sábado, 11 de fevereiro de 2012

4-O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTOS



                                  
1-O ANTIGO TESTAMENTO

Temos vários relatos resumidos da história do povo de Deus na bíblia. Um deles é o trecho dos Atos dos Apóstolos, capítulo 7, versículo 2 até o versículo 47. Outro trecho, um pouco maior, você encontra no livro da Eclesiástico, do capítulo 44 até o 50. Ali são comentados todos os fatos bíblicos, erros e acertos.

Em rápidas pinceladas, podemos dizer que o povo de Deus teve início com Abraão, que foi o primeiro a acreditar no Deus único e invisível, ainda quando estava em UR, na caldéia. Os demais vizinhos dele acreditavam em deuses falsos, feitos por mãos humanas, representados em diversos tipos de estatuetas. Isso foi mais ou menos no ano 1850 antes de Cristo (AC). Deus fez com ele uma aliança, cujo sinal era a circuncisão, que marcava quem era do povo de Deus. Jesus a substituiu pelo Batismo, como você pode ler em Romanos cap. 2 vers. 29 e Colossenses, cap. 2, vers.11-12.

O herdeiro de Abraão foi Isac. Isac, por sua vez, teve dois filhos: Esaú e Jacó, gêmeos (Gn 17 e 25). Jacó, o herdeiro de Isac, teve doze filhos, um deles José.

Com José (1650 AC), filho de Jacó, bisneto de Abraão, também chamado de Israel,o povo de Deus foi para o Egito, onde cresceu. Os 12 filhos de Israel (ou de Jacó) deram origem às 12 tribos de Israel. Na verdade, o filho dele chamado Levi não deu origem a nenhuma tribo, pois ficou encarregado do culto, do serviço no templo, como uma família sacerdotal, e o seu direito passou ao segundo filho de José. Por isso, os dois filhos de José deram origem a duas das doze tribos.

Depois de José, o povo de Deus, já numeroso, foi escravizado pelo faraó, que não conhecera José (Êxodo 1,8). Lá pelo ano de 1250 AC surgiu um líder hebreu, Moisés, criado pela filha do faraó, por uma providência divina, que libertou o povo hebreu do Egito, rumo à Terra Prometida, Canaã. Foi muito difícil essa libertação. Moisés precisou aplicar 10 pragas, sendo a última a pior delas: a morte de todos os primeiros filhos (primogênitos) dos egípcios ====(Êxodo 13,17-22).

Na caminhada para a terra prometida, que conhecemos como Palestina, o povo pecou várias vezes contra Deus, adorando o bezerro de ouro e se queixando das agruras do deserto. Por isso, uma caminhada que demora cerca de onze dias, demorou quarenta anos! Talvez possamos aprender, com isso, que tudo fica mais fácil quando obedecemos a Deus.
Se pecarmos e o desprezarmos, nossa luta sempre será solitária, baseada nas próprias forças. Com a presença de Deus, tudo se realiza a seu tempo. A história de Moisés e a libertação do povo do Egito podem ser vistos no livro do Êxodo.

Durante a caminhada Deus deu a Moisés as tábuas com os dez mandamentos, que deveriam ser observados pelo povo, um guia seguro de sua nova vida. Essa história toda está contada no livro do Êxodo, no Deuteronômio, Jesus transformou esses dez mandamentos em três:

1º – Amar a Deus sobre todas as coisas;
2º – amar ao próximo;
3º – como amamos a nós mesmos.

Já na Palestina, onde o povo tomou posse de muitas terras, para mostrar ao povo o verdadeiro caminho, Deus lhe enviou os juizes, dos quais o mais conhecido é Sansão (Juízes 2,16-19; 13,1-5; 24-25). Os reis substituíram os juizes. Nesse meio tempo, surgiram os profetas. O último juiz e primeiro profeta mais conhecido foi Samuel, que ungiu o rei Saul e depois David. Apesar desses orientadores todos, o povo vivia desobedecendo a Deus e praticando a idolatria.

Foi o próprio povo que pediu a Samuel que nomeasse um rei para substituir o juiz. Ele ungiu, então, Saul, como o primeiro rei de Israel. O segundo foi Davi e o terceiro, Salomão (1Samuel 8,1-22). Jesus é descendente do rei Davi. Foi nessa época (mais ou menos no ano 1000 a.C ) que a bíblica começou a ser escrita.

Depois de Salomão, na briga por sua sucessão, o reino de Israel se dividiu em dois: o reino de Israel, ao Norte, e o reino de Judá, ao Sul. Só bem mais tarde se uniram novamente, depois que os judeus e os israelitas ficaram exilados (mandados fora de sua terra) por 50 anos, na Babilônia.

Quanto aos profetas antes e depois do exílio, lembramos Isaías, Jeremias, Ezequiel, Baruc, Daniel,
Amós, Oséias, Jonas etc. Depois da volta do exílio até hoje, esse povo nunca mais teve plena liberdade. Só uma pequena parte do povo acreditou que Jesus é o Messias que esperavam. A maioria do povo judeu, que está espalhada pelo mundo, ainda espera a vinda do Messias. Eles acham que ele será poderoso e rico.

Na única época em que o mundo conheceu a paz por 14 anos, sem guerra alguma, nasceu Jesus, da descendência do rei David. Nasceu de uma virgem, Maria. Ele convocou os 12 apóstolos, de certo modo para substituírem as doze tribos de Israel, e deu origem ao novo povo de Deus, a Igreja cristã. Para entrar no judaísmo era necessário a circuncisão. Para entrar no novo povo de Deus, é necessário o Batismo, que substituiu a circuncisão.

O cristianismo separou-se, então, do judaísmo e acolheu os pagãos, coisa que os judeus não faziam.
Depois que Jesus Cristo morreu os Apóstolos e os discípulos receberam o Espírito Santo e, corajosamente, foram pregar o evangelho a todos. Muitos morreram mártires porque insistiram em proclamar a Palavra de Deus em lugares onde o politeísmo era a religião oficial do governo.

O último apóstolo que morreu foi São João, velhinho, com cerca de 100 anos de idade. Com a morte dele, encerra-se o período da revelação. Nada do que foi revelado após a morte dele pode ser contrário à verdade da fé contida na bíblia e na tradição consagrada, mesmo em relação às mensagens que N. Senhora fez em suas aparições.

A divisão da bíblia e os nomes dos livros, e a explicação de todos eles, você encontra em qualquer bíblia católica. Acostume-se a ler essas explicações.






        



2- OS EVANGELHOS

Os três primeiros evangelhos são conhecidos como “sinóticos”, porque são parecidos um com o outro: Mateus, Marcos e Lucas. O quarto evangelho é o de João, e é um pouco diferente dos demais.

O Evangelho de Marcos apareceu por volta do ano 64 (para alguns estudiosos, ano 67-68) de nossa era e, portanto, é o mais antigo. O de Mateus e o de Lucas, por volta do ano 70-75 (para alguns, 80-83). Houve um evangelho de Mateus escrito em aramaico, mais antigo, mas se perdeu. Os sinóticos aproveitaram vários textos desse antigo evangelho. O de João apareceu por volta do ano 95 (para alguns, 90).

Se lermos com atenção os evangelhos, vamos ver que alguns fatos são relatados com diferenças. Por exemplo: no Sermão da Montanha de Mateus, Jesus teria falado: “Bem aventurados os pobres  em espirito”. Em Lucas, que faz o sermão de Jesus ser dito numa planície e não numa montanha, Jesus teria dito: “Bem aventurados os pobres”. Nunca saberemos o que realmente Jesus falou. Essas diferenças são normais, porque eles não escreviam os fatos, mas os contavam de pai para filho, e isso se dera havia mais de 35 anos! Os detalhes de cada evangelho, você pode estudar na introdução de cada um deles, na sua bíblia preferida.

Quanto mais novo é o evangelho, mais se aprofunda na vida de Jesus. Assim, o evangelho de Marcos, que é o mais velho, inicia o relato na vida pública de Jesus, aos 30 anos; Mateus e Lucas, que são um pouco mais novos, começa a narração na anunciação do anjo a Nossa Senhora e a São José. O evangelho de João, que é mais recente, inicia a narração com Jesus antes de nascer, quando ainda ele era o “Verbo de Deus” (veja João capítulo 1).


2- OS ATOS DOS APÓSTOLOS

Vem logo depois dos evangelhos e foi escrito por S. Lucas, autor do terceiro evangelho. Narra o começo da Igreja cristã após a morte e a ressurreição de Jesus. Veja um pequeno resumo:

cap. 1- A ascensão de Jesus, a Igreja de Jerusalém, a substituição de Judas Iscariotes por Matias;

cap. 2- o dia de Pentecostes e o discurso de Pedro sobre a pessoa de Jesus Cristo. Relata fatos sobre a primeira comunidade cristã e a partilha de bens.

Cap. 3- a cura do aleijado por S. Pedro e suas consequências;

cap 4- O julgamento de Pedro e João.

Cap. 5- O castigo de Ananias e Safira por terem mentido.

Cap 6- os sete diáconos e a prisão do diácono Estêvão

cap 7- discurso de Estêvão e sua morte. A menção de Paulo, que segurava as roupas dos apedrejadores.

Cap 8- o diácono Filipe e suas ações.

Cap 9- conversão de S. Paulo. Pedro ressuscita uma mulher.
Cap. 10- A conversão da família pagã de Cornélio

Cap 11- Explicação de Pedro sobre Cornélio e o início da abertura da Igreja para os pagãos. A fundação da Igreja em Antioquia.

Cap 12- Prisão e libertação milagrosa de S. Pedro.

Cap 13 a 15 – Missão de Barnabé e Paulo. O Concílio de Jerusalém.

Cap 16 a 19,20 – Missões de Paulo, Timóteo, Silas. Tessalônica. Beréia. Atenas. Pregação famosa de Paulo ao Deus desconhecido. Corinto. Apolo segue o cristianismo. Éfeso.

Cap. 19,21 a 28- Prisões de Paulo e as peripécias de sua missão entre uma missão e outra.


3- AS CARTAS DE SÃO PAULO


São treze epístolas (=cartas): uma aos romanos, duas aos coríntios, uma aos gálatas, uma aos efésios, uma aos filipenses, uma aos colossenses, duas aos tessalonicenses, duas a Timóteo, uma a Tito e uma a Filêmon.

Na verdade, a maioria das cartas de S.Paulo apareceram antes que os evangelhos. O relato da Eucaristia, por exemplo, no capítulo 11 da 1ª Coríntios, foi escrito antes que o mesmo relato em Mateus, Marcos e Lucas. 1ª Tessalonicenses, por exemplo, apareceu entre os anos 51 e 52, portanto cerca de 15 anos antes que o primeiro evangelho.

Já a carta aos Hebreus não consta ser de autoria do apóstolo Paulo. Presume-se que seja de discípulos dele e foi escrita depois do ano 70. Alguns estudiosos a colocam no ano 80.

S. Paulo é um apóstolo admirável. Supera todos os demais em apostolado e evangelização, expandindo o cristianismo por todo o mundo conhecido na época. Por meio dele e de sua insistência, o evangelho foi dado também aos gentios, povos não judeus. Ele é chamado o “Apóstolo dos gentios”. Quem quiser ser como ele, tem que começar amando intensa e apaixonadamente a Deus e ao próximo. A máxima lei que devemos seguir é o amor, pois sem amor, nada do que fizermos vai valer alguma coisa.


4-AS DEMAIS CARTAS


Temos uma carta de Tiago, duas de S. Pedro, três de S. João e uma de Judas Tadeu. Valem a pena ser lidas. É muito bonita e profunda a reflexão que Tiago faz, por exemplo, no capítulo 2 de sua carta, com referência à “língua”, ou seja, às palavras, e o cuidado que temos de ter para que não ofendam ao próximo nem a Deus. Depois de falarmos uma coisa, não vamos mais poder arcar com as consequências do que falamos. A língua é como o leme de um navio: pequeno, mas controla todo o resto, que é pesadíssimo.

No capítulo 5, Tiago fala sobre o sacramento da unção dos enfermos e o perdão dos pecados, se pedirmos perdão “uns aos outros”. O padre está representando esses “outros”, no sacramento da confissão. Aliás, na hora da confissão o padre é o próprio Cristo, por mais pecados que tenha.

S. Pedro fala coisas maravilhosas no capítulo 5 de sua primeira carta: coloquemos nossas preocupações em Deus, porque Ele cuida de nós. É como diz Santa Teresa d”Ávila: “Só Deus basta!”

São João faz um verdadeiro tratado do amor em suas cartas, principalmente na primeira: quem diz que ama a Deus, que não vê, mas não ama ao irmão, a quem vê, é um mentiroso. Fala também que é por puro amor que Deus perdoa os nossos pecados, se nos perdoarmos mutuamente. Fala também da diferença entre pecados mais leves e pecados graves, “que levam à morte”.


5- O APOCALIPSE



Muitas pessoas fazem uma tempestade num copo d'água ao lerem o Apocalipse e tentarem uma explicação. Ele foi escrito pelo Apóstolo São João, quando estava na Ilha de Patmos, preso, e precisava falar com a comunidade cristã. Ele escreveu também o quarto evangelho e três cartas.

Como estava havendo muita perseguição aos cristãos, ele precisou escrever sua mensagem em códigos, que seriam decifrados, entendidos pelos cristãos, mas não pelos pagãos e romanos perseguidores.

É um livro destinado a dar confiança aos cristãos da época, perseguidos e mortos em praça pública. As autoridades romanas queriam que os cristãos adorassem divindades pagãs e abandonassem o cristianismo.

Um dos deuses dele era o próprio imperador! Adoravam também Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno Urano, Netuno, Plutão, que deram seus nomes aos planetas e aos dias de semana. Em inglês até hoje conservam a origem pagã. Saturday, por exemplo, o nosso sábado, vem de Saturno: o dia de saturno. Sunday, domingo, era o dia do deus sol. Em português não conservaram essa origem pagã.

Frei Gorgulho e Ana Flora Andersen têm um livro sobre o Apocalipse que resume tudo: “NÃO TENHAM MEDO!” E é isso que S.João queria dizer aos cristãos: Não tenham medo das perseguições, da morte, das pessoas porque, para os que crêem e seguem Jesus Cristo, não há medo, não há condenação, não há nada que possa prejudicar a vida eterna. Temam apenas os que matam a alma,e nisso está incluído o pecado. A pior morte é a segunda, ou seja, a morte eterna.

Acredito que se lermos o Apocalipse com a primeira carta de S. João e o Evangelho na mente, vamos saber exatamente o que ele está dizendo com todos aqueles símbolos. Em Apocalipse 21,27, ele nos diz que nada de imundo entrará na Jerusalém Celeste, que é o paraíso.


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