sexta-feira, 30 de março de 2012

CARTA A UM PRESO



Você me escreveu dizendo que sua vida terminou, que está em depressão, que não vai mais usufruir das coisas boas da vida! Mas... o que é usufruir das coisas boas da vida?

-É poder beber vinho importado?
-Poder comprar um uísque de centenas de dólares?
-Ver Paris da Torre Eiffell?
-Poder beijar o pé da estátua de S. Pedro no Vaticano?
-Poder jogar moedas na fonte de Trévere?
-Poder tomar chá com a rainha da Inglaterra?
-Poder comer caviar (argh!) com torradinhas americanas, com a Madonna?
-Andar por aí com um carro de um milhão de reais?
-Ganhar os dois milhões do BBB?

Meu Deus, que desperdício! Ser livre não é fazer nada disso! Ser livre é ter-se em mãos! Ser livre e usufruir a vida é poder se ver sempre diante de Deus, saber que Ele está olhando para e por você, saber que Ele cuida de você de modo melhor que a mãe que não abandona o filho (Isaías), que o ama a tal ponto de ter descido aqui na terra para provar que o que Ele criou é bom, vale a pena e pode nos fazer felizes (diz o livro da Sabedoria que se houvesse alguma coisa ruim, Deus não a teria criado). É saber que Ele entregou sua vida para nos salvar, para nos ter a seu lado no céu. Quer amor maior do que esse?

Ser feliz, meu amigo, é ser livre internamente, controlar as próprias ações, levantar-se de manhã seja onde for e poder agradecer a Deus pela noite que passou e pelo dia que começa!

Ser feliz é poder estar nas mãos de Deus! É saber que nada deste mundo acontece sem o seu consentimento! E se Ele consentiu, é pelo nosso bem!

Só no céu você vai saber o quanto Deus o ama, por ter-lhe permitido a prisão. Talvez essa tenha sido o único modo pelo qual Ele poderia salvá-lo!

As pessoas ricas não são felizes. Só vivem de modo muito mais confortável do que nós! Mas acabam se enchendo de barbitúricos, remédios, subterfúgios para acalmarem a grande angústia, a grande infelicidade e desassossego que enfrentam em suas loucuras.

Amigo, você está preso, mas pode ser felicíssimo! Viva o dia a dia, sem pensar muito no que vai acontecer amanhã! Sinta a graça de Deus operando em sua vida e acostume-se a rezar, a orar, a frequentar a presença de Deus. Você vai descobrir um amigo para todas as horas, que nunca lhe vai desamparar. Você vai descobrir que, como diz Sta. Teresinha,”A alegria não está nos objetos, mas no mais íntimo do coração. Podemos senti-la tanto no mais luxuoso palácio, como na mais triste prisão!”

Enfim, ser feliz, aproveitar a vida, é estar preparado para a morte, onde recomeça a verdadeira vida. Eu vou ainda viver 10, talvez 20 anos. E vão passar depressa. Não quero passar esse tempo vendo as touradas de Madri ou a abertura dos jogos olímpicos na Rússia. Quero passar esse tempo construindo a minha casa lá no céu, bem pertinho do trono de Deus, ao lado da mansão de Nossa Senhora, em frente ao palácio em que deve viver o meu querido Pe. Carlos de Foucauld. Só isso. Não quero nada mais do que isso: a presença de Deus em minha vida. O resto, é o resto. Não me importa como e onde vou viver.

quinta-feira, 29 de março de 2012

MONGES (jas) BENEDITINOS CAMALDOLENSES














O Mosteiro da Transfiguração, pertence à grande tradição monástica que no Ocidente  reconhece em S. Bento de Núrcia (séc. VI) sua primeira raiz espiritual,  e em S. Romualdo de Ravenna (+ 1027), o seu  pai espiritual mais próximo. Segue a Regra de São Bento e os ensinamentos de São Romualdo e da milenar tradição que  nele se inspira . O Sacro Éremo de Camáldoli ( Itália),  foi fundado pelo próprio São Romualdo no ano 1024 e desde aquela época, teve a presença ininterrupta da comunidade monástica.




       A Congregação  camaldolense da Ordem de São Bento tem dois modelos de vida monástica: mosteiro(vida comunitária) e eremitério(vida solitária). Os dois, cada um com o  próprio estilo, ficam abertos ao testemunho e ao serviço ao Senhor na Igreja e nos irmãos e irmãs(evangelização).

        No mosteiro a vida tem  uma intensa dinâmica comunitária, alimentada pela palavra de Deus, pelas celebrações litúrgicas da Eucaristia e do Ofício divino ( Liturgia das Horas), sustentada pelo estudo e  trabalho, aberta à hospitalidade dos que pedem  acolhimento para fazer retiro espiritual, seguindo o ritmo de vida da comunidade monástica.



        No eremitério é sobretudo privilegiada, a  busca de  Deus na solidão, no estudo e na oração pessoal e comunitária, sempre animada por um intenso sentido de comunhão com os irmãos e com a Igreja inteira. A vida no eremitério visa destacar esta tensão espiritual que anima a caminhada do povo de Deus na história, testemunhando a primazia de Deus na  vida de cada cristão.

São Pedro Damião,discípulo de São Romualdo, descreve muito bem esta tensão interior entre solidão e comunhão que  faz o eremita morar na intimidade do Espírito  e no coração da Igreja e da humanidade.


O Mosteiro da Transfiguração foi fundado em 1985. Os monges provinham do Sacro Éremo e Mosteiro de Camaldoli (Arezzo) Itália, Casa mãe da Congregação Camaldolense da Ordem de São Bento, sob o convite do então Bispo de Mogi das Cruzes (SP), Dom Emílio Pignoli.



 A finalidade a que os monges e o bispo se propuseram foi de constituir uma comunidade monástica segundo a tradição espiritual beneditina e camaldolense. Uma comunidade que vive a fraternidade evangélica, a oração litúrgica e pessoal, o estudo contemplativo e a meditação da Palavra de Deus, o trabalho manual e cultural, o diálogo ecumênico e inter-religioso, e o acolhimento fraternal dos  que procuram renovar a própria busca espiritual

 O Mosteiro  é dedicado ao Mistério da Transfiguração de Jesus sobre o monte Tabor, segundo a originária tradição do Sagrado Eremitério de Camáldoli que é dedicado a este Mistério do Senhor. A escolha do nome revela a identidade profunda da comunidade monástica e a sua vocação. Constitui um convite a contemplar junto com os apóstolos  o mistério de Jesus que revela o Pai e a vocação de deixar-se transformar e transfigurar na imagem de Jesus, o Filho predileto, e segui-lo até  Jerusalém para testemunhar o evangelho do Senhor morto e ressuscitado nas trilhas  do mundo.



           Em 1993, aos monges se uniram as Monjas Camaldolenses da Ordem de São Bento, com  a fundação do Mosteiro da Encarnação. Monges e monjas, na recíproca independência, constituem uma “comunidade gêmea” na qual compartilham em fraternidade, a oração litúrgica cotidiana, a formação dos candidatos/as e o serviço de hospitalidade.           
               Hoje, o serviço de animação cultural e espiritual dos monges se dá,  sobretudo, através  da hospitalidade, pelo  acolhimento de religiosos, religiosas e leigos, bem como retiros espirituais individuais, que possibilitam  aos hóspedes de viver, sob direção espiritual, num ambiente natural, muito bonito, silencioso e tranqüilo, no ritmo de vida cotidiana dos monges e das monjas, o ministério da reconciliação.

Mosteiro da Transfiguação

KM 41,5 da Rodovia Mogi-Dutra   -  Mogi das Cruzes  - SP

E-mail

Telefone.:
(0xx11) 3427-3813
Mosteiro da Encarnação, Monjas Beneditinas Camaldolense
 Rod. Mogi Dutra, km 41
 Bairro  Itapeti – Mogi das Cruzes – SP
Tel. 4790 -3580 ou 3427 - 8841

VEJA O SITE DELES:

http://camaldolenses.com.br/







sexta-feira, 23 de março de 2012

Vida Monástica

tirado do blog dos carmelitas eremitas

      A Vida monástica é um grande dom de Deus para a Igreja. Desde o início da pregação do Evangelho, não faltaram homens e mulheres que se renderam ao convite de Jesus: “se queres ser perfeito...” (Mt 19). Esta inquietação de sempre desejar fazer algo a mais por Deus é a vocação para a vida monástica. Quem a tem, abandona o mundo e deixa tudo para viver somente para o Senhor.     

      No Carmelo, podemos encontrar uma belíssima forma de servirmos a Deus e buscarmos a santidade. A tradição carmelitana consagrou duas finalidades desta vida: alcançar a pureza do coração e gozar as delícias de Deus. “Esta vida de perfeição religiosa encerra dois fins: um nós podemos alcançar com o nosso esforço e o exercício das virtudes, e o outro, ajudados pela graça divina. O primeiro consiste em oferecer a Deus um coração santo e limpo de toda mancha atual de pecado. O outro fim desta vida é dom totalmente gratuito de Deus e que Ele comunica à alma. Consiste em, não somente depois da morte, mas também nesta vida mortal, já experimentar no afeto do amor e do gozo da luz do entendimento algo do poder da presença de Deus e do deleite da eterna glória.” (Livro da Instituição dos Primeiros Monges).

     Observando a Regra Primitiva podemos progredir nesta primeira finalidade através da ascese e da penitência. O jejum vai de setembro até a Páscoa. Não comemos carne e não consumimos bebida alcoólica. Em ocasiões mais solenes podemos comer peixes, laticínios e ovos. Também evitamos o açúcar e a cafeína. O silêncio e a solidão também ajudam a encontrar este equilíbrio interior. A segunda finalidade, porém é puro dom de Deus. Através dos ensinamentos da Mãe dos espirituais, Santa Teresa, do Doutor Místico, São João da Cruz e de tantos outros santos Carmelitas, podemos nos aprofundar na intimidade com Deus. Nas pequenas celas, realiza-se o colóquio amoroso da alma com o seu Esposo Divino.

     Apesar de guardarmos os costumes do Carmelo Descalço, valorizamos mais a solidão, tendo ermidas separadas, com mais tempo de oração individual. Vivemos nos lugares afastados em harmonia com a natureza, uma vida simples e austera. Nossas construções são rústicas e aproveitamos material de demolição. Vivemos da providência, não temos nenhuma renda, mas nada nos falta. Procuramos não desperdiçar nem uma migalha de pão e partilhamos o que temos com os pobres. A rotina diária intercala a oração com o trabalho manual. Cada um exerce um ofício conforme sua capacidade.

     O Mosteiro dos irmãos fica ao lado do Mosteiro das irmãs. Isso também permite uma colaboração mútua, em clima de família. Cada um, porém tem sua clausura totalmente separada. As irmãs, inclusive, mantém a grade e a clausura papal. Os monges podem fazer algum apostolado quando estão nos Mosteiros, onde as pessoas podem fazer retiros, ser atendidas em confissões e direção espiritual. Por isso, aqueles que desejam podem se tornar sacerdotes. Entretanto, os que estão nos Santos Desertos e Eremitérios se dedicam exclusivamente à oração. Os familiares podem nos visitar e se hospedarem conosco. Porém, só os visitamos em caso de grande necessidade.

     Os vocacionados são recebidos para uma experiência de pelo menos uma semana. Se aprovados, ingressam no postulantado que dura em torno de seis meses. Depois desse período, fazem o noviciado e depois, a profissão dos votos. Não há limite de idade para admissão, o importante é que a pessoa tenha saúde para cumprir suas obrigações. A Santa Missa e toda a liturgia é rezada em latim, no Rito Tradicional. Consideramos a Eucaristia, como o ápice de nossa vida. Amamos profundamente a Santa Igreja Católica. Temos muito carinho pelo Santo Padre o Papa e pelo nosso Bispo. Procuramos atender os pedidos de Nossa Senhora, que, em Fátima, em sua última aparição se mostrou como Nossa Senhora do Carmo.

     Unimos nossa oração, trabalhos, jejuns e penitências às intenções do Imaculado Coração de Maria. Fazemos subir, do nosso Carmelo, dia e noite, nossa adoração, como uma fumaça de incenso, ao supremo trono do Deus Uno e Trino. Que Ele seja bendito para sempre! Amém.



quarta-feira, 21 de março de 2012

SANTA JOSEFINA BAKHITA, DIA 08 DE FEVEREIRO



(Tirado do blog http://contra-o-aborto.blogspot.com.br/2008/02/dia-de-santa-josefina-bakhita.html

"Se tivesse hoje a oportunidade de encontrar os mercadores de escravos que me capturaram e até mesmo aqueles que me torturaram, eu ajoelharia e beijaria suas mãos, pois se isto não tivesse acontecido, eu, hoje, não seria cristã e religiosa."

A frase acima é de Santa Josefina Bakhita. Sobre esta santa admirável, como são todos os santos, S.S. Bento XVI dedicou um trecho de sua mais recente Encíclica, Spes Salvi, a nos ensinar sobre sua vida e a "esperança".

Apenas uma amostra do sofrimento que Santa Josefina Bakhita passou nas mãos de seus senhores, segundo seu próprio relato:

"Uma mulher habilidosa nesta arte cruel (tatuagem) veio à casa principal... nossa patroa colocou-se atrás de nós, com o chicote nas mãos. A mulher trazia uma vasilha com farinha branca, uma vasilha com sal e uma navalha. Quando terminou de desenhar com a farinha, a mulher pegou da navalha e começou a fazer cortes seguindo o padrão desenhado. O sal foi aplicado em cada ferida...


"Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 – ela mesma não sabia a data precisa – no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida.
 Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de « patrões » tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um « patrão » totalmente diferente – no dialecto veneziano que agora tinha aprendido, chamava « paron » ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo.
Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um « paron » acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a.
Também ela era amada, e precisamente pelo « Paron » supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela « à direita de Deus Pai ».
Agora ela tinha « esperança »; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa.
Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava « redimida », já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus.
Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu « Paron ». A 9 de Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza.
 A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a « redimira », não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos."
Meu rosto foi poupado, mas 6 desenhos foram feitos em meus seios, e mais 60 em minha barriga e braços. Pensei que fosse morrer, principalmente quando o sal era aplicado nas feridas... foi por milagre de Deus que não morri. Ele havia me destinado para coisas melhores."

Esta mulher, que tudo isto passou, viveu para ver dias melhores, para ter um encontro com seu "Mestre". Acrisolada na escola do sofrimento, Santa Bakhita é um exemplo da esperança cristã, da esperança transformadora, da esperança que contra tudo espera e aguarda nosso "destino para coisas melhores". É a verdadeira esperança de quem se sabe amado e jamais esquecido, de quem sabe que há um Pai Altíssimo que cuida de todos nós.

Incorruptível
Santa Josefina Bakhita está entre os santos cujo corpo não sofreram corrupção após a morte.

Oração à Santa Josefina Bakhita:

Oh Santa Josefina Bakhita, que, desde menina, foste enriquecida por Deus com tantos dons e a Ele correspondeste com todo o amor, olha por nós.Intercede junto ao Senhor para que cresçamos no Seu amor e no amor a todas as criaturas humanas, sem distinção de idade, de raça, de cor, de situação social.Que pratiquemos sempre, como tu, as virtudes da fé, da esperança, da caridade, da humildade, da castidade e da obediência.Pede agora ao Pai do Céu, oh Bakhita, as graças que mais preciso, especialmente (indicar o pedido...).

Amém.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória

Salve Santa Josefina Bakhita!

sexta-feira, 16 de março de 2012

DIVORCIAR--SE DE CRISTO?



16 de março de 2012

O profeta Oséias, que se lê na primeira leitura de hoje, tem uma expressão sobre a qual eu gostaria de meditar hoje. “Assur não nos salvará.” E quem era Assur? À época em que o texto recebeu sua primeira escrita, Assur era a Assíria, e a Assíria foi um verdadeiro flagelo de Deus, foi uma superpotência no Oriente Médio, com capital em Nínive, que fez sofrer, terrivelmente, os Israelitas do Reino do Norte, destruindo-lhes a cidade, a capital, em 722 a.C. Sujeitou também a um tributo, o Reino do Sul; o Reino de Judá.

Durante 130 anos foi protagonista na política do Oriente Médio. Muitos buscaram aceitar a situação, o “status quod,” e foram além: tiveram a idéia de se pactuar com a Assíria. O próprio rei Acaz, de Jerusalém, dobrou-se e prostrou-se, como vassalo, diante do rei da Assíria.

“Assur não nos salvará.” Isto, para nós, é um texto passado e, no entanto, rico para nossa experiência no presente, pois nós também vamos à cata de salvadores, mas nem sempre seguimos à busca do verdadeiro Salvador. Quantas pessoas deixaram Deus e Jesus Cristo de lado, porque se apaixonaram por pessoas erradas, porque quiseram realizar, por exemplo, um divórcio que não é permitido para quem quer ser discípulo de Jesus?

Quantas pessoas deixaram a vida evangélica de lado por paixão, por auto-entrega a outras pessoas ou a outras coisas? Quantas pessoas deixaram Jesus Cristo de lado, por causa de um pouco mais de conforto, por causa de uma viagem, por causa de uma política, por causa de um conchavo ou por causa de certas amizades, por vezes até perniciosas? Cada um se pergunte, hoje, qual foi a pessoa, a realidade, a coisa, que o fez desviar-se da salvação em Cristo e de Deus.

A vida nos trás lições e, se essas pessoas forem pessoas avisadas e prudentes, terão tirado as conclusões dos desastres passados. Todas essas pessoas e coisas que nos afastaram de Deus, eram ídolos; e todos os ídolos, sem exceção, têm pés de barro.

Não adianta apostar, além do razoável, em ninguém. Não adianta apostar em um marido; não adianta apostar em uma esposa; não adianta apostar na mulher do próximo, na mulher do outro; não adianta apostar no marido alheio; não adianta apostar no filho; e não adianta apostar em um amigo, pois todos eles nos levam, de ilusão a decepção, de ilusão à desilusão.

Assur não nos salvará, e todos nós podemos fazer a experiência, hoje, de que não só Assur, mas tudo o que não é Deus, não nos salvará. Lamentavelmente, muito do que deixamos ou do que abraçamos, deixando Deus, não nos salvará. A experiência pode já ter sido feita; buscamos salvação e encontramos apenas sofrimentos para nós mesmos.



sábado, 10 de março de 2012

OS SANTOS DESPREZADOS EM VIDA




09 de março de 2012 (Os vinhateiros homicidas).

O Evangelista Mateus traz-nos, hoje, uma parábola que, de certa maneira, sintetiza e antecipa a Paixão de Jesus, que vamos celebrar uma vez mais dentro de poucas semanas; trata-se da parábola dos maus vinhateiros que, depois de terem maltratado os primeiros emissários, agarram O Filho enviado pelo Dono, O maltratam também, arrastam-No para fora da vinha e O assassinam. Quando O Senhor da vinha vier pessoalmente, que fará?

A resposta foi pronta: “fará perecer, miseravelmente, aqueles desgraçados, e arrendará a Sua vinha a outros, que Lhe dêem o fruto devido, no tempo oportuno.” E Jesus, então, conclui: “nunca lestes na Escritura...” e cita um salmo, o salmo 117: “A Pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se A Pedra principal da edificação.”

Esta afirmação, contida no salmo e proposta por Jesus, em primeiro lugar, referia-se a Ele mesmo. Ele mesmo foi A Pedra que os construtores rejeitaram, jogando-A na lata do lixo, isto é, crucificando-O fora da cidade de Jerusalém, mas buscada, por Deus, lá onde estava, na lata do lixo, isto é, no túmulo, foi trazida para a construção, para tornar-Se A Pedra principal da nova construção de Seu povo; da nova construção da Igreja.

Na esteira de Jesus, isto se repetiu na vida de muitos cristãos que foram rejeitados, que foram negligenciados, que foram desprezados e que sofreram pelas mãos dos homens, mas que foram eleitos e eram preciosos aos olhos de Deus. O santo cura de Arse quase não pôde ser ordenado sacerdote, porque os seus superiores o julgavam uma pedra a ser rejeitada, ao menos na candidatura para o sacerdócio. No entanto, foi buscada por Deus e tornou-se, com sua vida, e com o testemunho de sua pregação ardorosa e de sua preocupação apostólica, exemplo a ser imitado por todos os sacerdotes que tem cura de almas.

Santa Bernadete - dizem os biógrafos - recebeu sem número de humilhações no convento para onde ingressou, após ter sido privilegiada com as aparições de Nossa Senhora, em Lourdes, por parte de sua superiora: “não serve para nada.” O bispo, então, respondeu à superiora: 


“se não serve para nada, eu a tornarei capaz e responsável pela oração de intercessão.”


E a Igreja, mais tarde, a canonizou como santa, não, porém, à madre superiora.

E assim, tantos outros que não serviam para nada aos olhos dos homens, eram eleitos e preciosos a Deus. Esta história começou com Jesus, A Pedra rejeitada que foi buscada e Se tornou A Pedra principal. Esta história se continua na vida do Cristianismo, e esta história é atual em todos os tempos.