sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

DIANTE DO SANTÍSSIMO


(JANEIRO DE 2012

Durante uma Hora Santa, diante do sacrário, minha mente viajou um pouco até o deserto do Saara, em Tammanrasset e Assekren, onde nosso querido irmão Carlos de Foucauld fazia suas horas santas, mais santas e prolongadas que as minhas.
Jesus, o Deus Todo-poderoso e infinito, se encerrou como prisioneiso de um pedaço de pão, a hóstia consagrada. Não é mais pão, mas sim o seu Corpo, Sangue, alma e divindade. Quanta nobreza e santidade! Eu me sinto um nada diante de tanta majestade, mas assim uma dignidade que só o é por causa da sua bondade e da sua misericórdia.
Por outro lado, vejo muitos padres, nas missas, trocarem o “Deus Todo-poderoso” por “Deus misericordioso”. Entendo a boa intenção deles, mas... como eu escrevi a um padre de Aparecida que sempre faz isso, e não diz uma só vez o “Deus Todo-poderoso”, penso eu que só tem sentido Deus ser misericordioso se ele for Todo-poderoso! É porque ele é poderoso que pode ser misericordioso. Quanto mais poderosa uma pessoa é, mais tem sentido a sua misericórdia. Ninguém supera Jesus em sua humildade, justamente porque ninguém também o supera em seu poder.


Diante do sacrário, como o Irmão Carlos de Foucauld, sinto minha miséria e meu nada. Mas estou numa situação privilegiada, ao poder estar aqui diante de Jesus Eucarístico, como esses santos todos que o adoraram na Eucaristia. E só agora entendi o que Jesus disse em Marcos 10,30: ”Quem deixar (tudo)(...) por meu amor, receberá o cêntuplo nesta vida e, no século futuro, a vida eterna” . O cêntuplo que esses santos todos receberam é a paz e a ternura que sentiam emanar da Eucaristia e se irradiar em suas vidas, envolvendo-=os totalmente. Escolheram não ter família de sangue, mas onde estiveram, encontraram suas famílias espirituais.

É o que disse o Cardeal Van Thuan ao ser preso logo depois de ser ordenado bispo, no Vietnam, em que passou 13 anos na cadeia, sendo 9 de solitária, ao se ver sem todo aquele apostolado que teve de deixar: “Escolhi Deus, e não as suas obras”. Servir a Deus em qualquer lugar, sem estar preso a nada e a ninguém, esse é o “cêntuplo” prometido por Jesus, pois disso provém uma paz indescritível, seja qual for a situação do indivíduo, seja qual for a comunidade em que ele esteja inserido (ou mesmo obrigado a ficar).

Vejo tantos e tantas se lamentarem por mil e um motivos muitas vezes até fúteis, viverem sempre aborrecidos e tristes, por terem suas vidas limitadas por isto ou aquilo. Quem escolhe servir a Deus não tem nada a desejar, pois, como disse Santo Agostinho, “Quando Deus for tudo em todos não haverá mais desejos, pois Deus é tudo o que alguém pode desejar”.


Ao lado do altar diante do qual estou, há um vaso com uma folhagem que deve ter uns 40 cm de altura. Olhei para ele e, a muito custo, vi umas florezinhas bem pequenas, de um vermelho muito vivo, muito bonitas. Elas nasceram ali e talvez vão morrer sem que ninguém mais as vejam ou as tenham visto.

Pois é isso mesmo que eu vejo acontecendo com todas essas pessoas negativistas: toda uma vida floresce, e poucos tomam consciência disso. O próprio Jesus nos mostrou isso, ao contar-nos parábolas sobre o Reino de Deus, como as da semente, que cresce sem que ninguém perceba, e dá frutos e flores. Ou mesmo como o fermento que leveda, mas se perde na massa, ou ainda como o açúcar, que, para adoçar, tem que desaparecer no líquido em que é colocado.

Vejo isso acontecendo entre nós: o isolamento e o sofrimento a que a vida submete as pessoas, por doenças ou impossibilidades, podem estar escondendo flores bonitas, coloridas, vivas, regadas pelo próprio Deus, com suas generosas graças. São pessoas às vezes destruídas física e espiritualmente, sofridas, mas frequentemente o são por causa dos vícios, pecados, egoísmo, vaidade, prepotência, ambição exagerada, orgulho... É preciso uma purificação, como diz Hebreus 12, 10, a fim de que “Deus possa nos infundir sua santidade” .


Este instante de deserto, diante do Santíssimo, é muito fértil! Estes momentos de união com Jesus Eucarístico alimentam minha vida de modo surpreendente. Vejo que isso ocorreu, com muitos mais frutos, com os santos, como o Irmão Carlos, Irmãzinha Madalena, Santa Catarina de Sena, Sta. Teresa de Ávila, Sta. Teresinha, S. João da Cruz, S. João Maria Vianney, Pe. René Voillaume, Dom Helder, Irmã Doroty... e, neste instante, eu me uno, pequenino e imperfeito, a todos eles. Meu quarto, neste instante, mesmo rodeado de ruídos, é o Assekren do Ir. Carlos. Como Eremita de Jesus Misericordioso, saboreio o silêncio do meu coração e o de Jesus, à minha frente.

Maria, cuja imagem está ao lado da Eucaristia à minha frente, faz-me lembrar que ela foi o primeiro sacrário, o sacrário vivo de Deus na terra. E sinto um tremor de emoção. Lembro-me da Irmã Ildefonsa (IMC), nas missas em latim, dizer, em português, na hora da consagração, algo parecido com isto, comporto pelo Dom Henrique Golland Trindade: “A consagração. Grande silêncio, recolhimento profundo. Momento soleníssimo, santamente terrível, em que tremem os anjos e todos os que têm fé. O Deus vivo, santo e justo, diante de nós. Adoremo-lo, e digamos, como o Apóstolo (Tomé), antes incrédulo, olhando para a hóstia e para o cálice: 'Meu Senhor e meu Deus' – é o corpo e o sangue de N. Sr. Jesus Cristo”.

A irradiação da Eucaristia, como dizia o Pe. Teillard de Chardin (veja texto neste blog), é uma realidade inquestionável (pelo menos para nós, católicos). Da hóstia em que se encerra, Jesus se irradia em todo o redor, e aglutina tudo a si. Como Jesus disse a Santo Agostinho, “ao me receberes, não sou eu que me transformo em tua carne, mas és tu que te transformas em mim”. 

30/10/16- OUTRO DIA DE ADORAÇÃO
Estar diante do sacrário, diante do Santíssimo, é como estar no céu, diante de Deus. O próprio Jesus está ali, à nossa frente, ouvindo-nos e falando conosco.
A vantagem é que nós não precisamos deixar de lado nosso dia-a-dia, o “mundo”, mas podemos trazer tudo o que estamos vivendo e coloca-lo diante do Senhor.
Ele é homem como nós, de Deus como o Pai e o Espírito Santo, e intercede por nós diante de Si mesmo, pois é 100% Deus. É o homem sentindo nossas queixas humanas, mas acolhendo-as como Deus que é.
Hoje é domingo. Tive um dia cheio, muitas conversas, muitas distrações. São 18 horas e estou terminando a minha Hora Santa diária. Coloquei tudo o que vivi hoje diante de Jesus, pena que de modo imperfeito, às vezes com cochilos e distrações involuntárias, mas com resultado incrível de paz e de harmonia internas. Eu rezei também por você, leitor (a).
A contemplação não é uma ilusão, mas uma veraz realidade, maravilhosa, que nos une amorosamente com nosso Salvador e Redentor.
Quando eu era jovenzinho, durante as missas em latim, eu lia a tradução em português e o povo repetia. Até agora sei de cor o que eu lia na hora da Consagração, num livrinho de Dom Henrique Golland Trindade, de Botucatu, no livrinho “sigamos a missa”. Era mais ou menos assim:
“A consagração. Grande silêncio, recolhimento profundo. É o momento soleníssimo! O momento santamente terrível, em que tremem os anjos e os homens de fé. O Deus vivo, o Deus santo e justo desce tão perto de nós. Adoremo-lo, e digamos, como o  apóstolo, antes incrédulo, olhando para a hóstia e para o cálice: “Meu Senhor e meu Deus!”. É o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo”!
Eu não sei o que seria de mim se não fosse a Eucaristia. É Jesus Eucarístico que tem-me dado forças e coragem para vencer tudo o que eu tenho passado na vida. Quem me conhece sabe do que estou falando.
Aqui eu estou simplesmente repassando para vocês o que tenho sentido e vivido todos esses anos de minha velhice: estar com Jesus Eucarístico é estar no paraíso, é fortalecer-se, irmanar-se, é perceber o quanto Deus nos ama.
E, diante do sacrário, dentro de uma harmonia maravilhosa, sinto também a presença viva de Maria, que nunca deixa Jesus, e do meu anjo da guarda, o Ambrósio.


Não sei mais o que dizer para explicar essa maravilha. Só lhes digo uma coisa: estar diante do sacrário é o paraíso. 

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