sábado, 19 de maio de 2012

NÃO JULGAR




Muitas comunidades se despedaçam e, quando não morrem, também não vão adiante, por causa da falta de misericórdia entre os seus membros. Jesus disse em Mateus 7,1-2: “ Não julgueis (os outros).para não serdes julgados (por Deus). Pois com o julgamento com que julgais sereis julgados, e com a medida com que medis sereis medidos”. Ou em Lucas 6,36-38: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, para não serdes julgados; não condeneis, para não serdes condenados; perdoai e vos será perdoado. Dai, e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também”.

O julgamento nosso e dos demais pertencem a Deus. Ele, que vê o mais profundo de nosso coração, tem a condição de nos julgar. Nós, porém não enxergamos um palmo diante do nariz: como poderemos julgar?

Por outro lado, diz Tiago 2,13: “A misericórdia triunfa sobre o julgamento” ; ou seja, se formos misericordiosos, seremos também julgados com misericórdia, e os pecados que cometemos por fraqueza serão esquecidos.

Vemos, entretanto, que em nossas comunidades há muito julgamento mútuo. Muitos de nós achamos que os outros são errados e nós, os certos. Sempre certas pessoas estão prontas para julgar, mas nunca se colocam nesse julgamento.

Muitos agem até com boa intenção: vêem alguma coisa errada na comunidade e se acham no direito de santificar e conduzir a comunidade. Mas aí criticam todo mundo, estão sempre apontando os defeitos dos outros, tornam-se pessoas intragáveis, antipáticas e, o pior de tudo, acabam mais atrapalhando que ajudando. Não somos os donos da verdade. Não podemos julgar.

AFINAL, O QUE É JULGAR?

Julgar os outros é colocar, nos atos deles, intenções que nunca poderíamos conhecer com certeza, pelo simples fato de que não somos Deus! Por exemplo, se eu vejo uma pessoa entrar na casa vizinha e matar a família toda. O que seria julgar, nesse caso? Seria dizer que essa pessoa vai para o inferno, e que fez isso por maldade.

O que seria não julgar? Seria dizer que a pessoa fez algo errado, e que não pode continuar solta: o deve ir para um hospício, se estiver louca ou fora de si, ou para a cadeia, se for o caso. Nunca saberemos ao certo o porquê dessa sua atitude.

Veja bem: apontar um erro, em si, não é julgar. Dizer com que intenção foi feito o erro, isso é julgar.

Outro exemplo: se vejo um pobre e logo vou dizendo que ele é um sem-vergonha, vagabundo, estarei julgando! Quem pode saber o verdadeiro motivo pelo qual ele está levando essa vida? Sua vida poderia mudar? Talvez sim, e aí eu poderia conversar com ele e tentar convencê-lo de que deve trabalhar, e ajudá-lo a vencer os problemas que o impedem de trabalhar, isto é misericórdia, e não julgamento.

Assim também se vejo um fulano alcoólatra e eu logo vou dizendo que ele faz isso por senvergonhice, eu o estou julgando. Não sei por que ele bebe. Como posso dizer que ele é sem-vergonha? Serei misericordioso, entretanto, se gentilmente eu lhe disse que ele faz mal em continuar bebendo, e o ajudar a sair desse vício. Muitos são tão viciados que não têm força de lutarem contra o(s) vício(s).

Outro tipo de julgamento que acontece muito é entender mal o que o padre fala no sermão. A pessoa se ofende com o que foi dito, principalmente porque achou que o padre falou para aborrecê-la, para corrigi-la, porque não gosta dela, ou porque alguém está “fazendo a cabeça” dele, ou mesmo que o fez por maldade. Ora, às vezes o padre nem percebera que o que falou poderia ofender a alguém. Pode ser mesmo que ele nem tenha notado que a pessoa estivesse ali.

Quando muito, neste caso, a pessoa ofendida deveria ir conversar pessoalmente com o padre, expor o seu problema e pedir a sua opinião a fim de que não haja mais motivo para ofensas. Não é isso o que ocorre! Geralmente a pessoa ofendida sai falando para todos os amigos e amigas que o padre a ofendeu na missa, e o “dito fica pelo não dito”.

Deixe que Deus decida se o que aquela pessoa está fazendo é por maldade ou não, com boa o má intenção! Simplesmente devemos ser misericordiosos, ajudarmos cristãmente para que as coisas sejam resolvidas de modo cristão, e deixemos o resto por conta de Deus.

Quando é de nossa alçada fazer alguma correção, sejamos fraternos, lembremos sempre à pessoa: “Na certa você não está percebendo o mal que está causando fazendo isso dessa maneira, mas como encarregado desse assunto, tenho por obrigação lembrá-lo (a) de que seria melhor fazer da maneira combinada, etc etc.”.

Diz São Tomás de Aquino:

“Agimos com raiva principalmente contra aqueles que julgamos estar nos prejudicando de livre vontade”. Se tirarmos de nossa mente o pré-julgamento (=preconceito), se acharmos que a pessoa não está fazendo aquilo por maldade, apenas por ignorância ou falta de capacidade, não ficaremos com raiva dela e a perdoaremos facilmente.

Será que nós ficamos com ódio, ou condenamos ao inferno os nossos próprios filhos, quando eles fazem algo de errado? È porque sempre achamos que eles fizeram isto ou aquilo por criancice e nunca por pura maldade! Nós nos propomos, então, a educá-los para que eles nunca mais façam aquilo de maneira errada.
Ora, por que não agirmos dessa mesma maneira na comunidade? Seríamos todos felizes, viveríamos todos em paz e caminharíamos para uma sociedade melhor, mais santa.

“Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia” ( Mt 5,7)
     




A GENEROSIDADE



Ser generoso é ser pobre em espírito, é ser puro de coração (Mt 5,3,8). Muitas pessoas acabam se perdendo e fazendo empobrecer espiritualmente a comunidade por causa da ganância e do “pão-durismo”.

Recebemos de Deus na medida em que damos aos outros. Deus partilhou e partilha conosco seus bens, sua vida, e quer que nós façamos o mesmo com os demais.

É incrível como muitas pessoas não percebem isso! Fecham-se em si mesmas, como se fossem ilhas, não partilham nada com ninguém, e ainda querem ser felizes!

Eu aprendi isso em casa, com meus pais. Eles sempre partilharam, sempre foram abençoados por Deus.

Algumas pessoas da comunidade chegam a provocar brigas violentas por causa do dinheiro. E nem mencionemos pessoas que às vezes lesam as comunidades com roubos do dinheiro da caixa! Ou mesmo das festas! Não percebem que serão sempre infelizes. Não confiam na Providência Divina.

Nas igrejas, muitas vezes, vemos preocupação exagerada com a parte financeira. O importante, muitas vezes, não é a convivência fraterna, mas a arrecadação financeira. Muitos adultos vivem brigando com os jovens porque, com suas brincadeiras, estão “destruindo o prédio”. Preocupam-se em conservar o prédio limpo, mesmo que com isso prejudiquem a convivência com as pessoas que se reúnem nesse prédio.

Mateus 6,33: “ Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas (alimento, vestuário)serão acrescentadas.

Quanto aos pobres, há muito o que dizer, mas acho que tantos já falaram deles! É um trabalho muito difícil e muitas vezes frustrante. Muitos pobres foram educados naquela vida e acham que Deus lhes proverá tudo, o que é uma atitude contrária à que mencionamos no capítulo anterior. Precisamos trabalhar, fazermos o que pudermos, para que Deus nos ajude. O problema desses pobres é, portanto, cultural: já vêm de famílias ajudadas pela igreja ou por outros organismos, e não se preocupam em melhorar a própria vida.

Eu conheci muitas pessoas necessitadas que pagaram com a ingratidão a ajuda recebida. Escrevi este manual em 1994, quando eu estava numa altura maravilhosa de minha vida e agora, 2012, ao digitá-lo para colocar no blog e no site, milhares de pensamentos diferentes me envolveram. Quantas coisas se passaram desde aquela data! E eu ajudava muito as pessoas, tinha juventude e oportunidade para isso. Hoje em dia vejo o quanto algumas delas me prejudicaram com calúnias, maldades, a ponto de eu ter que mudar meu modo de viver o apostolado e até a minha vida.

Não desanimei, não desisti. Só que agora ajudo de forma diferente, exigindo também que a pessoa mude seu caminhar, mude sua trajetória e seus valores. Eu exijo mais das pessoas ajudadas que naqueles anos 90. Muitas vezes ajudar não é dar, mas tirar. Aos viciados, por exemplo, é tirar o que lhes causa o vício, ou melhor, ensiná-los a tirar aquilo de suas vidas. Aos que forma mal-educados, ajudar é tirar as manhas e tantas coisas supérfluas que infernizam suas vidas.

Perdoar é algo diferente do que muitos pensam! Perdoar não é “deixar para lá”. Perdoar é tirar as mágoas do coração, mas isso não implica em exigirmos a conversão e a reparação da pessoa aos malefícios que causou. Dou um exemplo: uma senhora tinha uma filha que foi assassinada. Ela denunciou o assassino, que foi preso, mas era a única visita que esse assassino recebia na prisão. Ela perdoou o rapaz de ter assassinado sua filha, mas o colocou na prisão, para pensar um pouco na besteira que fizera. E o rapaz se converteu, mudou de vida, levado pelo testemunho maravilhoso de perdão dado por essa senhora.

Aos casais, por exemplo, perdoar não é necessariamente continuar vivendo juntos. Muitas vezes essa convivência é praticamente impossível, e, mesmo perdoando-se mutuamente, eles podem perceber que viverem separados é a melhor atitude a tomar. Ninguém é obrigado a viver com outra pessoa, se isso só lhe trouxer aborrecimentos.

Outro ponto a refletir, nesse assunto, é a sociedade injusta e elitista em que vivemos. Os pobres têm pouca chance, ou até nenhuma. Há o ditado: “Não dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Entretanto, D. Ana Flora Andersen e o Frei Gorgulho, meus professores, sempre diziam: “De que adianta ensinar a pescar se o rio está poluído?” Ou seja: não é necessário só ensinar a pescar, mas também a despoluir o rio, ou seja, pleitear mudanças sociais radicais, a fim de que os pobres e abandonados sejam acolhidos, tenham vez na sociedade, progridam em todos os sentidos.

A CONFIANÇA EM DEUS



Tenho visto muitas pessoas bem intencionadas fazem de seu apostolado um martírio infrutífero. O motivo é bem simples: agem sozinhos, com as próprias “forças”. Coloquei entre aspas porque nossas forças, sem Deus, são fraquezas! Trabalham como doidos, mas colhem poucos frutos: não comem, não descansam, não têm sossego, acabam ficando estressados ou histéricos, pedantes, críticos, antipáticos, acabam não tratando bem os outros, e quase não aproveitam o que fazem.

Conheci uma pessoa, por exemplo, que na maior boa intenção, fazia uma reunião por zelo, mas escrevia outras coisas, para “adiantar os outros compromissos”, e acabava nem aproveitando esta, nem escrevendo bem o que preparava. Essa pessoa dizia: “ Não posso desperdiçar o tempo”, quando eu lhe falava sobre isso.

E uma outra pessoa que, quando eu o visitava, sempre continuava a escrever e a preparar isto ou aquilo, como quem diz: “Você está fazendo com que eu perca meu precioso tempo! Enquanto estamos conversando, deixa-me adiantar um outro serviço”.

Quando abrimos nosso coração para Deus, como vimos na parte que fala sobre a oração, acabamos encontrando tempo para todas as outras coisas e, principalmente, para o irmão. Precisamos aprender a confiar na presença de Deus em nossa vida! Somos apenas instrumentos ( e tão frágeis!) em suas mãos misericordiosas. Nada mais do que isso! Trabalhemos o quanto pudermos, mas nos lembremos de que o resultado é Deus quem provê! Lembremo-nos sempre do salmo 126 (127),2: “É inútil que madrugueis e que atraseis o vosso deitar, para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado, Deus o dá enquanto dorme!”.

E outros textos:

Mateus 6,25.33: “Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir”. “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas!”;

João 15,5-6a: “ Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado for a, como o ramo, e seca”.

Quando confiamos em Deus e buscamos o seu auxílio por meio de uma oração constante e prolongada, sentimos maior certeza naquilo que fazemos e tudo vai caminhando em direção a seu reino de amor.

Quem põe sua confiança em Deus, vive na paz. Faz tudo com paciência, atende bem as pessoas, não se desespera nem se afoba, pois sabe que é Deus que dirige seus passos. Se é acusado de alguma coisa, não se aborrece, pois sabe que Deus está vendo sua inocência. Se precisa organizar algum trabalho, organiza-o mas coloca sua execução nas mãos de Deus. Prioriza o contacto fraterno com os irmãos, com as pessoas em geral, pois sabe que vai ser o instrumento nas mãos de Deus. Eu tenho um lema comigo. Não sei se está correto, mas gosto dele: “Não faça de qualquer jeito hoje, o que você poderá fazer melhor amanhã”.

Trabalhar dando prioridade mais à ação de Deus que a sua própria ação, é ir cumprindo as tarefas que nos cabe com muita calma e tranquilidade, sabendo que o resultado sempre será positivo, pois a mão de Deus está guiando a nossa.

Diz S. Paulo em 1ª Coríntios 3,6-9: “Eu plantei, Apolo (nome de um atuante na comunidade) regou, mas era Deus quem fazia crescer, Assim, aquele que planta, nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega são iguais entre si; mas cada um receberá seu próprio salário, segundo a medida do seu trabalho. Nós somos cooperadores de Deus e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus”.

Temos confiança em Deus quando deixamos que Ele oriente e participe de nossa vida, quando deixamos que Ele nos ame. Diz o missal cotidiano, comentando o capítulo 15 de S. João, que amar a Deus não é tanto amá-lo, mas deixar-se amar por Ele; deixar que Ele nos ame.

O ACOLHIMENTO



Jesus entrou em casa de Marta, Maria e Lázaro. Enquanto Maria acolhia o mestre, Marta se preocupava com o trabalho doméstico. Jesus, então, chamou a atenção de Marta com estas palavras: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só: Maria, com efeito, acolheu a melhor parte, que não lhe será tirada”;. Lucas 10,38-42.

Não devemos entender o texto no sentido de que devemos passar o dia todo rezando, mas que “poucas coisas são necessárias “ para uma refeição, mas “uma só” é realmente necessária, que é acolher Jesus em nossa vida. Quando acolhemos alguém em nossa casa, atendamos bem essa pessoa.! Se estivermos fazendo algo importante e que não podemos deixar para depois, expliquemos isso à pessoa, mas atendamo-la pelo tempo que pudermos, e marquemos um outro encontro para outra hora ou dia em que ela possa ser atendida de modo melhor.

Serviço sempre haverá para ser feito, mas aquela pessoa está querendo uma palavrinha nossa, ou mesmo quer se desabafar, e talvez tenha só aquele instante! Quantas pessoas desistiram do suicídio, ou de besteiras assim, depois de um bom atendimento, de uma boa conversa!

Lembro-me de dois casos: o primeiro é de uma pessoa que estava já com a arma preparada para atirar na própria cabeça. Ligou o rádio para que o tiro não fosse escutado fora da casa, e estava tocando a música cantada pelo Raul Seixas: “Tente outra vez”. As palavras lhe calaram fundo no coração e ele desistiu de cometer suicídio. Como o cantor já havia morrido, ele entrou em contato com um parente deste, e contou o ocorrido.

O segundo, aconteceu comigo: Eu estava com minha namorada num baile realizado à tarde e, junto a um aluno que também estava com sua namorada, fomos levá-las ao ponto de ônibus (eram os anos 60 e nenhum de nós tinha carro). Na volta (ele morava perto de casa), ele foi aos poucos revelando seus problemas. Nunca me havia falado sobre eles. 

Eu achava que ele não tinha problema algum, pois era O MAIS ALEGRE DA CLASSE. Em resumo: já estava com uma arma no bolso, para cometer suicídio. Falou, então, sobre seus problemas, que envolviam o pai e uma de suas irmãs. Eu conversei com ele várias horas, e ele acabou desistindo. Rezei muito por ele naquele dia, e pedi que minha mãe também rezasse. Ele casou-se com essa mesma garota, e morreu de “bicho de cabeça” aos 38 anos de idade, vinte anos, portanto, depois dessa crise, e teve um casal de filhos, que hoje devem ter seus 30 anos.

Na comunidade, o acolhimento é mais importante ainda. Há pessoas que se tornam crentes ou protestantes por causa da diferença de atendimento entre as nossas comunidades e as deles!

Certos tipos de pessoas, como por exemplo os amasiados, têm o direito de serem bem atendidos na igreja. Não podem participar da Eucaristia, mas Jesus Cristo quer que a Sua mensagem de salvação seja dirigida também a eles.

Não há motivo algum para se atender mal às pessoas no meio paroquial. Não há desculpas! Mesmo quando temos que dar uma resposta negativa, pelo menos devem sair dali com a satisfação de terem sido bem atendidos. E não tenhamos preguiça de dar as explicações necessárias. Agora, em 2012, vejo como eu pequei muito por esse tipo de coisa, nesses anos 90, em que escrevi este manual.

Quando alguém me perguntava a que horas ia ser a missa de Natal, por exemplo, quando fora avisado na igreja meses antes, e isso era sinal de que a pessoa não frequentava a Igreja, eu demorava a responder, porque dava voltas, cobrando da pessoa o porquê dela não saber. Eu simplesmente deveria ter respondido: “É a tal hora”, e muitos dissabores teriam sido evitados. Como eu me arrependo disso! Num certo dia, resolvi acabar com esse meu defeito, e comecei a atender bem aos que perguntavam. Que diferença!

Um deles me disse: Como é difícil encontrar secretários bem educados na Igreja Católica!Obrigado por você ter-me atendido bem! Eu sou de outra cidade, meus parentes daqui não vão à missa e eu não queria perdê-la! É por isso que estou perguntando o horário. Eu não perco a missa lá na minha cidade! “ Gente, que vergonha eu tenho de dizer isso! E vejo que muitos dos que atendem o povo deveriam também mudar de vida, atender bem a todos quantos os procurarem. Essa é uma das lições que aprendi desde 1994.

Esse acolhimento é o ponto forte das outras religiões e seitas. Com isso, eles têm granjeado às suas fileiras um bom número de católicos. Sede hospitaleiros um para ocm os outros, sem murmurar” 1ª Pedro 4,9. Tenho a certeza de que se atendermos bem às pessoas, Deus também encontrará muito tempo para nos atender.

O CIGARRO



Achei, em 1994, e ainda acho este um ponto muito difícil de abordar, porque todos nós temos algum tipo de vício, ou de mau hábito, ou de mania. Há parentes meus que são viciados em álcool, mas eu me sinto impotente para ajudá-los. O pior problema é que não querem ajuda! Como fazer? Não sei. O que eu sei, digo a seguir:

Acho que Deus gostará muito de nós quando lutarmos para vencer os vícios e manias, mesmo que nunca o consigamos. Nesse assunto, o que importa é o desejo firme de vencer e a luta. Se não conseguirmos a vitória, Deus compreenderá. O importante é nunca desanimar, e lutar para vencer. Nunca ficarmos estatelados no chão, nunca desistirmos de caminhar. NO MEU DICIONÁRIO NÃO EXISTE A PALAVRA DESANIMAR !

Os vícios estragam as pessoas que querem trabalhar pelos outros na comunidade. Muitas vezes a pessoa é boníssima, mas tem algum vício que estraga todo o bem que ela fez. Vou comentar a respeito de alguns vícios e manias. Não estão em ordem de gravidade, mas na ordem em que apareceram em minha cabeça, lá nos anos 90.


É um vício aceito pela sociedade, mas muitas vezes faz mal á pessoa, e nesse caso, é pecado fumar. Você que tem problemas por causa do fumo, tem a obrigação moral de deixar de fumar, pois pode ser que para você seja um lento suicídio. Só não é pecado grave porque quem fuma está viciado e não controla suficientemente seus impulsos.

As regras básicas para quem quiser deixar de fumar são estas (conselhos da Igreja Adventista):

1- Pegue vários tocos de cigarros e ferva numa lata. A cada manhã, em jejum, cheire o caldo obtido.

2- Tome três banhos por dia e lave todas as suas roupas, no dia em que parou de fumar.

3- Não tome café, não coma pimenta nem coisas muito temperadas, enquanto estiver deixando o vício.

4- Chupe balas de menta. Isso substitui o hábito de fumar quando não há o que fazer.

5- Não ponha cigarro algum na boca, e tome chá de erva cidreira (capim santo) até durante o dia todo, se quiser.

Eu li numa revista, acho que “Saúde”, que temos um hormônio que nos dá paz e conforto internos. Quando começamos a fumar, o corpo pára de fabricar esse hormônio, que é substituído pela nicotina. Quando deixamos de fumar, nem o corpo nem nós estamos provendo-nos desse hormônio, e é por isso que ficamos desesperados. Tão logo o corpo perceba que não está sendo mais ingerida a nicotina, o que demora no mínimo uma semana, recomeça a fabricar o tal hormônio, e tudo volta ao normal. Essa semana é muito importante e dolorida para o fumante. Se conseguir vencê-la, tudo se torna mais fácil. É por isso que não pára de fumar quem diminui aos poucos. Ou se deixa de uma vez, ou nunca se deixa. É por causa desse hormônio. Logo que o ex-fumante fuma um só cigarro, o corpo imediatemante pára de fabricar o dito cujo, e a pessoa recomeça a fumar.

CO-PARTICIPAÇÃO




O pior defeito de um líder, de um dirigente, ou de pessoas que coordenam algum grupo ou serviço, é ficarem “donos” daquilo, e não abrirem mão para a participação dos demais. São os “donos de igreja”, que só causam aborrecimentos ao padre e aos demais paroquianos.

Acham que só eles trabalham, mas quando alguém se oferece para fazer o tal serviço, dizem que não é preciso. Criticam o que os outros fazem: só ele é que faz direito o trabalho. Às vezes, pegam vários trabalhos, dominando a comunidade.

Eu pessoalmente tive muitas dores de cabeça com essas e esses “abnegados” católicos que querem fazer tudo, atravancam o andamento da comunidade e não permitem que os outros tomem os seus lugares. São às vezes ciumentos e possessivos .

É preciso, caros amigos leitores, que façamos tudo de modo co-participado, ou seja, lembremo-nos sempre que somos apenas UMA pessoa em meio a outras, que como nós, estão querendo dar suas contribuições para o crescimento do Reino de Deus.

Vamos sentir necessidade dos outros no trabalho pastoral! Planejemos nossos trabalhos com eles! Esperemos quando vemos que alguns não estão acompanhando o ritmo de trabalho. É melhor demorarmos um pouco mais a caminhada do que caminhar sozinhos!

Na bíblia há vários trechos que sugerem o trabalho comunitário co-participado. Posso lembrar, por exemplo, Atos 2,44-46:

Todos os que tinham abraçado a fé reuniam-se e punham tudo em comum: vendias suas propriedades e bens, e dividiam-nos entre todos, segundo as necessidades de cada um. Dia após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração”.

Apocalipse 2,2: Conheço (A Igreja em Éfeso) tua conduta, tua fadiga e tua perseverança: sei que não podes suportar os malvados: pusestes à prova os que se diziam apóstolos – e não o são – e os descobriste mentirosos”

Atos 8,18-19: “ Quando Simão (o mago) viu que o Espírito Santo era dado pela imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: 'dai-me também a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos!'”.

Quantas pessoas por aí que dominam as comunidades com seu individualismo não estariam prontas a oferecer dinheiro para obterem poderes especiais! Assim, poderiam controlar mais ainda a situação!

Infelizmente, muitos desses donos e donas de igrejas não se tocam e não se convertem. Sempre dizem que não são assim como a gente diz, que nós os perseguimos só porque trabalham muito pela Igreja, e coisas desse tipo. Seria interessante se mudassem sua conduta e se convertessem, que aprendessem a trabalhar na base da partilha, da co-participação, do trabalho em comum, em grupo, numa fraternidade desejada por Jesus Cristo: Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí estarei”.


O ALCOOLISMO




ALCOOLISMO É DOENÇA QUE MATA
VAMOS AJUDAR QUEM QUER VIVER!

Amigo e amiga, em nossas famílias temos pessoas que são doentes-alcoólatras. São pessoas que bebem demais. Ficam loucas quando bebem. Não têm domínio sobre a bebida. Essas pessoas precisam ser ajudadas. Sozinhas elas não vão conseguir parar de beber, elas vão morrer. Os familiares de alguém que bebe demais não conseguem viver bem, ficam doentes, preocupados. Através deste folheto quero ajudá-lo na compreensão da gravidade da doença do alcoolismo.

Pe. Justino Sarmento Rezende (se quiser mais informações, peça-nos o e-mail do Pe. Justino)

Alcoolismo: predisposição genética
O alcoolismo é uma doença. Algumas pessoas já nascem com predisposição genética ao alcoolismo, já nascem alcoólatras, mas não bêbadas. 1) Uma pessoa com predisposição se tornará dependente do álcool somente quando começar a ingerir bebida alcoólica. 2) Existem alcoólatras que nunca ingeriram bebida alcoólica e estes nunca se tornarão dependentes do álcool, doentes-alcoólatras.

2 Alcoolismo: doença progressiva, incurável e fatal

1) Alcoolismo é doença progressiva: o doente-alcoólatra começou bebendo pouco. Com o passar do tempo é que ele foi bebendo mais e mais. No estágio avançando bebe todo dia e toda hora. Toda vez que bebe quer ficar bêbado. Não consegue mais parar de beber, é dependente do álcool.

2) Alcoolismo é doença incurável: o alcoolismo não tem cura, mas pode ser estacionada. Se o doente-alcoólatra continuar bebendo cada dia ele vai piorar, vai criar muitos problemas para ele e para quem vive com ele.

3) Alcoolismo é doença fatal: se o doente-alcoólatra continuar bebendo, antecipará sua morte: cirrose hepática, cadeia, cemitério, hospício, assassinato, afogamento etc. O alcoolismo é uma doença que não tem pena, ela leva à morte.

3 Alcoolismo é uma doença que afeta o físico da pessoa

O alcoolismo é uma doença física. O corpo do doente-alcoólatra precisa do álcool. Ele sente grande compulsão, isto é, o corpo dele grita pedindo álcool. Ele fica com vontade louca e incontrolável para beber. Ele faz qualquer coisa para conseguir bebida. O álcool no corpo causa uma falsa alegria, realização... Porém, ao parar de beber o corpo passa muito mal: ressaca, indisposição para alimentação, dores de cabeça, tonturas, tremedeiras, dores de estômago, diarreias, ânsia de vômitos; insônias, sonolências, cansaço, fracasso, fraqueza, olhos avermelhados, marcas de ferimentos... Para não sentir isso ele quer beber continuamente, fica anestesiado.

4 Alcoolismo é uma doença que afeta mente da pessoa

O alcoolismo é uma doença mental. A mente alcoólica é maior inimigo do doente-alcoólatra. Ele vive pensando no álcool, isto é, tem obsessão pelo álcool. Perde a vontade de trabalhar, estudar; perde a motivação pra viver bem; não quer fazer coisas boas; é desatento, distraído, vai ficando louco; inquieto, perde memória; não se lembra do que falou; não organiza as ideias; só pensa em beber. Ele se torna escravo da mente alcoólica. Só pensa na garrafa de bebida, amigos de bebida, no bar, ficar bêbado... Esses pensamentos o escravizam, o deixa doente.

5 Alcoolismo é uma doença que afeta a parte emocional da pessoa

O alcoolismo é uma doença emocional (espiritual). Quem bebe demais é dominado pela insegurança, medo, ansiedade, revolta, raiva, agressividade, vergonha, culpa, auto-piedade, auto-condenação, irritabilidade, hiper-sensibilidade; torna-se uma pessoa mentirosa; acusadora; seu arrependimento é passageiro; faz promessas de parar de beber, mas não cumpre a promessa; sofre apagamentos [não lembra o que falou ontem; sofre gozação dos outros [pé inchado; corotinho, 61, 51; perde seu próprio nome].

6 Alcoolismo é uma doença que prejudica a personalidade de uma pessoa

1) O alcoolismo é uma doença de negação: a pessoa que bebe demais nunca admite que está bebendo demais. Nega que está causando problemas para ele para os outros. A família, também nega que ela está bebendo demais. Torna-se mentiroso, manipulador, interesseiro, destrói a moral, perde atitudes positivas, é briguento, ciumento, avarento etc.

2) O alcoolismo é uma doença que causa transtorno mental e comportamental: quem bebe demais, cada vez mais vai criando sérios problemas com seu modo de pensar, perde a memória, não consegue mais pensar positivamente sobre sua vida e a vida dos outros; não consegue trabalhar, perde emprego, perde confiança do patrão, da família... Faz muitas besteiras, torna-se agressivo com os outros, é humilhado, apanha dos outros, rouba e vende as coisas da casa. Perde a qualidade de vida. Fica louco. Começa ter visões [delirium tremens] de monstros, gente que querem lhe matar etc. Se continuar bebendo vai piorar.

7 Alcoolismo é uma doença que afeta toda família

O alcoolismo é uma doença da família. Quando alguém da família bebe demais quem sofre mais são seus familiares. Eles sofrem sem beber. Sofrem dores sem anestesia. A pessoa que bebe demais não sente as dores de seus familiares, está anestesiado pelo álcool, com suas bebedeiras. Os familiares, sim, ficam doentes. As dores principais da família são doenças emocionais: vergonha, gozação dos outros, acusações, piadinhas. Exemplo: quando um presidente de uma associação ou comunidade bebe demais todos os seus membros sofrem; quando um político bebe demais todos os cidadãos do município sofrem de vergonha, etc.

8 Existe solução para quem quer parar de beber!

O alcoolismo como toda doença é tratável. O doente-alcoólatra deve dar o primeiro passo. O doente-alcoólatra que quer parar de sofrer deve admitir que ele é um ser humano derrotado pelo álcool, é um ser perdedor, que perdeu o controle e domínio sobre sua vida. Somente a partir dessa admissão e aceitação é que ele vai parar de beber. Enquanto ele achar que pode beber, que tem domínio sobre a bebida, ele não vai parar de beber. Somente quando ele se sentir derrotado começará estender a mão pedindo ajuda e acreditar num Poder Superior ao álcool que lhe devolverá saúde física, mental e emocional (espiritual). A recuperação começa com uma firme decisão de parar de beber.
10 Caminho de tratamento e recuperação

A recuperação começa com a decisão de parar de beber. Quando ele mesmo está decidido a parar de beber está decidindo para viver melhor: Se ele parar de beber porque a mulher quer largar, que os filhos não querem mais saber, que o patrão o quer mandar embora do trabalho... ele pode conseguir parar por um pouco de tempo, mas não vai conseguir se manter sóbrio por muito tempo. A decisão de parar de beber tem que ser uma decisão pessoal. O caminho de recuperação é longo, vai durar vida toda. Assim começa o tratamento e recuperação:

1) Evitar o primeiro gole. Para o alcoólatra o 1º gole é fatal. Se ele consegue evitar 1º gole ele já está ganhando a vida.

2) Viver o plano das 24 horas. O doente-alcoólatra quando estava bebendo e vivia bêbado vivia fazendo promessas: nunca mais vou beber etc. Como alcoólatra em recuperação, deve aprender outra filosofia de vida, outra espiritualidade. Deve vencer sua doença um dia de cada vez. Sua espiritualidade o leva a dizer: “Só por hoje não vou tomar o primeiro gole”. A partir da honesta e coerente vivência muitos alcoólatras recuperaram sua sobriedade, dignidade, serenidade; reconstruíram suas histórias e reconquistaram os bens materiais.

3) O alcoólatra em recuperação não deve ingerir nenhum tipo de álcool, quantidade nenhuma e em nenhuma ocasião. Nenhum alcoólatra em recuperação pode se enganar achando que está recuperado e tomar um gole.

11 -A recuperação é progressiva...
A recuperação do alcoólatra-em-recuperação (aquele que parou de beber) é progressiva. Vejamos:

1) Recuperação do seu físico: com quarenta dias sem beber um doente-alcoólatra já melhora. Desaparecem dores de cabeça, tremedeiras, dores de estômago, ânsias de vômitos, já começa a se alimentar bem; dorme melhor, já sente-se forte. Mas não pode achar que já está bom e já está curado. Pensar assim é um engano muito grande, perigoso e fatal.

2) Recuperação da sua mente: é bem demorada, uma boa recuperação pode levar de seis (6) meses a um (1) ano. Com esse período ele começa criar novas motivações para sua vida, trabalho, lazer, convivência social. Concentra-se para estudos, torna-se atencioso. Diminuem suas inquietações, sua ansiedade. Recobra sua memória. Cria novas amizades. Adquire força para prevenção de recaídas.

3) Recuperação emocional (espiritual): leva bastante tempo, pois é a parte mais sensível da pessoa. A recuperação dessa parte não depende somente do alcoólatra em recuperação, depende de outras pessoas. No início a sua recuperação é vista com desconfiança pelos seus familiares e amigos. O alcoólatra-em-recuperação deve criar consciência que ele está trabalhando pelo seu próprio bem. Ele mesmo deve ir ganhando sua confiança, segurança. Deve superar o medo, raiva, culpa... Pouco a pouco, começará a viver bem. Vai trabalhar e voltar para casa. Traz o dinheiro para casa. Compra as coisas que a família precisa. Conquista amizades de quem não bebe. Evita visitar os lugares que frequentava na época de suas bebedeiras. No início é bom evitar sair para festas. Não criar motivos para sair de casa. Com o tempo é que sua família, irmãos, filhos, esposa vão depositar confiança nele.

12 -Como e onde fazer a recuperação

A recuperação que não exige muito custo é a participação de grupos de auto-ajuda. São eles:

1) Grupo de A.A. – Alcoólicos Anônimos. É grupo específico para os alcoólatras-em-recuperação, ou seja, de quem parou de beber. Nesse grupo os alcoólatras-em-recuperação (ex-bebedores) se reúnem para partilhar suas vidas de sofrimentos, partilham alegrias de sobriedade, partilham as novas conquistas após parar de beber. Contam como a vida está melhorando. Acolhem novas pessoas que querem parar de beber. Rezam. Estudam. Fazem confraternizações por cada etapa de sobriedade dos membros do grupo. Eles vivem uma espiritualidade própria, constróem sua dignidade, alegria, serenidade, sobriedade. Aqueles que frequentam e permanecem no grupo progridem bem na sua recuperação. No início da recuperação é necessário participar muitas vezes.

2) Grupo de AL-ANON. Como eu descrevi acima, o alcoolismo é uma doença da família, por isso, os familiares do alcoólatra também possuem grupo de auto-ajuda. Chama-se Al-Anon. Geralmente esse grupo funciona paralelo ao grupo de A.A. (Alcoólicos Anônimos). Funciona em outra sala. Ali os parentes e amigos de alcoólatras compartilham sua experiência, força e esperança a fim de solucionar o problema do alcoolismo, que têm em comum. Esse grupo presta serviço a familiares e amigos de pessoas doentes do álcool. Desse grupo pode participar qualquer pessoa cuja vida foi ou está sendo afetada pelo alcoolismo: familiares imediatos, parentes, amigos, colegas, empregados etc. Sozinho é difícil ajudar o doente-alcoólatra. O AL-ANON ensina aos participantes atitudes positivas.

3) Em muitos lugares existe também grupos específicos para os filhos de alcoólatras. Ali os filhos sofridos de alcoólatras partilham suas dificuldades, alegrias e esperanças. Partilham como conseguir superar em suas vidas as consequências negativas que o alcoolismo de seus pais gerou em suas vidas.

Finalmente, para quem tiver possibilidade e condições é importante passar por centros de tratamentos específicos: Comunidades, Fazenda Esperança, etc. Hoje em dia existem inúmeros centros de tratamento de alcoolismo e outras dependências.   

Pe. Justino Sarmento Rezende (se precisar de mais informações, peça-nos o e-mail do Pe. Justino)

O que eu tenho ouvido por aí, também, é o seguinte:


Quando a pessoa não consegue controlar a bebida alcoólica, deve deixá-la de uma vez. Como no cigarro, essas pessoas que têm tendência ao alcoolismo não podem nem experimentar nada de álcool, e isso é por toda a vida. As que não têm tendência e conseguem controlar a quantidade de bebida ingerida, não precisam se preocupar, a não ser que comecem a exagerar nas doses.

A bebida estraga qualquer pessoa, e estraga mesmo! Os que sentem tendência para isso precisam rezar lutar e até se espernear para deixá-la.

COMO DEIXAR DE BEBER segundo nossa opinião

1- Deixe de beber qualquer bebida alcoólica, nem remédios que tenham álcool em sua composição, como certos fortificantes.

2- Vá a um médico e fale-lhe do problema. Ele vai lhe receitar alguns tipos de vitaminas que ajudarão a recuperar suas forças e a deixar de beber. Ele talvez receite também um remédio calmante.

3- Tome chá de erva cidreira (capim santo), que acalma bastante e não é psicotrópico

4- Não ponha nenhum produto que contenha álcool na pele, como loção após barba, desodorantes com álcool , água de colônia, perfumes baseados em álcool. Para desinfetar a pele após a barba, use salmoura ou algum creme que não contenha álcool.

5- Não coma salada com vinagre, mas só use limão. O vinagre contém álcool. Cuidado com as maioneses compradas. Muitas são feitas com vinagre.

6- Não chupe balas nem coma bolos feitos á base de rum ou licores.

7- Pratique algum esporte ou faça alguma caminhada diariamente.

8- Quando vier a vontade de beber bebidas alcoólicas, tome algum refrigerante ou coma um doce, ou beba pelo menos dois copos de água.

9- Coma pelo menos um dente de alho por dia, ou faça cá de alho pela manhã em jejum, antes do café. Se for cardíaco, consulte antes um médico.

10- Procure e frequente o AA mais próximo de você, ou procure algum outro grupo de alcoólicos abstêmios.

11- Sobretudo, peça a Deus que interfira em sua vida e o ajude a parar de beber. Você é a única pessoa neste e no outro mundo que pode fazer isso. Nem Deus faz isso sem seu consentimento. Coloque-se em suas mãos de Pai misericordioso.

AS DROGAS



O uso das drogas, seja do jeito que for, só traz aborrecimentos, prejuízos e até a morte. Para esse tipo de vício não há como se tratar em particular: procure um médico especialista ou uma casa de recuperação.

COMO DEIXAR

1- Procure um grupo de recuperação. Há sempre pelo menos um em cada cidade.

2- Aos pais dos drogados: há dois modos de lidar com isso, mas seria preciso consultar os grupos especializados em familiares dos dependentes químicos. Um desses métodos é o amor-exigente: os filhos que não querem seguir as normas da casa, devem ir morar em outro lugar. É um método drástico, e se for empregado, os que dele participam devem ter muito cuidado para a coisa não ficar pior.
O outro método é baseado na compreensão, carinho, amor. A brutalidade, violência e xingação não vão surtir efeito algum e até pode levar o que se droga a ir mais ao fundo do poço. Tente conversar com ele (ela) numa boa, não só como pai/mãe, mas também como amigo/amiga. Esse carinho, entretanto, deve ser exigente e firme. Tenha cuidado para não entrar nas mentiras do dependente químico, nem em suas chantagens afetivas. Para curar, o remédio às vezes é amargo!

3- Pratique esportes, ou pelo menos, caminhadas longas.

4- Chás naturais calmantes, como a erva-cidreira (capim santo)

5- Nunca fique sem fazer alguma coisa . Ocupe-se sempre, mesmo quando estiver de folga O descanso é mudar de atividade.

6- Não frequente amigos que se drogam. Forças negativas, quando se soma, só dão positivo em matemática: na vida real, não fazem mais do que aumentar a carga negativa. É preciso uma força positiva que neutralize a negatividade.

7- Leia bastante livros bons. Muitas pessoas, no mundo todo, se converteram a partir da leitura de bons livros.

8- Reze. A oração é a única forma de darmos liberdade para que Deus entre em nossa vida.

AFETIVIDADE TRUNCADA



A Igreja Católica diz que o único modo permitido de um relacionamento sexual é o exercido dentro de um casamento verdadeiro, entre um homem e uma mulher. Tudo o que estiver fora desse parâmetro não é permitido. A bíblia, sobretudo o Novo Testamento, principalmente as cartas de São Paulo, confirmam essa atitude da Igreja.

A castidade é sempre possível e desejável por Deus, tanto fora como dentro do casamento. Fora do casamento, deve haver castidade plena. Dentro do casamento, a castidade se refere principalmente em não se manter relações sexuais contra a natureza.

A masturbação é um vício que pode ser vencido sem dano algum para a saúde. O método mais prático é diminuindo aos poucos. Sem esse vício, a pessoa fica mais livre, mais leve, tanto física como espiritualmente, e dá-se mais à oração e às coisas divinas. O corpo compensa a continência, nos homens, com a polução noturna involuntária. Se você não sabe o que é isso, procure na internet, por favor.

O adultério é bastante condenado na bíblia. São João Batista morreu por denunciar o adultério de Herodes com Herodíades.

O homossexualismo, mesmo quando não deixa a pessoa, pode ser vencido e controlado com a oração, o hobby sadio, o trabalho, os esportes sem contato físico com outros. Dificilmente uma pessoa homossexual deixa a tendência. Mas a prática homossexual, com a graça de Deus, pode, sim, ser vencida, com a oração e a vigilância.

Podemos buscar a castidade na vigilância, na oração e, principalmente, não recalcando os problemas, os traumas e coisas desse tipo. A maior causa de recaídas nesse campo são os recalques.

O que é um recalque? Explico: quando você empurra uma bola, ela tende a pular para fora com a mesma intensidade com que você a empurrou. Assim os nossos pensamentos: quanto mais os recalcamos, mais fortes ficam. Desse modo, se um diabético vê um doce, ele recalca o desejo de dizer que o doce não presta, está estragado, engorda, ou coisa desse tipo. Se fosse história em quadrinhos, no quadrinho seguinte ele estaria comendo o doce todo.

Nessa historia do diabético, ele não estará recalcando se reconhecer que não pode comer doces, apesar de estar uma delícia, pois faz mal à sua saúde. Vai, então, fazer uma gelatina diet e conseguirá vencer a vontade de comer o tal doce.

Aplique isso a qualquer pensamento que você está querendo que saia de sua cabeça: em vez de enfrentá-lo, SUBSTITUA-O por outros pensamentos, por alguma conta de cabeça, como por exemplo, quanto é 230 mais 163. Naturalmente o pensamento indesejável vai deixando você em paz.

O maior problema nesse assunto é que é difícil não querer ter o pensamento. Eles deleitam a mente e nos torna fracos para querer que eles nos deixem.

Se você está querendo deixar um relacionamento sexual com alguém, a única forma de vencer isso é não mais encontrar esse alguém, até que a atração diminua de força. Se isso não for possível, não fique sozinho (a) com ele (ela) nem por um só momento. Ninguém é forte nesse assunto. Todos somos fracos, dependendo da pessoa com quem estivermos.

A oração, a vigilância e o jejum (de alimentos e de outras coisas, como a televisão) são armas poderosas para vencermos essas tentações.

A GULA



Este é um outro vício que requer orientação médica. Geralmente as pessoa culpam sua gordura à gula. Entretanto, a própria gula já é efeito de uma causa, como a ansiedade, o nervosismo, a frustração...

Para acabar com a gula, além da orientação médica, a pessoa precisa também de uma orientação psicológica para vencer o estado de ansiedade e angústia. Muitas vezes a prática em si da religião, de modo sadio, já nos permite dominar isso.

Sinta-se filho(a) de Deus, amado sobremaneira por Ele. Ele nos perdoa, e não há por que se preocupar, sentir-se culpado (a), desprezado(a), na fossa, ou coisas assim, Deus nos ama como somos, e não como desejaríamos ser. Ele nos acolhe, seja o que quer que sintamos, qualquer problema que tivermos. Veja o que nos diz Jesus em Mateus 11,28-30: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”

É bobeira nossa ficar preocupados com isto ou aquilo. Trabalhando com paciência, as coisas acabam se ajeitando, se colocarmos nossa confiança em Deus.

COMO DEIXAR

1- Procure um médico endocrinologista e um diretor espiritual. Coloque ao diretor espiritual seus problemas, seus complexos de culpa. Faça uma boa confissão.

2- Faça caminhadas diárias, contacto com a natureza.

3- Tome chás naturais calmantes

4- Não fique sem fazer nada, pois isso favorece a gula. Esteja sempre ocupado(a).

5- Quando tiver vontade de comer fora de hora, tome um chá calmante natural, adoçado com adoçante dietético ou sem adoçar, ou mesmo alguns copos de água. Ajudam bastante.

6- Coma pouco, mas mais vezes ao dia, e não fuja de alguns horários que você estabelecerá para você mesmo (a). Quando quiser comer fora de horário, pense que dali a tantos minutos ou horas você irá se alimentar, e esse pensamento o (a) ajudará a esperar a hora marcada.

7- Sobretudo, procure um trabalho apostólico dentro da Igreja.