sábado, 21 de julho de 2012

MATEUS CAPÍTULO 04



Mateus 4, 1-11: A TENTAÇÃO DE JESUS 



Jesus foi tentado não só no deserto, mas a sua vida toda, inclusive na hora de sua morte, quando, por exemplo, alguém disse: “Desce da cruz, se és o Filho de Deus!” Ele realmente poderia descer, se quisesse! 

As três tentações de Jesus no deserto estavam ligadas ao fato dele ser Deus e homem verdadeiros. Ele poderia ter resolvido os problemas do seu tempo com seu poder divino. Entretanto, e os demais anos e séculos vindouros? Como nós resolveríamos os nossos problemas? 

Ele poderia fazer aparecer alimento; mas e os pobres de nossos dias, como ficariam? 

Ele poderia tornar-se rei. Mas... e os demais governantes de nossos dias? 

Ele poderia ser rico. Mas... e a má distribuição de riquezas de nossos dias? Como ele poderia combatê-la se tivesse sido um desses ricos? 

Restou-lhe agir do modo mais difícil, ou seja, ensinando-nos o bom caminho, mudando nosso modo de agir, apontando-nos um caminho para o bem estar e a felicidade válidos para todos os tempos. E sobretudo, dando-nos o exemplo de como fazer a vontade do Pai. 

No deserto Jesus colocou-se à disposição do Pai totalmente, como seu Filho Único. Lá, Ele não precisava curar, nem pregar, nem fazer milagres: apenas colocar-se nos braços do Pai. 

É interessante fazermos também essa experiência: coloque-se por alguns minutos diários nos braços desse nosso Pai amoroso. Esqueça-se, nesses minutos, que você é pecador, pai, mãe, filho, estudante, desempregado, que tem que chamar a atenção deste ou daquele, ou qualquer outra coisa. Apenas coloque-se nos braços do Pai, como Jesus fez, para que Ele lhe dê o conforto necessário. 

Enfim, Jesus “É o Messias que abre o verdadeiro caminho da salvação, não o da confiança em si e da facilidade, mas o da obediência a Deus e da abnegação. Era preciso que encarasse a possibilidade de um messianismo político e glorioso, a fim de preferir a ele um messianismo espiritual, pela submissão completa a Deus” (Bíblia de Jerusalém). 



Mateus 4,12-16: RETORNO À GALILÉIA 



Jesus morava na Galiléia, foi para a Judéia, a fim de ser batizado por João Batista. Ficou um tempo lá, inclusive foi tentado no deserto. O trecho acima mostra que, ao saber que João tinha sido preso, voltou para a Galiléia, nas não para Nazaré: mudou de cidade, indo morar em Cafarnaum, cidade que se situava à beira-mar. 

Mais uma vez vemos como Jesus escolhia os lugares e os meios mais adequados à sua pregação. Devemos sempre procurar os melhores meios humanos para que a graça de Deus seja mais eficaz. 

Não é próprio do cristão desprezar as conquistas humanas no campo da ciência, da física, da agricultura, do bem-estar, desde que não sejam meios ilícitos, contra a moral. Nós somos corpo e alma juntos, inseparáveis. A parte material deve estar bem estruturada para que a parte espiritual possa crescer e receber a graça de Deus. 



Mateus 4,17: JESUS COMEÇOU A PREGAR 


Jesus começou, então, sua vida pública, dizendo a todos: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. “ A pregação de Jesus iria gerar em torno disto: 

1- A realeza de Deus sobre o povo eleito e sobre o mundo. 

2- Ele admite um “Reino de Santos”, dos quais Deus é o rei, reconhecido no conhecimento e no amor. 

3- Essa realeza, comprometida pelo noso pecado, deve ser restabelecida por uma intervenção soberana de Deus e de seu Messias, anunciada por Jesus. 

4- Essa intervenção de Jesus não é de modo guerreiro e nacionalista, mas de forma oda espiritual. 

5- Esse Reino será estabelecido de maneira definitiva e entregue ao Pai pela volta gloriosa de Cristo, por ocasião do Juízo Final. 

6- Durante esse período de espera em que estamos, ele se apresenta como graça pura, aceita pelos humildes, pelos capazes de renúncia, mas rejeitada pelos orgulhosos e egoístas. 

7- No Reino definitivo não se entra sem a veste nupcial de uma vida nova, recebida no Batismo, e há pessoas que serão excluídas (Mt 8,12; 1Cor 6,9-10; Gál 5,21). 

8-É preciso, pois, vigiar, a fim de estarmos prontos quando ele vier inesperadamente. 

Enfim, converter-se é, em resumo, deixar de agir segundo a própria cabeça e começar a agir conforme a vontade de Deus. 



Mateus 4,18-22: VOCAÇÃO DOS 4 PRIMEIROS DISCÍPULOS. 



É claro que o chamado de Jesus a pronta resposta desses quatro discípulos não deve ter sido de modo tão simples como lemos no evangelho. Talvez eles tivessem observado e muito as atitudes de Jesus no seu dia a dia e, percebendo nele sinceridade, determinação, força, simpatia, serenidade, acabaram atendendo a seu convite de segui-lo. Deixar tudo significa amar a Deus sobre todas as coisas. 

Nós passamos, muitas vezes, muitos anos enganando-nos a nós mesmos e a outros, quando percebemos qual é a vontade de Deus a nosso respeito, mas não temos a coragem de praticá-la. 

É preferível sermos criticados por termos feito alguma coisa errada durante a nossa prática da vontade de Deus, do que nunca precisamos ser criticados justamente por nunca termos feito coisa alguma, por medo de agir. 

Lembrem-se de que o julgamento deste mundo é passageiro, mas o julgamento do juízo final é para sempre! 


Mateus 4, 23-25: AS CURAS 


Jesus pregava o evangelho, ensinava e curava. Os milagres e as curas mostravam a todos que o Reino de Deus tinha chegado. Como diz Carlos Mesters, os milagres são as “amostras grátis” do Reino de Deus. 

A cura da doença só tem sentido se nos convertermos ao mesmo tempo. Como diz o próprio Jesus, é melhor entrar no céu sem uma das mãos que, tendo as duas, ir para o inferno. 

Desse modo, são duas as curas: é melhor suportar algumas contrariedades nesta terra que, sem contrariedade alguma, perdermos o paraíso. 

Os muitos que seguiam Jesus talvez o faziam apenas pela curas, como vemos atualmente em certas seitas e religiões que se dizem cristãs, que prometem milagres e curas, mas não exigem um compromisso mais radical por parte dos seus seguidores, da vivência evangélica.


ACRÉSCIMO AO CAPÍTULO 04

Fernando Armellini (ver detalhes no final do cap. 01).

Jesus foi tentado durante toda a sua vida, e não apenas nesses 40 dias do deserto. Por exemplo em Mt 27,45: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Essa foi uma das tentações de Jesus.

No deserto, Mateus resume as tentações todas de Jesus em três, comparando-as às tentações do povo nos 40 anos do deserto, e que não foram vencidas por eles.

1ª tentação= o pão (v 1-4)
Será que para ter uma vida bem sucedida é suficiente possuir muitos bens?

2ª tentação: pedir sinais a Deus (V. 5-7)
Jesus se recusa a pedir sinais ou provas ao Pai. Nós pedimos sinais, como por exemplo quando falamos a Deus que, se ele nos ama, que nos ajude a encontrar um bom emprego, ou outras coisas. Poderemos, isto sim, pedir a Deus que sempre nos conceda forças para realizarmos sempre a sua vontade, seja ela qual for! Que saiamos das tentações mais amadurecidos, seres humanos mais autênticos.

3ª tentação: a do poder, da adoração àquilo que não é Deus (V. 8-11).

É diabólica qualquer forma de autoridade que se traduza em domínio, poder, prevaricação, pressão, imposição das próprias ideias e da própria vontade e que não respeite a liberdade do homem”.

Confira com o que disse Jesus a Pedro, em MT 6,23, quando este lhe pediu que conquistasse o poder: “Afasta-te de mim, Satanás!”.

Os quarenta dias de Jesus no deserto, então, simbolizam os quarenta anos que o povo levou para ir do Egito à Terra Santa, com todas as tentações que o povo teve, mas não venceu, e que Jesus também teve, mas venceu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DIGITE AQUI O SEU COMENTÁRIO