sábado, 21 de julho de 2012

MARCOS – CAPÍTULO 2

Marcos 2,1-12: Cura de um paralítico

Os paralíticos eram afastados da vida da comunidade como os leprosos. O motivo era que o pessoal da época achava que a doença era fruto do pecado, ou seja, só ficava doente, na opinião deles, quem fosse pecador, ou fosse filho de pais pecadores.

Perdoando os pecados gratuitamente, ou seja, mesmo sem esperar que o paralítico pedisse isso, Jesus nos mostra o seu amor e o seu desejo que recomecemos o caminho do Reino de Deus, que abandonamos pelo pecado.

Como as pessoas achavam que o paralítico o era porque era pecador, achavam que se Jesus o tivesse perdoado realmente, automaticamente ele ficaria curado da paralisia. Separando as duas coisas, Jesus mostrou que a doença não tem nada a ver com o pecado (a não ser aqueles pecados que por si só nos deixam doentes, como o alcoolismo, drogas, arriscar a vida sem necessidade,acabar com as condições favoráveis da natureza por causa da ganância dos lucros, doenças advindas do próprio pecado etc, assim como as doenças psicossomáticas, geralmente provenientes do sentimento de culpa ou da necessidade inconsciente de auto-punição).

Podemos escolher: ou estar entre os quatro que lutaram para levar o paralítico a Jesus, ou instalar-se comodamente dentro de casa, como os escribas, que estavam comodamente sentados dentro da casa,alheios ao que se passava lá fora.Se não fossem os quatro, o paralítico não teria encontrado Jesus e não se teria curado, nem receberia a garantia de que seus pecados teriam sido perdoados.

Desse modo, muitas pessoas melhoram e até mudam completamente de vida quando encontram apoio e ajuda de outras. Você, eu, nós todos somos responsáveis pela mudança de vida de muitas pessoas que encontramos no caminho de nossa vida. Sobretudo o bom exemplo pode tocar o coração de muita gente. Peçamos perdão por todos os maus exemplos que praticamos no decorrer de nossa vida. Se tivermos confiança, saibamos que Deus os perdoará, se recomeçarmos uma vida nova, como o paralítico deve ter feito.

O diácono José da Cruz comenta como as pessoas que estavam na porta e dentro da casa não deram espaço para o paralítico entrar, como acontece em muitas comunidades. Veja que profundo é o artigo: 


Sexta Feira da 1ª Semana do TC 18/01/2013

Evangelho Marcos 2, 1-12  link para as leituras

            "NOSSOS PARALÍTICOS..."
Certa ocasião, quando refletíamos esse evangelho em grupo, alguém perguntou se na casa onde Jesus estava pregando, havia elevador ou coisa parecida, se olharmos o relato em si mesmo, vamos acabar fazendo outras perguntas como, “Será que eles não podiam pedir licença para passar no meio das pessoas e entrar na casa?” e mais ainda... Seria normal que as pessoas que estavam aglomeradas á entrada, quando vissem o esforço dos quatro homens, subindo na parede com o paralítico deitado em uma cama, oferecessem ajuda, buscando uma alternativa mais fácil...
O próprio Jesus, não poderia ter dado um jeito de sair para atender o paralítico, sem precisar tanto esforço de subir e ainda ter de abrir um buraco no telhado? Fazer perguntas como essas, é muito importante para a nossa reflexão, pois vamos e convenhamos, o modo que eles encontraram para colocar o paralítico á frente de Jesus, não foi o mais fácil, aliás, correu-se até o risco de um grave acidente.
Hoje em dia a gente sabe que nossos templos existentes, ou os que estão em construção, devem ter em seu projeto, a construção de rampas, para facilitar o acesso de nossos irmãos deficientes. Mas com certeza, não é este o tema do evangelista, ele está querendo dizer alguma coisa as suas comunidades e aos cristãos do nosso tempo.
Dia desses, alguém bastante estressado dizia-me que certas pessoas só atrapalham a vida da comunidade, porque são muito radicais, geniosas, incomodam a rodos, e o tempo todo só arranjam encrencas e mais encrencas, concluindo, dão muito trabalho, são sempre do contra, enfim, chatas e duras de engolir, e que sem elas, a comunidade é uma maravilha, o conselho deveria tomar providência, ou quem sabe, o padre impor a sua autoridade.
Pessoas com essas características não caminham, e ainda dificultam a vida de quem quer caminhar: pronto, já começamos a descobrir os paralíticos e paralíticas de nossas comunidades, irmãos e irmãs que não se emendam de seus defeitos, nunca mudam o seu jeito de ser, não se convertem e precisam portanto, ser acolhidas e carregadas. Há irmãos na comunidade que a gente tem prazer de encontrar, é sempre uma alegria imensa, mas há também esses, que nos perturbam, incomodam, e a gente não fica a vontade, se estão conosco em uma reunião da pastoral ou do movimento, a troca de “farpas” será inevitável...
Há no texto duas coisas que chamam a nossa atenção, primeiro o esforço desse quarteto, subir pela parede, desfazer o telhado e descer a cama com cordas. Jesus elogia-lhes a fé, parece até que fez o milagre como retribuição a tanto esforço. Eles tinham fé em Jesus Cristo, sabiam que se o levassem diante dele, seria curado, mas por outro lado, embora o texto não cite isso, a gente percebe que o amavam muito, tiveram com ele muita paciência, sei lá quantos quilômetros tiveram que andar, carregando aquela cama que deveria ser pesada, e ainda, ao deparar com a multidão aglomerada á frente da casa, poderiam ter desistido, já tinham feito a sua parte. Mas a força do amor e da fé, fez com que não desistissem, e se preciso fosse, seriam capazes de derrubar a casa.
Os quatro são uma referência para as nossas comunidades, onde muitas vezes falta-nos o amor e a fé, para carregar nossos paralíticos e superar os obstáculos, passando por cima dos preconceitos. Nas comunidades há pessoas amorosas, pacienciosas, que aceitam conviver com todos, amando-os como eles são, sem exigências, preconceitos ou radicalismo, mas há também a turma de “nariz empinado”, como aqueles doutores da lei, que não crê em um Deus que é misericórdia, e que perdoa pecados, seguem normas e preceitos, até trabalham na comunidade, mas são extremamente exigentes com os “paralíticos”, acham-se perfeitos e não aceitam a convivência com os imperfeitos.
Jesus elimina o problema pela raiz, “Filho, teus pecados te são perdoados...”, a cura física vem em segundo plano, e se a enfermidade impede que o paralítico se aproxime de Jesus, a comunidade os carrega, possibilitando que ele também faça a experiência do Deus que perdoa, ora, se houver na comunidade intolerância, preconceitos, e ranços ocultos, como é que essas pessoas poderão experimentar o amor, o perdão e a misericórdia? Os intolerantes têm sempre um olhar extremamente crítico e severo, para com os paralíticos, e não aceitam que outras pessoas tenham por eles amor e ternura, manifestada na paciência e tolerância.
Por isso Jesus ordena – levanta-te, toma o teu leito e vai para casa. Deus nunca faz as coisas pela metade, na obra da salvação, Jesus não fez simplesmente uma reforma no ser humano, mas o transforma em uma nova criatura, na graça santificante do Batismo, fazendo com que deixe de se relacionar com Deus na religião normativa, porque crê no Deus que é todo amor e misericórdia, que perdoa pecados e os liberta com a sua santa palavra, em Jesus de Nazaré.
Diácono José da Cruz
Paróquia Nossa Senhora Consolata - Votorantim SP


Marcos 2,13-14 – VOCAÇÃO DE LEVI.

Os evangelhos simplificam bastante os atos de Jesus e dos discípulos. Mateus, também chamado de Levi, com toda a certeza já tinha refletido sobre o seguir Jesus, que ele vira várias vezes por ali (dê uma olhadinha no “entrelinhas da bíblia” em relação a Zaqueu, deste blog, que é quase a mesma história). O convite que Jesus lhe fizera neste trecho,talvez fosse o decisivo para que ele O seguisse de uma vez por todas. Há muitas pessoas assim: só vão à igreja se alguém as convida. Eu sou péssimo para fazer isso, mas talvez você seja mais “cara de pau” do que eu para convidar as pessoas indecisas... Deus queira. Isso é muito necessário.

Marcos 2, 15- 17:- REFEIÇÃO COM OS PECADORES.

Participar de uma refeição com alguém significava, naquele tempo, partilhar também dos pensamentos e atitudes do outro. Isso é que irritava os escribas. Eles reconheciam a superioridade de Jesus, mas não entendiam como ele podia “misturar-se” com os pecadores. Com a frase “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes,“ Jesus quis dizer que ele estava comendo com os “pecadores” não porque concordava com os seus pecados, mas para tirá-los desse tipo de vida, para dar-lhes a plenitude de uma vida nova.

Marcos 2,18-22:- DEBATE SOBRE O JEJUM.

Os discípulos de João Batista jejuavam porque aguardavam o Messias. Os de Jesus não jejuavam porque o Messias é Ele próprio, ou seja, já chegou, já estava com eles. Essa é a idéia. Entre a ressurreição e a segunda vinda de Cristo, todos jejuaremos.

O jejum pode e deve ser feito mesmo atualmente, não com tristeza, mas com alegria, como em Mateus 6,16-19, em que Jesus manda ungir a cabeça com perfume e lavar o rosto durante o jejum, para que ninguém o perceba. Há três motivos para o jejum:

1 – economizar dinheiro para dá-lo aos pobres, que quase não comem ou comem mal.
2 – fortalecer a vontade contra os vícios e paixões.
3 – preparar o nosso coração para a oração, como o jejum da Semana Santa e o da quarta-feira de Cinzas, que nos prepara para a quaresma.

O último trecho, “vinho novo em odres novos”, menciona o fato de que o rigorismo dos judeus (odres velhos) deve mudar, pois o vinho novo (a mensagem de Jesus) precisa mentalidade nova, vida nova, odres novos, para servir de abrigo e acolhimento.

Marcos 2, 23-28 :- AS ESPIGAS ARRANCADAS

O sábado era dia de festa para os judeus, com três refeições, tomar vinho, vestir as melhores roupas, comer carne. A comunidade toda se reunia na sinagoga no sábado pela manhã (o sábado começava na sexta-feira ao pôr-do-sol), onde rezavam e depois conversavam.

No tempo de Jesus, os rabinos e os escribas complicaram muito a observância do sábado, inventando 39 ações proibidas, cada uma delas com inúmeras normas minuciosas.

Desse modo, era quase impossível chegar ao fim do sábado sem se cometer alguma infração grave. “Era proibido ajudar um doente, acender o fogo, preparar comida, dar um nó. A 39ª proibia transportar alguma coisa de um lado para outro. Os rabinos especificavam, por exemplo, que não se podia recolher um objeto do chão, que as mulheres não podeam usar seus colares e anéis (por causa do peso!) e que os homens não podiam usar calçados com pregos (idem).” (F.A. Págs. 284-285).

A opinião de Jesus a respeito do sábado é que era um dia de alegria e que as “prescrições são boas e devem ser observadas quando favorecem o homem: do contrário, perdem sua força normativa “ (idem, pág. 285). Na prática, o dia de descanso, que no nosso caso é o domingo, deve ser um dia especial de agradecimento e de louvor a Deus, um dia de alegria e de descanso, de encontro com a família e com a comunidade, de se relacionar com as pessoas. O trabalho em favor dos amigos (como cobrir a laje do vizinho, por exemplo), pode se feito, mas não deveria tomar o domingo todo e não se deveria deixar de ir à missa por esse motivo.

Nós observamos o domingo e não o sábado por dois motivos:

1 – é o primeiro dia da criação (o sábado não é o último, pois Deus continua trabalhando, criando, mantendo o mundo e tudo o que existe).
2- é o dia da Ressurreição do Senhor.
3 - os cristãos aproveitavam o descanso dos romanos do domingo, dia em que os pagãos adoravam o deus sol. Adorando o Deus verdadeiro nesse dia, eles combatiam a idolatria e o politeísmo.  

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