sábado, 19 de maio de 2012

A GENEROSIDADE



Ser generoso é ser pobre em espírito, é ser puro de coração (Mt 5,3,8). Muitas pessoas acabam se perdendo e fazendo empobrecer espiritualmente a comunidade por causa da ganância e do “pão-durismo”.

Recebemos de Deus na medida em que damos aos outros. Deus partilhou e partilha conosco seus bens, sua vida, e quer que nós façamos o mesmo com os demais.

É incrível como muitas pessoas não percebem isso! Fecham-se em si mesmas, como se fossem ilhas, não partilham nada com ninguém, e ainda querem ser felizes!

Eu aprendi isso em casa, com meus pais. Eles sempre partilharam, sempre foram abençoados por Deus.

Algumas pessoas da comunidade chegam a provocar brigas violentas por causa do dinheiro. E nem mencionemos pessoas que às vezes lesam as comunidades com roubos do dinheiro da caixa! Ou mesmo das festas! Não percebem que serão sempre infelizes. Não confiam na Providência Divina.

Nas igrejas, muitas vezes, vemos preocupação exagerada com a parte financeira. O importante, muitas vezes, não é a convivência fraterna, mas a arrecadação financeira. Muitos adultos vivem brigando com os jovens porque, com suas brincadeiras, estão “destruindo o prédio”. Preocupam-se em conservar o prédio limpo, mesmo que com isso prejudiquem a convivência com as pessoas que se reúnem nesse prédio.

Mateus 6,33: “ Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas (alimento, vestuário)serão acrescentadas.

Quanto aos pobres, há muito o que dizer, mas acho que tantos já falaram deles! É um trabalho muito difícil e muitas vezes frustrante. Muitos pobres foram educados naquela vida e acham que Deus lhes proverá tudo, o que é uma atitude contrária à que mencionamos no capítulo anterior. Precisamos trabalhar, fazermos o que pudermos, para que Deus nos ajude. O problema desses pobres é, portanto, cultural: já vêm de famílias ajudadas pela igreja ou por outros organismos, e não se preocupam em melhorar a própria vida.

Eu conheci muitas pessoas necessitadas que pagaram com a ingratidão a ajuda recebida. Escrevi este manual em 1994, quando eu estava numa altura maravilhosa de minha vida e agora, 2012, ao digitá-lo para colocar no blog e no site, milhares de pensamentos diferentes me envolveram. Quantas coisas se passaram desde aquela data! E eu ajudava muito as pessoas, tinha juventude e oportunidade para isso. Hoje em dia vejo o quanto algumas delas me prejudicaram com calúnias, maldades, a ponto de eu ter que mudar meu modo de viver o apostolado e até a minha vida.

Não desanimei, não desisti. Só que agora ajudo de forma diferente, exigindo também que a pessoa mude seu caminhar, mude sua trajetória e seus valores. Eu exijo mais das pessoas ajudadas que naqueles anos 90. Muitas vezes ajudar não é dar, mas tirar. Aos viciados, por exemplo, é tirar o que lhes causa o vício, ou melhor, ensiná-los a tirar aquilo de suas vidas. Aos que forma mal-educados, ajudar é tirar as manhas e tantas coisas supérfluas que infernizam suas vidas.

Perdoar é algo diferente do que muitos pensam! Perdoar não é “deixar para lá”. Perdoar é tirar as mágoas do coração, mas isso não implica em exigirmos a conversão e a reparação da pessoa aos malefícios que causou. Dou um exemplo: uma senhora tinha uma filha que foi assassinada. Ela denunciou o assassino, que foi preso, mas era a única visita que esse assassino recebia na prisão. Ela perdoou o rapaz de ter assassinado sua filha, mas o colocou na prisão, para pensar um pouco na besteira que fizera. E o rapaz se converteu, mudou de vida, levado pelo testemunho maravilhoso de perdão dado por essa senhora.

Aos casais, por exemplo, perdoar não é necessariamente continuar vivendo juntos. Muitas vezes essa convivência é praticamente impossível, e, mesmo perdoando-se mutuamente, eles podem perceber que viverem separados é a melhor atitude a tomar. Ninguém é obrigado a viver com outra pessoa, se isso só lhe trouxer aborrecimentos.

Outro ponto a refletir, nesse assunto, é a sociedade injusta e elitista em que vivemos. Os pobres têm pouca chance, ou até nenhuma. Há o ditado: “Não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Entretanto, D. Ana Flora Andersen e o Frei Gorgulho, meus professores, sempre diziam: “De que adianta ensinar a pescar se o rio está poluído?” Ou seja: não é necessário só ensinar a pescar, mas também a despoluir o rio, ou seja, pleitear mudanças sociais radicais, a fim de que os pobres e abandonados sejam acolhidos, tenham vez na sociedade, progridam em todos os sentidos.

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