sábado, 21 de julho de 2012

MATEUS CAPÍTULO 18




Mateus 18,1-4- QUEM É O MAIOR?

A comparação com a criança faz-me lembrar não tanto da inocência,mas da fragilidade e, principalmente, da dependência. A criança depende dos adultos ou pelo menos de um adulto para viver. Os limites de suas capacidades colocam-na sempre na posição de quem está pedindo, sem contar que, com o pequeno tamanho, sempre tem que olhar para cima quando fala com alguém.

Em relação a Deus, somos sempre meras crianças, que dependem dele para viver. Não podemos dar uma de auto-suficientes, “poderosos” ou super preparados, a ponto de não recorrermos a Ele em nossas necessidades diárias, mas devemos sempre pedindo-lhe perdão se pecarmos. Recorrermos humildemente a Jesus, esse é o caminho para entrarmos no Reino dos Céus. Quem se humilha será exaltado, mas quem se exalta será humilhado”. (Lucas 14,11).

Em segundo lugar, a criança é mais simples no seu relacionamento. A “cara feia” não dura muito, assim como a inimizade após as brigas.

A criança é também mais simples em suas posses, em seu modo de vestir. Ela se contenta com o que lhe está às mãos. Se lhe faltam brinquedos, inventa um e pronto! Está feita a festa!

Outra virtude muito importante é a sinceridade na acolhida ou não da outra pessoa. Ou ela gosta, ou não gosta.

O único problema, nas crianças maltratadas em lares desfeitos, ou que conheceram as drogas e o roubo (às vezes até para se alimentar), é a mentira. Elas misturam muito a fantasia com a realidade e são muito influenciadas pelos mais velhos e acabam mentindo. É o que ocorreu com um amigo meu que atualmente está preso: foi barbaramente caluniado por adolescentes. Mesmo assim, Jesus dá a criança como referência ao modo de se portar na sociedade. 

Santa Teresinha do Menino Jesus refletiu muito sobre o que se chamou “Infância Espiritual”: a simplicidade de vida, a sinceridade, a dependência de Deus, mas sem a ingenuidade.

Mateus 18,5-11:- O ESCÂNDALO

No versículo 5, o texto fala sobre a pessoa que se tornou criança pela simplicidade,como falamos acima. A palavra “escândalo” vem de “pedra de tropeço”, aquelas pedrinhas dos riachos rasos, que fazem a gente escorregar. Não tem o mesmo sentido que a palavra “escândalo” em português. Trata-se de que, caso alguém seja “causa de queda” de um desses “pequeninos”, ou seja, se a pessoa age de tal forma que vai estimular ou levar os outros a agirem erroneamente, aí ele é uma “pedra de tropeço”, uma “causa de queda” (=escândalo, nessa acepção), e comete pecado grave.

O mal e o pecado sempre devem ser evitados, por mais ocultos que sejam. “Evitar o escândalo” não dá permissão para que as pessoas pequem em segredo. Muitas pessoas acham que, não dando escândalo, podem pecar à vontade. Não é bem assim. Querem um exemplo? Muitos pais só ficam apavorados e cometem até loucuras quando a filha adolescente fica grávida. Aí até obrigam o fulano a casar-se com ela, o que vai prejudicar mais ainda a vida da coitada. Enquanto ela não ficara grávida, eles não se preocupavam! Só se preocuparam quando aconteceu o tal “escândalo”.

Mateus 18,12-14: A OVELHA DESGARRADA

Quem deixa a prepotência de lado e busca o auxílio do Senhor, sempre será cuidado por Ele, como um pastor cuida da ovelhinha extraviada. Na verdade, isso talvez nunca aconteceria com um pastor: ele nunca deixaria as 99 sem nenhuma proteção para ir buscar a perdida. Ele arriscaria perder a desgarrada, a não ser que tivesse alguém que ficasse tomando conta do rebanho. Acontece que as ovelhas obedeciam só à voz do seu próprio pastor. Não dava para deixar ninguém em seu lugar. Mas Jesus não é um pastor comum! Ele é o BOM PASTOR.

Esse trecho do evangelho, como outros tantos do mesmo tipo, é uma crítica aos fariseus, que se achavam santos, perfeitos. Jesus mostra que há mais alegria em resgatar do pecado alguém que se reconhece pecador, do que ficar ouvindo pessoas, igualmente pecadoras, se orgulhando de não ter nenhum pecado, como era o caso dos fariseus.

Há certas críticas que se fazem aos padres de hoje em dia, que deixam as 99 perdidas no mundo e ficam adulando e tratando da única que está na igreja. Ou seja, é um convite para todos sermos missionários e não nos contentarmos apenas com as poucas pessoas que seguem uma religião. No mundo há mais de 6 bilhões de pessoas, das quais pouco mais de 2 bilhões seguem Jesus Cristo, contando todas as Igrejas Cristãs. Os 4 bilhões restantes ainda não conhecem ou não seguem Jesus Cristo! Isso deve ser refletido!

Mateus 18,15-18:- CORREÇÃO FRATERNA

Neste trecho, Jesus fala de alguma falta grave feita publicamente, e não a uma pessoa em particular, como mais adiante, nos versículos 21 e 22.

As pessoas que fizeram tais faltas públicas e graves, devem ser corrigidas da maneira tratada neste trecho. Se se arrependerem e mudarem de vida, devem ter outra chance.

Mateus 18,19-20:- A ORAÇÃO EM COMUM

De duas pessoas em diante, a oração deixa de ser individual e passa a ser comunitária. Acontece que em alguns grupos, mesmo estando reunidos num só local, seus membros fazem oração individual. São aqueles grupos em que cada um reza uma oração em voz alta: não podemos considerar isso uma oração comunitária, mas vários indivíduos fazendo juntos suas próprias orações individuais.

O texto aqui é bem claro: “se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isto lhes será concedido por meu Pai” (v. 19). Ora, se cada um está pedindo algo diferente, e ninguém escutando ninguém, eles não podem saber se estão ou não de acordo. Se eles unirem seus pedidos e todos rezarem o pedido de cada um, um após o outro, então eles estariam de acordo e aquela passaria a ser uma oração comunitária. Vejam bem: esta é a minha opinião pessoal. Não sei o que a Igreja pensa disso em particular. Quem quiser me contradizer, tudo bem, desde que expliquem sua posição.

Mateus 18,21-22:- O PERDÃO.

Setenta e sete vezes” ou “setenta vezes sete” quer dizer, na linguagem bíblica judaica, “SEMPRE”. Precisamos perdoar para sermos também perdoados por Deus. “O perdão não dispensa a correção e a justiça”, disse o Papa João Paulo II. Perdoar não significa “deixar pra lá”, mas reintegrar o pecador na comunhão com Deus, com a Igreja, quando possível, ajudando-o em suas necessidades, mas dar condições, locais e métodos próprios para corrigi-lo.

Exemplo: uma pessoa mata outra e é considerada culpada de crime: ela pode até receber o perdão das pessoas prejudicadas, que elas não guardem mágoa no coração, não tenham sentimento de vingança, mas ela deve enfrentar a justiça, para refletir sobre o crime e não cometer outros.

Mateus 18,23-35:- EXEMPLOS DE PERDÃO E DE INCOMPREENSÃO.

Nesta parábola vemos claramente que Deus nos perdoa uma multidão de pecados, e alguns deles muito graves! Aqui, a comparação com o que devemos a Deus é feita com a quantia enorme de 10 mil talentos, que importa em 174 mil quilos de ouro, ou, em dinheiro atual, US$ 1,776,700,000.00 dólares (mais de um bilhão e setecentos milhões de dólares, em 2003, data em que escrevi isto).

A quantia que o amigo dele lhe devia equivale a 100 denários, ou seja, menos de 30 gramas de ouro, ou seja, 306 dólares (no ano de 2003).

Essa é uma grande diferença! Se perdoarmos os pecados e ofensas de nosso próximo, na parábola simbolizada com 306 dólares, Deus nos perdoará os graves pecados que cometemos contra Ele e o próximo, aqui simbolizados com pouco mais de um bilhão e setecentos milhões de dólares. “Eis como meu Pai Celeste agirá convosco, se cada um de vós não perdoar, de coração, ao seu irmão.”

Eu acho que não dá para explicar melhor que isso a burrice que fazemos quando deixamos de perdoar aos que nos ofenderam! Você não acha?

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