sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

EVANGELHO DE LUCAS - INTRODUÇÃO

Não sou biblista, nem exegeta, nem teólogo. Estas reflexões são baseadas na minha caminhada em tentar entender a Palavra de Deus para aplicá-la à minha vida diária. O que não é próprio meu é da Bíblia de Jerusalém e de Fernando Armellini.

Lucas é um escritor de grande talento e de alma delicada, e narra seu evangelho de forma cativante, preocupando-se muito com a informação e a ordem (ver Lc 1,3), embora isto não signifique que seus dados sejam mais históricos que Mt e Mc. Dos que escreveram os Evangelhos, Lucas é o único não judeu, natural de Antioquia. Era médico. Após a conversão, acompanhou S. Paulo em suas viagens apostólicas, e muito do que escreveu foi inspirado pelas pregações do Apóstolo.

Baseou-se, também, no Evangelho aramaico de Mateus, que se perdeu, e em outras coleções anteriores que falavam sobre Jesus e seus ensinamentos.

Omite os episódios que não interessam a seus leitores pagãos (=não judeus), ou que sejam duplicatas.
Para Lucas, a Salvação se realiza em Jerusalém, cidade santa. Foi lá que o Evangelho começou e terminou, e de onde começou a evangelização do mundo (Ver Lucas 24,47 e Atos 1,8). É a subida de Jesus e de todos os cristãos para Deus.

Lucas evita ou atenua o que possa chocar a sua sensibilidade e/ou a dos leitores, também o que possa ser pouco compreensível, poupa as pessoas dos Apóstolos, omitindo ou desculpando-os de coisas que mostrem a fraqueza deles. Ele interpreta os temos mais obscuros e torna mais precisa a geografia.

É influenciado pela sua própria psicologia e modo de ver as coisas e por seu mestre Paulo. Salienta a misericórdia de Jesus para com os pecadores e gosta de contar cenas de perdão. Insiste com prazer sobre a ternura de Jesus para com os humildes e os pobres, enquanto que os orgulhosos e os ricos gozadores são severamente tratados. A condenação, justa, só é aplicada após pacientes prazos de misericórdia. É preciso apenas que a pessoa se arrependa, renuncie a si mesma, num desapego decidido e absoluto, mostrando uma "generosidade exigente", principalmente pelo abandono das riquezas, pela oração (muito necessária) e pelo seguimento do exemplo de Jesus.

O Espírito Santo ocupa um lugar de primeiro plano que somente Lucas salienta, como em S. Paulo e nos Atos. Tudo isso com a atmosfera de reconhecimento pelos benefícios divinos e de alegria espiritual dando à obra de Lucas este fervor que toca e aquece o coração.

Ele privilegia o lado humano de Jesus Cristo e a pobreza como modo de vida do cristão. Dizem os críticos que ele é o que mais caprichou na parte literária, devido ao seu grande conhecimento da língua grega (língua em que os evangelhos foram escritos), e que seu esmero em escrever e detalhar os fatos vem da própria prática de sua profissão. Seu evangelho surgiu entre os anos 75 e 80 de nossa era.
Morreu mártir, em idade avançada. Sua festa é celebrada no dia 18 de outubro, e por isso é o “dia do médico”, que era sua profissão.

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