sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 02



Lucas 2,1-20 : - NASCIMENTO DE JESUS

Não se sabe ao certo em que ano Jesus teria nascido, mas sabe-se que foi talvez 6 ou 7 anos antes da data oficializada posteriormente. Ou seja, não estamos no ano 2013, mas no ano 2019 ou 2020, se contarmos a partir do nascimento de Jesus. Quanto ao dia, também não sabemos. O dia 25 de dezembro foi escolhido porque era feriado em Roma, festa anual do "deus" sol, que também era festejado no domingo. Em inglês, até hoje o domingo é o "dia do sol"= Sunday. Os cristãos, ao colocar nesse dia a festa do Natal, queriam substituir a festa pagã.

Isso implica que Jesus teria morrido não com 33, mas com uns 39 ou 40 anos de idade. Para maior detalhe, consiga uma Bíblia de Jerusalém e leia o comentário. Eu não me importo muito com esses números e cálculos.

Devemos ler a narrativa do nascimento de Jesus com cuidado, sem levar tudo ao pé da letra, pois Lucas apresenta de modo maravilhoso um acontecimento que pôde ter sido corriqueiro e simples, como o nascimento de qualquer outra pessoa. Aqui trabalhamos no caminho da fé, e não da ciência. Ele o descreve como os cristãos da primeira geração o viam.
Belém era um vilarejo de pastores, considerados sem juízo, falsos, desonestos, ladrões, violentos. Foi nesse ambiente que Jesus nasceu e cresceu. Os ricos estão longe do presépio e até querem eliminar Jesus de suas vidas, por ser-lhes perturbador e incisivo nos pedidos de conversão.

V 7- “primogênito”, aqui, quer apenas mostrar que Jesus tinha os direitos e a dignidade próprias do primeiro filho. Não indica que Maria teria depois outros filhos. Quanto ao local do nascimento, provavelmente foi numa sala da casa onde morava a família de José, em que ele se hospedara (leia 1ªSamuel 1,18; 9,22; Lc 22,11). A manjedoura de animais estava colocada certamente numa parede do pobre alojamento tão superlotado que não se pôde encontrar lugar melhor para se colocar a criança. Uma piedosa lenda colocou ali dois animais, aliás, mencionados por Habacuc 3,2 (do grego) e Isaías 1,3. S. Francisco completo o presépio, como o conhecemos hoje em dia.

v. 11 – Jesus, o Senhor (Kyrios, que é a tradução para o grego da palavra “Javé” ou “Jeová”) deixou, portanto, como Palavra, o Céu e tornou-se um homem, deitado num coxo (a que enfeitamos chamando de manjedoura), situado numa casa pobre de um vilarejo de Belém, um homem pobre, cujos pais receberam em seu presépio os pastores, tão marginalizados e odiados e, em Mateus, recebendo os magos, que eram pagão também marginalizados pelos judeus, provenientes de povos desconhecidos e segundo as leis judaicas, relegados à perdição. Eis a pobreza de Jesus! Eis a misericórdia de um Deus feito homem (veja nesta seção mesmo a postagem “O Primeiro Natal”.

Lucas 2,21- A CIRCUNCISÃO.

S. Paulo diz que o Batismo é a circuncisão do coração. A circuncisão é o que conhecemos atualmente por operação de fimose. Por meio dessa cerimônia, feito de modo solene no templo judaico, o menino recebia o nome e era inserido no povo de deus. É como no Batismo, em que somos inseridos no novo Povo de Deus, além de termos nossos pecados perdoados, inclusive a falta original. Por isso é que batizamos crianças: para inseri-las no povo de Deus, da mesma forma que ocorria na circuncisão, que deixou de ser praticada por ser uma iniciação “tribal”, ou seja, algo particular de um povo: inseria a pessoa num povo determinado, no caso, o povo judeu.

Quanto ao pecado original, é muito difícil entendê-lo. Sabemos que nascemos com um tipo de “defeito de fabricação”, que é a falta original. O Batismo nos recupera, mas as consequências desse “defeito de fabricação” ficam, como as doenças, o sofrimento, a morte.
Quem estiver a fim de ler mais sobre o pecado original, acesse este link: PECADO ORIGINAL

Lucas 2,22-40 – APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO

A purificação era imposta só à mãe. A criança deveria ser “resgatada” com animais permitidos, que substituíam a criança. Pobres que eram, José e Maria resgataram Jesus com dois pombinhos. Jesus nos resgatou dando sua própria vida. Não foi substituído por animais. Por isso ele é chamado por João Batista “o Cordeiro de Deus”.

Os pais de Jesus cumpriram todas as prescrições da lei (veja Gál 4,4). Estavam plenamente inseridos na ordem social. Jesus é o Messias do Senhor, o ungido por excelência, destinado a uma obra de salvação (v.26) que cumprirá realizando em si a figura do servo sofredor.

v. 32 – Jesus coloca-nos na necessidade de decisão e isso pode dividir. Sob a luz de Jesus, tudo se torna claro e distinto, tanto o bem como o mal. Os pagãos receberão a luz (=Jesus) e caminharão no caminho verdadeiro em direção à salvação.

v.34- Sinal de contradição= os incomodados pela pregação de Jesus, que não querem se converter, praticarão as hostilidades e procurarão calar a ele e aos que o seguirem, par talvez se manterem tranquilos em sua maldade e indiferença.
v.35 – Maria está unida a Jesus não só na alegria, mas em suas dores, paixão e destino.

v. 39-4- - Jesus se encarnou de verdade, plenamente, e precisou crescer como todos, não só na estatura, mas também no conhecimento, na sabedoria e na graça de Deus, que respeitou as várias etapas de suas capacidades, variadas de acordo com as idades que ele teve; ou seja: sendo Jesus 100% homem, o pai precisou respeitas as fases de crescimento de seu Filho para, aos poucos, ir formando sua estrutura humana-divina. Havia coisas que só na fase adulta Jesus teria a capacidade humana de suportar. Lembremos sempre que ele é 100% Deus e 100% homem!

E nós? Precisamos também respeitar nossos limites, nossas capacidades, nosso caminho, para não desanimarmos. Se até Jesus precisou respeitar seus limites, quanto mais nós!

A melhor atitude para nos adequarmos a isso é a humildade, que nos leva a nos aceitar como somos, a aceitar nossas limitações e agirmos tendo em vista nossa verdadeira estrutura física, psíquica, mental, espiritual. Não podemos mentir para os outros e muito menos para nós mesmos, o que é mais perigoso. Somos o que somos diante de Deus!” (Não me lembro quem falou isso...). Desse modo, vamos fazendo o que pudermos e aos poucos nos preparando para agirmos de modo melhor, um passo por vez, sem radicalismos nem “loucuras”.

Lucas 2,41-52 – JESUS ENTRE OS DOUTORES

O correto era ir a Jerusalém três vezes por ano. José e Maria iam uma vez por ano, para celebrar a páscoa porque, talvez sendo pobres, não podiam ir mais vezes. Moravam a três dias de Jerusalém. Decerto Lucas menciona essa vez para mostrar algo especial, que acho ser o Bar Mitzvá de Jesus, além de narrar seu desencontro com os pais e seu desejo de estar no templo.

O Bar-Mitzvá, que significa “ filho do preceito”, era feito aos 12-13 anos de idade, quando o adolescente atingia a idade adulta e se comprometia a observar todos os preceitos da lei. Penso ter sido feito o Bar-Mitzvá de Jesus nessa ocasião, porque uma criança não seria recebida pelos doutores da lei, como Jesus o foi, “ouvindo-os e interrogando-os!”. Sem o B.M., ele não poderia estar fazendo isso. A criança era totalmente desprezada, como se nem existisse. Ele impressionou a todos com a sabedoria de suas perguntas e respostas e era, portanto, a primeira vez que estava podendo conversar com essas autoridades judaicas.

Outra coisa sobre os três dias em que ficou perdido é notarmos que Jesus não era muito “caseiro” e decerto ia muito às casas de seus amigos. Seus pais estavam talvez acostumados com esses pequenos “sumiços”, mas não por um dia inteiro, como dessa vez.

v. 51 – Maria não sabia tudo o que ia acontecer a Jesus. Ela ouvia Deus da mesma forma que nós, ou seja, na intimidade de seu coração. Ela não recebia visita de anjos, como poderíamos supor. Por isso diz as escrituras: “Guardava todas essas coisas em seu coração”, procurando aos poucos entender qual era o alcance daquela missão, tanto a dela como a do filho.

Quanto a Jesus, aprendeu a obedecer aos pais até o tempo oportuno (v. 51-52). Sabe, entretanto, que suas relações com o Pai ultrapassam as da família humana (v 48; veja João 2,4). Essa é a primeira manifestação de sua consciência de ser o “Filho” (Mateus 4,3).


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