sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

LUCAS CAPÍTULO 01



Lucas 1,1-4: PRÓLOGO


Lucas escreve cerca de 50 anos depois dos fatos (80d.C) e não pertence ao grupo dos que conheceram pessoalmente Jesus. É fiel à tradição e aos outros acontecimentos reais, atestados por testemunhas oculares. Procura dar base sólida à fé dos cristãos das suas comunidades.

Teófilo significa “amigo de Deus” e talvez seja, aqui, um alto funcionário que desejassem que ficasse bem informado, mas pode ser que Lucas tenha feito de propósito, dedicando os seus escritos a todos os que são ou querem ser amigos de Deus, para confirmá-los na fé.

Lucas 1,5-25 :- JOÃO BATISTA – ANÚNCIO DE SEU NASCIMENTO.

Lucas reconstituiu a atmosfera do ambiente dos “pobres”, conforme Sofonias 2,3, no qual viviam suas personagens e de onde, sem dúvida, hauriu o essencial de sua informação.

São pobres (anawin) oprimidos (aniyyim) e os profetas reclamam justiça para os fracos e os pequenos e para os indigentes. São israelitas submissos à vontade divina. João significa “Javé é favorável”.

v.15- o “Nazir” (Nazireu), consagrado a Deus, se compromete, durante o tempo de seu voto, a não beber bebidas fermentadas, não se aproximar de cadáveres (veja Números 6). Com isso recebia a força de Deus, rejeitava a vida fácil, para pertencer de modo especial a Deus.

Um menino podia ser consagrado por sua mãe, mas não se sabe se isso era feito sem limite de tempo. Ex: Sansão (Juízes 13,5-7; 14,16-17); Samuel (1 Sam 1,11- falta a abstenção de vinho). João Batista (Lucas 1,15 – falta a cabeleira longa).

Quanto à referência ao profeta Elias, não tem nada a ver com reencarnação ou ressurreição de Elias, mas um simbolismo: João tem a mesma missão que o profeta.

V 18- Zacarias pede um sinal, mas permanece incrédulo: pediu sem convicção de que lhe seria dado. Por isso fica mudo.

V 24- A esterilidade era considerada desonra e até mesmo um castigo (Gn 30,23; 1 Sm 1,5-8; 2 Sm 6,23; Os 9,11).

Lucas 1,26-38: A ANUNCIAÇÃO

A anunciação do anjo a Maria indica o cumprimento da promessa feita em 2 Sm 7,14-16; 1 Cr 17,12-14. Em Jesus todas as promessas se realizam. Jesus está na linha davídica através de José (v. 27). Em cumprimento de Is 7.14, uma virgem, permanecendo virgem, dará à luz um filho.

(FA)- A obra da Salvação é exclusiva de Deus, embora não se dê sem a colaboração humana, aqui representada pela orientação de Maria.

(BJ)- A representação da concepção de Jesus se inspira em diversas passagens do AT (Juízes 13,2-7), o que implica que possa ter sido um pouco diferente do que disse Lucas.

(TA)- Veja por exemplo Mt 1,18, em que Maria percebeu que estava grávida sem ter tido encontro íntimo com José. A aceitação, o “Sim” de Maria ocorreu durante toda a sua vida, e não apenas naquele momento. O que Deus fizesse nela ou com ela estaria já implicitamente aceito por ela.

Quanto à palavra “Ave”, em certas traduções, significa “Alegra-te”: “Alegra-te, cheia de graça” (v. 28).
v 35- “O Espírito Santo te cobrirá com sua sombra”- Como na nuvem luminosa de Êxodo 13,22; 19,16; 24,16, ela evoca a presença de Deus. Na concepção de jesus tudo provém do Espírito Santo.

Lucas 1,39-45 – A VISITAÇÃO

(TA) – A meu ver, no versículo 42: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” - temos a confirmação de que Maria é a mãe de Deus pois, como diz a BJ, “Kyrios”, “Senhor”, é o “Título divino de Jesus ressuscitado” (Atos 2,36; Fil 2,11) que Lucas atribui a Jesus desde a vida terrestre, com mais frequência que Mateus e Marcos (Lc 7,13; 10,1.39.41; 11,39). Kyrios também é a tradução, para o grego, de Javé e Adonai.

Neste trecho precisamos nos lembrar que nem tudo na bíblia ocorreu exatamente como é narrado: é um texto catequético, e não um tipo de diário do que aconteceu. Assim, é preciso entendermos o texto de forma mais ampla.

A paz, aqui, é a síntese de todos os bens prometidos por Deus.(veja Salmo 72,7; Isaías 9,5). Ao saudar Isabel, Maria quis lhe dizer que chegara ao mundo o tão esperado Messias e a paz prometida. Jesus manda-nos saudar com a paz aos que nos receberem (ver Lucas 101,5: “Paz a esta casa”).

Bendita és tu entre as mulheres”: Maria é um instrumento fraco e simples que Deus utiliza na obra da Salvação. Maria é omo a Arca da Aliança: Deus não mora mais numa arca, mas dentro de uma mulher (2 Sm 6,10-11).

Maria pôs sua confiança total em Deus, que cumpriria sua Palavra, com tantos sinais falsos de sua ausência. Maria não precisa demonstrações nem sinais para acolher a Palavra, e em seu caso, de acolhê-la dentro dela. Neste trecho, podemos também refletir sobre a disposição que ela tem para se colocar a serviço de Isabel, já idosa para ter filhos. Talvez tenha ficado com ela até à circuncisão de João Batista.

Lucas 1,45-56:- O MAGNÍFICAT

É inspirado no cântico de Ana, de 1 Sam 2,1-10 e em outras passagens do AT: pobres e pequenos socorridos e os ricos e poderosos deixados à própria sorte; Israel é objeto da graça de Deus desde a promessa feita a Abraão. É o canto de celebração alegre e o resumo de toda a História da Salvação, em que os pobres e humildes são exaltados e objeto do amor misericordioso de Deus. Quanto mais nos esvaziamos de nós mesmos e de tudo o que não for Deus, mais nos plenificamos com ele.


Lucas 1,57-66: NASCIMENTO E CIRCUNCISÃO DE JOÃO BATISTA

Texto sem dificuldades de interpretação. Sobre a mudez de Zacarias, o termo “Kôphos” significa surdo-mudo. É por isso que ele também não ouvia e precisou ser perguntado por meio de sinais (v. 62). João significa “José favorece”. Zacarias recuperou a palavra porque os fatos se realizaram segundo a Palavra de Deus (Lucas 1,20). A mão de Deus estava com aquela criança (MD). (1 Sam 24,6)

Lucas 1, 67-80: - CÂNTICO DE ZACARIAS
Peça poética colocada por Lucas nos lábios de Zacarias acrescentando os versículos 76-77.
Encerrando este primeiro capítulo de Lucas, vemos como com Jesus veio também a alegria do céu, pois Ele é a segunda pessoa da Santíssima Trindade. É Deus que se fez homem. Para os que o receberem, Ele os tornará filhos de Deus (Jo 1,11-12).

Seria bom agora você ler o 1º capítulo todo de S. João, pois o que Lucas disse em cenas teatrais, João o disse de modo teológico. A verdade pode ser dita de várias maneiras, mesmo com elementos estranhos ao fato ocorrido. É o que Lucas fez, ao ilustrar com tantas cenas “teatrais” aquilo que realmente aconteceu. Na anunciação, por exemplo, Mateus substitui todo o cenário de Lucas simplesmente dizendo: “Maria achou-se grávida por obra do Espírito Santo”. Só isso. Mas disse a mesma coisa que Lucas, que estendeu isso por vários versículos, narrando a anunciação de um anjo, como era comum em pessoas importantes, como João Batista, Sansão, Samuel. Em Mateus, o anjo aparece não a Maria, mas a José, e em sonho. E José acreditou no sonho! Quanta fé! Tanto por parte de José como por parte de Maria.

É preciso nos acostumarmos com a ideia de que Deus nos fala por meio do dia a dia, do mesmo modo que falava a esse pessoal da bíblia. Acontece que essas pessoas tinham uma fé mais pura do que talvez tenhamos, e agiam “Como se visse o invisível”(Hb).

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