sábado, 11 de fevereiro de 2012

2- MARIA, A INTERCESSORA

DOUTRINA- MARIA-18- INTERCESSORA
(07/01/2013)
Li um trecho sobre Maria no livro do Cardeal Van  Thuan, preso por 13 anos no Vietnã, sendo 9 de solitária (de 15/08/1975 a 21/11/1988), e foi esse trecho que me inspirou escrever este texto. De todos os contatos que Jesus fez, o contato com sua mãe, Maria, foi o mais íntimo. Ninguém teve tanta intimidade com Jesus quanto Maria. É só pensar um pouco em todo o cuidado que ela teve com ele desde antes do nascimento até a fase adulta, quando ele praticamente saiu de casa para pregar o evangelho. Diz o Cardeal, página 72 do livro "Cinco pães e dois peixes":
"Para mim, Maria é como um evangelho vivo, bem prático, de grande difusão, mais acessível que a vida dos santos (...) Maria vive completamente para Jesus. A sua missão foi compartilhar a sua obra de redenção. Toda sua glória vem dele. Isto é: a minha vida não valerá nada se me separar de Jesus!"
Sem dúvida, a Eucaristia foi o que conservou vivo e animado esse santo cardeal da Igreja em seu tempo de prisão árida, escura e solitária.
Maria não tem a onipresença (=estar em todos os lugares) e a onisciência (saber tudo o que acontece) por natureza, mas dizem vários santos que isso lhe foi concedido por Deus desde que ela entrou no paraíso. Para Deus, nada é impossível. Apenas lhe é impossível tornar Maria uma deusa. Maria não é deusa. Alguns católicos precisam tomar um certo cuidado com isso! Maria continua uma pessoa humana, com atributos especiais concedido a ela por Deus, sem falar da Imaculada Conceição, com que ela foi agraciada já aqui na terra.
Sendo assim, Deus deu um jeito de Maria ficar sabendo de nossos problemas e interceder por nós junto a Jesus, que é nosso único intercessor junto ao Pai. Podem confiar nela! E como diz uma frase em Aparecida, "Peça à Mãe que o Filho atende!".
Não posso afirmar teologicamente, só mesmo por meio do "achismo", mas acho que o nosso Anjo da Guarda tem muito a ver com o "leva e traz" de orações e pedidos. Quando rezo pedindo a intercessão de algum santo, por exemplo, talvez seja o nosso Anjo quem leva a ele o recado, o pedido. Com Maria também pode ocorrer esse processo. Em Fátima, um anjo veio antes de Maria preparar o ambiente com a Lúcia, Jacinta e Francisco. De qualquer forma, sei que Maria recebe nossos pedidos e anseios e nos ajuda.
Diz o Cardeal Van Thuan, no livro citado, página 81:"Se escutarem Maria, vocês não perderão o caminho. Em qualquer coisa que empreendam em seu nome, não fracassarão. Honrem-na e alcançarão a vida eterna!".
Van Thuan rezava muito a Maria e sempre foi atendido, mostrando serem verdadeiras as palavras acima. Não só pedia a Maria, mas também se oferecia a ela como seu servo: "Mãe, que posso fazer por ti? Estou pronto a cumprir tuas ordens, a realizar tua vontade para o reino de Jesus". E explica o resultado dessa oração:
"Então uma paz imensa invade o meu coração, não tenho mais medo"(págs 69 e 70). Não era fácil a vida dele naquela prisão!
O momento em que ele mais se sentia filho de Maria, e unido a ela, era na Santa Missa, quando pronunciava as palavras da consagração. Nesse instante, na verdade, o sacerdote é identificado com Jesus Cristo, "in persona Christi", "na pessoa de Cristo".
Meditando esse trecho, imaginei o quanto o sacerdote é privilegiado quando, por alguns instantes, durante a Missa, torna-se o próprio Jesus, filho de Maria, o mesmo que esteve em seu ventre durante nove meses, o mesmo que foi por ela amamentado por vários anos, pois naquele tempo e lugar as mães amamentavam os filhos por seis anos!
Entretanto, é o mesmo Jesus que, na tristeza, ela viu morrer na cruz.
Sinto muita  ternura e alegria ao cantar a música de um padre já falecido, o Pe. Ricardo Dias Neto, lembrando-me desse instante maravilhoso em que eu me torno Jesus, filho de Maria, na Santa Missa:
"Ia longe o dia, em Jerusalém, junto à cruz, Maria. Tão triste, não vi mais ninguém. Quero, Maria, ser teu Jesus, mesmo que um dia morra na cruz! Quanta dor sentias, Mãe, ao contemplar, teu Jesus querido, na cruz, meus pecados pagar. Desde aquele dia, jamais encontrei ser igual Maria. Tão triste, não vi mais ninguém!".
Entretanto, um tremor percorreu-me o corpo todo. Quanta responsabilidade tem o sacerdote em tornar-se Jesus, mesmo que por apenas alguns segundos!
Quanta pureza deve ele ter no coração! Quanto amor e partilha em relação ao próximo! Sim, pois como pode alguém ser Jesus e ao mesmo tempo individualista, hipócrita, tendencioso, lascivo, comilão, aburguesado, acomodado, curioso, fofoqueiro, bajulador, simoníaco, agressivo, impaciente, irado, se faz acepção de pessoas, imortificado, incapaz de amar e de deixar-se amar, se julga as pessoas?
Sinto na pele o que diz Hebreus 12,10: "Deus nos purifica para que possa transmitir-nos sua santidade".
Jesus, quando esteve dentro de Maria, deixou nela todo o seu perfume. Ao chegar perto de Maria, sentimos o perfume deixado nela por Jesus.
Se seguirmos a ideia do Cardeal Van Thuan, de que naquele momento que o sacerdote celebra a Missa, no momento da Consagração, ele é o próprio Jesus, e filho não só adotivo, mas legítimo de Maria, então... Jesus deixará também nele seu perfume!
Aliás, isso se aplica também a todos os que comungam: tornam-se outros Cristos, recebem o perfume da santidade de Jesus, conforme diz S. Paulo numa de suas cartas: "Nós somos o perfume de Cristo".
Entretanto, se pecarmos, o mau odor do pecado cobrirá e inutilizará o perfume deixado em nós por Jesus!
O NASCIMENTO DE MARIA
O maravilhoso relacionamento de Deus com Maria, da parte de Deus, começou desde que o Pai resolveu enviar seu Filho ao mundo. Da parte de Maria, começou no momento em que sua alma foi criada e infundida no primeiro instante de sua concepção.
A primeira graça que Deus concedeu a Maria foi nesse preciso momento, pois Ele permitiu que ela fosse concebida sem a mancha original: "Eu sou a Imaculada Conceição", disse ela a Bernardete.
Nossos primeiros pais tiveram a promessa do salvador e de sua mãe (Gn 3,15). De fato, Maria já iniciou sua vida vencendo a "serpente", ou seja, Satanás. Ela o venceu durante toda a sua vida, e deu à luz o Salvador, que o venceu definitivamente. Quando acolhemos Jesus em nossa vida e fazemos sua vontade, que é também a do Pai, nós também vencemos o mal, fortalecidos pela graça de Deus.
Maria norteou toda a sua vida, diz o Cardeal, em três palavras (pág. 73): ECCE, FIAT, MAGNIFICAT.
ECCE :- "Eis a escrava do Senhor" (Lc 1,38);
FIAT:- "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38)
MAGNÍFICAT:- "Minha alma engrandece o Senhor"(Lc 1,46).

A FUGA PARA O EGITO
“José levantou-se de noite, pegou o menino e a mãe dele e partiu para o Egito. Aí ficou até à morte de Herodes”. (Mt 2,14).
Na verdade, o rei Herodes durou apenas mais quatro meses após a fuga da família sagrada para o Egito, tendo morrido de doença terrivelmente maligna.
Tive a felicidade de estar no Cairo, no lugar onde a Sagrada Família teria ficado: uma pequena gruta, atualmente sob uma igreja. Há, entretanto, alguns estudiosos que dizem talvez terem eles ido apenas para algum povoado fora da jurisdição de Herodes, e não necessariamente para o Egito, haja vista que “ir para o Egito” era uma expressão que significava ir um pouco mais longe do lugar onde se estava.
O importante, nesse fato da fuga de José, Maria com o menino, é o problema que devem ter tido na viagem. À noite, com aquele frio, sem conforto algum, sem muito alimento...
Maria, com o menino Jesus no colo, montada num jumento...
José os guiando... aquele vento frio cortando e assobiando nos ouvidos... a areia do deserto...
Durante o dia seguinte, um calor sufocante, a sede, a fome, o desconforto!
Depois que chegaram, não sabemos onde e como viveram. Há essa gruta, lá no Cairo, mas se realmente viveram ali, foi um local bem pobre. E como ganhavam dinheiro para se alimentarem?
Seja como for, tenham enfrentado o sacrifício que fosse, estavam juntos, Jesus, Maria, José! Quando Jesus está presente, nada nos pode perturbar nem entristecer. José, o mais feliz dos homens, caminhava e vivia com Jesus e Maria!
Tenhamos sempre em nossa vida essas duas companhias! Jesus sempre nos atende, quando pedimos por meio de Maria. Jesus é o único intercessor junto ao Pai, mas nossa oração será mais bem acompanhada se convidarmos nossa Mãe querida a rezar conosco!
Pedir por meio de Maria, ou por intercessão dela, nada mais é que pedir que ela se uma conosco, em nossa oração”! É como em Atos 1,14, que nos relata que os discípulos oravam juntos com Maria, aguardando o Espírito Santo.
A PURIFICAÇÃO DE MARIA E A APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO
As palavras de Simeão (Lucas 2,22-35), ao profetizar que uma espada trespassaria o coração de Maria (vers. 35), deixaram-na preocupada. Não com o seu próprio sofrimento, mas com o sofrimento de seu Filho divino. A dor que ela sentiu deve ter sido muito forte! Seu coração de Mãe, tão unido ao do seu Filho, percebia que a vida deles seria difícil! Mas havia nela a graça plena de Deus: “Alegra-te, cheia de Graça! (Lc 1,28). e nada do que acontecesse poderia tirar-lhes a paz e a alegria em Deus.
A purificação de Maria foi apenas ritual, para cumprir a lei, pois ela nasceu pura e o foi por toda a vida.
Ofereçamo-nos sempre a Deus, consagremo-nos sempre ao Imaculado Coração de Maria, a fim de que possamos vencer, como ela própria venceu, qualquer problema ou tentação que aparecer em nossa vida. O amor de Jesus e de Maria é que nos dão toda a força de que precisamos.
Nas visitas aos doentes, vemos que muitos vivem felizes, apesar de suas doenças. Geralmente são os que rezam e amam muito os Sagrados Corações de Jesus e Maria.
O Santo Cura D' Ars, S. João Maria Vianney, dizia que “Depois de Jesus, o meu primeiro amor é por Maria”. (citado por Van Thuan, obra citada, pág. 84).
A PERDA E O ENCONTRO DE JESUS
Jesus devia ser um adolescente muito “rueiro”, ou seja, acho que não parava muito em casa. Talvez gostasse muito de ir “bater papo” com os vizinhos, com seus amigos e colegas.
Estou dizendo isso baseado no fato de que só após um dia de viagem é que José e Maria perceberam sua ausência! Vejam a citação bíblica em Lucas 2,43-52. Vou transcrever apenas algumas frases: “Ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando eles, porém, que Jesus vinha com outras pessoas pelo caminho, andaram caminho de um dia e procuraram-no entre parentes e conhecidos”.
A gente pensa, às vezes, que Jesus era um menino bem comportadinho, caseiro, que não conversava com ninguém. Essas passagens da Escritura Sagrada nos mostram o contrário.
Outro engano que cometemos é achar que Jesus estava “ensinando” os doutores do templo, como a catequista lia ao rezar o quinto mistério gozoso. Não é bem assim que está escrito”! Lá diz que Jesus estava entre os doutores “ouvindo-os e interrogando-os”. (v. 46). Isto é: Jesus estava aprendendo, como qualquer adolescente! E o desfecho dessa passagem também mostra o aprendizado: “Jesus desceu com seus pais e foi para Nazaré e era-lhes submisso. E sua mãe guardava todas essas coisas no coração.”
Se perdermos Jesus durante nossa caminhada, procuremos aprender dele, como Ele mesmo aprendeu, e o encontraremos novamente. Perdemos Jesus quando insistimos em continuar no caminho do pecado.
O Cardeal Van Thuan diz, à página 85 de seu livro já citado: “Há uma só maneira de se tornar santo: a graça e Deus e a tua (=nossa) vontade (1Cor 15,10). Deus não te (nos) deixará faltar a sua Graça: mas a tua (nossa) vontade, será ela bastante forte?”
Muitas vezes muitos não conseguem prosseguir no caminho da santidade porque só esperam na Graça de Deus, mas não se empenham, como diz o autor da frase acima, em deixar as ocasiões de pecado. É preciso vigiar e orar para não cairmos em pecado: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).
O Dr. Lair Ribeiro diz, em seu livro “Comunicação Global”, à página 225: “É uma insanidade mental alguém continuar fazendo o que sempre fez e esperar resultados diferentes”.
Maria soube levar isso em frente com muita sabedoria. Ela possuía a graça de Deus, mas se não pecava, era pela força de vontade, uma vontade férrea, baseada no amor de Deus. Sem essa vontade firme, sem essa vigilância de Maria, de nada teria valido a Graça de Deus. E essa vontade firme de Maria provinha de suas orações constantes, sua vida dedicada a Jesus e ao Pai, pelo Espírito Santo. Na verdade, sua vida era uma contínua oração.
Hebreus 12,4, nos adverte: “Ainda não resististes até o sangue na luta contra o pecado.”
Irmão (ã) leitor (a), acredite: não há modo mágico de ficar sem pecado. Deus respeita muito o nosso livre arbítrio, Ele nos dá a sua graça, mas nós temos que fazer a nossa parte: temos que nos decidir radicalmente e de uma vez por todas por uma vida santa, sem nenhum pecado. “Vigiai e orai”. Não só a vigilância, não só a oração, mas as duas coisas. Jesus, que era Deus, precisou submeter-se ao aprendizado e ouvia e perguntava muito para aprender. E nós: Estamos ouvindo e vigiando?

Muitos santos eram pecadores, como S.Paulo, Sto. Agostinho, Sta. Maria Madalena, mas resolveram recomeçar suas vidas. Temos muitas fraquezas, mas devemos recomeçar sempre, sem preconceitos e sem extremismos. O único extremismo que devemos ter é contra nós mesmos, procurando sempre lutar e recomeçar, mesmo que tenhamos no passado sido grandes pecadores. Eu me incluo nessa lista. E que Deus nos fortaleça!

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