quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A MANSIDÃO





Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra” (Mt 5,5).

Ser “manso” de coração não significa ser alienado, indiferente, mas sim, aprender a resolver todos os problemas e discrepâncias sem perder a calma, a confiança, na presença de Deus. Mesmo se uma pessoa estiver certa, perde a razão se estiver irritada. “A melhor forma de ganhar uma discussão é ficar calada”, (Dizia uma irmã de uma congregação religiosa). “No dia seguinte, com mais calma, o problema se resolverá com maior facilidade”.

Gosto muito do trecho da poesia de Santa Teresa de Ávila que vocês já conhecem: “Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”

Ser manso de coração significa também ouvir o outro com paciência, sem pressa,sem ficar olhando para o relógio. Se não puder ouvi-lo ali, combine com ele um horário e se disponha!


Disse D. Valfredo Tepe, num de seus últimos livros antes dele morrer, “Antropologia Cristã”, que Gandhi escreveu no “Bhagavadgita” sobre a mansidão (cf. Pág. 292-293):-

O que é um carma iogue? ( um seguidor dessa doutrina). É um piedoso, que não tem ciúmes de ninguém,
que é uma fonte de misericordia,
que não é egoísta,
que é desinteressado,
que considera do mesmo modo o calor e o frio,
a felicidade e a miséria,
que perdoa,
que está sempre satisfeito,
cujas resoluções são firmes,
que consagrou seu pensamento e sua alma a Deus,
que não triunfa,
que não se aflige,
que não teme,
que é puro,
que é hábil na ação mas fica insensível a esta ação,
que renuncia a todos os frutos bons e maus de suas atividades,
que trata do mesmo modo os seus amigos e os seus adversários,
que fica indiferente ao respeito e à irreverência,
que não se infla com o louvor,
que não sucumbe quando se fala mal de sua pessoa,
que gosta do silêncio e da solidão,
que possui uma razão disciplinada!.

Quanto a Jesus, D. Valfredo comenta (pág. 318): “Jesus humilhou-se e não se irritou com as deficiências da existência humana. Tampouco deixou-se provocar para a irritação pelos homens ou pelos acontecimentos, Por sua vida mostrou o que proclamou no sermão da montanha: “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” Mt 5,5)(como também disse; “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. (Mt 11,29)”

(Pág 319) “Jesus quer-nos ensinar que não precisamos ser petecas de nossa tendências agressivas numa espiral interminável de violências: afrontas-revides; agressão-violência”(...) “A ternura é a grande aliada do espírito para frear a agressividade reativa” (...) “Cultivar a ternura é estar espiritualmente de alerta contra possíveis irritações” (...) “ E se cultivo a ternura, amo também o próximo; pois minha não-reação, contrariando a sua expectativa de uma briga, o deixa perplexo e o leva a se desarmar, por sua parte. Quando um não quer, dois não brigam, diz o povo”.

(pág. 323). Entretanto, “Mansidão não é fraqueza, pachorra, timidez, mas é firmeza, não -violenta, que sofre, talvez longamente, mas afinal consegue desarmar o inimigo, libertando-se da opressão e libertando também a ele da escravidão ao paradigma da violência reativa”.

Enfim é manso de coração quem tem humildade para confiar a Deus seu futuro, arrepender-se dos pecados feitos no passado e viver com serenidade e alegria o seu Hoje.

                          

Quanto ao viver o dia de HOJE, Santa Faustina Kowalska, juntamente com tantos outros santos, procuraram viver o tempo presente, o hoje, deixando nas mãos de Deus o futuro; confiar em seu perdão pelos pecados do passado e largar-se em suas mãos para viver plenamente o dia de hoje. “O futuro, a Deus pertence; o passado, confiamos à sua misericórdia. Só nos resta o tempo presente. Este, sim, nos pertence plenamente”.

Só vive bem e intensamente o tempo presente, o dia de Hoje, quem se abandonar à Divina Providência e nada temer, porque sabe que Deus nunca irá permitir que alguma atitude errônea nos prejudique: se nos ligarmos a Ele, Ele não nos abandonará, nada nos faltará, nem o que é necessário, para vivermos: “Nada me faltará se me conduzires” (Salmo 23).

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