segunda-feira, 30 de abril de 2012

“NINGUÉM TIRA A MINHA VIDA!”




Esta é a frase dita por Jesus em João 10,18: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho o poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; essa é a ordem que recebi do meu Pai”.

Hoje é o domingo do Bom Pastor, de que gosto muito. Essa frase de Jesus tem um conteúdo muito profundo ao qual muitas vezes não prestamos atenção. Ele a diz logo após lembrar que ele é o bom Pastor, que conhece as ovelhas e elas o conhecem. Há vários pontos importantes para refletir:

1- Jesus sempre foi 100% Deus e 100% homem. Ele sempre teve tudo sobre controle. Ele deu a vida porque quis! Tinha poder de não se deixar prender, se quisesse. Um homem que caminhou sobre um mar revolto, que ressuscitou várias pessoas, como Lázaro, o filho da viúva de Nain, a menina, que curou cegos, paralíticos, surdo-mudos, que perdoou a tantos pecadores, não teria ele o poder de livrar-se dos que o queriam matar?

Aliás, várias vezes ele escapou de mãos que já o haviam agarrado para matá-lo, como naquela vez em que o levaram ao mais alto do templo para atirá-lo de lá para baixo.

Jesus tinha todos “em suas mãos”, sob seu poder. Não era um fantoche, ou um boneco, ou um homem que parecesse estar perdido, sem saber o que fazer: ele sabia perfeitamente o que estava fazendo. Seu objetivo principal era obedecer ao Pai, vivendo sua vida humana na mais perfeita obediência, o que significava viver o mais perfeitamente possível a vida humana, com todas as suas limitações, abdicando, como diz Filipenses 6, ao seu poder divino enquanto vivesse aqui na terra.
Ele usou seu poder nos outros, mas não em si mesmo.

É isso que torna valiosa sua morte: ele a enfrentou livremente, para nos ensinar a obediência, para nos salvar. Ele fez o contrário dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, que desobedeceram frontalmente a Deus.

Nossa ignorância é tanta a seu respeito, que acho que Ele ri de nós ao ver o quanto desconhecemos de sua atuação em sua vida terrena! Ele nunca deixou de ser Deus. Ele só podia morrer por nós se deixasse que o matassem. E após sua morte, ressuscitou, e está gloriosamente reinante à direita do Pai.

2- “Eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,14). Qual é a intensidade desse conhecimento que Jesus exige de nós? Um conhecimento superficial? Um conhecimento como a gente se conhece um ao outro? Não! Jesus pede que suas ovelhas O conheçam “Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai”.

Pergunto: será que nós conhecemos Jesus, o Bom Pastor, com tanta plenitude quanto o Pai o conhece e Ele conhece o Pai? Sei que para nós isso é impossível, mas não para Jesus. Para Ele, tudo é possível. Só estou dizendo isto porque muitos dizem que O conhece plenamente. É importante que saibamos que ainda não O conhecemos como o Pai O conhece, e é com essa plenitude de conhecimento que Jesus quer que o conheçamos: “Conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai.”

Pedido semelhante ele faz em relação à união e ao amor: “Pai Santo(...) que eles sejam um, assim como nós somos um” (Jo 17,11). Quando chegaremos a ser unidos entre nós da mesma forma, com a mesma união que as pessoas da Santíssima Trindade são unidas? Quanto ainda nos fala para isso? Mas é justamente esse nível de amor e união que Jesus pede de nós!

3- “É por isso que o Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente” (Jo 10,17). Ou seja: Deus ama Jesus porque Ele faz sua plena vontade. Quanto mais fizermos a vontade de Deus, mais seremos capazes de perceber o Seu amor por nós. E receberemos nossa vida novamente já aqui na terra, ao vivermos na paz celeste depois de termos “dado a vida” espiritualmente, aos irmãos, para cumprirmos a vontade do Pai, e no céu, após a nossa morte material.

Em João 14 vemos várias vezes como o Pai nos ama se fizermos sua vontade, pois como Jesus disse, “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor” (Jo 15,10)

4- Jesus é nosso Pastor e nos conhece plenamente, como Ele conhece o Pai. Se Ele inha seu poder divino, mesmo ainda estando aqui na terra, quanto mais agora, que ressuscitou!

Em 1ª Samuel 16,7, quando Samuel se indignou por ter Deus escolhido como rei um fracote, Davi, ele recebeu esta resposta: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”.

Amigos (as)! Se nós, pobres mortais, muitas vezes, ao ver pessoas não-amadas ou que nunca receberam um carinho materno ou/e paterno fazerem certas maldades, nos condoemos, em vez de odiá-las, quanto mais Deus, que olha os corações e não o exterior!

Fiquemos em paz! Confiemos nele! Ele sabe e conhece o nosso passado! Deus nos conhece muito mais do que nós nos conhecemos. Ele sabe que algumas coisas que fazemos são decorrentes de uma infância perturbada, massacrada, abandonada. E isso vai entrar em sua defesa no julgamento!

Jesus nos compreende, nos ama e nos acolhe com muito amor, sejamos nós quem sejamos. Ele quer, é certo, que nós o conheçamos como Ele nos conhece. Mas, enquanto isso não acontece, despojemo-nos de nós próprios e nos coloquemos junto a Ele! Desvistamo-nos de nossa arrogância, de nossa auto-suficiência, de nossa vaidade, e coloquemo-nos confiantes em seus braços, como ovelhas sem defesa, porque, como diz Pedro 5,7, “ Lançai sobre o Senhor todas as vossas preocupações, porque Ele cuida de vós!”.


sábado, 14 de abril de 2012

O DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA


A Divina Misericórdia
QUI, 12 DE ABRIL DE 2012 15:42POR: CNBB
E-mail Imprimir PDFDom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)




O segundo domingo da Páscoa, que encerra a oitava da Páscoa, foi escolhido pelo Papa João Paulo II como um dia mundialmente dedicado e consagrado à Divina Misericórdia. Escolha que deseja tornar conhecido em todo o mundo este atributo máximo de Deus mesmo, que se derrama em amor e misericórdia a toda a humanidade.

Aqui em nossa Arquidiocese essa Festa é marcada por celebrações com muita participação popular na Catedral Metropolitana. Recorda-me que iniciei o meu serviço aqui nesta Igreja exatamente nessa festa dominical, e tive a oportunidade de, mais tarde, criar o Santuário da Divina Misericórdia na paróquia do mesmo nome, em Vila Valqueire.

A origem desta festa se encontra nas inspirações particulares da mística Santa Faustina, que recebeu o dom de ser canal para que a Misericórdia Divina pudesse ser reconhecida em todos os cantos e recantos do mundo. Santa Faustina nasceu em 25 de agosto de 1905, na Polônia, sendo a terceira de dez filhos de uma pobre família de aldeões na cidade de Glogowiec. Seu nome de batismo era Helena e sempre se destacou, desde a infância, pela piedade, amor à oração e obediência, sem contar na extrema atenção dedicada às misérias humanas que presenciava. Sentia, desde pequena, o desejo de ingressar na vida religiosa, mas não encontrou ninguém que a pudesse orientar.

À medida que foi amadurecendo o seu discernimento, começou a buscar o ingresso em várias comunidades religiosas e foi rejeitada em todas elas. Somente em agosto de 1925 é que ela conheceu a Congregação das Irmãs da Divina Misericórdia, onde foi aceita. Passou a maior parte de sua vida na Polônia e recebeu da Congregação o nome de Irmã Maria Faustina.

Santa Faustina é hoje considerada uma grande mística da Igreja Católica. Sua vida está narrada por ela mesma em uma autobiografia, no livro “Diário Espiritual”, onde ela escreve suas experiências místicas. Vale ressaltar que Irmã Faustina não pretendia escrever esse diário, mas o fez em obediência a seu diretor espiritual, que lhe pediu que o fizesse. A finalidade das revelações de Santa Faustina é clara desde o princípio: tornar conhecida a misericórdia do Senhor em todo o mundo.

Espiritualidade legitimamente confirmada e fundada nas Sagradas Escrituras, que nos sugere: "Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso" (Lc 6,36). Santa Faustina foi canonizada pelo Beato Papa João Paulo II em 30 de abril do ano santo da redenção de 2000.

Vários elementos desta devoção estão espalhados e conhecidos em toda a Igreja:

-o terço da Divina Misericórdia,
-a contemplação da Imagem de Jesus Misericordioso,
-a festa da Divina misericórdia (no segundo domingo da Páscoa),
-a novena à Divina Misericórdia,
-a oração das três da tarde,

hora dedicada à grande misericórdia de Deus, que se oferece por todos no santo sacrifício da Cruz. A devoção ainda busca reafirmar e fortalecer o inestimável e inesgotável valor dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação.

O Papa João Paulo II, em 17 de agosto de 2002, visitou o Santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia, na Polônia. Na ocasião, ele realizou o Ato Solene de entrega do destino do mundo à Divina Misericórdia. Em sua homilia o Pontífice Romano ressalta a idéia de que a misericórdia Divina é o "atributo máximo de Deus onipotente", e reafirma, usando as palavras da Santa, que a Misericórdia Divina, é "a doce esperança para o homem pecador". (Diário, 951)

A oferta de vida de Santa Faustina em suas dores, associada à paixão de Nosso Senhor, fonte inesgotável de amor e misericórdia, tinha um tríplice objetivo, a saber: que a obra de misericórdia se difundisse por todo o mundo e sua festa fosse aprovada e comemorada; para que os pecadores pudessem recorrer à misericórdia e experimentar seus inefáveis efeitos, e para que toda a obra de misericórdia fosse executada de acordo com o desejo do próprio Senhor.
As virtudes da humildade (atitude do homem diante da imerecida eleição divina em Cristo), a pureza (transparências nas atitudes) e o amor (oferecer tudo de si ao outro) são incentivadas e vividas na mística da misericórdia. Manifestam a capacidade de amor que Deus depositou no homem como a mais profunda oferta de si em favor de toda a humanidade. A devoção à Divina Misericórdia, de cunho cristocêntrico e trinitário quer deixar sempre mais clarividente a espiritualidade que parte de Jesus em direção ao coração humano: "Apenas Jesus é meu estímulo para o amor ao próximo." (Diário 871)

A comunicação de Deus e de sua vontade a seu povo sempre foi uma experiência presente ao longo da história da salvação. A carta aos Hebreus nos afirma que "Deus falou de muitos modos e maneiras ao seu povo: por meio dos profetas, aos nossos pais, e, recentemente, por meio de seu Filho Jesus Cristo, constituído herdeiro de tudo.” (cf. Hb 1, 1-2).

A espiritualidade de Irmã Faustina quer ainda reforçar sempre mais a certeza de que Deus é amor e misericórdia, de que Deus ama o ser humano, de que Deus se comunica (revela) em sua infinita misericórdia e nos convida a nela mergulharmos; de que Deus rejeita o pecado, mas acolhe e se faz próximo do pecador, comunicando-lhe sua graça e seu amor, portanto, seu ser mesmo.

Que a festa da Misericórdia Divina seja para nós um encontro com o Deus Uno e Trino, que é amor, e deseja nos levar ao amor. Que o mundo sedento deste amor possa se dobrar ao amor de Deus e acolher seus mais generosos benefícios. 

Supliquemos a Jesus Misericordioso que desperte, mesmo nos corações mais endurecidos, a confiança Nele, e com Santa Faustina possamos rezar: 
"Jesus, eu confio em vós”.

Com o coração desejoso de estar sempre meditando o amor misericordioso de nosso Deus, façamos juntos a consagração do destino do mundo à misericórdia Divina, rezada por João Paulo II, no santuário da Divina Misericórdia: 

"Deus, Pai Misericordioso que revelaste o Teu amor no Teu Filho Jesus Cristo e o derramaste sobre nós, no Espírito Santo, consolador, confiamos-Te hoje o destino do mundo e de cada homem. Inclina-te sobre nós, pecadores, e cura a nossa debilidade. Vence o mal; faz com que todos os habitantes da Terra conheçam a Tua misericórdia para que em Ti, Deus Uno e Trino, encontrem sempre a esperança. Pai eterno, pela dolorosa Paixão e Ressurreição de Teu Filho tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. Amém.”

Neste mundo tão duro e com tantas situações de morte sendo impingidas ao povo brasileiro, celebrar a misericórdia é uma ótima oportunidade de anunciarmos a todos a alegria da presença do Ressuscitado entre nós.

Que também nós sejamos misericordiosos e que levemos a misericórdia de Deus para todos, principalmente para a juventude, para que encontre o caminho da justiça, da paz e do seguimento do Cristo Redentor, distribuidor da vida e da paz!

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Misericórdia e Perdão
SEX, 13 DE ABRIL DE 2012 10:39POR: CNBB
E-mail Imprimir PDFDom Orani João Tempesta



Arcebispo de São Sebastião (RJ)

Domingo da misericórdia! As leituras deste segundo domingo da Páscoa giram em torno desse tema, começando com a oração de abertura repetida no Salmo, e culminando na passagem do Evangelho em que Jesus apareceu aos discípulos no Cenáculo, mostrou-lhes as mãos e seu lado traspassado.

Sabemos que o fundamento teológico da devoção ao Coração de Jesus é o Seu Coração traspassado pela lança, do qual brotaram sangue e água; o sangue que regenera a vida da graça, e a água que nos purifica de nossos pecados. Quando contemplamos a imagem de Jesus misericordioso, vemos que Ele se mostra precisamente com o Coração traspassado, do qual surgem dois raios: um vermelho, que simboliza o sangue derramado, e o outro branco, que simboliza a água que nos purifica no nosso Batismo. Este quadro é relativo à Festa da Divina Misericórdia, celebrada no segundo domingo de Páscoa. Os escritos dos Santos Padres comparam esses sinais ao nascimento da Igreja do lado aberto de Cristo.

A festa da Divina Misericórdia foi instituída pelo Papa Beato João Paulo II em abril de 2000. E em 29 de junho de 2002, com um novo decreto, acrescenta a esta festa uma indulgência plenária. Assim, o já chamado “domingo in Albis” (em branco, recordado pelas vestes dos que haviam sido batizados na noite de Páscoa) tornou-se o Domingo da Divina Misericórdia.

Esta festa vem precedida por uma novena de preparação, pois, anexa a ela existe uma grande promessa de Jesus a todos aqueles que confessarem e comungarem, celebrando dignamente esta Festa – serão remidas as penas das culpas e reencontrarão a veste branca batismal.

Sabemos que o Batismo nos faz novos. Nas primeiras comunidades cristãs alguns esperavam para recebê-lo mais tarde, pois assim estariam certos de que todos os seus pecados teriam sido perdoados pelo Batismo. Comportamento que revela, conforme a mentalidade da época, a fé na eficácia do sacramento.

Sabemos que o Batismo, como também a Crisma e a Ordem, opera uma consagração ontológica (do ser), que consagra de uma vez por todas o ser da pessoa que o recebe, o que significa que não pode ser dissolvido nem recebido uma segunda vez. Portanto, para nós que não podemos mais receber o Batismo, esta festa contribui a dar-nos de volta a veste branca do batismo, como foi inspirado por Santa Faustina: "Desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Minha Misericórdia.

A alma que naquele dia tiver se confessado e comungar, vai ficar completamente remida dos pecados e das culpas. A alma que recorrer à minha misericórdia não perecerá: Eu, o Senhor, vou defendê-la como minha própria glória, e na hora da morte não virei como um juiz, mas como Salvador. Diga à humanidade sofredora que se refugie em meu Coração Misericordioso e eu a preencherei de paz”.

Dessa maneira, ao trazer à tona o nascimento da Igreja, nova Eva, com o simbolismo da água e do sangue jorrados do lado de Cristo e ao procurar renovar o cristão revivendo o seu batismo recordando que com o perdão ele se reveste com a veste branca, o domingo anteriormente chamado “in albis” continua retomando o seu caráter eclesial e batismal com a festa da Divina Misericórdia recentemente introduzida.

Nestes tempos em que um grupo minoritário impõe aos brasileiros, contra a vontade deles, suas opiniões sobre a vida e coloca o nosso país em retrocesso com relação aos valores do ser humano, sem dúvida, que para nós, cristãos, é tempo de aprofundar ainda mais nossa vida e missão nessa sociedade.

Nós estamos submersos sob uma avalanche de informações que nos é transmitida por diferentes canais. Temos de recuperar a orientação da verdade, o labirinto de informações destorcidas e desinformadas que afirmam hoje em letras garrafais, mas que amanhã corrigem em notas ao pé da página e que podem, até depois de amanhã ratificar, fazendo muitos perderem a cabeça, por não saberem mais em que acreditar.

Façamo-nos difusores da boa notícia da salvação e da misericórdia divina, e rios de água viva irrigarão o mundo com a presença de Deus. E uma nova primavera vai surgir! Gritemos ao mundo com toda a força: Cristo ressuscitou, aleluia, ressuscitou, verdadeiramente, aleluia! Em sua infinita misericórdia Ele quer nos salvar!

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEMANA SANTA: O BÁLSAMO DE BETÂNIA



O evangelho de domingo e de segunda-feira desta Semana Santa (João 12,7-8 e Marcos 14,7-9), fala sobre o bálsamo caríssimo com que a mulher ungiu os pés de Jesus, e que foi criticado por Judas Iscariotes e pelas autoridades do judaismo ali presentes.

Reascende a discussão: Igreja enriquecida com ouro e coisas caras ou ajuda aos pobres?

O missal cotidiano comenta, citando V. Mannucci: “Que seria a Igreja se a bolsa de Iscariotes estivesse cheia para os pobres e a casa de Betânia vazia de perfume?” Essa afirmação aprova o gasto com coisas que deixem a igreja e a liturgia mais ricas materialmente falando.

Eu discordo frontalmente contra isso, parafraseando Santo Ambrósio, que já afirmava que não podemos querer agradar o Cristo dourando os cálices da igreja enquanto esse mesmo Cristo está morrendo de fome na pessoa do pobre!

Essa questão estará plenamente resolvida se levarmos em conta que, “perfumar os pés de Jesus” hoje, significa, principalmente, SOCORRER OS POBRES, FAMINTOS, NECESSITADOS e, entre os necessitados, tanto pobres como ricos doentes, abandonados ou marginalizados. Não há como fugir disso! É Santo Ambrósio que diz: “Se sobrar dinheiro, aí sim, podemos dourar os cálices usados na igreja”.

É preciso também cuidarmos para não fazermos o que Hebreus 10,26 diz, na leitura de segunda-feira: “Se pecarmos voluntariamente e com pleno Sconhecimento da verdade, já não há sacrifícios pelos pecados” ou seja, já não há possibilidade de perdão, pois pecar “voluntariamente e com o conhecimento da verdade” é renunciarmos a Jesus Cristo e à Salvação trazida por Ele (missal). Pensemos nisso nesta Semana Santa!

E lembre-se: nós não cumpriremos a obrigação do jejum nem a da abstinência de carne, na sexta-feira Santa, se comermos bacalhoada ou peixe daqueles suculentos.

Esse é um dia de penitência, e na minha modesta opinião, não deveríamos comer nem peixe: apenas alguma coisa comum e leve para nos sustentar. Deixemos a bacalhoada e os peixes para sábado ou domingo de Páscoa! Se for comer essas coisas gostosas, coma então uma carne de segunda, que estará fazendo maior penitência.

Termino com a leitura de hoje, terça-feira da Semana Santa, do ofício das leituras: “Não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado! “ (Hb 12,4) e S. Basílio: “Imitar a Cristo(...) em primeiro lugar, é romper com a vida passada”.