sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 04


Lucas 4,1-13: A TENTAÇÃO NO DESERTO


As três tentações de Jesus são como três parábolas que devemos aplicar em nossas tentações. Na verdade, Jesus teve todas as tentações durante toda a sua vida. Lucas menciona as tentações que Jesus teve na sua Paixão (v.13).

Ao aplicar as tentações, digo, a luta contra as tentações de Jesus em nossa vida, precisamos tomar cuidado para não querer ou tentar aplicar as MESMAS tentações que Jesus teve. Seria um engano. As tentações de Jesus foram próprias de sua condição Deus-Homem verdadeiro. Não teriam sentido em nossa vida, a não ser se as vermos como parábolas, como dissemos acima.

As três se resumem nos modos errados de nos relacionarmos com três realidades: com as coisas, com as pessoas, com Deus (FA).

Jesus foi tentado a usar em proveito próprio a sua divindade, inclusive na cruz: “Desce da cruz, se és o Filho de Deus!”. Ele poderia ter usado sua divindade para resolver muitas coisas, mas para ele isso era uma tentação: ele veio para vive uma vida humana. Usar sua divindade para proveito próprio ou para sanar dificuldades seria negar o ser humano e mostrar que as soluções seriam impossíveis para os problemas propostos, já que ele mesmo não os teria resolvido.

O demônio usou da mentira para tentar a Jesus, como também a usa para nos tentar: “Tudo isto me pertence”. Na verdade, o mundo tem sido muito fiel ao demônio, mas ele mentiu a Jesus, Precisamos tomar muito cuidado com suas insinuações. Acabamos acreditando que aquele (=o caminho errado) é o único ou o melhor a seguir. Achamos que não vamos ser punidos se o seguirmos.

Prostrar-se diante do demônio, no dia a dia, é amar o pecado, adorar os ídolos atuais (sexo, poder, dinheiro, fama...) como a um deus e abandonar a confiança e a fé em Deus; é humilhar o outro, fazendo com que ele nos “adore” com o a deuses e coisas desse tipo.

Muitas vezes as pessoas se submetem ao mal ou não o abandonam para poder continuar gozando privilégios, honras e ganhar mais dinheiro.

Na terceira tentação, Jesus é convidado a se atirar do alto do templo, ou seja, a tentar a Deus. O demônio usou um trecho bíblico para seduzir Jesus. Ele quer destruir as bases de nosso relacionamento com Deus. Tentar a Deus é achar que ele tem que nos ajudar, que é obrigado a nos dar tal e qual graça, porque, por exemplo, fazemos algumas coisas boas ou porque somos cristãos.

Jesus nunca prometeu que nos livraria dos sofrimentos, mas que estaria sempre conosco. Convidou-nos a levar após ele a Cruz. E essa cruz é diferente para cada um de nós. Lucas resumiu todas as tentações de Jesus nessas três: Ele foi tentado a usar seu poder em proveito próprio (transformar as pedras em pão), a buscar meios obscuros para nos salvar talvez mais fácil para ele seguir (prostrar-se diante do demônio), e se aproveitar de sua situação de Filho de Deus para sair das dificuldades (atirar-se do templo). Nós temos tentações diferentes e essas mesmas, em menou escala. Aprendamos a ler este trecho como parábolas, a fim de sabermos o que fazer quando formos tentados.

Seria um erro de nossa parte compararmos nossas tentações com as de Jesus. As dele foram próprias de sua pessoa como verdadeiro homem, sem ter deixado de ser verdadeiro Deus. Não somos tentados da mesma forma que Jesus. Nesse assunto, vale o que diz a bíblia: Ninguém será tentado além de suas próprias forças.


Lucas 4,14-30: INÍCIO DA PREGAÇÃO DE JESUS
Lucas faz aqui um resumo do que foi a reação popular à pregação de Jesus, e não apenas o que foi o início da pregação. A reação positiva está resumida no vers. 15: “E era glorificado por todos” , mostrando assim o acolhimento que muitos lhe fizeram durante toda a sua vida, e nas comunidades primitivas, da qual de uma delas Lucas fazia parte, e não apenas no início.

Já o versículo 28 mostra a reação negativa à sua pregação, ocorrida em toda a sua vida e já na comunidade primitiva, onde viveu Lucas, lembrando-nos de que este evangelho foi escrito quase 50 anos depois dos fatos, lido já numa humanidade que se dividia entre os que aceitavam ou não a pregação apostólica.

Naquele tempo Jesus tinha mais de 30 anos e podia ler publicamente o texto sagrado. Todos os judeus adultos podiam fazem essa leitura. No sábado era feita a leitura de um trecho do livro da Lei ( O Pentateuco, ou seja, os 5 primeiros livros da bíblia) e em seguida uma passagem dos livros proféticos, que podia ser escolhida pelo leitor. Jesus escolheu esse belo trecho de Isaías 61,1-2, mostrando que chegara a hora da liberdade, a vitória sobre qualquer tipo de opressão. Isso é mostrado pela cura dos cegos, dos coxos, da miséria, da escravidão (F.A.).

v. 22-b- Muitas vezes subestimamos a pessoa do pregador, porque achamos que o conhecemos: “ Não é este o filho de José?” Não só não conhecemos as pessoas, como também, muitas vezes, as julgamos mal. Levamos um susto quando vemos aqueles lábios abrirem e pronunciarem palavras sábias, lábios muitas vezes de pessoas analfabetas e com ares de ignorância nas atitudes.

Só Deus nos conhece. Ninguém mais. Temos também a “Síndrome do irmão do filho pródigo”, recusando-nos a aceitar em nossas comunidades certos tipos de pessoas, tal como os judeus, que ouviam Jesus, não aceitavam que os pagãos, como os exemplos dados por Jesus nos versículos 26 e 27 participassem do Reino.

Se olharmos abem o trecho lido por Jesus, vemos que ele omitiu, ou seja, não leu o versículo 2b do cap. 61 de Isaías, que dizia: “(eu vim proclamar) a vingança do nosso Deus”. Jesus não veio para vingar-se de nada, não veio para condenar, mas sim, veio trazer-nos a paz, o perdão, o recomeço de uma vida santa.

Lucas 4,31-44: JESUS ENSINA E CURA EM CAFARNAUM

v32- A autoridade de Jesus vinha de sua prática de vida e da coerência do que ensinava, aliadas aos sinais que ele mostrava ao curar e atender pacientemente as pessoas.

v. 35- Jesus não admite que o maligno dê testemunho de sua divindade e por isso pede que o demônio se cale: “Tu és o Santo de Deus”.

v.36- Todas as doenças desconhecidas daquele tempo eram explicadas como causadas pelo demônio. Muitas vezes tratava-se apenas de uma doença comum. As possessões reais são muito raras, mesmo naquele tempo. É um absurdo o engodo que certas denominações religiosas fazem ao “expulsarem” todos os dias os “demônios” de várias (muitas) pessoas. Isso não existe! Se o demônio conseguir a permissão de Deus para se apossar de alguma pessoa, só mesmo uma pessoa consagrada muito santa conseguirá expulsá-lo. Se for um demônio de verdade, este falará toda a “ficha” de vida do ministro exorcista.

Expulsar o demônio implicava curar a pessoa e, por “tabela”, perdoar seus pecados. Eles acreditavam que os pecados é que levavam a pessoa a ficar doente. Ora, se Jesus curava, é porque também perdoava e, portanto, era o Messias, ou melhor ainda, era o próprio Deus. Por isso, “sua fama se propagava por todo lugar da redondeza” (v. 37).

v. 38-39- A cura da sogra de Pedro entra nesse mesmo esquema; “(a febre) a deixou” ou seja, o “espírito impuro que a deixava com febre”.

v.40- Ao raiar do dia” - início de um novo dia, novas curas, novo programa. Jesus só a muito custo conseguia um tempo só para Ele e o Pai. Ele se sentia sozinho quando no meio da multidão. Só não não se sentia só quando estava com o Pai: “...e me deixareis sozinho. Mas eu não estou só, porque o Pai está comigo” (Jo 16,32b). Nós nos sentimos sozinhos quando as pessoas com quem vivemos não comungam com o nosso pensamento, ou não nos entendem. Quantos casais se encontram nesse patamar!

Entretanto eu pergunto: será que nós procuramos entender as pessoas que vivem, trabalham conosco, ou participam do mesmo lazer? Não será nossa solidão fruto de nosso auto afastamento?

V.44- Judeia” , aqui, tem sentido amplo: todo o país de Israel. Lucas repete isso em Lc 7,17; 23.5; Atos 10, 37; 28,21)

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