sábado, 21 de julho de 2012

20/07 - DIA INTERNACIONAL DO AMIGO


Hoje 20 de julho - Dia Internacional do AMIGO
Esse dia foi criado pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro.

LOUVADO seja DEUS pela nossa AMIZADE.
Faço das palavras a do Pe. JONAS ABIB as minhas palavras:

Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro

A palavra de Deus é exuberante quando nos fala da amizade:

"Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé. Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor achará esse amigo. Quem teme o Senhor terá também uma excelente amizade, pois o seu amigo lhe será semelhante". (Eclo 6,14ss)

Amigo não é apenas um conhecido, colega ou companheiro. Não! Amigo é amigo. Se eu quisesse definir amigo e amizade teria de encontrar as palavras certas e o conceito exato, porque amigo não é uma coisa qualquer. É por isso que a Palavra de Deus nos diz que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro.

Um amigo pode nos transformar. E por que nos transforma? Porque antes de tudo o amigo nos ama como somos.

Ele consegue nos corrigir e, muitas vezes, só o amigo é capaz de fazer isto. O que o pai não consegue, o que a mãe não consegue, um amigo consegue fazer. Ele atinge o coração; ele chega naquele lugar em que ninguém consegue chegar.

E por que ele consegue chegar lá?

Repito: porque o amigo nos ama como somos. É por isso que ele consegue nos transformar.

O amigo é capaz de dizer as coisas como elas são, ele consegue nos dizer as verdades que não queríamos ouvir, mas como o amigo é amigo, acabamos ouvindo. Muitas vezes, nos chateamos, afastamos, ficamos sem nos comunicarmos, mas passam as horas, os dias e logo a gente volta atrás, entende, acolhe, se dobra e tudo muda.

Às vezes brigamos, nos revoltamos, mas porque amigo é amigo, não conseguimos ficar longe. A amizade é mais forte que a briga, a revolta e, que bom que é assim! Muitas vezes, só a amizade é capaz de nos dobrar. Ter amigos é essencial! Ser amigo é o segredo da vida e da vitória. Porque na amizade há amor puro, amor desinteressado.
O verdadeiro amigo é um grande tesouro!

Da Neid:

Oi gente,

É com muito carinho e ternura que quero celebra com vocês esse dia tão especial.

Existem pessoas raras, difíceis de se encontrar
Elas são lindas por fora...
Mas principalmente, são lindas por dentro
São feitas de carinho...
E recheio de verdade!
Costumam chegar de mansinho...
E te conquistam dia a dia...
Conquistam com verdades e muito amor!
Elas não têm medo de competição
Valorizam qualidades...
Não defeitos!
Querem te ver crescer
Querem te ver feliz
Querem, te ver sorrir
Estão sempre perto...
Não te deixam só
Mesmo quando você não percebe...
Estão cuidando de você!
Se você teve a sorte, como eu tive...
De encontrar uma dessas pessoas...
Não se esqueça de dizer...
Obrigada por você existir!!!
Eu gosto de gostar de você,

MATEUS – INTRODUÇÃO



No início o Evangelho de Mateus era um texto de catequese para as primeiras comunidades e foi escrito, com o de Lucas, por volta do ano 80 de nossa era, em sua versão grega. Houve um evangelho de Mateus escrito em aramaico já nos anos 50, baseado no evangelho oral, mas foi perdido. Na verdade, o primeiro evangelho escrito em grego foi o de Marcos, lá pelo ano 64.

Mateus juntou, organizou, acrescentou ou modificou as várias tradições orais e escritas das palavras e prática de Jesus para responder à situação concreta de suas comunidades. Estas tradições são chamadas de fontes. Mateus teve, pelo menos, 3 fontes importantes “ (Ele está no meio de nós, CNBB, Paulinas:

1- Evangelho de Marcos, que já existia desde o ano 64. São 600 versículos (80%) de Marcos que estão em Mateus.

2- Fonte chamada de ”QUELLE”. Lucas também a usou. São 230 versículos de Lucas que estão em Mateus e não estão em Marcos.

3- Tradições orais antigas, com acréscimos das comunidades e da redação final do redator: são 330 versículos. O Evangelho de Mateus tem cerca de 1160 versículos.

AS COMUNIDADES DE MATEUS
  • Judeus cristãos e não judeus, de várias tendências;
  • conflito entre observantes e não observantes da lei de Moisés.
  • Conflitos com a cúpula do judaísmo que cuidava da formação dos judeus;
  • controvérsias a respeito de quando Jesus retornaria. Alguns grupos achavam que seria logo.
  • Dificuldades em receber os gentios (=não-judeus)

QUEM ESCREVEU?

O Evangelho de Mateus é fruto de um grande mutirão e não é possível saber quem foi o redator oficial das diversas experiências ali relatadas, pois descreve a vivência das comunidades do norte da Galileia e da Síria. Tudo indica que eram comunidades constituídas basicamente de judeus cristãos (Cap 13,52). O local mais provável é Antioquia, na Síria (veja Atos cap. 13).


MATEUS CAPÍTULO 01

Mateus 1,1-17: Antepassados de Jesus

Essa genealogia, até um tanto monótona quando lida na liturgia, tinha muita importância para os judeus, a fim de ligar Jesus às pessoas em que Deus depositou as promessas de que enviaria o Messias, entre elas, Abraão e Davi.

Maria pode também ter pertencido a essa linhagem. O importante, na descendência, era a parte do homem e não a da mulher. Podemos também observar que pessoas que não eram do povo de Deus entraram na lista, como Rute, e pessoas envolvidas em pecado, como a Betsabéia, ex-esposa de Urias e mãe do rei Salomão.

O versículo 16 encerra esse assunto,dizendo que “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo”.

Quanto ao versículo 17, eu sempre me contento em saber que os números são simbólicos na Bíblia.

Mateus 1,18-25: José assume a paternidade legal de Jesus.

O versículo 18 mostra, de modo magnífico, o fato de Maria, como qualquer um de nós, viveu pela fé. Ela não viveu baseada em visões de anjos, como poderíamos supor, mas numa fé pura e árida. Esse versículo pode ser lido de tal forma que nos leve a pensar que Maria, num belo dia, percebeu que estava grávida, apesar de nunca ter tido contato com o sexo masculino.

Ela, que amava Deus e a sua santa vontade, lembrou-se do que ouvira no templo: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho...” (Is.7,14).

Quanto ao seu “sim”, ela o deu com a sua própria vida! Sempre fez e desejou fazer a vontade de Deus.

No versículo 20, vemos como foi José que sonhou com o anjo, que lhe garantiu ter sido obra de Deus o que havia sido gerado no interior de Maria. Ele também viveu pela fé, pois aceitou a vontade de Deus não, expressa por uma aparição celeste, mas sugerida num simples sonho. A “dica” que o sonho lhe deu fez com que ele pensasse ser plenamente possível que o que acontecera a Maria fosse obra divina.

Pensando bem, José acreditou não necessariamente no anjo do seu sonho, mas na fidelidade e na santidade de sua esposa. Acreditar em Deus muitas vezes significa acreditar nas pessoas. Elas são amadas por Deus e é por meio delas que Deus, muitas vezes, manifesta sua vontade e seu amor.

No versículo 19 lemos a bondade de José, que ia prejudicar grandemente sua reputação se desmanchasse o noivado, para não acusar Maria de adultério. Se ele a denunciasse, ela morreria apedrejada.

No versículo 25, ao dizer que “ José não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho”,  não quer dizer que ele a conhecera depois (conhecer na bíblia significa manter contato íntimo, como o sexual).Significa que ele não tivera relações sexuais com Maria e ela, portanto, pelas leis naturais, não poderia estar grávida. Se ela ficou, é porque Deus estava agindo ali.

Há um autor que diz ser José tão digno e tão santo que nunca teria a coragem de manter relações sexuais com Maria depois que ela fora “possuída” pelo Espírito Santo de Deus, ao conceber Jesus.


ACRÉSCIMO AO CAPÍTULO 1

Diz Fernando Armellini, “Celebrando a Palavra”, Editora Ave Maria, 2ª edição, ano 1998:

Jesus dá cumprimento às promessas e é aquele que salva o povo dos seus pecados (v.21). É filho de Davi segundo a carne, embora tenha sido concebido sem a cooperação do homem (1,16.18) e é juridicamente flilho de Davi através de José, que não é fisicamente o seu pai (v. 20).
É Deus que opera a salvação, mas esta não se concretiza na terra sem a cooperação do homem.

No povo de Israel o casamento acontecia em 2 etapas: 1ª:-Contrato assinado pelos dois esposos, pais e duas testemunhas. Eram marido e mulher, mas ainda não iam morar juntos por um ano. A moça tinha 12 a 13 anos e o rapaz 15 a 16. Essa deveria ser a idade de Maria e José.


Após um ano havia uma festa e a esposa era conduzida à casa do marido e os dois começavam a vida juntos. Durante esse período houve a anunciação a Maria e sua gravidez pelo Espírito Santo. Como a virgindade era naquele tempo uma coisa humilhante e pejorativa, Maria, ao ficar grávida, mostrou que Deus a estava abençoando. É interessante aí lembrarmos o que ela falou a Isabel: “Olhou para a baixeza (=não ter filhos) de sua serva”.

MATEUS CAPÍTULO 02



Mateus 2,1-12: Os Magos

O texto que fala dos magos lembra-me várias coisas:
1- A salvação não está limitada a um povo, a uma determinada religião, mas é dada gratuitamente a todos. Os magos eram de uma religião muito diferente da que em que Jesus nasceu, mas o procuraram até o encontrarem. Se procurarmos Jesus, nós também sempre o encontraremos.

2- Jesus não é alguém que veio livrar-nos dos problemas, mas ajudar a resolvê-los.

3- Herodes teve medo de perder o lugar de rei para um simples menino que acabara de nascer. Em nossa vida, muitas vezes nos apegamos às pequenas coisa e aos nossos cargos de tal maneira de que não aceitamos que outras pessoas, mais capacitadas que nós, possam fazer nossa tarefa de modo melhor. Lembremo-nos dos professores, que instruem seus alunos de tal forma que possam um dia suplantá-lo em conhecimento e até em nível material de vida.

4- Ouro: a riqueza; incenso: a divindade; mirra: a paixão de Cristo. Mostra Jesus como um rei (ouro), Deus (incenso) mas também um homem passível de morte (mirra).

5- No versículo 12 os magos seguem por outro caminho. Quando descobrimos que o nosso caminho atual não está atendendo à vontade de Deus, tomemos outro caminho, que decerto será melhor. Muitas vezes temos que fazer isso em nossa vida: planejamos um tipo de vida e acabamos vivendo outro. Se percebermos que essa é a vontade de Deus, sigamos esse novo caminho, esse novo tipo de vida, com muito amor.

6- A estrela: é inútil procurarmos uma explicação natural para esse astro aí anotado. Para nossa vida, vamos nos lembrar que o Espírito Santo é Deus e nos ilumina e nos guia num caminho que nos leva a Jesus, que por sua vez nos leva ao Pai.

7- Belém, “O menor entre os clãs de Judá”. Ser ou não pequeno não quer dizer nada para Deus. Davi era o menor e o mais fraquinho entre os sete irmãos, mas foi o escolhido por Deus para ser rei de Israel e Judá, e morava justamente nessa vila pequena, Belém. Samuel, indignado por ter sido escolhido um fracote como rei, e não os fortes seus irmãos, conformou-se com o que Deus lhe dissera: “Deus vê não como o homem vê, porque o homem toma em consideração a aparência, mas o Senhor olha o coração”

Não tenha medo se os recursos e os meios que você tem em mãos são poucos ou precários! Deus tem condições de transformar o deserto árido numa floresta tropical, uma pequena ação nossa num acontecimento mundial. Já diz o ditado popular:O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada!”.

8- Nos versículos 4 a 8, vemos a convocação dos sábios e autoridades para descobrirem onde teria nascido o “rei dos judeus”. Na verdade, sempre que temos um problema comunitário ou social, a união das forças pode fazer maravilhas. A pesquisa e o estudo podem transformar nossa vida para melhor, tanto a nível material como espiritual. Uma palavra das Sagradas Escrituras mal entendida, por exemplo, pode trazer muito transtorno e mal-entendidos.

A união das forças e o estudo sério das ciências e da Palavra de Deus podem transformar a face do mundo, desde, é claro, que saibamos e aceitemos nossos limites.

Mateus 2, 13-15: A fuga para o Egito

José vai com Maria e o menino para fora da cidade, a um lugar mais distante, livres da jurisdição de Herodes, simplesmente chamado de Egito. Isso lembra-me a migração intensa que existe em nosso país. Pessoas do norte e nordeste, por exemplo, deixam terno, casa e até família e tentam a sorte aqui no Sul. Muitas vezes vendem muito barato o que têm, e não conseguem depois comprar nada aqui, e começam a passar fome, pois o dinheiro termina.

Acho que as prefeituras dos Estados do sul deveriam dar mais atenção a esses migrantes. Quanto a nós, há muitos querendo aproveitar-se de nossa bondade, mas também há muitos que precisam realmente de nossa ajuda. Precisaríamos distinguir uns dos outros.

A Sagrada Família passou por todos esses problemas no exílio: fome, insegurança, angústia, desemprego... mas tudo venceu, pois teve a força de Deus. Nós também podemos obter essa mesma ajuda para vencermos nossos problemas.

Mateus 2, 16-18: Os Santos Inocentes

A mortandade de crianças feita por Herodes me lembra tantas crianças de hoje que passam fome, frio, violência,desamparo, morrem, de certa maneira, para uma vida saudável. Muitas vezes começam bem cedo a usar drogas, e assim são “adotadas” pelos traficantes.

A infância de hoje está sendo prejudicada também pelas famílias destruídas, ou seja, pela falta de uma família estruturada de modo melhor, de modo mais equilibrado. A pobreza está cada vez pior!

Quero lembrar ainda a falta de uma instrução mais profunda e verdadeira para os mais pobres. Nossas escolas públicas estão de mal a pior e não estão conseguindo dar aos mais destituídos de recursos uma educação mais digna.

Mateus 2, 19-23: A volta do Egito e ida para Nazaré.

Jesus, Maria e José voltam para Israel, indo morar em Nazaré da Galileia, deixando a Judeia, em que o filho de Herodes, Arquelau, reinava.

Em nossa vida diária devemos evitar o mal o mais que pudermos, a fim de não cairmos em pecado e não fazermos qualquer coisa que possa nos prejudicar. Até a Família Sagrada precisou evitar as pessoas más, como Herodes.

Não podemos tentar a Deus, permanecendo à mercê dos perigos sem necessidade. Vigiai e orai”. Vigiar é principalmente evitar as ocasiões de perigo para nossa vida, tanto material como espiritual. Há muitos que tentam a Deus, colocando-se nas ocasiões de perigo sem necessidade e pedindo, em seguida, que Deus os livre. Mesmo que você tivesse feito isso sem pensar muito no assunto, pode, assim mesmo, sair do perigo: peça perdão a Deus e Ele o (a) livrará do malo. Proponha, entretanto, não se colocar mais nas ocasiões de pecar. Tudo isso que eu lhes estou dizendo eu aprendi a duras penas. Quero agora partilhar com você, a fim de que nós nos encontremos um dia no paraíso celeste. 



ACRÉSCIMO AO CAPÍTULO 2

Fernando Armellini (ver detalhes no final do cap. 1).

Os magos não eram reis. Eram estudiosos da natureza, dos sonhos. A estrela aparece aí baseada numa crença antiga de que ao nascer alguém destinado a uma grande missão, aparecia, ao mesmo tempo, uma estrela no céu.
A que os magos viram não era, portanto, uma estrela material, mas a estrela da qual fala a escritura em Números capítulos 22 a 24, onde mostra o sábio oriental Balaão, dizendo, em Núm 24,17.19: “Uma estrela desponta da estirpe de Davi” (Balaão viveu em 1200 a.C., mais ou menos). Por isso, só perde tempo quem fica preocupado em saber se a tal estrela era um cometa ou coisa desse tipo.

Quanto à fuga para o Egito, Mateus faz um paralelo com a história de Moisés. Eis os elementos comuns:
O faraó de Moisés= Herodes para Jesus
Moisés voltou ao Egito (Ex 4,19-20); Jesus voltou à Palestina (Mateus usou as mesmas palavras, v. 20).
Moisés usou um burrinho – Os pintores pintaram o burrinho nas cenas da ida e volta de Jesus, percebendo, talvez, essa semelhança com Moisés.


MATEUS CAPÍTULO 03




Mateus 3, 1-10: A pregação de João Batista

João Batista, homem que vivia uma vida austera (difícil, cheia de privações), começa a pregar no deserto, insistindo na conversão das pessoas.

Conversão, aqui, é uma palavra grega (metanoia) que mostra bem mais do que um simples arrependimento do que se fez errado no passado. Ela tem o sentido de mudança completa da própria vida, dos próprios pensamentos. É como nascer de novo: refazer os objetivos e os meios de nossa vida, daqui para frente.

Se é verdade o que o Pe. Sometti diz naquele seu livro; “Você é aquilo que pensa”, então, mudando nossos pensamentos, estaremos mudando todo o nosso modo de ser.

É muito difícil mudar nossas atitudes, nosso modo de agir. Mas é apenas uma questão de hábitos: deixamos hábitos nocivos, que estão prejudicando a nossa vida e a de outras pessoas, e adquirimos hábitos e atitudes bons, que possam nos conduzir a uma vida melhor, mais de acordo com a vontade divina.

Deus nos projetou e nos criou: seguindo o que Ele quer para nós, seremos felizes, pois estaremos vivendo de acordo com o sábio projeto dele. Viver em pecado é viver de modo contrário ao que Deus projetou para a nossa vida. Só Deus sabe quanto sofrimento às vezes temos que passar para aprendermos isso que acabei de dizer!

Mateus 3,11-12: O Batismo que João ministrava

O Batismo de e João era um batismo de conversão, de penitência, que podia ser repetido mais tarde, se a pessoa precisasse novamente recomeçar a vida. Ele aponta para um batismo novo, no “Espírito Santo e no fogo”, ou seja, feito de uma só vez, marcando a pessoa para sempre, como acontece com quem se queima.

Tudo o que não puder ser purificado pela água do batismo, será consumido pelo fogo. O batismo que Jesus inaugurou, faz com que o pecado seja apagado, que ele desapareça por completo,possibilitando, assim, a pessoa a recomeçar uma vida nova em pecado, fortalecida pelo Espírito Santo.

Mateus 3, 13-17: O Batismo de Jesus.

É muito bonita a narrativa do batismo de Jesus, por causa da manifestação da Santíssima Trindade. Vejo aí alguns pontos:

1- A unção de Jesus para a sua missão.
2- A garantia de que Jesus é Filho de Deus.
3- Deus está realmente conosco, a fim de nos dar a vida eterna.
4- Jesus, na verdade, não está sendo santificado pela água, mas, pelo contrário, é Ele quem está santificando a água, preparando, assim, o nosso batismo.
5- Uma pomba: Lembrando que a missão que Jesus iria iniciar nos levaria a uma “nova criação”, pelo fato dela ter aparecido na “segunda criação”, lá no Gênesis, depois do dilúvio.

Não gosto de simbolizar o Espírito Santo em forma de pomba. Prefiro o símbolo do fogo, que é um elemento menos material na aparência e, aliás, é como Ele se mostra em Pentecostes.

Eu comparo o Batismo de Jesus como o nosso sacramento da confissão, da penitência. O nosso atual batismo, na verdade, etá mais fundamentado na circuncisão do que no batismo de Jesus. Veja a comparação:

1- Na circuncisão, a criança de oito dias era inserida, colocada, no povo de Deus. Ela começava a pertencer ao povo de Deus. É como no batismo!

2- Ela não expressava se queria ou não ser do povo de Deus. No nosso batismo, também não.

3- A circuncisão era uma marca feita para sempre, assim como o batismo.

4- A diferença está em que o batismo também pode ser dado às mulheres, o que não acontecia com a circuncisão, que só era feita nos homens.

O Batismo, diz S. Paulo, é a “Circuncisão do coração”, em que todo o pecado é cortado e jogado fora (Rom 2,29 etc).

Entretanto, o batismo de Jesus está aí colocado para mostrar que ele foi ungido pelo Espírito Santo para iniciar sua missão messiânica. Diz S. Pedro em Atos 10, 38:” Como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder, ele, que passou fazendo o bem e curando a todos aqueles que haviam caído no poder do diabo, porque Deus estava com ele.”

Nisso o Batismo de Jesus se assemelha ao nosso: tornamo-nos sacerdotes, profetas e reis, e somos enviados a proclamar o Evangelho a todos os povos.


ACRÉSCIMO AO CAPÍTULO 3

Fernando Armellini ( ver detalhes no final do cap. 1)
A pessoa toda de João Batista é uma denúncia, uma condenação de uma sociedade fundada nos falsos valores da opulência, da frivolidade, da superficialidade.

O batismo de João significava morrer para a vida antiga, ao ser mergulhado na água, e renascer para uma vida nova, ao sair da água. Aliás, era o mesmo ritual feito a um escravo que tivesse recebido a liberdade.

Em seguida, vinha a conversão (v.2), a mudança de costumes, a mudança radical de vida, por parte de quem havia sido batizado.

Havia duas respostas: a do povo (v.5-6), que se abriu à pregação do Batista, arrependeu-se, chorou, reconheceu seus erros, pediu o batismo. A dos fariseus e saduceus, que não mudam, por acharem que bastava serem filhos de Abraão. Um pouco como hoje em dia muitos católicos, que acham que vão ser salvos apenas por pertencerem à Igreja Católica. Precisamos mudarmos de fato e não apenas exteriormente o nosso coração.

Quanto ao Batismo de Jesus, precisamos tomar cuidado para não dizermos que é igual ao nosso batismo. Não é, apesar de destinar-se aos que queriam mudar de vida, renascer para uma vida nova. Não tinha sentido, pois, João batizar Jesus, porque ele não precisava mudar de vida. Jesus quis ser batizado para colocar-se ao lado dos pecadores desde o início da vida pública, para percorrer junto deles o caminho para a liberdade.

Nós tratamos diferentemente os que erram, quando não mostramos solidariedade com eles, mas os “salvamos”, de cima para baixo, julgando-os, condenando-os.

Mateus usa três figuras para mostrar quem é Jesus:

1- os céus abertos (Confira Is 63,15-19)

2- a pomba = como no dilúvio, a paz, a abertura do céu depois das chuvas. No tempo de Jesus havia 300 anos não aparecia um profeta. Ele era o primeiro, e a pomba encontrou, finalmente, em quem pousar. “Deus voltou a falar aos homens”.

3- A voz do céu= expressão usada pelos salmos para manifestar o pensamento de Deus.

MATEUS CAPÍTULO 04



Mateus 4, 1-11: A TENTAÇÃO DE JESUS 



Jesus foi tentado não só no deserto, mas a sua vida toda, inclusive na hora de sua morte, quando, por exemplo, alguém disse: “Desce da cruz, se és o Filho de Deus!” Ele realmente poderia descer, se quisesse! 

As três tentações de Jesus no deserto estavam ligadas ao fato dele ser Deus e homem verdadeiros. Ele poderia ter resolvido os problemas do seu tempo com seu poder divino. Entretanto, e os demais anos e séculos vindouros? Como nós resolveríamos os nossos problemas? 

Ele poderia fazer aparecer alimento; mas e os pobres de nossos dias, como ficariam? 

Ele poderia tornar-se rei. Mas... e os demais governantes de nossos dias? 

Ele poderia ser rico. Mas... e a má distribuição de riquezas de nossos dias? Como ele poderia combatê-la se tivesse sido um desses ricos? 

Restou-lhe agir do modo mais difícil, ou seja, ensinando-nos o bom caminho, mudando nosso modo de agir, apontando-nos um caminho para o bem estar e a felicidade válidos para todos os tempos. E sobretudo, dando-nos o exemplo de como fazer a vontade do Pai. 

No deserto Jesus colocou-se à disposição do Pai totalmente, como seu Filho Único. Lá, Ele não precisava curar, nem pregar, nem fazer milagres: apenas colocar-se nos braços do Pai. 

É interessante fazermos também essa experiência: coloque-se por alguns minutos diários nos braços desse nosso Pai amoroso. Esqueça-se, nesses minutos, que você é pecador, pai, mãe, filho, estudante, desempregado, que tem que chamar a atenção deste ou daquele, ou qualquer outra coisa. Apenas coloque-se nos braços do Pai, como Jesus fez, para que Ele lhe dê o conforto necessário. 

Enfim, Jesus “É o Messias que abre o verdadeiro caminho da salvação, não o da confiança em si e da facilidade, mas o da obediência a Deus e da abnegação. Era preciso que encarasse a possibilidade de um messianismo político e glorioso, a fim de preferir a ele um messianismo espiritual, pela submissão completa a Deus” (Bíblia de Jerusalém). 



Mateus 4,12-16: RETORNO À GALILÉIA 



Jesus morava na Galiléia, foi para a Judéia, a fim de ser batizado por João Batista. Ficou um tempo lá, inclusive foi tentado no deserto. O trecho acima mostra que, ao saber que João tinha sido preso, voltou para a Galiléia, nas não para Nazaré: mudou de cidade, indo morar em Cafarnaum, cidade que se situava à beira-mar. 

Mais uma vez vemos como Jesus escolhia os lugares e os meios mais adequados à sua pregação. Devemos sempre procurar os melhores meios humanos para que a graça de Deus seja mais eficaz. 

Não é próprio do cristão desprezar as conquistas humanas no campo da ciência, da física, da agricultura, do bem-estar, desde que não sejam meios ilícitos, contra a moral. Nós somos corpo e alma juntos, inseparáveis. A parte material deve estar bem estruturada para que a parte espiritual possa crescer e receber a graça de Deus. 



Mateus 4,17: JESUS COMEÇOU A PREGAR 


Jesus começou, então, sua vida pública, dizendo a todos: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. “ A pregação de Jesus iria gerar em torno disto: 

1- A realeza de Deus sobre o povo eleito e sobre o mundo. 

2- Ele admite um “Reino de Santos”, dos quais Deus é o rei, reconhecido no conhecimento e no amor. 

3- Essa realeza, comprometida pelo noso pecado, deve ser restabelecida por uma intervenção soberana de Deus e de seu Messias, anunciada por Jesus. 

4- Essa intervenção de Jesus não é de modo guerreiro e nacionalista, mas de forma oda espiritual. 

5- Esse Reino será estabelecido de maneira definitiva e entregue ao Pai pela volta gloriosa de Cristo, por ocasião do Juízo Final. 

6- Durante esse período de espera em que estamos, ele se apresenta como graça pura, aceita pelos humildes, pelos capazes de renúncia, mas rejeitada pelos orgulhosos e egoístas. 

7- No Reino definitivo não se entra sem a veste nupcial de uma vida nova, recebida no Batismo, e há pessoas que serão excluídas (Mt 8,12; 1Cor 6,9-10; Gál 5,21). 

8-É preciso, pois, vigiar, a fim de estarmos prontos quando ele vier inesperadamente. 

Enfim, converter-se é, em resumo, deixar de agir segundo a própria cabeça e começar a agir conforme a vontade de Deus. 



Mateus 4,18-22: VOCAÇÃO DOS 4 PRIMEIROS DISCÍPULOS. 



É claro que o chamado de Jesus a pronta resposta desses quatro discípulos não deve ter sido de modo tão simples como lemos no evangelho. Talvez eles tivessem observado e muito as atitudes de Jesus no seu dia a dia e, percebendo nele sinceridade, determinação, força, simpatia, serenidade, acabaram atendendo a seu convite de segui-lo. Deixar tudo significa amar a Deus sobre todas as coisas. 

Nós passamos, muitas vezes, muitos anos enganando-nos a nós mesmos e a outros, quando percebemos qual é a vontade de Deus a nosso respeito, mas não temos a coragem de praticá-la. 

É preferível sermos criticados por termos feito alguma coisa errada durante a nossa prática da vontade de Deus, do que nunca precisamos ser criticados justamente por nunca termos feito coisa alguma, por medo de agir. 

Lembrem-se de que o julgamento deste mundo é passageiro, mas o julgamento do juízo final é para sempre! 


Mateus 4, 23-25: AS CURAS 


Jesus pregava o evangelho, ensinava e curava. Os milagres e as curas mostravam a todos que o Reino de Deus tinha chegado. Como diz Carlos Mesters, os milagres são as “amostras grátis” do Reino de Deus. 

A cura da doença só tem sentido se nos convertermos ao mesmo tempo. Como diz o próprio Jesus, é melhor entrar no céu sem uma das mãos que, tendo as duas, ir para o inferno. 

Desse modo, são duas as curas: é melhor suportar algumas contrariedades nesta terra que, sem contrariedade alguma, perdermos o paraíso. 

Os muitos que seguiam Jesus talvez o faziam apenas pela curas, como vemos atualmente em certas seitas e religiões que se dizem cristãs, que prometem milagres e curas, mas não exigem um compromisso mais radical por parte dos seus seguidores, da vivência evangélica.


ACRÉSCIMO AO CAPÍTULO 04

Fernando Armellini (ver detalhes no final do cap. 01).

Jesus foi tentado durante toda a sua vida, e não apenas nesses 40 dias do deserto. Por exemplo em Mt 27,45: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Essa foi uma das tentações de Jesus.

No deserto, Mateus resume as tentações todas de Jesus em três, comparando-as às tentações do povo nos 40 anos do deserto, e que não foram vencidas por eles.

1ª tentação= o pão (v 1-4)
Será que para ter uma vida bem sucedida é suficiente possuir muitos bens?

2ª tentação: pedir sinais a Deus (V. 5-7)
Jesus se recusa a pedir sinais ou provas ao Pai. Nós pedimos sinais, como por exemplo quando falamos a Deus que, se ele nos ama, que nos ajude a encontrar um bom emprego, ou outras coisas. Poderemos, isto sim, pedir a Deus que sempre nos conceda forças para realizarmos sempre a sua vontade, seja ela qual for! Que saiamos das tentações mais amadurecidos, seres humanos mais autênticos.

3ª tentação: a do poder, da adoração àquilo que não é Deus (V. 8-11).

É diabólica qualquer forma de autoridade que se traduza em domínio, poder, prevaricação, pressão, imposição das próprias ideias e da própria vontade e que não respeite a liberdade do homem”.

Confira com o que disse Jesus a Pedro, em MT 6,23, quando este lhe pediu que conquistasse o poder: “Afasta-te de mim, Satanás!”.

Os quarenta dias de Jesus no deserto, então, simbolizam os quarenta anos que o povo levou para ir do Egito à Terra Santa, com todas as tentações que o povo teve, mas não venceu, e que Jesus também teve, mas venceu.

MATEUS CAPÍTULO 05



O conjunto dos capítulos 5,6 e 7 de Mateus formam o que chamamos de “Sermão da Montanha”, mas Jesus não disse tudo isso numa só vez, como se poderia supor: ele disse isso durante quase toda a sua vida pública. Mateus reuniu tudo nesses três capítulos e colocou Jesus falando de cima de um monte para lembrar Moisés: este transmitiu a lei antiga; Jesus transmite a lei nova, um novo modo de entender a vontade de Deus. A de Jesus é mais profunda, dando mais valor ao que temos no coração, em nosso íntimo, nossa intenção sincera de servir e agradar a Deus, e não como a de Moisés, que se contentava com o exterior, com os atos externos.

Se prestarmos atenção, veremos que o mesmo sermão é colocado, por Lucas, na planície, como atesta Lucas 6,17: “E, descendo com eles, parou num lugar plano...”. É que Lucas era de origem pagã, e os pagãos apreciam o fato de Jesus ter descido ao nível humano, tornou-se homem como nós. Já Mateus, de origem judaica, quer mostrar que os judeus devem acreditar na divindade de Jesus, que tem a mesma autoridade do Pai, quando aprofunda os dez mandamentos, dados a Moisés. Essa é a diferença pela qual Mateus nos apresenta Jesus falando de um monte (=acima de todos) e Lucas, Jesus falando na planície (=ao mesmo nível de todos).

Mateus 5,1-12: AS BEM-AVENTURANÇAS

Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus”; “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”. Essas duas bem-aventuranças são, na verdade, as principais, que resumem as outras seis.

Ser pobre em espírito é renunciar às riquezas e a uma vida fácil, mesmo havendo essa possibilidade, para viver uma vida mais simples e partilhada. Não é pobre em espírito aquele que “sente-se” pobre, mas continua, efetivamente, vivendo uma vida de rico, sem partilhar o que possui.

Ser “pobre em espírito” é viver uma vida modesta, simples, embora se tenha condições mentais, sociais e físicas de se viver de modo mais sofisticado e rico. São Lucas diz: "Bem aventurados os pobres". O pe. Fernando Cardoso diz que pode ser que Jesus tenha se referido a todos nós, como pessoas limitadas e pobres, principalmente em nosso último minuto de vida: "Felizes vós, que sois pobres "... e precisam de minha força, minha coragem... Se você quiser ler o trecho todo, procure o dia 12/09/12, no site :www.padrefernandocardoso.com.br


Fernando Armellini tem uma idéia um pouco diferente. Ele cita Lucas 14,22: “Assim, pois, qualquer um de vós, que não renunciar a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”, para dizer que Jesus exige a pobreza radical.

Minha opinião é um pouco diferente (se é que ela vale alguma coisa. Não posso me comparar ao Fernando Armellini!): Vejo que Jesus convidou várias pessoas a viverem a pobreza em pelo menos três graus diferentes: Ao jovem rico, exigiu 100%, tudo; A Zaqueu, exigiu uma parte: ele ia dar 50% aos pobres e devolver 4 vezes o que havia roubado, como exigia a lei. E não consta que ficou pobre de uma vez. Ao jovem Gadareno, de quem expulsou a legião de demônios que foi para os porcos e os fizeram precipitar no precipício, Jesus não exigiu nada: apenas deu-lhe uma vocação única, que a ninguém mais havia dado: “Volte para sua casa e conte a todas as pessoas o que eu fiz por você”.

A meu ver, isso indica que nem todos precisam viver numa pobreza extrema para agradar a Deus. Mas isso implica também que não podemos nos dar ao luxo de sermos ricos num mundo em que milhões morrem de fome ou vivem uma vida abaixo do nível suportável! “In médio est virtus” (A virtude está no equilíbrio), nos diz São Tomás de Aquino. Eu diria, pois, que cada um deveria fazer um bom exame de consciência e ver como está vivendo sua vida em relação aos bens.

É ridículo, a meu ver, ver padres e pessoas religiosas vivendo uma vida rica , com todas as mordomias. Se deixamos família e tantas coisas para exercermos o nosso ministério, ou vivermos uma vida religiosa, mais próxima aos pobres e necessitados, não deveríamos viver numa burguesia que deve mesmo até agredir a Deus. Diz um bispo católico brasileiro que “Ou a Igreja se torna uma Igreja pobre, ou não é a Igreja de Cristo! “ Vou ficar devendo a vocês o nome do nosso profeta que disse isso.

A oitava bem-aventurança lembra os que são perseguidos por partilharem seus dons e seus bens com os outros e defenderem os pobres e injustiçados.

As demais bem-aventuranças:
MANSOS - Os que não resolvem os problemas de modo violento, mas no diálogo e na misericórdia.

AFLITOS - Os que se preocupam com o modo com que as pessoas mais simples vivem, os que sofrem, os injustiçados, a discrepância entre ricos e pobres.

FOME E SEDE DE JUSTIÇA – Os que querem sanar as diferenças sociais e injustas entre as pessoas.

OS MISERICORDIOSOS:- Os que procuram ajudar os demais, a promoverem os que vivem em situação de miséria e pobreza, ou mesmo pessoas abastadas que foram abandonadas pela família, vivem isoladas, ou doentes, e assim por diante.
OS PUROS DE CORAÇÃO – Os sinceros, que não têm “duas caras”, que não mentem, que não usam máscaras. A pureza aqui não se refere à castidade.

OS QUE PROMOVEM A PAZ :- No diálogo e no entendimento, no perdão mútuo. Os que combatem a ganância, a violência, o desentendimento, o preconceito social e racial, enfim, os que combatem tudo o que é a causa de tantas guerras.

Bem- aventurados” significa, também, “felizes”. A felicidade mostrada por Jesus é muito diferente daquela mostrada pleo mundo. A do mundo baseia-se nos vícios, nos prazeres materiais, que podem até trazer uma certa “felicidade” num primeiro momento, mas azeda tudo logo em seguida. O sofrimento que se segue à prática de um vício não o compensa. Quanto à felicidade que Jesus ensina, é sólida, duradoura e permanente. A satisfação que uma pessoa sente em estar praticando a vontade de Deus supera e muito o incômodo das renúncias e das partilhas que a acompanham. Na verdade, acaba-se habituando com o bem de tal maneira, que sua prática se torna fácil e tranquila.

São Lucas diz: "Bem aventurados os pobres". O pe. Fernando Cardoso diz que pode ser que Jesus tenha se referido a todos nós, como pessoas limitadas e pobres, principalmente em nosso último minuto de vida: "Felizes vós, que sois pobres "... e precisam de minha força, minha coragem... Se você quiser ler o trecho todo, procure o dia 12/09/12, no site :www.padrefernandocardoso.com.br

Mateus 5,13- O SAL DA TERRA

A tradução mais correta: “se o sal se tornar insosso, com que o salgaremos?” Se ele perder o poder de salgar, nada mais será capaz de fazê-lo novamente salgado (ou seja, não haverá mais o sal). Assim, se perdermos a fé em Jesus Cristo, como poderemos readquiri-la, se nós é que somos os cristãos e os que acreditam em Deus? Em outras palavras: se nós cristãos perdermos a fé em Jesus Cristo, ninguém mais poderá ajudar-nos.

Mateus 5,14-16:- A LUZ DO MUNDO

A árvore boa ou má se conhece pelos frutos. Se praticarmos a Palavra de Deus, outros vão perceber isso e vão deixar-se iluminar pela luz de Cristo.

Certa vez um padre foi preso injustamente e um dos vigilantes da prisão não acreditava em sua inocência. Ao vê-lo receber muitas cartas, uma cesta de café da manhã belíssima e muitas visitas, o vigilante pegou em seus ombros e disse: “Padre, eu estou começando a acreditar em sua inocência!”.

Se vivermos o evangelho, essa vivência é a luz refletida de Cristo, que vai iluminar as pessoas que encontrarmos em nosso caminho, as pessoas com quem vivemos no dia a dia. Nós não temos a luz: ela nos vem de Deus. Não podemos olhar para o sol, mas podemos olhar para a sua luz refletida na lua. Quem vê nossa luz, não vai ficar ofuscado, se ela for a luz de Deus. Se quiséssemos iluminar com uma luz própria nossa, os olhos das pessoas se ofuscariam.

Mateus 5,17-19:- A LEI

A lei foi feita para nos proteger de nós próprios e dos outros. Uma comunidade, seja ela grande ou pequena, que procura seguir as leis, será uma comunidade feliz, onde todos respeitam o espaço de todos. Querem ver onde os pertences de uma pessoa são respeitados e ninguém rouba? Na prisão! Lá, o preso pode largar suas coisas em qualquer lugar que não some. Seguir as leis significa, pois, manter a serenidade da comunidade e das pessoas.

Jesus, em outras ocasiões, lembrou que a lei deve ser seguida enquanto a caridade possa ser exercida. Quando precisamos escolher entre lei e exercer a caridade, a caridade é que deve ser levada em consideração. Ele mostra como exemplo o fato de que, para matar a fome, uma pessoa pode muito bem ir contra a lei do descanso pleno do sábado, em sua época. A vida está acima das leis convencionais.

Jesus, entretanto, deu uma forma nova e definitiva à lei:”O amor, em que já se resumia a lei antiga, torna-se o mandamento novo de Jesus e o cumprimento de toda a lei “ (Bíblia de Jerusalém).

Mateus 5,20:- OS ESCRIBAS E OS FARISEUS

Jesus introduz, com este versículo, a nova mentalidade com que a lei deve ser vista. Não podemos nos limitar no que a lei diz externamente, mas ir além do que ela pede. E dá vários exemplos, como veremos a seguir.

Mateus 5,21-26: NÃO MATARÁS

A lei mandava apenas não matar. Jesus aprofundou: não só não matar, mas também não xingar, não humilhar os outros, não fazer fofocas, não caluniar, não buscar vingança, não manter no coração pensamentos maus e nocivos para com os outros.

Mateus 5,27-32: O ADULTÉRIO

Jesus lembra que não só não podemos praticar o adultério, mas também devemos manter a castidade, de acordo com a condição de solteiros (viúvos) ou casados. O adultério é, principalmente, um pecado contra a caridade, já que desestabiliza uma ou as duas famílias completamente.

Mateus 5,33-37: NÃO JURAR

Sejamos sempre sinceros e nunca precisaremos jurar. Seja o nosso sim, sim, e o nosso não, não. Quanto às promessas, é preciso cumpri-las. Se não conseguirmos, peçamos a um sacerdote que nos permita mudar nossa promessa para uma mais fácil de ser cumprida.

Mateus 5,38-42:- A VINGANÇA

Não devemos manter pensamentos de vingança no coração. Se Deus fosse vingar-se de tudo o que fizemos de errado, estaríamos perdidos! Se alguém nos fez algum mal, não pensemos em vingança. Deixemos que Deus resolva o problema. Coloquemos isso nas mãos de Deus e sigamos nossa vida em paz. Sobretudo, além de não nos vingar, devemos rezar pela pessoa que nos prejudicou.

Mateus 5,43-48: AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

Amar não é o mesmo que gostar. Jesus mandou que amássemos, e não que gostássemos de nossos inimigos. Ele também não disse: “ Não tenham inimigos”. Se fulano é meu inimigo, é porque não gosto dele. Mas devo amá-lo, ou seja, se o meu inimigo tiver fome, devo dar-lhe de comer. Se tiver sede, devo dar-lhe de beber, etc.

Não precisamos gostar das pessoas, mas tratá-las bem, não lhe desejarmos mal, e se elas precisarem de nós, desde que não seja para fazer alguma coisa errada, devemos ajudá-las. Deus não deixa de derramar seus dons também sobre os maus.