24,34): Jesus fala estando na barca de Pedro; os outros são pescadores porque chamados por Pedro (v 7) ou porque seguem Pedro, que foi constituído “pescador de homens” (v. 10, Jo 5,5-8.11). (MD)

Lucas 5,12-16 – A lepra sempre foi vista ligada ao pecado e até símbolo do pecado. Curar da lepra tem um sentido forte de perdoar os pecados. Ao Jesus tocar o leproso, ficava impuro, pela lei, e não podia entrar no templo até satisfazer as prescrições legais. Nós sabemos, entretanto, que não é Jesus que ficava impuro, mas sim o leproso que se purificava.

Assim também, ao ser batizado no rio Jordão, não é a água que o consagrou, mas sim ele, Jesus, é que consagrou a água, a água do nosso batismo.

Entretanto, Jesus não dava importância a essas leis de pureza ritual e tocava nos doentes. O doente de lepra tinha que mostrar sua cura ao sacerdote, que o liberava para retornar à sociedade. Muitas curas espontâneas eram de doenças de pele comuns, não eram lepra, e muitas vezes os doentes se curavam e, mostrando-se ao sacerdote, podiam voltar à consciência familiar.

Lucas 5, 17-26 : A CURA E O PERDÃO DO PARALÍTICO

Vejo aqui três ideias interessantes: uma delas é a de um diácono meu amigo: as pessoas que estavam na porta da casa onde estava Jesus foram egoístas e não deram passagem para o paralítico. São como certos tipos que vemos em nossas comunidades: dificultam ou mesmo impedem que nos aproximemos de Jesus e da comunidade.

A segunda ideia é a de quando Jesus perdoou os pecados do paralítico: pelas ideias do tempo ele deveria se curar, pois achavam que as doenças eram castigo pelos pecados. Se há pecado, há doença; se se perdoa o pecado, deve terminar a doença. Essa era a mentalidade. Jesus aproveitou essa ideia errada e, ao curar o paralítico, mostrou a todos, de modo “sacramental”, que perdoara os pecados do homem.

A terceira ideia é a explicação que a BJ dá para a diferença do telhado da casa. Aqui em Lucas, ele mostra uma casa típica do ambiente greco-romano (usadas na Grécia e em Roma), com telhas, ambiente esse em que vivera até então, enquanto que Marcos 2,4 mostra uma casa típica do ambiente palestinense, aliás, próprio de onde Jesus morava e pregava, com terraço, sem telhas.

Lucas 5,27-032 – A VOCAÇÃO DE LEVI

Levi é o nome hebraico de Mateus. Ele escreveu o primeiro evangelho, em aramaico, que não conhecemos, porque se perdeu. O Mateus que conhecemos surgiu depois do evangelho de Marcos e na mesma época que o de Lucas.

É de se esperar que a vocação dele não foi assim tão súbita como narra o evangelho. Se você tiver um tempinho, dê uma lida no que eu escrevi a respeito de Mateus neste blog (site), nesta mesma seção de estudos bíblicos.

Mateus provavelmente já via e admirava Jesus no seu dia a dia. O convite inesperado do mestre foi a “gota d'água” que o levou à decisão definitiva pelo seguimento de Jesus.

Como Zaqueu, ele era publicano, considerados marginais (da mesma forma que os pastores o eram), ladrões, homens sem caráter.

Jesus quebrou todas as normas e leis da época ao participar da “grande festa” dada por Mateus, onde ele misturou-se com os “pecadores”. Jesus disse aos fariseus e escribas que estava ali no meio deles não para ser contaminado e pervertido mas, pelo contrário, para ganhá-los para o Reino de Deus, pois veio “chamar os pecadores ao arrependimento” e não os “justos”. É claro que ao chamá-los de “justos”, Jesus foi bem irônico: os fariseus e escribas é que se autointitulavam “justos”, quando na verdade tinham pelo menos um pecado grave: a soberba.

Lucas 5,33-30: DISCUSSÃO SOBRE O JEJUM

Acho que podemos refletir, neste trecho, sobre um modo hipócrita de se fazer jejum hoje em dia. Diz o missal cotidiano, na Sexta-feira da 22ª semana do tempo comum, que o Cristão é o amigo do esposo, é o convidado às núpcias. Não jejua em horas fixas, segundo um calendário tradicional. Seu jejum consiste em participar vivamente na dor da paixão e morte de Jesus”.

Achei isso muito genérico. Eu diria que o jejum é bom, nos fortalece, mas não deve ater-se à alimentação: é preciso fazer um jejum PERMANENTE das coisas perigosas à nossa vida espiritual e das coisas que nos atrapalham a oração. Exemplos: tevê, internet exagerada, filmes, jogos, certas festas, más leituras, ira, preguiça, vingança, brigas, egoismo, querer sempre ser servido (a), bebidas etc.

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