sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A UM PADRE EREMITA DE J. M.



Hoje, 8 de Dezembro de 2013, os ANJOS cantam louvores , pois faz 40 anos que o senhor disse SIM ao SACERDÓCIO.



«O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus» (São João Maria Vianey)

DEUS SEJA LOUVADO PELAS SUAS MÃOS SACERDOTAIS. MÃOS QUE NOS ABENÇOAM E NOS OFERECEM JESUS O PÃO DA VIDA.

Belíssimas palavras de São João Maria Vianey:


«Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia».

«Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? 

O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu».

«Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».


Mãos Sacerdotais


Mãos do sacerdote, mãos predestinadas,

Mãos de Jesus Cristo, mãos divinizadas,

Feitas lá no céu de essências imortais.

Mãos do sacerdote, feitas sob modelo

Que Jesus traçara cheio de desvelo,

Desde todo sempre, mãos sacerdotais.

*

Mãos do sacerdote para a cruz voltadas,

Mãos de lírios roxos sobre a cruz pregadas,

Sempre, sempre abertas, sem fechá-las mais,

Mãos de sofrimentos, mãos de mil suplícios,

Têm as veias rubras feitas de cilícios,

Mãos de mil calvários, mãos sacerdotais.

*

Mãos do sacerdote, mãos de toda hora,

Quando a noite é negra, quando brilha a aurora,

Quando reina a calma, quando há temporais,

Mãos de sacerdote, mãos de toda gente,

Mãos do fervoroso, mãos do indiferente,

Mãos dos sofredores, mãos sacerdotais.

*

Mãos do sacerdote, mãos feitas de lodos,

Frágeis, passageiras, como as mãos de todos,

Filhas do pecado como as dos demais,

Mãos feitas de lodo, frágeis, pecadoras…

Mãos purificadas, santas, redentoras…

Beatificantes, mãos sacerdotais.

*

Quantas mãos existem. Que diversidade!

Mãos para a virtude, mãos para a maldade,

Mãos cheias de lodo, mãos cheias de luz.

Mãos que ferem, mãos que fecham as feridas,

Mãos que dão a morte, mãos que dão a vida,

Mãos que dão o diabo, mãos que dão Jesus.

*

Quantas mãos existem. Que diversidade!

Mas somente vós não sois como as demais.

Pois somente vós levais à eternidade;

E há recantos n’alma em que só vós tocais.

E há espinhos fundos que ninguém alcança,

E há doridos prantos que ninguém estanca

A não serdes vós, ó mãos sacerdotais!

*

Mãos do sacerdote, luz, calor, guarida,

Para cada morte trazem uma vida,

Para cada vida acendem mil fanais.

Mãos do sacerdote, báculo que arrima,

Bálsamo que alenta, asa que sublima,

Cofre dos consolos, mãos sacerdotais


alguns testemunhos que nos tocam profundamente:


A venerável Catarina Vannini via, em êxtase, os Anjos que, durante a Missa, circundavam as mãos do Sacerdote e as sustentavam no momento da elevação da Hóstia e do Cálice.

Poderemos imaginar com que respeito e afeto a Venerável beijava aquelas mãos?


Santa Edwirges, rainha, cada manhã assistia a todas as Santas Missas que eram celebradas na capela da Corte, mostrando-se muito agradecida e reverente para com os Sacerdotes que tinham celebrado: convidava-os entrar, beijava suas mãos com suma devoção, fazia que se alimentassem, tratando-os com as mais distintas honras. Ouvia-se como a rainha exclamava comovida: "Bendito seja quem fez Jesus descer do Céu e O deu a mim."


S. Pascoal Baylon era o porteiro do convento. Todas as vezes que chegava um Sacerdote, o Santo Fradinho se ajoelhava e lhe beijava respeitosamente as duas mãos. Dele foi dito, como de S. Francisco, que "era devoto das mãos consagradas dos Sacerdotes." Ele as julgava capazes de deter longe os males e cumular de bens a quem nelas tocasse com veneração, porque são as mãos das quais Jesus se serve.


E, como era edificante ver o Pe. Pio de Pietrelcina procurando beijar com amor as mãos de qualquer Sacerdote, às vezes até agarrando-as de surpresa! E, que dizer de outro Servo de Deus, Dom Dolindo Ruotolo, que não admitia que um Sacerdote pudesse negar-lhe “a caridade” de deixá-lo beijar-lhe as mãos?

Enfim, sabemos que este ato de veneração muitas vezes foi premiado por Deus com verdadeiros milagres. Na vida de Santo Ambrósio se lê que um dia, logo após a celebração da Santa Missa, o Santo viu aproximar-se dele uma mulher paralítica, que queria beijar suas mãos. A pobre mulher tinha grande fé naquelas mãos que tinham acabado de consagrar a Eucaristia: e ficou curada no mesmo instante. A mesma coisa aconteceu em Beneveto: uma mulher paralítica, havia quinze anos, pediu ao Papa Leão IX licença para beber a água por ele usada durante a Santa Missa, quando lavou os dedos. O Santo Papa atendeu aos desejos da enferma em seu pedido humilde, como o pedido da Cananéia, rogando a Jesus que lhe desse “as migalhas que caem da mesa do dono da casa” (Mt 15,27), e ficou imediatamente curada.

Catequista Maria Ângela lem.prof.maria.angela@gmail.com>


CATECISMO RESUMIDO - 01


Resumo da doutrina católica para cursos rápidos.

Como ler as citações bíblicas deste texto:

Lc 18,1-8: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículos de 1 a 8

Lc 18,1.8; 19,1: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículos 1 e 8. Capítulo 19, versículo 1.

Lc 18,1.3-8: Evangelho de S. Lucas, capítulo 18, versículo 1 e versículos 3 a 8.

Ou seja: o ponto separa os versículos. A vírgula separa capítulo de versículos. O ponto e vírgula separa capítulos. O traço significa que devemos ler todos os versículos entre o primeiro e último número.

1- É POSSÍVEL SER LIVRE E FELIZ!

O único modo de ser livre e feliz é fazer a vontade de Deus e viver como ele nos programou. Fomos criados para viver a vida em abundância: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10b), mas independentes e livres de tudo: sem estarmos amarrados a nenhum vício, a nenhum tipo de vingança, de ódio, de maus desejos, de malícia, de gulodice, de vaidade, de orgulho, de autossuficiência, de egoísmo, de impureza, de preguiça etc. Todo somos chamados à santidade (Mt 5,48; 1Pe. 1,16). Não há outra maneira de ser feliz. Pecar contraria tanto nossa natureza como se lavássemos meias num liquidificador. Não dá certo! Se viermos a pecar, pedir logo perdão e recomeçar a vida.

2- DEUS NOS AMA SEMPRE!

O amor de Deus por nós é eterno: “Com amor eterno eu te amei!” (Jer 31,3). “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Deus nos ama tanto que enviou seu Filho à terra, Deus como ele, que morreu na cruz para nos salvar e nos abrir as portas do paraíso, fechadas pelo pecado da humanidade, simbolizada em Adão e Eva. Ressuscitando, Jesus venceu a morte e renovou a vida. Se colocarmos em Jesus nossas preocupações, ele cuida de nós (1 Pd 5,6-8) porque nos ama. Se o amarmos, apenas estaremos respondendo seu apelo de amor, pois foi Ele quem nos amou por primeiro (1João 4,10; Provérbios 23,26).

Uma das mais belas imagens do amor de Deus por nós, na minha opinião, é o da galinha choca, que acolhe os pintinhos debaixo de suas asas. O próprio Jesus foi quem fez essa comparação: comparou-se a uma galinha choca, que recolhe seus pintinhos sob suas asa. Ele quer nos abrigar, com receber, nos confortar, mas precisa que O aceitemos (Mt 23,37), pois até ele concorda que nosso é, muitas vezes, pesado (Mt 11,28-30).

3- O NOSSO AMOR POR DEUS:

Acontece quando obedecemos aos ensinamentos de Jesus. O maior mandamento dado por Deus e ratificado por Jesus é o amor a Deus e ao próximo: “Assim como eu vos amei, vós deveis amar uns aos outros” (Jo 13,34-35). “Amar ao próximo como a si mesmo” (Mc12,28-34). Jesus nos manda amar até aos inimigos (Rm 12,19-20; Mt 5,44-48). Isso é possível porque amar não é o mesmo que gostar. Amar é próprio da alma. Gostar é próprio do corpo. Jesus não nos mandou gostar, mas amar, mesmo que não gostemos. Amar é fazer tudo para que o outro possa aprender a agradecer a Deus, ir par o céu e realizar-se como pessoa. Veja Rom 12-20: Se tratarmos bem quem nos odeia, isso vai levá-lo ao remorso e à conversão, como se tivéssemos colocado “brasas” de remorso em sua cabeça. Leia e medite os capítulos 5,6 e 7 de Mateus, o Sermão da Montanha, que comentaremos logo adiante.

4- QUEM É DEUS.

Deus é puro Espírito, eterno, totalmente perfeito. “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos” (Efésios 3,20).
“Deus não é solidão, mas uma família” (Doc. De Puebla 582 e de Aparecida 434). Deus é um só, mas vive em três Pessoas: o Pai, cuja voz se ouviu no céu no Batismo de Jesus, o Filho (Jesus), que estava sendo batizado, e o Espírito Santo, que nesse trecho apareceu como uma pomba, mas em Pentecostes se manifestou como “vento impetuoso” e como línguas de fogo (Atos cap 1 e 2). Este é o “Mistério da Santíssima Trindade”, revelado em Mt 3,26-17 e 28,19-20.

Foi Deus que criou tudo o que existe. Deus sabe tudo, está em todos os lugares, ou melhor, ele vive fora do tempo e do espaço, e o que existe só subsiste porque Ele quer e sustenta. É todo-poderoso, eterno, todo misericordioso, infinitamente perfeito. Ele é totalmente independente de tudo o que existe.

Como Ele é perfeito e tem em plenitude tanto as virtudes de Pai como as da Mãe (Frei Carlos Mesters). E quer que tenhamos a mesma união entre nós como ele a tem na Santíssima Trindade.

Textos para refletir: Jeremias 31,2; Mt 28,19-20; Jo 1,1-15; cap.14,11; cap.17,21-22.

5- ADÃO E EVA.

Eles existiram, sim, mas não sabemos exatamente como foram criados. A história do Gênesis é simbólica. Deus criou tudo o que existe e Jesus estava presente não ainda como homem, mas como Verbo ou Palavra de Deus (João 1,1-18). O ser humano foi criado por Deus de modo especial: ele é feito à imagem e semelhança de Deus. A cada criança concebida Deus cria nela uma alma imortal. Isso está colocado, em forma simbólica, em Gênesis cap. 1, vers. 1 até cap. 2, vers. 4A, e Gênesis cap. 2, vers. 4a até cap. 3, vers. 24.

Não podemos ler esses trechos ao pé da letra. São duas versões diferentes, como você pode constatar (na primeira o homem e a mulher teriam sido criados num mesmo instante, já dentro do paraíso, e em último lugar, ou seja, depois de tudo o mais. Na segunda, a mulher foi criada do homem, este foi criado fora do paraíso e antes das outras coisas). Em qual delas acreditar?

A ciência diz que o homem inteligente apareceu há mais de dois milhões de anos (recentemente descobriram um fóssil de três milhões de anos) e os cientistas aceitam a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin, que diz que o homem e o macaco vieram de um ancestral-primata comum (eles não dizem, como muitos afirmam, de que o homem veio do macaco, mas que os dois vieram de um outro animal primata).

Essa teoria pode ser admitida, se quiserem, desde que acreditemos que é Deus que a criou e a mantém. A um dado momento da história, Deus interferiu e infundiu, já então nesse animal bem evoluído, a alma imortal.

6-O PECADO DE ADÃO E EVA NÃO FOI SEXUAL.

Eles eram marido e mulher. O pecado deles foi, mesmo, de desobediência e o desejo de se igualarem a Deus. Jesus nos salvou fazendo o contrário disso: ele, mesmo sendo Deus, humilhou-se fazendo-se homem, e morrendo numa morte horrível, morte de cruz, e obedeceu plenamente ao Pai (Filipenses 2,6-11).

7-O DEMÔNIO EXISTE! O PECADO.

O pecado de Adão e Eva prejudicou toda a humanidade. Somos purificados dele, assim como de todos os demais pecados, pelo Batismo.

Há dois tipos de pecado: o mortal (grave) e o venial (leve). Para um pecado ser mortal, é preciso que tenha três quesitos:

1- Seja matéria grave;

2- Tenha sido feito com pleno conhecimento disso.

3- Tenha sido feito com pleno consentimento.

Por exemplo, matar uma mosca não é pecado grave (nem pecado leve), porque não é matéria grave e você sabe disso, embora tenha matado a coitadinha com pleno consentimento.

Já os demônios são anjos, chefiados por Lúcifer (significa: o portador da luz!), que também desobedeceram a Deus e não o aceitaram. Jesus disse:”Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago!” em Lucas10,18. Dê uma olhadinha também em Apocalipse 12,7-9 (conta a história da expulsão do demônio do céu, por S. Miguel Arcanjo).

Como eu disse acima, Jesus venceu o demônio fazendo o caminho inverso deste e de Adão e Eva, ou seja, obedecendo ao Pai até à morte, e morte de Cruz (Filipenses 2,6-11).

Depois do Batismo somos perdoados dos nossos pecados pedindo perdão a Deus pelo sacramento da confissão, no caso dos pecados graves, ou por meio dos sofrimentos, penitências, orações e boas obras deste mundo, oferecidos com amor e arrependimento a Deus.

Sem a purificação não podemos entrar no céu, pois lá nada de impuro entrará, como diz Apocalipse 21,27. Cada um é responsável pelos seus atos!

Podemos vencer o demônio e o pecado com a vigilância e a oração, a penitência e os sofrimentos do dia a dia quando os oferecemos a Deus, e sobretudo nos esforçando para não pecarmos mais.

O demônio não pode nos obrigar a pecar. O poder de Deus é maior do que o poder do mal, e se confiarmos plenamente em Deus, ele nos ajudará a vencermos qualquer tipo de mal.

Veja Marcos 3,23-30.

Quando tiver um tempinho extra, leia: 1Jo 1,9; MT 16,18-19; Tiago 5,15; Gênesis 2e3; Lucas 10,18; Apocalipse 12,7-9; 1Coríntios 15,21-22; Filipenses 1,6-8; Provérbios 23,26; 1Pedro 5,8-9; Mc 1,12-13; Mt 4,1-11; Mt 12,31; Rom 3,23-24 (todos pecaram!), João 20,21-23; Mt 26,41 e Apocalipse 16,15 (Vigiar para não pecar).

8- A  BÍBLIA


A bíblia foi escrita no decorrer dos séculos, desde o tempo do rei Salomão, aproximadamente no ano 1000 antes de Cristo, a partir de narrativas e tradições orais contadas de pai para filho. 

A Bíblia não foi ditada por Deus, como muitos pensam, mas inspirada por Ele a pessoas muito simples, que entendiam essa inspiração de acordo com a instrução ou com a pouca instrução que possuíam. Como os costumes de um lugar geralmente são diferentes do outro, há fatos iguais contados de maneiras diferentes pelos que escreviam. 

Isso nos leva a tomar muito cuidado ao lermos ou procurarmos interpretar os textos bíblicos. Na Igreja Católica é costume já muito antigo confiarmos essas interpretações e esclarecimentos a especialistas aprovados pelas autoridades eclesiásticas. Eles dedicam suas vidas nesse trabalho e merecem toda a nossa confiança. 

Como uma obra inspirada por Deus mas escrita por homens limitados que usavam aquilo que sabiam, a bíblia não pode ser lida ao pé da letra. Há muitas informações contraditórias. Ao lermos um trecho precisamos, pois, saber o que aquilo queria dizer para as pessoas da época e só então aplicá-lo ao nosso tempo. 

Dou alguns exemplos: O capítulo 1 do Gênesis diz que Adão e Eva foram criados juntos, ao passo que o capítulo 2, diz que Eva foi criada depois de Adão, de uma costela dele. 

O cap. 1 fala que o homem e a mulher foram criados após todo o restante da criação; O cap. 2 fala que foram criados em primeiro lugar. 

O cap. 3 fala que os primeiros filhos de Adão e Eva foram Caim e Abel, mas o cap. 5 diz que foi Set, e nem sequer mencionam Caim e Abel que, na verdade, não foram filhos de Adão e Eva, mas nasceram muito tempo depois, na era do bronze, quando já havia muita gente na terra. Isso inclusive é mostrado no finalzinho da Bíblia de Jerusalém. 

Em Lucas cap. 6 Jesus teria dito:” Bem aventurados os pobres”. Em Mateus, cap. 5, ele teria dito: “Bem aventurados os pobres em espírito”. Afinal, Jesus falou pobres ou pobres em espírito? Em Mateus, o sermão foi dito numa montanha; Em Lucas, numa planície. Qual dos dois tem razão? 

É por isso que precisamos tomar muito cuidado com as interpretações. Esse, aliás, é também o motivo pelo qual muitos fundaram outras religiões. Geralmente nascem de uma discordância a respeito dos textos evangélicos. 

Por esse motivo os cristãos que não são católicos seguem a bíblia definida pelos judeus no ano 100 de nossa era, que não tem os livros escritos em grego depois de Esdras (400 a.C) acrescentado o Novo Testamento. Esses livros que foram tirados da bíblia por eles são:1º e 2º Macabeus, Eclesiástico (não confundir com o Eclesiastes, que tem nos dois), Sabedoria, Baruc, Tobias, Judite e complementos gregos de Ester e Daniel, restando 66 livros. Permaneceram 73 na bíblia católica: 46 no AT e 27 no NT (Eles têm apenas 39 no AT). 

Acostume-se a ler os ótimos comentários encontrados em nossa bíblia, tanto antes das leituras como no rodapé delas. Esses comentários são feitos por pessoas realmente capacitadas, que dedicam suas vidas nesse estudo, como já dissemos. 

Quanto às diferenças que mostramos acima, não devem deixar você preocupado (a). O núcleo da narrativa é verdadeiro, baseada num fato real, mas contada de formas diferentes, dependendo muito da região onde era contada e que tipo de pessoas a contaram. 

Dou um exemplo: um médico, um engenheiro, um psicólogo e um mecânico vão ver cada um a seu modo um mesmo acidente ocorrido no caminho por onde passavam. Ao chegarem às suas casas e contarem o fato às respectivas esposas, cada um contará a seu modo, notando coisas próprias de sua profissão. Só mesmo unindo as quatro narrativas é que chegaremos perto do que realmente aconteceu no dito acidente. É isso que ocorreu com a Bíblia.

Várias pessoas, mesmo inspiradas por Deus, viram os acontecimentos cada um a seu modo. Cabe aos estudiosos e especialistas, também eles inspirados por Deus, definirem quais as partes principais de cada fato e narrativa. 


CATECISMO RESUMIDO - 02


9- O POVO DE DEUS 


O povo de Deus teve início com Abraão, cerca de 1850 AC. Abraão foi o primeiro homem a confiar plenamente em Deus, pelo menos de que nós temos conhecimento. Deus fez com ele uma aliança, da qual surgiu a circuncisão, como marca indelével dessa aliança. Abraão confiou em Deus e deixou sua cidade natal, UR, na Caldéia, e emigrou , para a região conhecida hoje como Palestina (Gênesis 12) 

Todos os habitantes da cidade de Ur tinha um deus próprio, deus de pedra, material, feito por eles mesmo. Cada família tinha um deus de sua preferência. Abraão era o único que acreditava num Deus invisível, Criador e não criado, independente de tudo o que existe, que não podia ser representado nem substituído por nada nesta terra. Como diz a carta aos Hebreus, Abraão agia “Como se visse o invisível”. 

A circuncisão consiste na retirada do prepúcio. Equivale hoje a uma operação de fimose. Só era considerado do povo de Deus quem fosse circuncidado. As mulheres participavam do povo quando se casavam com um judeu. Jesus Cristo a substituiu pelo Batismo que, como diz S. Paulo, é a circuncisão do coração. 

José (1650 AC), filho de Jacó (Israel), fora vendido pelos irmãos invejosos para o Egito. Lá ele conquistou a simpatia do Faraó e tornou-se o primeiro depois dele. Numa grande fome que se alastrou pela terra, ele chamou o pai e os irmãos para viverem no Egito e assim o povo de Deus se desenvolveu nesse país (Gênesis 37;39;42;46;47). 

Os doze filhos de Jacó deram origem às doze tribos de Israel, lembrando que os filhos de Levi não herdaram nada, porque se dedicaram ao sacerdócio, e os dois filhos de José tomaram o lugar dele e de Levi. É por isso que Jesus escolheu doze apóstolos: para mostrar bem mostrado que a Igreja Cristã estava substituindo o povo de Israel, estava entrando no lugar das doze tribos de Israel. 

Logo no início do livro do Êxodo você pode constatar que o povo israelita começou a ser maltratado e explorado no Egito, pelo faraó e seus mandatários. Deus suscitou então Moisés (1250 AC) para libertá-los. Moisés fora salvo das águas pela filha do faraó, numa perseguição feita por ele a todos os meninos israelitas que nascessem: tinham que ser mortos. 

Depois de muitas peripécias e de muitas pragas, Moisés conseguiu tirar o povo do país. Atravessaram o Mar Vermelho a pé enxuto. (Esse mistério até hoje é estudado e nunca foi desvendado. Eu prefiro acreditar que eles passaram pela parte rasa do Mar Vermelho, na praia, aproveitando a maré baixa, auxiliados, é claro, por Deus). 

Por causa da falta de fé dos israelitas, que não quiseram tomar posse da terra prometida por medo de seus habitantes, por castigo ficaram 40 anos no deserto, quando no dia a dia se leva apenas 11 dias para atravessar. 

No deserto, no Monte Sinai, Deus deu a Moisés os dez mandamentos, que foi escrito em duas tábuas, guardadas na Arca da Aliança, que era venerada por eles mais do que a imagem de N. Sra. Aparecida é venerada por nós. Atribuíam à Arca grandes poderes, só podendo ser tocada por pessoas autorizadas. 

Os mandamentos foram um guia seguro para o povo, que era muito inconstante e muitas vezes se voltavam à idolatria, adorando bezerros de ouro e coisas desse tipo. Isso acarretou ao povo muitos problemas e castigos. 

Já na Palestina, após 40 anos, Deus suscitou os juízes para governarem o povo, substituídos depois pelos profetas e pelos reis. 

O primeiro rei de Israel foi Saul, depois Davi, depois seu filho Salomão, reinado em que o povo dividiu-se entre Israel (Norte) e Judá (Sul). A dinastia de Davi foi ameaçada várias vezes, mas Jesus nasceu dentro dela, como descendente de Davi, nos únicos 14 anos em que o mundo teve paz, no reinado de César Augusto, imperador de Roma, que havia conquistado quase todo o mundo civilizado da época, inclusive Israel e Judá. 

Jesus nasceu em Belém da Judéia, mas viveu em Nazaré, na Galileia, uma região que se havia separado de Israel, bem ao norte. 

Jesus chamou então os doze apóstolos que substituíram, como já dissemos, as doze tribos de Israel e deram origem ao cristianismo, sendo Pedro o primeiro chefe da Igreja, mudando a sede de Jerusalém para Roma. Ele está enterrado sob a Basílica de S. Pedro, no Vaticano. S. Paulo Apóstolo está enterrado na Igreja de S. Paulo- fora- dos- muros, também em Roma. 

O nosso Batismo e Crisma substituíram a circuncisão; o sacramento da confissão substituiu o batismo de S. João Batista. Poucos judeus acreditaram na divindade de Jesus. Os pagãos, entretanto se converteram em massa ao cristianismo, que logo acabou se separando do judaísmo. 

Para um melhor estudo, leia, por favor, logo que você puder, Gênesis 12 em diante. Êxodo todo, Atos 2,14-36 (discurso de Pedro)e o discurso de Estêvão, Atos 7. Há também um ótimo resumo em Eclesiástico 42,15 até 49,19 . 

 10-OS ENSINAMENTOS DE JESUS.  - QUEM É JESUS CRISTO.

É a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Nasceu da Virgem Maria e é 100% Deus e 100% homem. Antes de nascer, ele vivia no céu, na Santíssima Trindade, como diz João 1,1-3.14.

Jesus foi igual a nós em tudo, menos no pecado (veja Filipenses 2,5-11). Ele nasceu para nos ensinar o caminho do Céu e nos salvar. Por isso, obedeceu ao Pai em tudo e aceitou morrer na cruz, vencendo o pecado, a desobediência e a morte, ressuscitando no terceiro dia, abrindo-nos assim as portas do céu, fechadas pelo pecado original (de Adão e Eva). Agora ele vive novamente no céu, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem (veja Atos 2,32-3).

Muitos dos ensinamentos de Jesus estão reunidos no que chamamos “Sermão da Montanha”(Mt cap. 5,6 e 7; Lucas 6,20-49); outros, nas parábolas. A seguir coloco um resumo dos ensinamentos do Sermão da Montanha para lermos e meditarmos; mais adiante, os ensinamentos das parábolas:

a)- FELIZES OS POBRES EM ESPÍRITO

Ser pobre em espírito é não se apegar aos bens materiais, por saber que Deus nunca nos abandonará. Deixar os gastos supérfluos para ajudar os pobres e necessitados. A raiz de todos os males é o dinheiro, diz S. Paulo em Timóteo 6,7-10. Quem é pobre em espírito é feliz porque é livre: não é escravo do dinheiro. Jesus foi pobre e humilde e foi o homem mais feliz que existiu.

Apesar de ser dono de tudo o que existe, pois tudo foi criado por Ele, na Santíssima Trindade, ele quis nascer pobre, viver com os pobres, se alimentava na companhia deles (aliás, também com os pecadores), apesar disso ser proibido pela religião judaica. Ele diz em Lucas 9,58: “O Filho do Homem (=ele, Jesus) não tem onde reclinar a cabeça”.

Jesus só recebe por discípulo a quem renuncia a tudo o que possui e diz isso em Lc 14,28-33. Veja Isaías 58. Precisamos confiar em Deus e não ter medo do futuro. Ele sustenta até os passarinhos! (Mt 6,26). É infeliz quem se apega ao dinheiro e aos bens materiais, vivendo com ambição desmedida e desespero, trabalhando feito louvo por medo de passar necessidade. Não deve ser a atitude de quem confia em Deus e segue seus caminhos (Provérbios 23,26).

Em Lucas 14,33 ele diz: “Qualquer um de vós que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo!” Em Lc 6,24-25:”Ai de vós, ricos, porque tendes a vossa consolação! Ai de vós que estais agora saciados! Porque tereis fome!”.

Entretanto, Jesus falou a Zaqueu, após este ter prometido devolver quatro vezes o que roubara e dar metade do que tinha aos pobres (como era exigido naquele tempo para quem quisesse se arrepender e começar uma vida nova): “Hoje entrou a salvação nesta casa!” (Lc 19,9).

Também exigiu do jovem rico que ele vendesse tudo o que tinha para segui-lo (Lc 18,18-25). Jesus trouxe aos pobres a Boa-Nova da salvação. Em Mt 6,19-20, diz:”Não acumuleis tesouros para vós, aqui na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os roubam. Mas acumulai tesouros para vós no céu...” Em Mt 6,24: “Não podeis servir a Deus e às riquezas!”

Aprendamos a viver de modo simples, com o suficiente para uma vida confortável e digna,partilhando com os pobres e necessitados o que economizarmos. Deus nos ajudará e nada nos faltará, se soubermos, é claro, sermos vigilantes também no que se refere aos gastos supérfluos. Mateus 6,30-34:”Buscai em primeiro o Reino de Deus e tudo o mais vos será dado em acréscimo”.

b)- FELIZES OS MANSOS E HUMILDES DE CORAÇÃO

Jesus é manso e humilde de coração: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu peso é leve” (Mt 11,29) e quer que todos nós também sejamos assim. Ser humilde não é ser tímido, mas conhecer nossos limites e fraquezas e aceitá-los. É reconhecer os próprios pecados, desvios, maldade, pedir perdão disso tudo a Deus, confiando a Ele a própria vida, nunca desprezando ninguém (Tiago 2,1-7; Mc 2,15-17 e 6,37-44). Jesus morreu justamente porque enfrentou as autoridades de seu tempo, que escravizavam o povo.

Quanto mais nos conhecermos e nos aceitarmos, mais humildes e pacíficos seremos. Se confiarmos em Deus, seremos sempre pacientes e humildes. Acharemos tempo para tudo e nada nos irritará. Nunca teremos pressa e passaremos a tratar os outros como Jesus quer que os tratemos. Nunca querer fazer tudo sozinho, mas sempre buscar a ajuda de Deus e a das pessoas capacitadas para aquela ação. “Quando eu sou fraco então é que sou forte!” (2Cor 12,10). Isto acontece porque teremos a ajuda divina: “Sou pobre e indigente, mas Deus cuida de mim!” ( Salmo 41,18). O orgulhoso é abandonado às próprias forças. Deus dirige nossa vida e é poderoso para fazer qualquer coisa(Ef. 3,20).

A ira e o orgulho vêm da falta de confiança nele. Façamos calmamente a nossa parte, com nossos limites e deficiências, procurando aperfeiçoar com a prática, mas sempre em paz, como diz Santa Teresa de Jesus: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!” Foi essa humildade e confiança que permitiu a Maria conceber e dar à luz o Filho de Deus (Lc 1,46-54).

Sabemos que não somos humildes quando nos irritamos diante de alguma crítica à nossa pessoa. O humilde nunca se importará, porque se conhece e sabe se aquelas críticas são verdadeiras ou falsas e não precisa provar nada a ninguém. Perceba como ser manso e humilde nos deixa livres! A humildade nos traz o perdão de nossos pecados (Lc 18,9-14; 1Pd 5,5-7). Sendo mansos e humildes, seremos também puros de coração, que é não mentir, não ter duas caras, não usar máscaras e ser sempre sincero. Somos apenas o que somos diante de Deus, e nada mais!

c)- SEMPRE DARMOS BOM EXEMPLO

Jesus Cristo insistiu muito sobre o bom exemplo. O anúncio do Evangelho vem antes pelo testemunho que por outros meios, como diz Mc 6,7-13. Devemos não apenas proclamar, mas “gritar” o Evangelho com nossa vida, com nosso bom exemplo (Carlos de Foucauld). Desse modo, seremos o fermento da massa (Mt 13,33), o sal da terra, a luz do mundo. Isso inclui nunca julgarmos, que é o que fazemos quando julgamos que o outro fez o que fez por maldade, e nunca caluniarmos ninguém. Quantas vidas bonitas se perderam por causa da calúnia! Quando alguém é caluniado por coisas que não fez, passa a não dar mais bom exemplo, por causa do escândalo, e isso não é culpa dele (dela). Imaginem com que severidade vão ser julgados os que caluniaram!

Como acontece sempre, a vida de alguém caluniado é marcada para sempre e, faça o que faça, nunca vai ser acolhido como era antes das calúnias.

O bom exemplo de quem foi caluniado é, embora seja uma ação limitada, perdoar aos que o (a) caluniaram e recomeçar a vida como alguém que caminha num caminho de santidade. Muitos vão ver isso e sua vida passará a ser novamente um bom exemplo, embora com alcance mais limitado que anteriormente.

CATECISMO RESUMIDO-03


d)- PERDOAR SEMPRE E SEM LIMITES

Jesus diz que devemos perdoar setenta vezes sete vezes, o que significava para eles, perdoar sempre (veja em Mt 18,22). Em Lc 17,4,: “Se teu irmão pecar contra ti 7 vezes por dia e 7 vezes retornar dizendo que está arrependido, tu o perdoarás!”

 Em Mt 6, 14-15 Jesus diz que o Pai só nos perdoará se perdoarmos aos que nos ofenderam. Perdoar, porém, não é “deixar pra lá”. Se for preciso aplicar algum corretivo, devemos fazê-lo, mas sempre com caridade. Jesus pede, também para tirarmos qualquer pensamento de vingança. Diz Romanos 12,19:”A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o Senhor”.

Jesus quer que amemos a todos, sem ódio, sem ofensas, não rir dos outros, não humilhá-los, não julgá-los, não nos vingarmos. A vingança e a maldade não valem a pena! Nós somos sempre perdoados por Deus de pecados muito graves e por isso precisamos perdoar sempre aos que nos ofenderam em coisas que, diante do que devemos a Deus, é nada!

O súdito daquele rei da parábola devia a ele o equivalente a 3 milhões de gramas de ouro (faça a conta para ver que fortuna!), o que equivale 10 mil talentos (cada talento pesa cerca de 34 quilos). Ele foi perdoado, mas ao sair de diante do rei, não quis perdoar a um amigo que lhe devia o equivalente a 450 gramas de ouro. Resultado: o rei o chamou de volta e o mandou prender “até que pagasse tudo”, ou seja estaria até agora na prisão...

e)- DEUS SEMPRE NOS PERDOA !

Se ele nos pede isso, é porque também pratica! A condição que ele põe é que peçamos perdão. Os pecados graves devem ser confessados a um sacerdote (veja Mt 16,18-19; Jo 20,22-23; Tiago 5,16). Os outros pecados, que não são graves, são perdoados se pedirmos perdão diretamente a Deus e fizermos atos de misericórdia e de caridade: “A caridade cobre a multidão de pecados (1 Pd 4,8).
O que nos proporciona também o perdão de Deus são os atos de reparação, as orações, jejuns (mesmo pequenos e abrangendo a renúncia de alimento, tevê, bebidas, pelo menos de vez em quando). Diz 1 João 1,9; “Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a culpa”.

O único pecado que não tem perdão é o cometido contra o Espírito Santo, que consiste em achar que Deus não pode ou não quer nos perdoar, e por isso acabamos não pedindo perdão. Veja 1 Jo 5,16-17; Mt 12,31-32; Hb 6,6.

f)- A MISERICÓRDIA NOSSA E A DE DEUS.

Jesus é misericordioso. Diz Ef 2,4: “Deus é rico em misericórdia”. Ele quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las. Tg 2,15-26 diz que a fé, sem as obras, é morta: ou seja, precisamos demonstrar a nossa fé ajudando os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém.(Tg 2,1-10). 

Agindo assim, Deus também será misericordioso para conosco, não nos deixará faltar nada, como Jesus prometeu em Mt6,25-33. No Juízo Final seremos julgados segundo a misericórdia que tivemos ou não dos que precisam dela, como diz Mt 25,31-46. Diz também Tg 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre) o julgamento”. A misericórdia implica, também em não julgarmos a ninguém. Veja Mt 7,1-4 e 1 Pd 4,3.

g)- OS DOIS CAMINHOS

Deuteronômio 30,15-20 pede que há dois caminhos à nossa frente, para escolhermos um deles: o bem e o mal, a vida e a morte. Deus pede que escolhamos o caminho do bem, a vida.

Em Provérbios 23,26, Deus nos diz: “Meu filho, dá-me o teu coração. Que teus olhos gostem do meu caminho”. Jesus diz em Mt 7, 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque é larga a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela. Quão estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida! E quão poucos são os que acetam com ele!”.

Santo Tomás de Aquino diz que é preferível andar devagar e mancando no caminho do bem a correr no caminho do mal.

Jesus pede em Mt 5,48 que sejamos perfeitos como o Pai celeste é perfeito, e 1 Pd 1,16, que sejamos santos (ou seja, que escolhamos o caminho apertado do bem) como Deus é Santo.

Quem escolhe o caminho do bem, escolhe Jesus, estará construindo sua casa sobre a rocha (Jesus), como diz Mt 7,24-27; Lc 6,47-49, e não sobre a areia (o pecado, o egoísmo). Vento algum poderá derrubá-la.

h)- A CASTIDADE

Jesus foi contra o adultério. João Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes (Mc 6,17-29). Nenhum relacionamento sexual é permitido fora do casamento, como pode ser lido em Mt 5,27-32; Tg 4,4; Mc 6,17-29. Em João 8,11 Jesus perdoou a mulher adúltera, mas foi bem claro quando exigiu dela que mudasse sua vida: “Vai e não peques mais”.
Este é um assunto muito difícil, principalmente num mundo tão hedonista (=que ama o prazer pelo prazer) como o de nossa época, em que o sexo é idolatrado.

 É necessário não só muita vigilância e oração, mas também muita humildade para reconhecermos nossas fraquezas e limites nesse campo. Se não tivermos cuidado podemos também ser caluniados e, nesse campo, a calúnia pode nos levar facilmente à prisão e estragar nossa caminhada. Afirmo e repito: neste assunto, “todo cuidado é pouco”.

Quanto ao homossexualismo e desvios em geral, a Igreja é bem clara: fora do casamento entre um homem e uma mulher, qualquer tipo de relacionamento sexual é pecado. Sem exceções. Os que sofrem esses distúrbios devem procurar uma vida casta, fortificando-se pela oração, vigilância e trabalhos que sublimem os impulsos sexuais. Nunca é tarde para recomeçar.

Levar uma vida casta hoje em dia é muito difícil, mas é algo muito compensador: o nosso relacionamento com Deus e com os (as) irmãos (ãs) se estrutura numa amizade sólida e forte, a paz inunda nosso ser de tal forma que nos enleva ao paraíso mesmo em vida. Passamos a ver as pessoas com outros olhos, sem aquela malícia de quem pratica esses atos indiscriminadamente. 

As tentações são fortes em certas ocasiões, em certos dias, mas depois se enfraquecem e nos deixam um pouco em paz. Esses dias de paz compensam todos os dias de tentações, se as vencermos.

i)- OS MANDAMENTOS

Os três primeiros se referem a Deus. Os outros sete se referem a nós e ao nosso relacionamento com as pessoas:

I- EM RELAÇÃO A DEUS

1-Amar a Deus sobre todas as coisas;

Ou seja, nada do que existe pode tomar o lugar de Deus em nossa vida. As idolatrias atuais, como o apego ao poder, dinheiro, prazeres, são pecados graves
.
2- Não tomar seu santo nome em vão;

Nunca falar o nome de Deus em piadas, em brincadeiras ou qualquer coisa que não seja séria. Nunca jurar pelo nome de Deus nem por nada. Seja o nosso sim sim, o nosso não, não.

3- Guardar os domingos e dias santos;

Isto implica em prestar culto a Deus aos domingos, dias santos e sempre que for possível. Quando não pudermos fazer isso no domingo, façamos num outro dia livre.

II- EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO

4- Honrar pai e mãe;

Honrar significa, principalmente, nunca deixar faltar nada aos pais, tanto material como espiritualmente; se os pais ficarem esclerosados, não abandoná-los. Se for necessário a internação numa casa de repouso, que seja digna, limpa e honesta. 

O quanto for possível, os pais idosos devem conviver com os filhos, ou seja, nunca serem abandonados. Lembro que não se trata apenas de obedecê-los. Depois dos 21 anos, ninguém mais precisa obedecer aos pais, a não ser em coisas proibidas por Deus ou pela Igreja.

5- Não matar;

Não só não matar, mas também não odiar, não prejudicar a ninguém, não enganar ninguém, não fazer ninguém de bobo etc. Devemos amar até os inimigos, sempre nos lembrando que amar não é gostar. Precisamos amar até as pessoas de quem não gostamos.

6- Não pecar contra a castidade;

Qualquer ato sexual consentido fora do casamento é pecado. Mesmo no casamento, nem tudo é permitido.

7- Não furtar;

Nunca prejudicar ninguém nesse assunto. Ser sempre honesto com todos. Quem rouba não tem a proteção de Deus: vai ter que se virar sozinho e isso implica em nunca ter o suficiente para viver: estará sempre procurando a quem roubar ou furtar. Os que furtam ou roubam nunca estarão satisfeitos com o que conseguiram.

8- Não levantar falso testemunho;

Isso é muito importante. No tempo de Moisés, duas testemunhas que estivessem concordando com alguma acusação poderiam condenar uma pessoa à morte! Acusar os outros é algo muito grave, principalmente as calúnias. Uma senhora foi a S. Francisco de Sales falar que havia espalhado uma calúnia contra uma pessoa. 

O santo pediu que como penitência ela espalhasse as penas de uma galinha pela cidade. No dia seguinte ela voltou para a absolvição e ele lhe pediu que recolhesse todas as penas espalhadas. Coisa tão impossível quanto reparar o dano cometido após uma calúnia.

9- Não desejar o cônjuge (homem ou mulher) do próximo;

Jesus disse que nem em pensamento devemos desejar a mulher ou o marido de outra pessoa. Qualquer pensamento nesse sentido deve ser logo combatido para não se instalar em nossa mente.
10- Não cobiçar nada que não seja seu.

Não cobiçar não significa que não podemos achar bonito ou admirar o que é de outra pessoa. O que é proibido é a inveja, o desejo exagerado de ter o que é de outros.

Jesus resumiu esses dez mandamentos, no início de seu ministério, em dois, que na verdade são três:

1-Amar a Deus sobre todas as coisas,

2- Amar ao próximo

3- Como a si mesmo.

No final de sua vida, ele resumiu os dez mandamentos em apenas um: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS TENHO AMADO” (Mc 12,28-34;Jo13,34-35)



CATECISMO RESUMIDO- 04



11- O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO


Deus nos quer felizes (João 10,10b) mas permite os sofrimentos para purificar-nos, a fim de transmitir-nos a sua santidade e poder receber-nos no céu (Hebreus 12,4-13). Ofereçamos, pois, todos os sofrimentos que não pudermos evitar como reparação de nossos pecados e para nossa santificação, pois “Coisa alguma imunda entrará na Cidade Celeste” (Apocalipse 21,27).

Jesus, Filho único de Deus, também sofreu muito para nos salvar. Às vezes sair de um sofrimento não depende de nossa fé em Deus, mas de sua Santíssima vontade. Se ele não nos libertou ainda de muitos problemas e de certas condições sofridas de vida, só ele sabe o porquê, pois “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos” (Efésios 3,20). 

Talvez se nos libertarmos do problema em questão não vençamos o pecado e desse modo não possamos ser recebidos no paraíso, que é o que Deus quer para nós. De nada vale vivermos libertos, saudáveis materialmente mas em pecado: viveremos bem esta vida, mas... e a vida eterna? 

Cabe a nós confiarmos nele e aguardarmos com confiança, humildade e paciência a libertação. Deus sabe a hora certa para nos libertar. Não maldigamos a Ele e a ninguém, por pior que esteja nossa vida. Ainda podemos ser felizes!



12- OS CINCO PASSOS PARA UMA VIDA SANTA.


Eu costumo indicar cinco passos para quem quer levar uma vida mais santa:

1º PASSO – Rezar (orar) pelo menos uma hora diária ou, melhor que isso, 2 h 24 minutos, que corresponde ao dízimo de oração de um dia.

2º PASSO – Conhecer-se a si mesmo e aceitar os próprios desvios, fraquezas, problemas, vícios, limites, manias, preguiça, vaidade, prepotência, mentiras, orgulho etc., a fim de vencê-los aos poucos. Enquanto não aceitarmos humildemente reconhecer nossos limites e deficiências, não conseguiremos “alçar voo” rumo à santidade.

3º PASSO -  Pedir perdão de tudo isso a Deus e pedir-lhe também força e coragem para mudar de vida.

4º PASSO – Ler a bíblia diariamente e outros livros católicos. A boa leitura converteu Santo Inácio de Loyola e muitos outros santos.

5º PASSO – Vigiar, além de orar, e pedir ajuda quando for preciso (Mateus 26,41). Sem a vigilância de nada valerá a oração. Em caso de muita dificuldade em deixar o pecado ou as más orientações de sua vida, procurar a ajuda de uma pessoa competente e capacitada, como um psicólogo cristão ou um sacerdote capacitado para direção espiritual. Repito: peça ajuda sempre que precisar!



13– A ORAÇÃO


Jesus, como ninguém, deu-nos exemplo de oração. Ele rezava sempre, em todas as ocasiões, sozinho, no silêncio, e com os demais, no templo.

Em Lucas 9,18, mesmo estando no meio dos discípulos, mostra que ele rezava sozinho. Neste mundo tão barulhento e conturbado é preciso aprender a se isolar quando necessário!

Veja também estes trechos sobre a oração:

Mt 14,19.23; 26,36-44; Mc 1,35; Lc 5,16; 15,36; 26,26-27; 3,21; 6,12; 11,1; 9,18.28-29; João 17,1-5; 14,16.

A oração pode ser individual ou comunitária; vocal ou mental e de contemplação. Há um modo muito difundido atualmente de oração chamada “Leitura orante da bíblia”.

Consiste em seguir este roteiro:

1 – Ler um trecho;

2 – Meditá-lo;

3 – orar sobre o que se meditou

4 – Contemplar Jesus baseando-se no texto e na oração.

A oração proposta como modelo por Jesus é o Pai-Nosso, em que fazemos sete pedidos principais, sendo três deles em relação a Deus (Santificado seja vosso nome;  venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade) e quatro em relação a nós próprios e a nossos semelhantes (o pão nosso de cada dia nos dai hoje;  perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; não nos deixeis cair em tentação; livrai-nos do mal). Veja o Pai-nosso em Mateus 6,9-13. Diz Santo Agostinho que qualquer pedido que façamos a Deus já está incluído na oração do Pai-nosso.

Há algumas parábolas que falam da oração, como O amigo importuno (Lc 11,5-8); O fariseu e o publicano (Lc 18,9-14); O juiz iníquo (Lc 18,1-8).

Diz 1 Tess 6,17 que devemos “ORAR SEM CESSAR”, sem desânimo. Se não cometermos pecado, tudo o que fizermos de bom e oferecermos a Deus, será oração! Se não recebermos as graças é porque Deus tem outros planos em seus desígnios. O padre Fernando Cardoso disse, numa de suas homilias (www.padrefernandocardoso.com.br) que ele agradece a Deus por não tê-lo ouvido em várias orações que fez, porque estaria arrependido agora se então tivesse sido atendido. E é a mais pura verdade.

Outra coisa que é bom dizer aqui é que a oração, seja ela qual for, não é “poderosa” em si mesma. Não existe essa história de oração poderosa. Qualquer oração depende da vontade de Deus para ser atendida e de nossa necessidade, aliada à nossa sinceridade. Por isso é errado “determinar” ou praticamente “obrigar” Deus a nos atender. Acho muito oportuno o que Tiago diz em Tiago 4,3-4.14.16 sobre colocarmos nossos pedidos diante de Deus com humildade, deixando que Ele decida o que vai fazer.

Quanto à oração comunitária, procuremos seguir as Missas, as celebrações da Palavra, pelo menos uma vez por semana, aos domingos, os grupos de oração, numa determinada comunidade e atuemos nela com um apostolado fecundo! Procuremos conhecer e seguir as normas litúrgicas e nunca deixar de participar das atividades paroquiais.

Quando não pudermos participar da Missa no domingo por estarmos longe da comunidade, como nas férias ou num final de semana na praia, ou por estarmos trabalhando no domingo, consigamos pelo menos mais uma pessoa e façamos a leitura de um trecho da Bíblia, rezemos algumas orações como o Pai-nosso, a Ave-maria e o Glória ao Pai por nossos parentes, amigos, conhecidos, pelo Papa, pela Igreja e por todos. Essa prática substitui de certo modo a participação à Santa Missa quando estamos impedidos de participar dela.

Pela oração estamos sempre em contato com Deus, que nos inspira tudo o que precisamos  nos santificar. Leia também, quando tiver um tempinho: Mt 11,25; 13,11; Sabedoria 1,1-2; Lamentações 3,26; Oséias 2,14.



14- A VIGILÂNCIA


Sem a vigilância a oração é fraca e não dá resultado. Jesus manda vigiar sempre. Com a vigilância vencemos todas as nossas más tendências  e vícios porque não damos chance para o pecado.

Deus é todo – poderoso e pode nos livrar de todos os pecados e perigos, mas nós é que temos que lutar, demonstrando, assim, para Ele que queremos nos livrar daquilo. Temos o livre-arbítrio e Deus o respeita plenamente. Ele não vai lutar em nosso lugar.

O próprio São Paulo Apóstolo, que era um homem de muita fé, bem superior a nós todos, não conseguiu livrar-se de um problema narrado em 2 Cor 12,7 e teve que continuar vigiando e lutando.

Vigiar exige que nos conheçamos profundamente e aceitemos os próprios erros. Ou seja, exige muita humildade. Quem é vaidoso e orgulhoso nunca acha que vai cair, e acaba mesmo se esborrachando. Quantas vezes eu e você não fizemos isso? Enfrentamos o leão sem arma alguma e nos danamos.

Vigiar exige também que peçamos perdão das faltas que já cometemos. Isso mostra que não queremos mais cair naquele e em outros pecados. Evitaremos, então, as ocasiões de pecar, se soubermos os nossos pontos fracos naquele determinado assunto. Aliás, todos somos fracos! Não há uma só pessoa no mundo que seja forte. Há pessoas fracas e pessoas que rezam e vigiam. Os que não rezam são fracos. Os que rezam e vigiam se tornam fortes.

Vou dar alguns exemplos: o alcoólatra deve vigiar para não tomar o primeiro gole; o fumante que deseja deixar o vício deve vigiar para não fumar o primeiro cigarro; o diabético deve vigiar para não comer doce algum; quando você percebe que vai encontrar alguém com quem tem muita discordância e frequentes discussões, vigiar consistiria, se não der para não se encontrar com essa pessoa, precaver-se em conversar calmamente, em não discutir nem brigar. É como diz João 8,32: “A verdade vos libertará!”

Se você está a fim de meditar mais sobre esse assunto, eis algumas indicações:

Mateus 26,41; 1 Pedro 5,8-9; 1 Tim 4,16; Marcos 13,33-37; Apocalipse 16,15; Mt 5,13-19; 5,27-48; Colos 3,9; Rom 2,1-2;12,20; Mt 6,16-18; Isaías 58,6-10; Mt 7,1-5; Tiago 4,12; Mt 25,1-13; 24,42-44; Lc 12,35-40. Se vigiarmos, vamos conseguir cumprir tudo o que Jesus disse acima.



15- AS PARÁBOLAS DE JESUS

Além dos ensinamentos que vimos até agora, dados no sermão da montanha em Mateus (5,6 e7) e no sermão da planície de Lucas (6, 20s), Jesus ensinou muitas coisas por meio de parábolas e alegorias.


Parábola é uma história que tem um sentido geral, ou seja, não tem sentido ficarmos perguntando o que isto ou aquilo dentro da parábola significa, mas tentarmos perceber o sentido geral do texto. É o caso, por exemplo, da parábola do administrador infiel, em que não perguntamos o que significam os barris de óleo etc.


Alegoria é a história em que cada parte tem seu significado, como por exemplo a parábola do semeador: a semente que cai na pedra é uma coisa, a que cai no caminho é outra etc. Assim também como na parábola da vinha abandonada (Lc 20,9—19), em que a vinha é o povo de Deus, os servos e empregados são os profetas e o filho do dono é Jesus.


Eu distribuí as parábolas em vários temas principais, embora algumas delas caibam em  mais de um tema. Eis a lista:

a)- USAR OS BENS QUE  PASSAM

Para garantir a vida eterna:- Lucas 16,1-9.19-31; 12, 16-21; 10.25-37


b) – O alimento não nos deixa impuros: Mateus 15,11. São nossas ações que deixam o coração impuro, e não o que comemos ou deixamos de comer. Só são proibidos os alimentos que fazem mal a certos doentes, como o açúcar para os diabéticos, a bebida alcoólica para os alcoólatras etc.


c)- Aceitar Jesus como nosso Salvador e Senhor: Lucas 14,16-24;     5,37-39;   20,9-19;   6,47-49;  


 Mateus 22,1-14;    7,24-27;  21,28-32;     21,33-46;      18,12-13;   9,16;    13,1-23    


Marcos 12,1-12;    2,22


João 10,1-6; 15,1-8


Nessas parábolas os judeus não aceitaram Jesus como o Messias. Se o aceitarmos, se o obedeceremos, se seguirmos o que ele nos ensinou, vamos nos salvar. Ele é o bom pastor e nós somos suas ovelhas perdidas.


d)- A santidade de vida: Lucas 6,47-49; 17,7-10;  5,36-39;   18,9-14;   19,11-27.


Mateus 7,24-27;   5,15;    13,52;   13,44;  13,45-46;   9,16;  25,11-30;   13,33;  13,1-23;   5,13.


Marcos 4,3-14;   9, 49-50;    2,21;  


João 12,24


e)- A vigilância: Mateus 25,1-13;   24,42-44;


Lucas 12,35-40


f)- O perdão: Lucas 7,41-42;  15,1. 7.11-32; 


Mateus 18,23-35


Marcos 4,24.


g)- A paciência: Lucas 13,6-9;


Mateus 13,24-43


h)- O Reino de Deus: Lucas 13,18


Mateus 13,31-32;  13, 45-46; 13,1-23; 20,1-16; 13,47-50


Marcos 4,30;   4,26-29;


João 12,24


i)- Confiar plenamente em Deus : Lucas 14,28-30;     14,31-33





16- OS MILAGRES DE JESUS

Diz o Frei Carlos  Mesters em seu livro “Deus, onde estás?”  que os milagres são “Amostras grátis”  do Reino de Deus. O que acontece nos milagres é o que Deus quer que seja comum no nosso dia-a-dia, que será possível se vencermos o pecado, o mal, a vingança, a cobiça, a inveja, as guerras, o ódio etc.


Jesus usa os milagres para manifestar a sua divindade. Eles se destacam por sua simplicidade. Também inauguram a vitória do Espírito Santo sobre o império de Satanás e sobre as forças do mal, sobre os pecados e as doenças. O maior milagre de Jesus foi, é claro, sua ressurreição.  (Mt 12,29—40).


Na verdade, qualquer pessoa pode ser o canal da graça de Deus, mesmo sendo pecadora. Deus faz o que Ele bem quiser, do jeito que Ele quer e não precisa de intermediários. Quando ele usa alguém como seu instrumento, o faz porque a coisa é séria e grave e geralmente não há, no caso, nenhuma solução humana. No mais, Ele deixa a coisa correr, desde que lhe permitamos de agir. Aí ele pode executar a sua vontade. Deus permite os acontecimentos mesmo quando não são de sua vontade.


O perigo que vejo, atualmente, é a busca excessiva de milagres e graças que às vezes podem ser por outros modos, antes de se apelar apenas para a Graça de Deus. Muitas pessoas não buscam a ajuda médica e especializada (às vezes porque não querem, às vezes porque são pobres e impossibilitadas) e buscam resolver todos os seus problemas por meio da magia. Exigir de Deus o milagre é tentá-lo!


O correto é fazer a nossa parte, dentro de nossos limites, procurando a medicina atual, e procurando fazer a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que pedimos a graça ou mesmo o milagre. Ele nos dará a cura, até às vezes por meio do médico, que fará corretamente seus procedimentos porque, pela nossa oração, será assistido por Deus.


Em 2Cor 12,7-9, S.Paulo pede três vezes a Deus que o livre de um sério problema (não se sabe o que era), mas não foi atendido. Só recebeu o conforto de Deus e nada mais. Digamos, então, como o apóstolo S. Tiago em Tg 4,15: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto e aquilo”.


A conclusão é a que já mencionei antes, no texto sobre a oração: não determinemos nada! Apenas coloquemos nossos problemas, doenças, limites, projetos diante de Deus suplicando-lhe as graças de que necessitamos. Ele sabe o que é melhor para nós e, quando nos nega algo, é porque isso iria prejudicar a nossa salvação eterna. Lembrem-se de que ele nos conhece muito mais do que nós mesmos.