sábado, 21 de julho de 2012

MATEUS CAPÍTULO 03




Mateus 3, 1-10: A pregação de João Batista

João Batista, homem que vivia uma vida austera (difícil, cheia de privações), começa a pregar no deserto, insistindo na conversão das pessoas.

Conversão, aqui, é uma palavra grega (metanoia) que mostra bem mais do que um simples arrependimento do que se fez errado no passado. Ela tem o sentido de mudança completa da própria vida, dos próprios pensamentos. É como nascer de novo: refazer os objetivos e os meios de nossa vida, daqui para frente.

Se é verdade o que o Pe. Sometti diz naquele seu livro; “Você é aquilo que pensa”, então, mudando nossos pensamentos, estaremos mudando todo o nosso modo de ser.

É muito difícil mudar nossas atitudes, nosso modo de agir. Mas é apenas uma questão de hábitos: deixamos hábitos nocivos, que estão prejudicando a nossa vida e a de outras pessoas, e adquirimos hábitos e atitudes bons, que possam nos conduzir a uma vida melhor, mais de acordo com a vontade divina.

Deus nos projetou e nos criou: seguindo o que Ele quer para nós, seremos felizes, pois estaremos vivendo de acordo com o sábio projeto dele. Viver em pecado é viver de modo contrário ao que Deus projetou para a nossa vida. Só Deus sabe quanto sofrimento às vezes temos que passar para aprendermos isso que acabei de dizer!

Mateus 3,11-12: O Batismo que João ministrava

O Batismo de e João era um batismo de conversão, de penitência, que podia ser repetido mais tarde, se a pessoa precisasse novamente recomeçar a vida. Ele aponta para um batismo novo, no “Espírito Santo e no fogo”, ou seja, feito de uma só vez, marcando a pessoa para sempre, como acontece com quem se queima.

Tudo o que não puder ser purificado pela água do batismo, será consumido pelo fogo. O batismo que Jesus inaugurou, faz com que o pecado seja apagado, que ele desapareça por completo,possibilitando, assim, a pessoa a recomeçar uma vida nova em pecado, fortalecida pelo Espírito Santo.

Mateus 3, 13-17: O Batismo de Jesus.

É muito bonita a narrativa do batismo de Jesus, por causa da manifestação da Santíssima Trindade. Vejo aí alguns pontos:

1- A unção de Jesus para a sua missão.
2- A garantia de que Jesus é Filho de Deus.
3- Deus está realmente conosco, a fim de nos dar a vida eterna.
4- Jesus, na verdade, não está sendo santificado pela água, mas, pelo contrário, é Ele quem está santificando a água, preparando, assim, o nosso batismo.
5- Uma pomba: Lembrando que a missão que Jesus iria iniciar nos levaria a uma “nova criação”, pelo fato dela ter aparecido na “segunda criação”, lá no Gênesis, depois do dilúvio.

Não gosto de simbolizar o Espírito Santo em forma de pomba. Prefiro o símbolo do fogo, que é um elemento menos material na aparência e, aliás, é como Ele se mostra em Pentecostes.

Eu comparo o Batismo de Jesus como o nosso sacramento da confissão, da penitência. O nosso atual batismo, na verdade, etá mais fundamentado na circuncisão do que no batismo de Jesus. Veja a comparação:

1- Na circuncisão, a criança de oito dias era inserida, colocada, no povo de Deus. Ela começava a pertencer ao povo de Deus. É como no batismo!

2- Ela não expressava se queria ou não ser do povo de Deus. No nosso batismo, também não.

3- A circuncisão era uma marca feita para sempre, assim como o batismo.

4- A diferença está em que o batismo também pode ser dado às mulheres, o que não acontecia com a circuncisão, que só era feita nos homens.

O Batismo, diz S. Paulo, é a “Circuncisão do coração”, em que todo o pecado é cortado e jogado fora (Rom 2,29 etc).

Entretanto, o batismo de Jesus está aí colocado para mostrar que ele foi ungido pelo Espírito Santo para iniciar sua missão messiânica. Diz S. Pedro em Atos 10, 38:” Como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder, ele, que passou fazendo o bem e curando a todos aqueles que haviam caído no poder do diabo, porque Deus estava com ele.”

Nisso o Batismo de Jesus se assemelha ao nosso: tornamo-nos sacerdotes, profetas e reis, e somos enviados a proclamar o Evangelho a todos os povos.


ACRÉSCIMO AO CAPÍTULO 3

Fernando Armellini ( ver detalhes no final do cap. 1)
A pessoa toda de João Batista é uma denúncia, uma condenação de uma sociedade fundada nos falsos valores da opulência, da frivolidade, da superficialidade.

O batismo de João significava morrer para a vida antiga, ao ser mergulhado na água, e renascer para uma vida nova, ao sair da água. Aliás, era o mesmo ritual feito a um escravo que tivesse recebido a liberdade.

Em seguida, vinha a conversão (v.2), a mudança de costumes, a mudança radical de vida, por parte de quem havia sido batizado.

Havia duas respostas: a do povo (v.5-6), que se abriu à pregação do Batista, arrependeu-se, chorou, reconheceu seus erros, pediu o batismo. A dos fariseus e saduceus, que não mudam, por acharem que bastava serem filhos de Abraão. Um pouco como hoje em dia muitos católicos, que acham que vão ser salvos apenas por pertencerem à Igreja Católica. Precisamos mudarmos de fato e não apenas exteriormente o nosso coração.

Quanto ao Batismo de Jesus, precisamos tomar cuidado para não dizermos que é igual ao nosso batismo. Não é, apesar de destinar-se aos que queriam mudar de vida, renascer para uma vida nova. Não tinha sentido, pois, João batizar Jesus, porque ele não precisava mudar de vida. Jesus quis ser batizado para colocar-se ao lado dos pecadores desde o início da vida pública, para percorrer junto deles o caminho para a liberdade.

Nós tratamos diferentemente os que erram, quando não mostramos solidariedade com eles, mas os “salvamos”, de cima para baixo, julgando-os, condenando-os.

Mateus usa três figuras para mostrar quem é Jesus:

1- os céus abertos (Confira Is 63,15-19)

2- a pomba = como no dilúvio, a paz, a abertura do céu depois das chuvas. No tempo de Jesus havia 300 anos não aparecia um profeta. Ele era o primeiro, e a pomba encontrou, finalmente, em quem pousar. “Deus voltou a falar aos homens”.

3- A voz do céu= expressão usada pelos salmos para manifestar o pensamento de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

DIGITE AQUI O SEU COMENTÁRIO