sábado, 21 de julho de 2012

MATEUS CAPÍTULO 25





Mateus 25, 1-13:- =A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS

Essa parábola foi modificada por quem escreveu o Evangelho de Mateus para os seus ouvintes dos anos 70 depois de Cristo, época em que foi publicado. A princípio, Jesus teria falado de uma festa de casamento: o noivo ia à casa da noiva buscá-la, levava-a para casa e ficavam mais ou menos uma semana em festa. As outras “virgens”, que naquele tempo significava “moça solteira”, eram as colegas da noiva, que a acompanhavam para a festa. 

A intenção de Jesus seria a de mostrar que o povo estava dividido em relação a Ele (=o noivo). Alguns o aceitavam, outros não, Mateus (ou o escritor final do evangelho de Mateus, modificou a parábola, acrescentando tudo o mais, a fim de acalmar o povo dos anos 70, que achava que Cristo estava demorando a vir, conforme o prometido. É que naquele tempo todos esperavam a volta triunfal de Cristo. Mesmo S. Paulo, só bem depois de sua conversão, percebeu que Jesus não viria tão já. 

O trecho, como está atualmente, quer nos lembrar de que ninguém tem o poder ou a capacidade de “emprestar” sua vida aos outros, Nossa vida só poderá ser vivida por nós. Poder se arrepender, no fim da vida, de pecados e de talvez uma vida devassa que se tenha levado, não quer dizer que a pessoa está preparada para pedir perdão. Pode acabar morrendo em pecado, pois,como diz a parábola, por melhor que seja seu amigo, ele não poderá “emprestar” a você as boas obras que ele fez, nem a vida santa que viveu. É o “óleo” das virgens prudentes.

Não sabemos nem o dia e nem a hora de nossa morte. Devemos estar sempre preparados, ou seja, santos! E um autor lembra de que as moças eram virgens! Mas nem assim entraram nas núpcias. A castidade, a virgindade, não tem valor se pecarmos de outras formas, como a vaidade, o orgulho, a prepotência etc.

Mateus 25,14-30:- OS TALENTOS

Um talento equivalia na época o trabalho de um operário em 20 anos. Hoje em dia, ganhando um salário mínimo por mês, colocando o 13º junto, um operário precisaria trabalhar 313 anos para ganhar um talento em ouro, É muito dinheiro!”

Há duas explicações para a parábola: a primeira diz que recebemos diversos dons de Deus que devemos frutificar para, no final da vida, prestar-lhe contas. É a mais conhecida e difundida.

A segunda, diz que os talentos não são os dons dados a cada um, mas sim, o Evangelho, o Batismo, a Eucaristia e os sacramentos em geral, o poder de curar, de consolar, o amor para com os pobres, para com os que sofrem, enfim, toda a riqueza espiritual da Igreja. Cada um deve trabalhar essa riqueza da Igreja segundo a sua capacidade. Nem todos vão ser padres, nem todos vão ser catequistas ou leitores, ou vicentinos, ou ministros etc. 

O que enterrou o talento é o que não praticou nenhum apostolado, não quis nada com Jesus Cristo nem com sua Igreja, ou no mínimo aquele que se limita a não cometer pecados mortais e nunca se arrisca num trabalho comunitário.
O versículo 29, nesse caso: as comunidades que trabalham mais pelo Reino, sempre têm vida, sempre progridem; as que não trabalham e param no tempo e no espaço acabam morrendo e se desfazendo (=perdem tudo o que pensam ter).

Na primeira explicação, o v. 29 se explicaria da mesma forma, mas de modo particular: quem não frutifica os dons recebidos, acaba deixando Jesus Cristo, caindo no pecado, e termina a vida sem os dons que recebeu, ou seja, imerso na tristeza, na decadência moral e/ou religiosa.

Mateus 25,31-46:- O ÚLTIMO JULGAMENTO

Também este trecho tem duas explicações. A primeira, é a tradicional: quem não praticar a caridade, quem não amar o próximo como a si mesmo, não entrará no Reino dos Céus.

A segunda é daqueles, mesmo católicos, que não acreditam no inferno. Para esses, a explicação é esta: devemos praticar o amor cristão, porque senão sofreremos na própria carne (falta de saúde, fala de paz, azedume) os pecados cometidos. Também, não construindo este mundo, nossos netos e bisnetos não terão onde morar. Esses que dão essa explicação dizem que Deus “faz chover sobre justos e injustos, da mesma forma”, ou seja, não devemos fazer distinção entre bons e maus (Mt 5,43-48)

Se nós não fazemos isso, Ele também não fará. Ou seja, se Jesus exige que amemos os inimigos, é porque, dizem os da segunda explicação, Ele próprio não vai castigar os inimigos; vai levar todos para o céu.

Eu digo o seguinte (eu, opinião pessoal): Acho que a primeira é a mais correta, embora tenham razão também os que dizem que Deus não vai castigar ninguém. Explico: Deus está sempre com os braços abertos para nos receber, se pedirmos perdão ou pelo menos mostrarmos desejo de permanecer com Ele. Acho, sinceramente, que se o próprio demônio pedir perdão, Deus o recebe novamente no céu.

Santa Catarina de Sena dizia que se uma alma do inferno pudesse dizer: “Senhor, me ajude!”, imediatamente seria tirada de lá.

O problema é que muitos não querem viver na presença de Deus, como é o caso do diabo, e Deus, como respeita a nossa liberdade, vai conceder nos o não viver com Ele, como queremos. A isso, eu chamo “inferno”.

Ora, uma forma de mostrarmos a Deus que o amamos e o queremos, apesar dos nossos pecados, é viver para sempre com Ele, é dar a beber a quem tem fome, vestir os nus etc.
Em resumo: se quisermos nos salvar, vamos ter que pedir isso a Deus, apesar dos nossos pecados: “Eis que estou á porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir-me a porta, eu cearei com ele e ele comigo”. (Apoc 3,20).

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