sábado, 26 de janeiro de 2013

IGREJAS QUE SE PASSAM POR CATÓLICAS


NOTA PASTORAL DA PRESIDÊNCIA DA CNBB SOBRE ALGUMAS QUESTÕES RELATIVAS AO USO INDEVIDO DOS TERMOS: CATÓLICO, IGREJA CATÓLICA, CLERO E OUTROS

A CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB, na defesa da verdade e da liberdade, considerou oportuno publicar a presente Nota Pastoral, destinada aos membros do episcopado, do clero, aos religiosos e a todos os fiéis leigos.

O uso de nomes, termos, símbolos e instituições próprios da Igreja Católica Apostólica Romana, por outras denominações religiosas distintas da mesma, pode gerar equívocos e confusões entre os fiéis católicos. Nestes casos o uso da palavra “católico”, “bispo diocesano”, “vigário episcopal”, “diocese”, “clero”, “catedral”, “paróquia”, “padre”, “diácono”, “frei”, pode induzir a engano e erro.

Pessoas de boa vontade podem ser levadas a frequentar tais templos, crendo que se trata de comunidades da Igreja Católica Apostólica Romana, quando na verdade não o são. Por essa razão a Igreja tem a obrigação de esclarecer e alertar o Povo de Deus para evitar prováveis danos de ordem espiritual e pastoral.

Assim, temos o dever de alertar os fiéis católicos para a existência de alguns grupos religiosos, como é o caso da auto intitulada “igreja católica carismática de Belém” e outras denominações semelhantes, que apesar de se autodenominarem “católicas”, não estão em comunhão com o Santo Padre, Papa Bento XVI, e não fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Por esta razão todos os ritos e cerimônias religiosas por eles realizadas são ilícitos para os fiéis católicos.

Assim sendo, recomenda-se vivamente aos féis que não frequentem os edifícios onde eles se reúnem e nem colaborem ou participem de qualquer celebração promovida por esses grupos. Rezemos para que a unidade desejada por Jesus Cristo, aconteça plenamente.

Brasília-DF, 30 de novembro de 2011

Cardeal Raymundo Damasceno de Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luis
Vice Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A NOSSA VIDA DE NAZARÉ


    
      Para você sentir a presença de Deus em sua vida, você que vive como Jesus viveu por trinta anos em Nazaré, ou seja, uma vida de oração, contemplação e trabalho, faça diariamente a Consagração e reze (ore) pelo menos durante duas horas diariamente e, naturalmente, faça tudo para conservar-se num caminho de santidade, na caridade e evitando os pecados. Tudo o que há neste bloguinho é para ajudar você a executar essa tarefa de santificação pessoal e ajudar os demais a se santificarem.
    Todos nós temos nossos pecados, mas precisamos confiar plenamente na Misericórdia divina. Isso implica, é claro, mudarmos nossas vidas de tal forma que tudo o que fizermos agrade a Deus.
    
     Um acontecimento inesperado de sofrimento pode ocorrer em nossa vida, como ocorreu na minha. Aproveitemos esse acontecimento para nos purificar, para tomarmos a resolução sincera e corajosa de recomeçar a nossa vida abandonando tudo o que não agradar a Deus. É difícil e, às vezes, até impossível, sem a ajuda de Deus.

     Por isso eu insisto nessas duas horas diárias de oração: é quase o dízimo de um dia (24 horas). O dízimo de 24 horas seria 2 horas e 24 minutos. Com esse “dízimo” de oração a Deus, pelo nosso maravilhoso dia, estaremos nos colocando sob sua proteção, sentiremos sua presença e estaremos sempre felizes, aconteça o que acontecer à nossa vida. Eu me considero o cara mais feliz do mundo, apesar de todos os problemas.
     Gosto muito do trecho em que São Paulo Apóstolo fala: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que O haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que ficaram para trás, e avançando para que estão diante de mim, prossigo em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus” (Filipenses 3,13-14).

   As lições de Nazaré (Do Papa Paulo VI, homilia da Sagrada Família)
    Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho.
Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa manifestação tão simples, tão humilde e tão bela, do Filho de Deus. Talvez se aprenda até, insensivelmente, a imitá-lo.
     Aqui se aprende o método que nos permitirá compreender quem é o Cristo. Aqui se descobre a necessidade de observar o quadro de sua permanência entre nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo de que Jesus se serviu para revelar-se ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem um sentido.
     Aqui, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo do Cristo.
     Ó como gostaríamos de voltar à infância e seguir essa humilde e sublime escola de Nazaré! Como gostaríamos, junto a Maria, de recomeçar a adquirir a verdadeira ciência e a elevada sabedoria das verdades divinas.
     Mas estamos apenas de passagem. Temos de abandonar este desejo de continuar aqui o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. Não partiremos, porém, antes de colher às pressas e quase furtivamente algumas breves lições de Nazaré.
     Primeiro, uma lição de silêncio. Que renasça em nós a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito; em nós, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna barulhenta e hipersensibilizada. O silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê no segredo.
     Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é sua função primária no plano social.
     Uma lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “filho do carpinteiro”! É aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei, severa e redentora, do trabalho humano; aqui, restabelecer a consciência da nobreza do trabalho; aqui, lembrar que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais que de seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim. Finalmente, como gostaríamos de saudar aqui todos os trabalhadores do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo nosso Senhor.







sábado, 19 de janeiro de 2013

RELIGIÃO: PROBLEMA OU SOLUÇÃO?




Segundo a renomada pesquisadora de história e autora do livro Usos e Abusos da História, a canadense Margaret Macmillan: “A religião não desempenha mais o papel importante que teve outrora, quando ditava padrões morais e transmitia valores. As congregações, que eram
determinantes nas velhas igrejas, perderam a força de forma drástica. É verdade que existem igrejas evangélicas poderosas por toda parte, mas elas servem muito mais como entretenimento e socialização do que como religião. Segundo pesquisas, milhões de pessoas que se declaram cristãs renascidas têm, com freqüência, uma idéia muito vaga do que é aquilo a que estão se filiando” (1).

O psicólogo americano, pesquisador e crítico do sistema religioso Dr. Michael Shermer afirma duas razões para não aceitar a religião como soluções para a vida: “Em primeiro lugar, a solução para melhorar a vida de gente pobre e miserável não é religião. É prosperidade econômica e social. Eles não precisam de Deus, eles precisam de comida e emprego.

Eles não precisam de religião, eles precisam de um adequado sistema de saúde, água potável, eletricidade, saneamento, moradia. De certa forma, é um insulto governos que acham razoável dizer a suas populações pobres que eles têm liberdade para acreditar em religiões que prometem que numa outra vida tudo ficará bem. Eles precisam de ajuda agora, neste mundo, não em outra dimensão. Então, neste caso, a religião não está ajudando, está ampliando o dano às pessoas que não reivindicam direitos”.

Em segundo lugar, “a religião é usada, de certa forma, para pacificar populações que, de outra forma, estariam insatisfeitas e revoltadas com a forma relapsa com que os governos as tratam. É outro aspecto negativo da religião e sua incapacidade de ajudar realmente as pessoas” (2).

SERIA MELHOR O MUNDO SEM RELIGIÃO?

Tenho uma dívida de gratidão com o cristianismo, e creio que o mundo em que vivemos nos últimos 2.000 anos também a Tem”. Essa expressão pública de aprovação do “cristianismo” foi feita pelo escritor e apresentador de TV inglês Melvyn Bragg. Suas palavras refletem a opinião de milhões de habitantes do planeta que também reconhecem ter uma dívida enorme com uma ou outra religião, e são leais a ela. Tais pessoas estão convencidas de que a religião é uma poderosa força para o bem em sua vida e salvação.

As palavras seguintes de Bragg, no entanto, levantam uma questão séria sobre se a religião como um todo tem sido realmente uma força para o bem. Ele continua: “O cristianismo também está em dívida comigo, deve- se uma explicação.” Por que ele quer uma explicação? “Por causa do fanatismo, da perversidade, da crueldade e da ignorância obstinada que também têm caracterizado boa parte de sua ‘história’”, diz ele.

Muitos diriam que o fanatismo, a perversidade, a crueldade e a ignorância obstinada macularam a maioria das religiões no decorrer da história. Do ponto de vista deles a religião apenas finge ser benfeitora da humanidade – por trás da fachada de virtude e santidade ela está na verdade cheia de hipocrisia e de mentiras.

Alguns, como o filósofo inglês Bertrand Russel, chegaram à conclusão que seria bom se, com o tempo, “todo tipo de crença religiosa desaparecesse”.
Do ponto de vista deles, o fim da religião é a única solução permanente de todos os problemas da humanidade. Talvez eles se neguem a reconhecer, porém que os que rejeitam a religião podem ser responsáveis por tanto ódio e intolerância quanto os que a defendem.

A historiadora inglesa Karen Armstrong, que escreve sobre assuntos religiosos, lembra-nos: “Entre outras coisas, o Holocausto nos mostrou que uma ideologia secularista (pode ser) tão mortífera quanto qualquer cruzada religiosa.” - The Battle for God – Fundamentalism in Judaism, Christianity and Islam
(Em Nome de Deus – o Fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e BENDITA ESPIRITUALIDADE “O homem tem necessidade que só a religião pode suprir”).

A História da Religião é tão antiga como a história do próprio homem. É isto o que nos dizem os arqueólogos e os antropólogos. Mesmo entre as civilizações mais “primitivas”, querendo-se com isso dizer as civilizações não desenvolvidas, há evidências de algum tipo de adoração.

De fato, The New Encyclopcedia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) diz que “até onde os peritos conseguiram descobrir, jamais existiu um povo, em qualquer parte, em qualquer tempo, que não fosse de algum modo religioso”.

Há milhares de anos, a humanidade tem sentido necessidade e anseio espiritual. O homem tem convivido com as suas provações e cargas, suas dúvidas, medo e indagações, incluindo o enigma da morte. Os sentimentos religiosos têm sido expressos de muitas maneiras, à medida que as pessoas se têm voltado para Deus ou para seus deuses, em busca de bênçãos e refrigério. A religião tenta também resolver as grandes questões: Por que existimos? Como devemos viver? O que o futuro nos reserva?

O historiador e antropólogo suíço Dr. Ivar Lissner, em seu livro Man, od and Magic (O Homem, Deus e a Magia) colocou isso da seguinte maneira: “Não deixa de causar admiração a perseverança com que o homem se tem esforçado, no decorrer de sua história, de ir além dos limites de si mesmo. Suas energias jamais foram orientadas unicamente na direção das necessidades da vida. Sempre procurando, tateando adiante em seu caminho, aspirando ao inatingível. Este anseio estranho e inerente no ser humano é sua espiritualidade”.

Realmente, o ser humano tem dentro de si uma força irresistível do sobrenatural. Algo que vai muito além de tudo e de todos. Desejo infinito do transcendente. “Provavelmente a espiritualidade sempre será parte da vivência humana” (3).

O especialista em Ciência Social da Religião e filósofo americano John B. Noss diz em seu livro Man’s Religions (As Religiões do Homem):

Todas as religiões dizem, de uma ou outra maneira, que o homem não vive, e não pode viver, por si só. Ele se relaciona vitalmente com os poderes na Natureza e na Sociedade exterior a ele e até depende deles.

Vaga ou claramente, ele sabe que não é um centro independente de força capaz de se apartar do mundo”.

A religião satisfaz uma necessidade humana básica, assim como o alimento satisfaz a nossa fome. Sabemos que comer indiscriminadamente quando estamos famintos pode aliviar a agonia da fome; em longo prazo, porém, prejudicará a nossa saúde. Para termos uma vida sadia, necessitamos de alimentos que sejam sadios e nutritivos, igualmente, precisamos de alimento espiritual sadio para manter a nossa saúde espiritual. 

Por isso afirma Jesus Cristo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4,4).

Ler, estudar e viver a Palavra de Deus é sem dúvida, o verdadeiro sentido da espiritualidade cristã.
O célebre cientista americano Edward Wilson, fundador da sociobiologia, ciência que estuda as bases genéticas do comportamento social dos animais, inclusive o ser humano, ele ganhou duas vezes o Prêmio Pulitzer, disse: “Religiosos e cientistas deveriam deixar de lado as diferenças. A ciência e a religião são as duas forças mais poderosa do mundo. Para ambas, a natureza é sagrada” (4).

Concorda com o Dr. Wilson o escritor e filósofo suíço Alain de Botton autor do livro “Religião para ateus”, livro em que ele defende a tese de que, mesmo sem acreditar em Deus, é possível ter fé. E mesmo sem ter fé, é possível encontrar na religião elementos úteis e consoladores que suavizam o dia a dia. Botton condena a hostilidade que há entre crentes e ateus, e diz que em vez de atacar as religiões, é mais salutar aprender com elas, mesmo quando não compactuamos com seu aspecto sobrenatural.

A mensagem fundamental da religião deve ser contra a que é fundamentalismo, e deve visar à educação, o esclarecimento e a purificação das consciências, para torná-las capazes de se abrir ao diálogo, à reconciliação e a paz. É tarefa da Igreja e das diversas religiões a construção da paz”, proclama o Papa Bento XVI (5).

O filósofo francês Blaise Pascal fez uma comparação entre as principais religiões no mundo de sua época, que não são muito diferentes das religiões de hoje. Ele constatou que existem muitos elementos comuns entre elas, dentre os quais um que merece destaque é o amor à divindade.

Este amor a Deus deve se manifestar na prática da caridade, traduzida em gestos de solidariedade para com os pobres e necessitados.

Entre os gestos de solidariedade, o mais conhecido historicamente é o da esmola, que submete o valor econômico ao religioso e possibilita colocar a pessoa humana em primeiro lugar na hierarquia de valores.

A humanidade de posse da ciência e da tecnologia, da satisfação ideológica, do prazer carnal, da realização de morar no espaço, de ser feliz pelos bens materiais e encontrar a imortalidade, mesmo assim, tem sede e fome de Deus. Só pode se encontrar consigo mesmo e com o outro para ter sentido na vida, quando seu “ser” for espaço de amor a Jesus Cristo.

Na pós-modernidade ser sábio é ser todo de Deus e promover a paz, a liberdade e a justiça para todos. A verdadeira prática do bem comum é o testemunho da caridade e o anuncio da Boa Nova, estas são atitudes que eliminam o falso sistema religioso e leva à humanidade a felicidade!

Pe. Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja
Instituto Teológico Bento XVI
Sociólogo em Ciência da Religião
E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

MacMillan, Margaret. Usos e abusos da história. Rio de Janeiro:

Record, 2010, p.35.

O Globo – Prosa. 15/09/2012, p. 3.

American Sociological Review, fevereiro de 2000, p. 2.

Veja, 17/05/2006, p.11.

sábado, 5 de janeiro de 2013

A VIRGEM MARIA-PARTE 01




MÃE DE DEUS: Maria é a Mãe de Deus, pois a humanidade de Jesus veio de Maria. Ela foi escolhida para ser a mãe do Filho de Deus, Jesus Cristo. Essas duas verdades podemos ler em Lucas 1,43: “E donde me vem a graça de ser visitada pela mãe de meu Senhor?” Não há como entender isso de modo diferente, pois essa palavra “Senhor”, em grego, é Kyrios, que se refere a Jesus glorioso, ressuscitado, plenamente Deus e plenamente homem. Não podemos separar a humanidade da divindade de Jesus. Se Maria é mãe dele, se ele é Deus, então Maria é a mãe de Deus aqui na terra. Não há por onde fugir dessa verdade.


IMACULADA CONCEIÇÃO: 

é o fato de Maria ter sido concebida sem o pecado original. Nós recebemos essa graça no nosso Batismo. Maria a recebeu em sua concepção. Em Lourdes ela revelou a Santa Bernardete que ela realmente foi concebida sem o pecado original. 

ASSUNTA AO CÉU:

 Maria foi assunta, foi levada ao céu de corpo e alma após sua morte. Essa sua assunção é a antecipação da ressurreição de todos nós. Na Bíblia há apenas a assunção de Henoc e de Elias (veja em Gênesis 5,22-24; Hb 11,5; 2ª Reis 2,11), mas provavelmente isso não aconteceu. O autor sagrado simplesmente anotou tradições orais encontradas na época, que por sua vez, visavam proteger os restos mortais desses dois profetas.

MARIA NÃO TEVE OUTROS FILHOS: 

Jesus é o único Filho de Maria. Ela foi virgem a vida toda. Jesus era seu filho único. A maior prova disso está em João 19,25-27, em que Jesus pede que João (Apóstolo) tome conta de sua mãe e diz para Maria que fosse morar com ele. Ora, se Maria tivesse outros filhos, Jesus não teria nenhuma necessidade de pedir isso a João, pois haveria seus irmãos para dela cuidarem. Todos eram obrigados a seguir essa norma: A viuva tinha que morar e ser atendida pelos filhos. Se Jesus era o único filho, então dá para entender por que ele deixou Maria aos cuidados do Apóstolo João: porque, sendo filho único, não havia nenhum irmão que o substituísse no cuidado da mãe. Essa norma pode ser vista em 1ª Timóteo 5,4; Deuteronômio 5,16 e Mateus 15,4.


Os chamados “irmãos” de Jesus são, na verdade, seus primos e parentes próximos. Em Mateus 10,2-3, por exemplo, vemos que existem dois Tiagos, um deles chamado “irmão do Senhor” (Gálatas 1,19). Ora, um deles era filho de Alfeu e o outro, de Zebedeu (confira na citação acima de Mateus). Nenhum dos dois era filho de José! 


Há outros exemplos de como os primos e até sobrinhos eram chamados de irmãos, como em Gênesis 11,31 e cap. 13,8 (combinar os dois textos), em que Abraão chama o filho de Lot, seu sobrinho, de “irmão”. Em algumas bíblias mais modernas, mudaram o nome “irmão” para “parente”; no original, entretanto, está “irmão”. Na língua hebraica e aramaica não existe a palavra “primo”. Em grego, língua do novo testamento, existe, mas só foi usado uma vez, em Colossenses4,10, “Anépsios”. Nas demais vezes, a palavra usada é “adelphos”, irmão.



OS TÍTULOS DE MARIA:-

 Quanto aos inúmeros títulos de Maria, é costume chamá-la por vários nomes, títulos, pois é nossa mãe, já que Jesus, seu Filho, é nosso irmão. São muitos títulos, mas uma só Maria, a Mãe de Deus. Não são pessoas diferentes, como muitas pessoas pensam. Assim, quando chamamos N. Sra. Aparecida, N. Sra. de Lourdes, de Fátima, da Salete, de Guadalupe, da Conceição, das Graças, de Loreto, da Paz, Rosa Mística, da Ponte, Auxiliadora, Mãe dos Homens, do Rosário, da Consolata, do Monte Serrat, do Carmo, etc, estamos chamando a mesma e única Maria, nossa Mãe querida. 


Maria, como não tem mancha alguma de pecado, reflete totalmente a maravilhosa graça de Deus, nesses seus inúmeros títulos: cada título de N. Sra. Corresponde a um aspecto dessa graça de Deus. Diz uma frase no Santuário Nacional de Aparecida: “Peça à Mãe que o Filho atende!”. Para ser devoto de Maria, temos de atender ao pedido que ela fez nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que ele (Jesus) disser”. 

Diz ainda o Pe. Fernando Cardoso (www.padrefernandocardoso.com )

1º de outubro de 2011


O profeta Baruc insiste nas acusações contra o pecado coletivo, o pecado da comunidade dos judeus. A esse respeito, desejo fazer aos leitores a seguinte observação: Nossa Senhora, nas aparições dos últimos tempos – refiro-me àquelas aprovadas pela Igreja - sempre tem insistido na penitência, na conversão e na oração pelos pecadores, pois ela é advogada dos pecadores e consoladora dos aflitos. Nossa Senhora é Mãe, não apenas dos justos e dos cristãos em estado de graça, mas é Mãe também daqueles que se desviaram. É Mãe dos pecadores, daqueles que nunca se recordaram dela e dos que nunca pronunciaram seu nome nem jamais recitaram uma Ave Maria. Nossa Senhora, Mãe solícita de cada pecador, percebe melhor do que ele a pobreza em que se encontra - pobreza, pois o pecado na realidade é um nada.


O animalzinho racional que somos - chamados do nada à divinização apesar dos pecados cometidos - diz a Deus: “Não! Eu não quero ser divinizado, prefiro permanecer no estado animal e, dessa maneira, cava a própria ruína. Nossa Senhora, que do alto da sua glória, como Mãe, contempla toda essa tragédia, bate às portas desses corações e, se não encontra nenhuma resposta por parte deles, bate às portas dos nossos corações. 


Tocados por Maria, queremos ir a Jesus, mas não desejamos caminhar sozinhos. Estendemos nossas mãos aos pecadores e continuamos a repetir a grande solidariedade que os uniu a Jesus. Santa Teresa do Menino Jesus, embora não estivesse entre os maiores pecadores, desejava, no final de sua vida, sentar-se à mesa com todos eles. Queria ir para o céu, mas não sozinha. O pecado contrário a tudo o que acabo de dizer recebe o nome de farisaísmo. É o pecado dos que rejeitam qualquer contato com os pecadores vulgares, uma vez que se julgam sem pecado, credores de Deus e superiores aos demais.


Convençamo-nos de que Jesus não veio a este mundo para redimir apenas pecadinhos sem grande estrago moral. Ele veio para todos os grandes pecadores, quaisquer que sejam suas faltas. Não há pecado, por maior que seja, que não possa ser dissolvido no detergente poderoso que é o Seu Sangue. 

O Filho de Deus também Se sentou à mesa em companhia de pecadores notórios e chegou a arrancar acusações fortes provindas daqueles que se julgavam sem pecado. Em certa ocasião, saiu em favor desses grandes pecadores, citando o Profeta Oseias: ”Misericórdia Eu quero e não sacrifício.” Existem aqueles que carregam na consciência crimes nefandos, como tráfico de drogas, corrupção de menores, pornografia, prostituição, corrupção nos níveis econômicos e políticos.

Nossos meios de comunicação os conhecem perfeitamente. De todos eles deseja Deus sinceramente a conversão, a fim de não os dever punir com a condenação eterna. Ele, hoje, os entrega às súplicas e intercessão de todos nós, para podermos tomar parte no drama de suas conversões.

Do padre Fernando, sobre a Virgem Maria.

05 de novembro de 2011

Hoje Jesus nos diz através do Evangelho de Lucas: “Vós vos considerais justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações, pois o que os homens exaltam é coisa abominável diante de Deus”. Frente a essas palavras de Jesus, colocamo-nos hoje, sábado, na presença de Maria. Maria foi a antítese de tudo isso. Não se considerava grande diante de Deus, mas sempre a menor, a escrava, aquela que humildemente realiza a vontade de Deus, quer no seu dia-a-dia, quer nos momentos grandes de sua existência.


Gostaria de acrescentar que os anos da Virgem Maria foram mais preenchidos de coisas banais e realidades cotidianas do que de momentos de grandeza e exaltação. É verdade, ela teve a visita de um anjo por ocasião da Anunciação. Mas os anjos depois desapareceram de sua vida. Maria teve que se contentar com a presença de José, com a dos pastores, do velho Simeão e de Ana.


Mais tarde sua vida se passou escondida em Nazaré. Maria não se diferenciava de nenhuma mulher daquele lugarejo obscuro. Cozinhava, lavava roupa, arrumava a casa, fazia coisas que aos olhos dos grandes não têm a menor importância. Ela nunca foi importante neste mundo. Nunca realizou um milagre, nem foi notada por quem quer que seja; a prova disso é o silêncio que sobre ela fazem os Evangelistas. Eles praticamente a ignoram. Maria viveu mais do que qualquer cristão uma vida escondida em Deus e, contudo, foi dentre todas as criaturas aquela que mais agradou ao Seu coração.


Hoje essa lição é para nós extremamente fecunda, porque Deus não exige de nós - como não exigiu dela - grandes coisas ou realizações heróicas. Deus exige de nós fidelidade, amor e perseverança no nosso dia-a-dia, ainda pontilhado apenas de pequenas coisas, pequenas ações ou pequenos momentos que, aos olhos do mundo, não têm importância alguma.


A Virgem Maria ensina-nos hoje que Deus abate os poderosos, depõe os orgulhosos de seus tronos e eleva os humildes. Procuremos imitá-la na humildade do nosso quotidiano. Nossa vida assemelha-se à da Virgem de Nazaré. Não vivemos de coisas espetaculares e o extraordinário acontece raras vezes. É nesse estado que nos encaminhamos para Deus. A vida da Sagrada Família de Nazaré é, no entanto, lição eloquente para todos os cristãos. Dentro daquelas paredes humildes estava toda a Igreja em embrião. Naquela família reinava a concórdia, havia disciplina e as ações mais corriqueiras eram realizadas com carinho, esmero e amor.


Na história da Igreja, ao lado de figuras extraordinárias mais admiráveis do que imitáveis, houve e há homens e mulheres que, como Nossa Senhora, vivem uma “vida escondida em Deus”. Estão longe dos refletores da imprensa e ninguém deles faz caso, mas essas são as pessoas que verdadeiramente constroem a História que Deus deseja ver concluída no seu último dia. Todo o resto a Seus olhos não passa de gordura a ser queimada.



A VIRGEM MARIA - PARTE 02


Escrevi isto numa festa do Imaculado Coração de Maria.(postagem terminada no dia 07/01/2013)

Nesse dia eu li um trecho sobre Maria no livro do Cardeal Van  Thuan, preso por 13 anos no Vietnã, sendo 9 de solitária (de 15/08/1975 a 21/11/1988), e foi esse trecho que me inspirou escrever este texto. De todos os contatos que Jesus fez, o contato com sua mãe, Maria, foi o mais íntimo. Ninguém teve tanta intimidade com Jesus quanto Maria. É só pensar um pouco em todo o cuidado que ela teve com ele desde antes do nascimento até a fase adulta, quando ele praticamente saiu de casa para pregar o evangelho. Diz o Cardeal, página 72 do livro "Cinco pães e dois peixes":

"Para mim, Maria é como um evangelho vivo, bem prático, de grande difusão, mais acessível que a vida dos santos (...) Maria vive completamente para Jesus. A sua missão foi compartilhar a sua obra de redenção. Toda sua glória vem dele. Isto é: a minha vida não valerá nada se me separar de Jesus!"

Sem dúvida, a Eucaristia foi o que conservou vivo e animado esse santo cardeal da Igreja em seu tempo de prisão árida, escura e solitária. 

Maria não tem a onipresença (=estar em todos os lugares) e a onisciência (saber tudo o que acontece) por natureza, mas dizem vários santos que isso lhe foi concedido por Deus desde que ela entrou no paraíso. Para Deus, nada é impossível. Apenas lhe é impossível tornar Maria uma deusa. Maria não é deusa. Alguns católicos precisam tomar um certo cuidado com isso! Maria continua uma pessoa humana, com atributos especiais concedido a ela por Deus, sem falar da Imaculada Conceição, com que ela foi agraciada já aqui na terra. 

Sendo assim, Deus deu um jeito de Maria ficar sabendo de nossos problemas e interceder por nós junto a Jesus, que é nosso único intercessor junto ao Pai. Podem confiar nela! E como diz uma frase em Aparecida, "Peça à Mãe que o Filho atende!".

Não posso afirmar teologicamente, só mesmo por meio do "achismo", mas acho que o nosso Anjo da Guarda tem muito a ver com o "leva e traz" de orações e pedidos. Quando rezo pedindo a intercessão de algum santo, por exemplo, talvez seja o nosso Anjo quem leva a ele o recado, o pedido. Com Maria também pode ocorrer esse processo. Em Fátima, um anjo veio antes de Maria preparar o ambiente com a Lúcia, Jacinta e Francisco. De qualquer forma, sei que Maria recebe nossos pedidos e anseios e nos ajuda. 

Diz o Cardeal Van Thuan, no livro citado, página 81:"Se escutarem Maria, vocês não perderão o caminho. Em qualquer coisa que empreendam em seu nome, não fracassarão. Honrem-na e alcançarão a vida eterna!".

Van Thuan rezava muito a Maria e sempre foi atendido, mostrando serem verdadeiras as palavras acima. Não só pedia a Maria, mas também se oferecia a ela como seu servo: "Mãe, que posso fazer por ti? Estou pronto a cumprir tuas ordens, a realizar tua vontade para o reino de Jesus". E explica o resultado dessa oração:

"Então uma paz imensa invade o meu coração, não tenho mais medo"(págs 69 e 70). Não era fácil a vida dele naquela prisão!

O momento em que ele mais se sentia filho de Maria, e unido a ela, era na Santa Missa, quando pronunciava as palavras da consagração. Nesse instante, na verdade, o sacerdote é identificado com Jesus Cristo, "in persona Christi", "na pessoa de Cristo". 

Meditando esse trecho, imaginei o quanto o sacerdote é privilegiado quando, por alguns instantes, durante a Missa, torna-se o próprio Jesus, filho de Maria, o mesmo que esteve em seu ventre durante nove meses, o mesmo que foi por ela amamentado por vários anos, pois naquele tempo e lugar as mães amamentavam os filhos por seis anos!
Entretanto, é o mesmo Jesus que, na tristeza, ela viu morrer na cruz.

 Sinto muita  ternura e alegria ao cantar a música de um padre já falecido, o Pe. Ricardo Dias Neto, lembrando-me desse instante maravilhoso em que eu me torno Jesus, filho de Maria, na Santa Missa:

"Ia longe o dia, em Jerusalém, junto à cruz, Maria. Tão triste, não vi mais ninguém. Quero, Maria, ser teu Jesus, mesmo que um dia morra na cruz! Quanta dor sentias, Mãe, ao contemplar, teu Jesus querido, na cruz, meus pecados pagar. Desde aquele dia, jamais encontrei ser igual Maria. Tão triste, não vi mais ninguém!".

Entretanto, um tremor percorreu-me o corpo todo. Quanta responsabilidade tem o sacerdote em tornar-se Jesus, mesmo que por apenas alguns segundos!

Quanta pureza deve ele ter no coração! Quanto amor e partilha em relação ao próximo! Sim, pois como pode alguém ser Jesus e ao mesmo tempo individualista, hipócrita, tendencioso, lascivo, comilão, aburguesado, acomodado, curioso, fofoqueiro, bajulador, simoníaco, agressivo, impaciente, irado, se faz acepção de pessoas, imortificado, incapaz de amar e de deixar-se amar, se julga as pessoas?

Sinto na pele o que diz Hebreus 12,10: "Deus nos purifica para que possa transmitir-nos sua santidade". 

Jesus, quando esteve dentro de Maria, deixou nela todo o seu perfume. Ao chegar perto de Maria, sentimos o perfume deixado nela por Jesus.

Se seguirmos a idéia do Cardeal Van Thuan, de que naquele momento que o sacerdote celebra a Missa, no momento da Consagração, ele é o próprio Jesus, e filho não só adotivo, mas legítimo de Maria, então... Jesus deixará também nele seu perfume!

Aliás, isso se aplica também a todos os que comungam: tornam-se outros Cristos, recebem o perfume da santidade de Jesus, conforme diz S. Paulo numa de suas cartas: "Nós somos o perfume de Cristo". 
Entretanto, se pecarmos, o mau odor do pecado cobrirá e inutilizará o perfume deixado em nós por Jesus!


1- O NASCIMENTO DE MARIA

O maravilhoso relacionamento de Deus com Maria, da parte de Deus, começou desde que o Pai resolveu enviar seu Filho ao mundo. Da parte de Maria, começou no momento em que sua alma foi criada e infundida no primeiro instante de sua concepção.

A primeira graça que Deus concedeu a Maria foi nesse preciso momento, pois Ele permitiu que ela fosse concebida sem a mancha original: "Eu sou a Imaculada Conceição", disse ela a Bernardete.

Nossos primeiros pais tiveram a promessa do salvador e de sua mãe (Gn 3,15). De fato, Maria já iniciou sua vida vencendo a "serpente", ou seja, Satanás. Ela o venceu durante toda a sua vida, e deu à luz o Salvador, que o venceu definitivamente. Quando acolhemos Jesus em nossa vida e fazemos sua vontade, que é também a do Pai, nós também vencemos o mal, fortalecidos pela graça de Deus.

Maria norteou toda a sua vida, diz o Cardeal, em três palavras (pág. 73): ECCE, FIAT, MAGNIFICAT.

ECCE :- "Eis a escrava do Senhor" (Lc 1,38);

FIAT:- "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38)

MAGNÍFICAT:- "Minha alma engrandece o Senhor"(Lc 1,46).

2- A CONCEPÇÃO DE JESUS

Maria amava, respeitava e servia, da melhor forma que podia, o seu Deus. o "fiat" que, segundo Lucas, ela teria dito ao anjo, na verdade ela o disse durante toda a sua vida: "Faça-se", Senhor, sempre se faça a vossa vontade!

Maria ficou grávida, segundo Mateus, sem esse anúncio mencionado por Lucas: "A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo" (Mateus 1,18).



Quando isso ocorreu, ela percebeu que havia sido uma obra de Deus, pois não tinha tido nenhum encontro íntimo com José. Sua alma encheu-se da mais plena alegria, pisa graça tinha inundado plenamente sua vida. Sentia um coraçãozinho batendo com o seu por nove meses, mas seus corações ficaram batendo como um só por toda a vida de Maria, e ficarão assim pelo restante da eternidade.

3- A FUGA PARA O EGITO

José levantou-se de noite, pegou o menino e a mãe dele e partiu para o Egito. Aí ficou até à morte de Herodes”. (Mt 2,14).

Na verdade, o rei Herodes durou apenas mais quatro meses após a fuga da família sagrada para o Egito, tendo morrido de doença terrivelmente maligna.
Tive a felicidade de estar no Cairo, no lugar onde a Sagrada Família teria ficado: uma pequena gruta, atualmente sob uma igreja. Há, entretanto, alguns estudiosos que dizem talvez terem eles ido apenas para algum povoado fora da jurisdição de Herodes, e não necessariamente para o Egito, haja vista que “ir para o Egito” era uma expressão que significava ir um pouco mais longe do lugar onde se estava.

O importante, nesse fato da fuga de José, Maria com o menino,é o problema que devem ter tido na viagem. À noite, com aquele frio, sem conforto algum, sem muito alimento...

Maria, com o menino Jesus no colo, montada num jumento...

José os guiando...

aquele vento frio cortando e assobiando nos ouvidos...

a areia do deserto...

Durante o dia seguinte, um calor sufocante, a sede, a fome, o desconforto!

Depois que chegaram, não sabemos onde e como viveram. Há essa gruta, lá no Cairo, mas se realmente viveram ali, foi um local bem pobre. E como ganhavam dinheiro para se alimentarem?

É por isso que alguns estudiosos, como já disse, acham que eles foram para um lugar não tão distante como o Egito (=11 dias de viagem), fora da jurisdição de Herodes, talvez ficaram na casa de algum parente.
Seja como for, tenham enfrentado o sacrifício que fosse, estavam juntos, Jesus, Maria, José! Quando Jesus está presente,nada nos pode perturbar nem entristecer. José, o mais feliz dos homens, caminhava e vivia com Jesus e Maria!

Tenhamos sempre em nossa vida essas duas companhias! Jesus sempre nos atende, quando pedimos por meio de Maria. Jesus é o único intercessor junto ao Pai, mas nossa oração será melhor acompanhada se convidarmos nossa Mãe querida a rezar conosco!



Pedir por meio de Maria, ou por intercessão dela, nada mais é que pedir que ela se uma conosco, em nossa oração”! É como em Atos 1,14, que nos relata que os discípulos oravam juntos com Maria, aguardando o Espírito Santo.

4- A PURIFICAÇÃO DE MARIA E A APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO

As palavras de Simeão (Lucas 2,22-35), ao profetizar que uma espada trespassaria o coração de Maria (vers. 35), deixaram-na preocupada. Não com o seu próprio sofrimento, mas com o sofrimento de seu Filho divino. A dor que ela sentiu deve ter sido muito forte! Seu coração de Mãe, tão unido ao do seu Filho, percebia que a vida deles seria difícil! Mas havia nela a graça plena de Deus: “Alegra-te, cheia de Graça! (Lc 1,28). e nada do que acontecesse poderia tirar-lhes a paz e a alegria em Deus.

A purificação de Maria foi apenas ritual, para cumprir a lei, pois ela nasceu pura e o foi por toda a vida.

Ofereçamo-nos sempre a Deus, consagremo-nos sempre ao Imaculado Coração de Maria, a fim de que possamos vencer, como ela própria venceu, qualquer problema ou tentação que aparecer em nossa vida. O amor de Jesus e de Maria é que nos dão toda a força de que precisamos.

Nas visitas aos doentes, vemos que muitos vivem felizes, apesar de suas doenças. Geralmente são os que rezam e amam muito os Sagrados Corações de Jesus e Maria.

O Santo Cura D' Ars, S. João Maria Vianney, dizia que “Depois de Jesus, o meu primeiro amor é por Maria”. (citado por Van Thuan, obra citada, pág. 84).

5- A PERDA E O ENCONTRO DE JESUS
Jesus devia ser um adolescente muito “rueiro”, ou seja, acho que não parava muito em casa. Talvez gostasse muito de ir “bater papo” com os vizinhos, com seus amigos e colegas.

Estou dizendo isso baseado no fato de que só após um dia de viagem é que José e Maria perceberam sua ausência! Vejam a citação bíblica em Lucas 2,43-52. Vou transcrever apenas algumas frases: “Ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando eles, porém, que Jesus vinha com outras pessoas pelo caminho, andaram caminho de um dia e procuraram-no entre parentes e conhecidos”.

A gente pensa, às vezes, que Jesus era um menino bem comportadinho, caseiro, que não conversava com ninguém. Essas passagens da Escritura Sagrada nos mostram o contrário.

Outro engano que cometemos é achar que Jesus estava “ensinando” os doutores do templo, como a catequista lia ao rezar o quinto mistério gozoso. Não é bem assim que está escrito”! Lá diz que Jesus estava entre os doutores “ouvindo-os e interrogando-os”. (v. 46). Isto é: Jesus estava aprendendo, como qualquer adolescente! E o desfecho dessa passagem também mostra o aprendizado: “Jesus desceu com seus pais e foi para Nazaré e era-lhes submisso. E sua mãe guardava todas essas coisas no coração.”

Neste blog (site) há uma historinha que preparei, intitulada O bar-mitzvá de Jesus, que mostra ser talvez para essa cerimônia que eles foram para Jerusalém.

Consistia na recepção do adolescente de 12 a 14 anos no templo. Ele se comprometia a seguir todas as 613 leis judaicas e a partir daquele momento era admitido entre os frequentadores do tempo e podiam conversar com os instrutores e mestres. As crianças eram, na verdade, desprezadas e nunca eram ouvidas. É por isso que Jesus se entreteve com eles, pois era a primeira vez em sua vida que podia fazer isso. Até então, antes desse compromisso chamado “filho do preceito= bar-mitzvá, ele era considerado criança e não era ouvido, nem podia conversar com os adultos sobre muitos assuntos.

Se perdermos Jesus durante nossa caminhada, procuremos aprender dele, como Ele mesmo aprendeu, e o encontraremos novamente. Perdemos Jesus quando insistimos em continuar no caminho do pecado.

O Cardeal Van Thuan diz, à página 85 de seu livro já citado: “Há uma só maneira de se tornar santo: a graça e Deus e a tua (=nossa) vontade (1Cor 15,10). Deus não te (nos) deixará faltar a sua Graça: mas a tua (nossa) vontade, será ela bastante forte?”

Muitas vezes muitos não conseguem prosseguir no caminho da santidade porque só esperam na Graça de Deus, mas não se empenham, como diz o autor da frase acima, em deixar as ocasiões de pecado. É preciso vigiar e orar para não cairmos em pecado: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).

O Dr. Lair Ribeiro diz, em seu livro “Comunicação Global”, à página 225: “É uma insanidade mental alguém continuar fazendo o que sempre fez e esperar resultados diferentes”.

Maria soube levar isso em frente com muita sabedoria. Ela possuía a graça de Deus, mas se não pecava, era pela força de vontade, uma vontade férrea, baseada no amor de Deus. Sem essa vontade firme, sem essa vigilância de Maria, de nada teria valido a Graça de Deus. E essa vonade firme de Maria provinha de suas orações constantes, sua vida dedicada a Jesus e ao Pai, pelo Espírito Santo. Na verdade, sua vida era uma contínua oração.
Hebreus 12,4, nos adverte: “Ainda não resististes até o sangue na luta contra o pecado.”

Irmão (ã) leitor (a), acredite: não há modo mágico de ficar sem pecado. Deus respeita muito o nosso livre arbítrio, Ele nos dá a sua graça, mas nós temos que fazer a nossa parte: temos que nos decidir radicalmente e de uma vez por todas por uma vida santa, sem nenhum pecado. “Vigiai e orai”. Não só a vigilância, não só a oração, mas as duas coisas;. Jesus, que era Deus,precisou submeter-se ao aprendizado e ouvia e perguntava muito para aprender. E nós: Estamos ouvindo e vigiando?

Muitos santos eram pecadores, como S.Paulo, Sto. Agostinho, Sta. Maria Madalena, mas resolveram recomeçar suas vidas. Temos muitas fraquezas, mas devemos recomeçar sempre, sem preconceitos e sem extremismos. O único extremismo que devemos ter é contra nós mesmos, procurando sempre lutar e recomeçar, mesmo que tenhamos no passado sido grandes pecadores. Eu me incluo nessa lista. E que Deus nos fortaleça!

A VIRGEM MARIA- PARTE 03



6- MARIA GUARDAVA TODAS ESSAS COISAS NO CORAÇÃO.

É uma injustiça muito grande acharmos que Maria era visitada a todo momento por anjos e arcanjos. Não era, não. São Mateus é tão radical nesse ponto que não fala de nenhum anjo lhe anunciando a gravidez, como vimos acima. Em todas as vezes que algo acontece, como no presépio ao receber os pastores (Lc 2,19); como na apresentação de Jesus no templo (Lc 2,51), Maria “guardava todas essa coisas” no coração, pois entendia tudo não por revelação direta, mas PELA FÉ.

Ela ouvia e captava a vontade de Deus nesses acontecimentos do dia a dia. Não vinha nenhum anjo lhe explicar tudo o que estava acontecendo tim-tim por tim-tim. É o próprio Lucas, ao contar a anunciação do anjo, que menciona o fato de Maria ir assimilando e guardando no coração esses acontecimentos maravilhosos e estranhos da vida de Jesus. Isso significa que Maria não tinha uma revelação direta de Deus mas, como todos nós, pela fé pura e simples.

7- MINHA ALMA GLORIFICA O SENHOR
Lucas 1,39-56

Maria foi visitar sua prima Isabel e com ela ficou por três meses, até que João Batista nascesse e fosse circuncidado.

Já de início, ao encontrar-se com Maria, Isabel lhe disse: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor venha me visitar?”

Senhor , “Kyrios” é a palavra que traduz do hebraico para o grego o nome “Iahweh” e “Adonai”, ou seja, é Jesus Ressuscitado, que Lucas admite já em vida, é o próprio Deus. Nesse trecho, portanto, Isabel está chamando Maria Mãe de Deus!

Depois diz, com alegria, aquele magnífico canto: “Minh'alma glorifica o Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão de bem-aventurada, porque o Todo-Poderoso realizou grandes obras em meu favor”.

Quando Deus nos consola e nos anima com a sua Graça, quer que façamos o mesmo com os outros,que talvez ainda não se abriram suficientemente para com ele. É que nos diz, por exemplo, S. Paulo em 2 Cor 1,3-5>

O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da misericórdia e Deus de toda consolação, nos consola, em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão em qualquer tribulação, através da consolação que nós mesmos recebemos de Deus”.

Maria foi consolada e plenificada com a Graça de Deus, como em Lucas 1,28: “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo!”

O termo “cheia de graça”, em grego, kekaritoméne, significa que Maria não está com um pouco ou com uma parte da graça, mas com a graça total e plena!
Sendo assim, mais do que ninguém ela pode nos confortar, nos consolar em nossas angústias e desamparo. Maria está de tal modo colocada em posto de honra, que dificilmente lhe será negado algum pedido. Quando ela pede algo por nós, já fez a seleção do que realmente pode ou não pode nos ajudar. Se nós não recebermos a graça, não é porque ela não foi atendida, mas sim, porque aquela graça talvez se tornaria nossa desgraça.

Como diz um autor, quando pedimos algo ao Pai, pedimos “por vosso Filho Jesus Cristo”. Quando Maria pede alguma coisa ao Pai, pede “por nosso Filho Jesus Cristo”. Esse “nosso” faz toda a diferença!
Para que tenhamos a mesma graça que Maria teve, temos, como ela, que nos esvaziar de nós mesmos, deixando definitiva e completamente o pecado: “Deus olhou para a humilhação de sua serva” (Lc 1,48).

Talvez nunca cheguemos a receber de Deus todas as graças que Maria teve, não porque Deus não nos queira dar, mas porque dificilmente conseguiremos nos esvaziar de nós mesmos como Maria se esvaziou.
Há, porém, certas graças que alguns recebem que nem Maria recebeu. O sacerdócio, por exemplo. Na Consagração da Missa, o padre faz algo que nem a Maria foi dado fazer: transformar o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo. É o que São João Maria Vianney disse acertadamente: “Deus fez o mundo do nada; o sacerdote, de um pedaço de pão e de um pouco de vinho, faz o próprio Deus”.

Por isso Maria disse, em algumas de suas aparições, que ama os sacerdotes como seus filhos prediletos. É que, na hora da consagração, os padres, mesmo com pecados, ficam sendo, “in persona Christi”, o próprio Jesus, seu Filho, por alguns instantes. Como não haverá de amá-los de modo especial? E, por outro lado, como ela deve ficar decepcionada quando o sacerdote consagra o Corpo e o Sangue de Cristo em pecado! Acho que até Jesus, mesmo se colocando na pessoa daquele sacerdote, naquele sagrado e maravilhoso momento, não se sente à vontade, vendo um coração em pecado.

Entretanto, todos nós somos “outros Cristos”, se levarmos em conta o que Jesus disse: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizerem isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram!” (em referência à misericórdia). (Mt 25,40). E o que eu disse para os padres, digo aos leigos: comungar em pecado tem a mesma função que o sacerdote que consagra em pecado: Jesus entra no corpo da pessoa, mas a contragosto. Sem nenhum benefício para a pessoa, enquanto não resolver recomeçar a vida.

Maria nos ama como a filhos queridos. E ela quer que todos nós estejamos no céu, um dia, com seu querido Filho.

8 – NAS BODAS DE CANÁ

Muitas pessoas ficam horrorizadas quando sabem que, a pedido de Maria, Jesus fez seiscentos (600) litros de vinho, vinho como o nosso, com álcool, fermentado. O vinho sem álcool foi inventado recentemente, no século 20.

Maria foi à festa com Jesus e seus discípulos (João 2,1-12). Faltando vinho, para vergonha dos pais dos noivos (a festa de casamento durava vários dias), Maria sentiu muita pena deles.

A festa, o vinho, mostram a alegria que nos traz o Reino de Deus, e é um sinal forte da vida alegre e feliz que viveremos na vida eterna.

A tristeza exagerada, a “carranca”, são coisas que podem ser vencidas. Não deveríamos ficar tristes, amargurados, pois sempre teremos a força, o ânimo, e a alegria de Jesus e Maria.

Nas bodas, ela viu o problema tão grande que aquilo ia causar, disse aquelas palavras maravilhosas que se destacam até hoje na basílica nacional de Aparecida: “Façam tudo o que ele disser” (João 2,5). Quem se diz devoto de Maria deve cumprir o que ela pediu nas bodas de Caná, ou seja, fazermos tudo o que Jesus disser.

Quanto bebermos ou não vinho ou outras bebidas alcoólicas, digo que a bebida não é um mal em si, como também uma faca não o é, mas pode matar. O mal se instala quando a pessoa não consegue beber de modo equilibrado.

Estar com Jesus é estar radiante de alegria, é estar feliz por tê-lo como Caminho, Verdade, Vida. Se estivermos com Jesus, nunca estaremos no último lugar. Como poderemos estar no último lugar, se estivermos em Sua companhia? Ele já esteve, mas não mais está no último lugar.

Diz Santa Teresinha (num texto de uma sua biógrafa, Mônica): “A alegria não está nos objetos, mas no mais íntimo do coração. Podemos senti-la tanto num palácio como numa prisão”.

Se procurarmos fazer tudo o que Jesus disse, estaremos com Ele e nunca haverá problema insuperável em nossa vida. Se pecarmos, pedirmos logo perdão, como diz S. João na primeira carta, e recomeçarmos nossa vida sem nenhum temor. Colocados à mercê de Deus, seremos sempre felizes, a alegria nunca nos faltará, mesmo se estivermos doentes ou com outros problemas. É Jesus quem nos prometeu isso!