sábado, 21 de julho de 2012

MATEUS CAPÍTULO 11





Mateus 11,1-6: JESUS É O MESSIAS

Jesus mostra a João Batista, pela profecia de Isaías, que sua sobras são o começo da vinda do Messias (=era messiânica). Entretanto, para admiração do próprio João Batista, Jesus mostra essa era messiânica não como uma era de violência e de castigo, mas como uma era de misericórdia, de amor mútuo, de bondade, de perdão, de alegria, de exultação, de mentalidade aberta, de cura, de libertação e de salvação.

Você sabe que os judeus esperavam não um Messias (=Salvador) do tipo que Jesus foi, mas (e até agora esperam) um Messias guerreiro, rico, poderoso, que iria transformá-los num povo orgulhoso e dominador. O “jeitão” magnânimo, bondoso e misericordioso de Jesus decepcionou-os.

Aliás, nós também achamos que Deus deveria interferir no mundo e castigar os maus, acabar com a farra dos desonestos e daí para baixo. Quanta dificuldade temos em acolher um irmão que pecou, que passou por uma prisão ou coisa semelhante! Lembram-se do filho pródigo? Pois é! O irmão dele estrilou e se enraiveceu quando o pai recebeu-o de volta. Será que muitos de nós não fazemos o mesmo com nossos irmãos que pretendem recomeçar a vida?

Mateus 11,7-10- QUEM É JOÃO BATISTA?

Diz o texto que João Batista era um homem santo, penitente, sincero, firme, o que veio preparar a vinda do Salvador, do Messias. Ele não era como um caniço, uma vara fina, que se verga ao sabor do vento, ou diríamos hoje, um “Maria vai com as outras”. Ele ataca quem precisa ser atacado, mostra a verdade, doa a quem doer, e acabou sendo morto por apontar um adultério, o de Herodes com Herodíades. Quantas pessoas estão cometendo adultério, matando, roubando descaradamente (você pensou em algum político? Pois acertou!) em nossa sociedade e nós simplesmente cobrimos com toalhas quentes, não dizemos nada, tudo está bem, tranquilo... João Batista morreu apontando um adultério; Jesus morreu apontando o caminho errado que as autoridades judaicas estavam tomando e fazendo que o povo tomasse.

Mateus 11, 11-15: O MENOR DO REINO É MAIOR (não melhor) DO QUE JOÃO.

Apesar de João Batista ter sido um grande santo, ele tinha um olhar limitado do Reino de Deus. Quem veio depois, é maior no sentido de que vê mais longe que João, conhece coisas inefáveis, que ele apenas pressentiu. Jesus não disse “melhor”, mas “maior”. Ele foi o último profeta do AT. Com Jesus, a vinda do Reino de Deus se tornou realidade. Esse novo tempo que Ele inaugurou supera totalmente (=transcende) os tempos do AT, que precederam e prepararam a vinda de Jesus.

Quanto à violência mencionada, pode significar várias coisas. Para nós, basta lembrar que a renúncia aos vícios, aos pecados, é dura, fruto de muita luta e verdadeira violência, que temos de fazer a nós mesmos, para também sermos testemunha aos demais. Às vezes as tentações nos prostram, nos deixam desanimados. Não desanimemos! Continuemos lutando! Mesmo que a gente caia mil vezes, vamos nos reerguer outras duas mil!

Mateus 11,16-19:-PESSOAS VOLÚVEIS

Esse trecho, para mim, mostra que nós damos muitas desculpas para não seguirmos a palavra de Deus. Sempre encontramos algum motivo para não termos feito isto ou aquilo. Geralmente as pessoas culpam outras ou culpam os acontecimentos para desculparem os próprios erros, preguiças ou más ações. É hora de sermos sinceros e encararmos as próprias culpas, os próprios defeitos, e não culparmos os outros se somos infelizes.

Mateus 11, 20-24:- AI DE TI...

Jesus lamenta que as cidades de Corazim e Betsaida não tenham se convertido, apesar de seus inúmeros milagres feitos ali. Em nossa vida, quando pedimos a graça de Deus, as curas e outras coisas, devemos estar atentos, pois elas só serão úteis se nos levarem ao arrependimento e à mudança de vida. Não adianta nada, diz Jesus em outro lugar, ter as duas mãos e ir para o inferno. É melhor ter uma só, mas entrar no céu. Ou seja: se algo nos perturba a paz, nos faz pecar, deixemos isso de lado, mesmo custando o nosso sangue, e abracemos a vontade de Deus. Como diz Hebreus 12,4: “Ainda não resististes até derramar sangue na luta contra o pecado”.

Mateus 11,25-27:- O EVANGELHO REVELADO AOS SIMPLES.

É uma das poucas orações de Jesus narradas pelos evangelhos. Os pobres, humildes, marginalizados, aceitaram sua palavra de libertação, justamente por serem humildes, marginalizados, pobres, e não terem o que perder. Os pequeninos, aqui, são os discípulos. Os “sábios”, são os fariseus e os doutores da lei. “Estas coisas” (que estão sendo reveladas) são os “mistérios do Reino de Deus”.

É um pouco nesse sentido que Lucas fala, no sermão da planície: “Bem- aventurados os pobres, porque deles é o reino de Deus”. Ou seja: quem não tem um “gato para puxar pelo rabo”, não tem nada a perder e ouve com maior facilidade, sem muito drama, o que deve fazer para mudar de vida, para alcançar a vida eterna. Quanto mais tivermos, no sentido de bens materiais ou mesmo conhecimentos científicos, mais dificuldade teremos em aceitar muitas coisas que Jesus ensinou e falou. O tombo de alguém pequeno causa menos problemas do que o tombo de alguém grande. Esses pobres, humildes, sofridos, precisam mais do conforto de outras pessoas que as pessoas ricas e poderosas. Os ricos e os sábios não precisam muito de Deus para viver...

E nossa Igreja, está aliada a quem? Aos pobres, humildes, necessitados, ou aos ricos e poderosos?

Mateus 11,28-30:- O FARDO LEVE

Trecho belíssimo! Mostra que, quem quiser fazer a vontade de Deus, e colocar-se sob a orientação de Jesus, não se arrependerá, pois encontrará facilidade para vencer os problemas, cansaços e fraquezas, com a força e o amor que ele lhes proporcionará.

Esse trecho, na verdade, está comparando o fardo pesado das 613 leis que os judeus tinham que observar, dom as leis do amor, que os cristãos precisam observar. Jesus deixa as 613 leis para colocar apenas três: Amar a Deus, amar ao próximo, e amar a si mesmo na mesma medida em que ama ao próximo. Quem se entrega aos vícios, por exemplo, não está amando a si próprio. Esses três mandamentos resumem as 613 leis judaicas!  

Olhem o que o Pe. Fernando Cardoso disse sobre o assunto, em 19 de julho de 2012:


Vinde a mim!” diz Jesus, hoje, no texto evangélico. “Todos vós, que estais fatigados e oprimidos, Eu vos darei descanso!” A quem Jesus Se dirigia com estas palavras? Sobretudo, à massa do povo, gente simples da Galiléia que O ouvia e O seguia com entusiasmo, mas não eram capazes de suportar todo o peso das tradições orais, sobretudo as tradições orais chamadas “Haláchicas” que os Fariseus tentavam, de maneira oprimente, colocar sobre os próprios ombros, sobre os ombros dessa gente.

Eram muitas as minúcias, eram muitas as normas, eram demasiadas as prescrições, eram demasiadas as proibições, eram demasiadas as condições. E esses Fariseus diziam, mesmo de grupos que não se assemelhavam a si próprios, que eram pessoas condenadas, pessoas que não viviam na intimidade com Deus e pessoas que não estavam destinadas ao Reino de Deus. Quem não fosse do próprio partido, quem não assumisse a própria visão, quem não respeitasse todas aquelas prescrições orais, além das prescrições escritas da Tora Mosaica, estava excluído, segundo eles, do convívio de Deus.

Quando os evangelhos e os evangelistas nos dizem que Jesus Se cercava de pecadores, ou buscava companhia de pecadores, ou então, contrariamente, quando nos dizem eles que pecadores iam a Jesus e encontravam um Jesus receptivo, nós não podemos entender o que normalmente se faz, que Jesus Se cercasse de Prostitutas, de ladrões, de bandidos, de assassinos e que gostasse desse tipo de gente. Claro, isto seria uma caricatura do próprio Jesus, Jesus jamais faria uma coisa dessas.

 Quando os evangelhos falam de pecadores e de Jesus freqüentar convívios de pecadores, quem eram esses pecadores? Eram essas pessoas simples e humildes que não conseguiam colocar em prática o que era insistência dos Fariseus, eram pessoas que não entravam nas categorias dos grupos farisaicos, dos grupos dos saduceus, e nem mesmo da comunidade de Qumran. 

Estes eram os pecadores. Com outras palavras, os pecadores eram aqueles que não faziam parte do nosso grupo, não faziam parte da nossa corporação, não pensavam ideologicamente ou religiosamente como pensamos nós e é claro, as conseqüências eram duras: são todos condenados.

Jesus não se dirige assim a ninguém, pelo contrário, chama-os, atrai-os: “Quem se sentir demasiadamente tolido, limitado sob o jugo da lei mosaica e, sobretudo, da tradição oral farisaica, venha a mim e Eu darei repouso, o Meu jugo é suave”. E o Evangelho de Jesus contém apenas dois grandes mandamentos nos quais está contida toda a lei e os Profetas: o amor incondicional a Deus e o amor ao próximo, como a si mesmo.


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