sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SOLIDÃO NUNCA MAIS!


          
     Muitas pessoas se acham sozinhas, abandonadas, até mesmo depressivas por causa da sensação da solidão.
     Os textos que apresentamos neste blog quer justamente nos levar a viver essa solidão, a viver esse aparente abandono, de modo bem diferente.
     Jesus vivia no meio do povo, em sua vida pública, mas aprendera a ficar só. Mesmo no meio dos discípulos, ele se isolava mentalmente para estar a sós com o Pai, como lemos em Lucas 9,18: “Estando Jesus a orar a sós, em meio aos discípulos...”
     Jesus não encontrava pessoas do mesmo nível dele com quem pudesse falar sobre sua experiência divina. Nesse sentido, sentia-se sozinho quando estava rodeado pela multidão. Essa solidão desaparecia quando, sem ninguém ao seu lado, nos lugares desertos, podia se encontrar com o Pai, como vemos em João 16,32: “Eis que vem a hora, e ela aí está, em que sereis dispersos, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não fico só, porque o Pai está comigo”.
     O Pe. Carlos de Foucauld, agora beatificado, morava em lugares desertos pertencenes ao Saara, amplamente mostrado nas fotos dese blog. Vivia entre os tuaregues, povo muçulmano. Não conseguia conversar com ninguém sobre as maravilhosas experiências espirituais que tinha na solidão, como mostram os seus textos, alguns dos quais também encontrados numa de nossas páginas indicadas no índice.
     Entretanto, não podemos dizer que ele se sentia só. A comunhão com Deus na solidão se traduzia na comunhão com os seus irmãos todos do Islamismo, e no atendimento de até 50 hóspedes por dia, como ele mesmo afirmou algumas vezes.
Por que muitos de nós, tanto homens como mulheres, nos apaixonamos por esse humilde servo do Senhor e por tantos outros, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, que buscaram o deserto, ou mesmo uma vida de solidão?
Por que sentimos o nosso coração arder ao lermos as frases bíblicas que relatam a ida de Jesus ao deserto para orar?
     O que há de tão encantador num deserto?
Penso eu que o único modo de descobrir isso é fazer repetidos desertos em nossa vida! Transformemos a solidão de nossa vida numa experiência fértil de deserto! Em nosso isolamento, tiremos, como Moisés, as sandálias, só que para nós, sandálias simbólicas das coisas supérfluas, da vaidade, egoismo, soberba, amor próprio exagerado, leviandades, gula, mania de levar vantagem em tudo, e aproximemo-nos da “sarça ardente”! Aproximemo-nos de Deus!
     Vamos nos desvestir do “homem velho” e nos revestir de humildade, simplicidade, confiança! Revistamo-nos de Deus! E o desero florirá em nosso coração e em nossa vida! As coisas passarão a ter sentido, mesmo os sofrimentos!
      A alegria inunda a alma solitária que se encontra dessa forma com Deus, e ela não mais fica solitária. Sua solidão não será mais solidão, mas a charmosa e confortável sala de visitas onde receberemos o próprio Deus.
     Rezar é olhar para Deus amando-o”, dizia o Irmão Carlos.  Em nossa solidão, nunca mais nos sentiremos sozinhos, mas sempre com Jesus e, nele, sentiremos a presença das pessoas com quem nos encontramos no dia a dia.
     A solidão com Jesus tem a magia de nos fazer descobrir que na verdade não estamos sozinhos, mas que há uma multidão de pessoas à nossa volta precisando de nosso sorriso, da paz que vamos lhes transmitir pela nossa vida. Vamos, então, não apenas proclamar, mas GRITAR o Evangelho às pessoas com a nossa própria vida.
     É nesse sentido que o deserto é fértil! A solidão nos pesa quando somos individualistas, egoistas, avarentos, mal-humorados, vaidosos, nojentos, exigentes, mesquinhos, ou quando desprezamos as pessoas.
     Entretanto, quando nos desvestimos disso tudo para estar com Deus, descobrimos a alegria da presença dos outros em nossa vida. O que quero dizer é que não são as pessoas que nos abandonam! Somos nós que nos afastamos, com nossas exigências idiotas, e nos isolamos. Somos nós que abandonamos as pessoas, e não o contrário.
     Essa solidão que sentimos pode transformar-se, a partir de hoje mesmo, a partir de agora, numa festa, em que Deus é o personagem principal. Basta que nos ajoelhemos, agora mesmo, e peçamos perdão de nossos pecados, rezemos o ato de consagração diária (que se encontra no canto superior direito da folha) e recomecemos uma vida nova com Deus e com os irmãos, cujas luzes aos poucos vão começar a brilhar na escuridão de nossa vida.
     O deserto é fértil! É preciso receber Jesus em nosso coração para que possamos receber os irmãos e ver que não estamos sozinhos.
(Irmão Teófilo Aparecido, Eremita de Jesus Misericordioso).

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