sábado, 21 de julho de 2012

MATEUS CAPÍTULO 05



O conjunto dos capítulos 5,6 e 7 de Mateus formam o que chamamos de “Sermão da Montanha”, mas Jesus não disse tudo isso numa só vez, como se poderia supor: ele disse isso durante quase toda a sua vida pública. Mateus reuniu tudo nesses três capítulos e colocou Jesus falando de cima de um monte para lembrar Moisés: este transmitiu a lei antiga; Jesus transmite a lei nova, um novo modo de entender a vontade de Deus. A de Jesus é mais profunda, dando mais valor ao que temos no coração, em nosso íntimo, nossa intenção sincera de servir e agradar a Deus, e não como a de Moisés, que se contentava com o exterior, com os atos externos.

Se prestarmos atenção, veremos que o mesmo sermão é colocado, por Lucas, na planície, como atesta Lucas 6,17: “E, descendo com eles, parou num lugar plano...”. É que Lucas era de origem pagã, e os pagãos apreciam o fato de Jesus ter descido ao nível humano, tornou-se homem como nós. Já Mateus, de origem judaica, quer mostrar que os judeus devem acreditar na divindade de Jesus, que tem a mesma autoridade do Pai, quando aprofunda os dez mandamentos, dados a Moisés. Essa é a diferença pela qual Mateus nos apresenta Jesus falando de um monte (=acima de todos) e Lucas, Jesus falando na planície (=ao mesmo nível de todos).

Mateus 5,1-12: AS BEM-AVENTURANÇAS

Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus”; “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”. Essas duas bem-aventuranças são, na verdade, as principais, que resumem as outras seis.

Ser pobre em espírito é renunciar às riquezas e a uma vida fácil, mesmo havendo essa possibilidade, para viver uma vida mais simples e partilhada. Não é pobre em espírito aquele que “sente-se” pobre, mas continua, efetivamente, vivendo uma vida de rico, sem partilhar o que possui.

Ser “pobre em espírito” é viver uma vida modesta, simples, embora se tenha condições mentais, sociais e físicas de se viver de modo mais sofisticado e rico. São Lucas diz: "Bem aventurados os pobres". O pe. Fernando Cardoso diz que pode ser que Jesus tenha se referido a todos nós, como pessoas limitadas e pobres, principalmente em nosso último minuto de vida: "Felizes vós, que sois pobres "... e precisam de minha força, minha coragem... Se você quiser ler o trecho todo, procure o dia 12/09/12, no site :www.padrefernandocardoso.com.br


Fernando Armellini tem uma idéia um pouco diferente. Ele cita Lucas 14,22: “Assim, pois, qualquer um de vós, que não renunciar a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”, para dizer que Jesus exige a pobreza radical.

Minha opinião é um pouco diferente (se é que ela vale alguma coisa. Não posso me comparar ao Fernando Armellini!): Vejo que Jesus convidou várias pessoas a viverem a pobreza em pelo menos três graus diferentes: Ao jovem rico, exigiu 100%, tudo; A Zaqueu, exigiu uma parte: ele ia dar 50% aos pobres e devolver 4 vezes o que havia roubado, como exigia a lei. E não consta que ficou pobre de uma vez. Ao jovem Gadareno, de quem expulsou a legião de demônios que foi para os porcos e os fizeram precipitar no precipício, Jesus não exigiu nada: apenas deu-lhe uma vocação única, que a ninguém mais havia dado: “Volte para sua casa e conte a todas as pessoas o que eu fiz por você”.

A meu ver, isso indica que nem todos precisam viver numa pobreza extrema para agradar a Deus. Mas isso implica também que não podemos nos dar ao luxo de sermos ricos num mundo em que milhões morrem de fome ou vivem uma vida abaixo do nível suportável! “In médio est virtus” (A virtude está no equilíbrio), nos diz São Tomás de Aquino. Eu diria, pois, que cada um deveria fazer um bom exame de consciência e ver como está vivendo sua vida em relação aos bens.

É ridículo, a meu ver, ver padres e pessoas religiosas vivendo uma vida rica , com todas as mordomias. Se deixamos família e tantas coisas para exercermos o nosso ministério, ou vivermos uma vida religiosa, mais próxima aos pobres e necessitados, não deveríamos viver numa burguesia que deve mesmo até agredir a Deus. Diz um bispo católico brasileiro que “Ou a Igreja se torna uma Igreja pobre, ou não é a Igreja de Cristo! “ Vou ficar devendo a vocês o nome do nosso profeta que disse isso.

A oitava bem-aventurança lembra os que são perseguidos por partilharem seus dons e seus bens com os outros e defenderem os pobres e injustiçados.

As demais bem-aventuranças:
MANSOS - Os que não resolvem os problemas de modo violento, mas no diálogo e na misericórdia.

AFLITOS - Os que se preocupam com o modo com que as pessoas mais simples vivem, os que sofrem, os injustiçados, a discrepância entre ricos e pobres.

FOME E SEDE DE JUSTIÇA – Os que querem sanar as diferenças sociais e injustas entre as pessoas.

OS MISERICORDIOSOS:- Os que procuram ajudar os demais, a promoverem os que vivem em situação de miséria e pobreza, ou mesmo pessoas abastadas que foram abandonadas pela família, vivem isoladas, ou doentes, e assim por diante.
OS PUROS DE CORAÇÃO – Os sinceros, que não têm “duas caras”, que não mentem, que não usam máscaras. A pureza aqui não se refere à castidade.

OS QUE PROMOVEM A PAZ :- No diálogo e no entendimento, no perdão mútuo. Os que combatem a ganância, a violência, o desentendimento, o preconceito social e racial, enfim, os que combatem tudo o que é a causa de tantas guerras.

Bem- aventurados” significa, também, “felizes”. A felicidade mostrada por Jesus é muito diferente daquela mostrada pleo mundo. A do mundo baseia-se nos vícios, nos prazeres materiais, que podem até trazer uma certa “felicidade” num primeiro momento, mas azeda tudo logo em seguida. O sofrimento que se segue à prática de um vício não o compensa. Quanto à felicidade que Jesus ensina, é sólida, duradoura e permanente. A satisfação que uma pessoa sente em estar praticando a vontade de Deus supera e muito o incômodo das renúncias e das partilhas que a acompanham. Na verdade, acaba-se habituando com o bem de tal maneira, que sua prática se torna fácil e tranquila.

São Lucas diz: "Bem aventurados os pobres". O pe. Fernando Cardoso diz que pode ser que Jesus tenha se referido a todos nós, como pessoas limitadas e pobres, principalmente em nosso último minuto de vida: "Felizes vós, que sois pobres "... e precisam de minha força, minha coragem... Se você quiser ler o trecho todo, procure o dia 12/09/12, no site :www.padrefernandocardoso.com.br

Mateus 5,13- O SAL DA TERRA

A tradução mais correta: “se o sal se tornar insosso, com que o salgaremos?” Se ele perder o poder de salgar, nada mais será capaz de fazê-lo novamente salgado (ou seja, não haverá mais o sal). Assim, se perdermos a fé em Jesus Cristo, como poderemos readquiri-la, se nós é que somos os cristãos e os que acreditam em Deus? Em outras palavras: se nós cristãos perdermos a fé em Jesus Cristo, ninguém mais poderá ajudar-nos.

Mateus 5,14-16:- A LUZ DO MUNDO

A árvore boa ou má se conhece pelos frutos. Se praticarmos a Palavra de Deus, outros vão perceber isso e vão deixar-se iluminar pela luz de Cristo.

Certa vez um padre foi preso injustamente e um dos vigilantes da prisão não acreditava em sua inocência. Ao vê-lo receber muitas cartas, uma cesta de café da manhã belíssima e muitas visitas, o vigilante pegou em seus ombros e disse: “Padre, eu estou começando a acreditar em sua inocência!”.

Se vivermos o evangelho, essa vivência é a luz refletida de Cristo, que vai iluminar as pessoas que encontrarmos em nosso caminho, as pessoas com quem vivemos no dia a dia. Nós não temos a luz: ela nos vem de Deus. Não podemos olhar para o sol, mas podemos olhar para a sua luz refletida na lua. Quem vê nossa luz, não vai ficar ofuscado, se ela for a luz de Deus. Se quiséssemos iluminar com uma luz própria nossa, os olhos das pessoas se ofuscariam.

Mateus 5,17-19:- A LEI

A lei foi feita para nos proteger de nós próprios e dos outros. Uma comunidade, seja ela grande ou pequena, que procura seguir as leis, será uma comunidade feliz, onde todos respeitam o espaço de todos. Querem ver onde os pertences de uma pessoa são respeitados e ninguém rouba? Na prisão! Lá, o preso pode largar suas coisas em qualquer lugar que não some. Seguir as leis significa, pois, manter a serenidade da comunidade e das pessoas.

Jesus, em outras ocasiões, lembrou que a lei deve ser seguida enquanto a caridade possa ser exercida. Quando precisamos escolher entre lei e exercer a caridade, a caridade é que deve ser levada em consideração. Ele mostra como exemplo o fato de que, para matar a fome, uma pessoa pode muito bem ir contra a lei do descanso pleno do sábado, em sua época. A vida está acima das leis convencionais.

Jesus, entretanto, deu uma forma nova e definitiva à lei:”O amor, em que já se resumia a lei antiga, torna-se o mandamento novo de Jesus e o cumprimento de toda a lei “ (Bíblia de Jerusalém).

Mateus 5,20:- OS ESCRIBAS E OS FARISEUS

Jesus introduz, com este versículo, a nova mentalidade com que a lei deve ser vista. Não podemos nos limitar no que a lei diz externamente, mas ir além do que ela pede. E dá vários exemplos, como veremos a seguir.

Mateus 5,21-26: NÃO MATARÁS

A lei mandava apenas não matar. Jesus aprofundou: não só não matar, mas também não xingar, não humilhar os outros, não fazer fofocas, não caluniar, não buscar vingança, não manter no coração pensamentos maus e nocivos para com os outros.

Mateus 5,27-32: O ADULTÉRIO

Jesus lembra que não só não podemos praticar o adultério, mas também devemos manter a castidade, de acordo com a condição de solteiros (viúvos) ou casados. O adultério é, principalmente, um pecado contra a caridade, já que desestabiliza uma ou as duas famílias completamente.

Mateus 5,33-37: NÃO JURAR

Sejamos sempre sinceros e nunca precisaremos jurar. Seja o nosso sim, sim, e o nosso não, não. Quanto às promessas, é preciso cumpri-las. Se não conseguirmos, peçamos a um sacerdote que nos permita mudar nossa promessa para uma mais fácil de ser cumprida.

Mateus 5,38-42:- A VINGANÇA

Não devemos manter pensamentos de vingança no coração. Se Deus fosse vingar-se de tudo o que fizemos de errado, estaríamos perdidos! Se alguém nos fez algum mal, não pensemos em vingança. Deixemos que Deus resolva o problema. Coloquemos isso nas mãos de Deus e sigamos nossa vida em paz. Sobretudo, além de não nos vingar, devemos rezar pela pessoa que nos prejudicou.

Mateus 5,43-48: AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

Amar não é o mesmo que gostar. Jesus mandou que amássemos, e não que gostássemos de nossos inimigos. Ele também não disse: “ Não tenham inimigos”. Se fulano é meu inimigo, é porque não gosto dele. Mas devo amá-lo, ou seja, se o meu inimigo tiver fome, devo dar-lhe de comer. Se tiver sede, devo dar-lhe de beber, etc.

Não precisamos gostar das pessoas, mas tratá-las bem, não lhe desejarmos mal, e se elas precisarem de nós, desde que não seja para fazer alguma coisa errada, devemos ajudá-las. Deus não deixa de derramar seus dons também sobre os maus.

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