sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A ORAÇÃO

 



                     A – A NECESSIDADE DA ORAÇÃO

      A oração é a coisa mais importante que existe! Sem ela, não há como comunicarmos com Deus e não alimentamos nossa espiritualidade, nossa vida eterna, não adquirimos a força, o ânimo e a alegria de viver, não nos tornamos santos, não ajudamos as pessoas que precisam de nossa intercessão. Sem ela, nosso alimento espiritual, a vida perde o sentido e torna-se mais difícil de ser vivida. Ela renova as nossas forças para enfrentarmos as dificuldades não só de nossa vida normal, mas também de nossa vida cristã. Sem a graça de Deus, nada conseguiremos fzer e não poderemos nos salvar. 
     É por meio da oração que pedimos a intervenção de Deus em nossa vida e lhe dizemos “sim” à obra da Salvação. É pela oração que lhe pedimos perdão e lhe dizemos que perdoamos aos que nos ofenderam, a nos humilharmos diante dele, e abrimos as portas do coração, como pede o Apocalipse 3.20:
     
     Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”.

     Abrir a porta a Deus é, antes de tudo, abri-la aos pobres e necessitados, aos doentes e oprimidos. Por outro lado, sem ela, nunca teremos ânimo nem desejo de fazer o bem a quem quer que seja. Abrir a porta a Jesus, pela oração, é, como na hemodiálise, “arejar”, filtrar”, “purificar” nossa vida, nossos desejos e propósitos, é tirar-nos de nós mesmos, do egoismo, e nos colocarmos à disposição dos outros e do que quer Jesus nos fazer.
     Rezar é como ligar a TV na tomada, ou ligar o ferro de passar roupa, ou como colocar gasolina no carro, ou como instalar a bateria para dar-lhe a partida. “Sem a oração viramos bichos!” - diz com humor o bispo D. Angélico S. Bernardino. Também como dizia sempre o pároco de minha infância: “ Quem não reza para dormir, dorme burro e levanta cavalo!”.
     A oração está para nós e Deus como a conversa para dois amigos. A oração é a “conversa” entre nós e Deus.
“ Para Deus tudo é possível” (Mt 19,26); “Para Deus nada é impossível” (Lc 1,37); “ Se tiverdes fé (...) nada vos será impossível” (Mt 17,20). Tomamos “posse” do Reino de Deus e dessa graça maravilhosa que ele está sempre disposto a nos dar, pela oração.

         

No silêncio interior nós ficamos sabendo quem realmente somos. Deserto do Saara, Assekren, onde o Beato Carlos de Foucauld morava por vários meses, quando queria fazer retiro.

  B – CONHECER-SE E ACEITAR-SE

     É preciso muito humildemente conhecermos os próprios desvios, fraquezas, problemas, limites, vícios, manias, fraquezas, preguiça, vaidade, prepotência, mentiras, orgulho etc, e aceitar tudo isso para em seguida vencer-se.
     As pessoas que tentam enganar-se a si mesmas, fazendo de conta que não têm este ou aquele problema, entrarão em “parafuso” e num sistema de recalque que as levarão cada vez mais ao abismo e aos erros. Nós somos o que somos diante de Deus, e nada mais. 

     Diz João 8,32: “A verdade vos libertará!” Dt 32,4:(...) (Deus é) Deus de lealdade e não de falsidade!” Apocalipse 15,3: “(...) Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações!” Isaías 11,5 : “ A justiça será o cinto de seus quadris e a fidelidade (=a verdade) o cinto de seus rins.” Zacarias 8,16: “Estas são as coisas que deveis fazer: falai a verdade uns com os outros” Efésios 4,25: “ Por isso renunciai à mentira. Cada um diga a verdade ao próximo.” João 14,6: “ Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!”.

     Nosso passado já não existe, mas permanece em nossa memória. Mesmo que tenhamos nos arrependido de nossos pecados, de nosso passado, não há como ignorá-lo! Desse modo, aceitá-lo e recomeçar uma vida nova a partir de agora, é a atitude mais inteligente eprodutiva que podemos tomar. Mas cuidado! Aceitar-se não é permanecer no erro e forçar os demais a nos aceitarem como somos! É preciso vencer-se!
     Na oração, coloque o seu passado nas mãos de Deus, peça perdão de tudo o que O desagradou e peça-lhe força, coragem e condições de retomar sua vida de um modo diferente, sem pecados. Deus nos ajuda, mas não nos substitui!
      Se algum pecado já perdoado lhe vier à mente, diga a você mesmo que já foi perdoado(a) disso, que não quer mais praticar nada que ofenda a Deus ou que não seja permitido. Se for algum pecado de que até então você não tomara consciência, diga-lhe isso, peça-lhe perdão, proponha confessar-se logo que puder.
     Aproveite e agradeça a Deus pelo perdão recebido, pelas graças recebidas e peça-lhe que o (a) ajude a vencer as tentações e provações. Diz Romanos 11,29: “Os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento!”
     Nós somos o resumo de tudo o que fizermos na vida. Ignorar o que somos, ou mentir para ganharmos a simpatia dos outros, só nos vai trazer aborrecimentos. Nunca minta dizendo aos outros o que você não é. Tudo o que você não puder dizer, simplesmente diga que não pode falar sobre o assunto, ou coisa parecida, mas não minta. Exemplo: se você só viu o mar pela TV, e alguém lhe perguntar se você já foi ao mar, diga a verdade! Não há nada de vergonhoso admitir que nunca foi à praia.
     Da mesma forma, se você for pobre,nunca minta dizendo que é rico (a). Seja sincero (a), e muitos gostarão de você como você é, e você estará sempre preparado (a) para a oração. Aceite-se!

    

                   C – A ORAÇÃO

     PRIMEIRA ETAPA: ESCOLHER UMA BOA POSIÇÃO

     Escolha uma posição confortável para a oração. Quando sozinhos, podemos ficar em qualquer posição, desde que seja digna e com postura adequada. Quando em comunidade, devemos seguir as rubricas orientadoras (sentados, em pé, de joelhos).
     Não se obrigue a ficar de joelhos em todo o tempo da oração, para não prejudicá-la. Quando conversamos com um amigo, de que modo ficamos? Pois a oração é a conversa com o único que é realmente nosso amigo, Jesus Cristo-Deus. O importante é sentir-se bem e confortável nesse encontro com Ele. As orações individuais podem ser mentais ou vocais, a seu gosto, e também a contemplação.

              SEGUNDA ETAPA: FAZER SILÊNCIO

     Se o silêncio não for possível exteriormente, ao menos o silêncio interior, como fez Jesus várias vezes, sendo uma dessas vezes contada por Lucas 9,18: Ele se isolou dos discípulos e da multidão apenas mentalmente, pois continuara no meio do barulho que eles faziam: “E aconteceu que, estado ele só, orando, estavam com ele os seus discípulos”.
     Deus nos fala no silêncio e na calma. Veja a esse respeito o artigo do Dom Edson Damian, clicando no assunto “Deserto”, no índice. Dizia São Francisco de Salles, no século 16, que os homens se entopem de barulho para não ouvirem a voz de seus corações.. Em Oséias 2,16: “Vou levá-ao deserto e aí lhe falarei ao coração.”
     Ficar sempre procurando o barulho é uma forma de nunca se ouvir nem ouvir a Deus; é uma fuga dos próprios problemas, é uma forma de não aceitá-los para enfrentá-los. Não tema o silêncio! Com a simplicidade e a pobreza de uma vida humilde e sincera, você não precisará temê-lo. Enfrente-se!

  TERCEIRA ETAPA: A ORAÇÃO PROPRIAMENTE DITA

     Aqui você reza como achar melhor. Há a oração contemplativa, a oração vocal, a oração mental, a meditação. Acho que todas elas se resumem nos passos da LEITURA ORANTE DA BÍBLIA, que explicaremos a seguir, de maneira bem simples:

     1º PASSO: LER UM TRECHO BÍBLICO :-escolha algum ou pegue um da liturgia do dia. Leia-o várias vezes para mentalizar. Se você não sabe qual é, procure no site da CNBB:

     2º PASSO: MEDITAR ESSE TRECHO BÍBLICO.

     3º PASSO: ORAR SOBRE O QUE SE MEDITOU;

     4º PASSO: CONTEMPLAR JESUS, TENDO O TEXTO E A ORAÇÃO COMO BASES.

     5º PASSO: LIGAR A PALAVRA COM A PRÁTICA DA VIDA.

     Abaixo você pode ver uma outra forma de se fazer a Leitura Orante da Bíblia, com a ordem dos passos um pouco diferente da que eu coloquei:


     Se você quiser ver a Leitura Orante da Bíblia de modo mais completo e bem explicado, clique neste site abaixo. É muito bom e bonito, da CNBB:


                        OUTRAS ORAÇÕES
     Você pode também rezar os salmos (veja o site da liturgia das horas, aí ao lado direito), as orações propostas no índice (basta clicar), ou mesmo fazer orações próprias, colocando diante de Deus o que lhe vai ao coração.
    Uma coisa importante é ser espontâneo em nossas orações. Como diziam o Pe. Carlos de Foucauld : "Rezar é olhar para Jesus, amando-o!"e o Cura D'Ars, S. João M. Vianney:  " Orar é olhar para Jesus sabendo que ele está olhando para você! "
     Não há oração poderosa, como se diz por aí. Toda oração pode ser ouvida, se Deus assim o quiser, se for feita com sinceridade de coração e se você estiver precisando daquela graça, ou seja, se essa graça for realmente útil para você.
     Muito cuidado, também, para não "determinarmos" a graça de Deus. Isso é muito perigoso! Diz S. Tiago, 4,15:
"Devemos falar: Se Deus quiser, viveremos ou faremos isto ou aquilo"
    Reze com confiança e deixe tudo nas mãos de Deus. Limite-se a pedir e fazer tudo o que estiver ao seu alcance. O conceder ou não a graça depende a vontade dele.
      Em Lucas 18,9-14 Jesus atende ao publicano por ter sido humilde em sua oração, mas não atende ao fariseu, por seu orgulho. Em Mateus 6,7, Jesus criticou a oração dos pagãos, que achavam ser atendidos pelo muito pedir. Como explicar, então, o Rosário, que parece ser uma repetição?
    Na verdade, essa repetição é como um “mantra”, uma música de fundo, que forma como que o cenário para a oração princiapl, que é a meditação dos mistérios do rosário. Enquanto você reza as Ave-marias, seu espírito se une a Deus pela contemplação dos mistérios abordados.
    Não se trata, portanto, de uma “vã repetição”, como poderíamos pensar. Aliás, o rosário desacompanhado das meditações dos mistérios não tem muito sentido, diz o falecido papa João Paulo II.
    Outra coisa é o modo de dar “receitas” de como rezar para obrigar Deus a nos atender. Isso é uma loucura! Já dizia o livro da Sabedoria 1,1-2: “ Pensai no Senhor com retidão, procurai-o com simplicidade de coração, porque Ele se deixa encontrar pelos que não o tentam”.
    Ora, uma faz formas de “tentar” a Deus é exigir que ele nos atenda, e do nosso modo. Coloquemo-nos nas mãos de Deus, e ele saberá do que realmente precisamos para viver e como viver, a fim de irmos para o céu após nossa morte. Diz Jesus em Mateus 7,9-11: 
     “Quem de vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir um pão? Ou lhe dará uma cobra, se ele lhe pedir um peixe? Ora, se vós que sois maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem!”
     Pode ser, porém, que estamos na verdade pedindo a pedra, a cobra, em vez do pão ou do peixe. Só Deus sabe o que é melhor para nós! Devemos pensar não tanto nas coisas materiais, desta vida, mas na vida eterna!
     Sobre a insistência na oração, Santo Agostinho diz que Deus sabe muito bem do que precisamos, mas quer que lhe peçamos muitas vezes para assumirmos aquilo que pedimos e nos conscientizemos da importância daquilo em nossas vidas.
     Se o pai der a bike ao filho logo que ele lhe pedir, este não lhe dará o devido valor. Entretanto, se lhe prometer que lha dará no final do ano, caso ele tire notas boas, por exemplo, na certa o filho vai ansiar receber o presente, vai estudar bastante e animar seu coração para utilizar bem a bike, quando recebê-la.
    Assim é nossa oração: a demora provocará uma atenção maior ao pedido que fizemos e daremos mais valor à graça de Deus quando a recebermos. Muitas vezes eu agradeço a Deus por não ter atendido alguns de meus pedidos no passado! Decerto, agora eu estaria arrependido. Ainda bem que Deus não me atendeu!
    Quanto à oração comunitária, quando não der tempo ou certo de ir à missa, como por exemplo, quando tiramos férias num ambiente onde não haja possibilidade, não fique sem a celebração! Consiga pelo menos mais uma pessoa e façam uma leitura bíblica, comentem o que leram, façam uma oração em comum, e você estará não só agradando a Deus, mas também cumprindo o mandamento da Igreja que pede que participemos das missas aos domingos. Diz Mateus 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, aí eu estarei”.
    A oração nos prepara para a provação, como diz Eclesiástico 2,1: “Filho, se aspiras a servir ao Senhor, prepara a tua alma para a provação!”
    Orar é como lançar nossas raizes na corrente de água fresca (Salmo 1 e Jeremias 17,8), água fresca essa do amor de Deus. Nunca sentiremos o rigor da solidão, pois sempre sentiremos a presença de Deus. Sem a oração, nossa casa ficará deserta, pois não atenderemos Jesus, que quis reunir-nos “ Como a galinha reune os pintinhos debaixo de suas asas” ( Mateus 23,37-38).
    “Vossa casa ficará deserta!” Que palavras terríveis! Imaginemo-nos sozinhos num deserto! Assim será a nossa vida sem a oração! A oração é como a água fresca, as frutas geladinhas, o alimento saudável que matam nossa sede e nossa fome do amor de deus!
    Sempre imaginei o inferno como um terrível, árido quente e dolorido deserto, em que não veremos ninguém e nada! Assim será a nossa vida sem a oração.
   
   “Ó Deus (...) a ti procuro, de ti tem sede minha alma! Minha carne por ti anseia como a terra ressequida, sedenta, sem água!” (do Salmo 62/63).

O que fala Santo Agostinho sobre a oração constante? Por que rezar constantemente? Deus precisa disso? Veja a seguir o que ele diz. Tiramos o trecho do site da Liturgia das Horas, que você encontra na nossa lista de blogs, à direita da página.




Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo

(Ep.130,8.15.17-9,18: CSEL 44,56-57.59-60)

(Séc.V)

Na oração exercita-se a nossa vontade
Por que nos dispersamos entre muitas coisas e, temendo rezar de modo pouco conveniente,
indagamos o que pedir, em vez de dizer com o salmo: Uma só coisa pedi ao Senhor, a ela
busco: habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para contemplar as delícias
do Senhor e visitar seu templo? (Sl 26,4). Pois ali os dias não vêm e vão, o fim de um não é
o princípio de outro. Todos ao mesmo tempo não têm fim, ali onde nem a própria vida, a
que pertencem estes dias, tem fim.

Para alcançarmos esta vida feliz, a verdadeira Vida nos ensinou a orar. Não com
multiplicidade de palavras, como se quanto mais loquazes fôssemos, mais nos atenderia.
Mas rogamos àquele que conhece, conforme suas mesmas palavras, aquilo que nos é
necessário, antes mesmo de lhe pedirmos (cf. Mt 6,7-8).

Pode alguém estranhar por que motivo assim dispôs quem já de antemão conhece nossa
necessidade. Temos de entender que o intuito de nosso Senhor e Deus não é ser informado
sobre nossa vontade, que não pode ignorar. Mas despertar pelas orações nosso desejo, o que
nos tornará capazes de conter aquilo que se prepara para nos dar. Iso é imensamente
grande, mas nós somos pequenos e estreitos demais para recebê-lo. Por isto, nos é dito:
Dilatai-vos; não aceiteis levar o jugo com os infiéis (2Cor 6,13-14).

Isso é tão imensamente grande que os olhos não o viram, porque não é cor; nem os ouvidos
ouviram, porque não é som; nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9), já que o
coração do homem deve subir para lá. Iso nós o recebemos com tanto maior capacidade
quanto mais fielmente cremos, com mais firmeza esperamos, mais ardentemente
desejamos.

Por conseguinte, nesta fé, esperança e caridade, sempre oramos pelo desejo incessante.
Contudo, em certas horas e tempos também rezamos a Deus com palavras, para nos exortar
a nós mesmos, mediante seus símbolos, e avaliar nosso progresso neste desejo e a nos
estimular com maior veemência a aumentá-lo. Pois tanto mais digno resultará o efeito,
quanto mais fervoroso preceder o afeto.

É também por isso que diz o Apóstolo: Orai sem cessar! (1Ts 5,17). O que isso pode
significar a não ser: desejai sem cessar a vida feliz, a eterna, e nenhuma outra, recebida
daquele que é o único que a pode dar?

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir
de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito
Santo.


 
A ORAÇÃO DE JESUS

São João Crisóstomo (Anais 4,5) diz? Nada se compara em valor à oração; ela torna possível o que é impossível e fácil o que é difícil. É impossível que caia em pecado a pessoa que reza”.
Orígenes diz: “Ora sem cessar aquele que une a oração às obras e as obras à oração. Somente dessa forma podemos considerar como realizável o princípio de orar sem cessar (de S. Paulo Apóstolo).”
      Aqui você tem citações bíblicas das muitas vezes que Jesus orava no seu dia a dia. Eu a tirei da Bíblia de Jerusalém, na nota G, de Mateus 14,23. Se você possui essa bíblia, pode ver nela as citações.

JESUS OROU: (Mateus=Mt; Marcos=Mc; Lucas Lc; João = Jo)

     NA SOLIDÃO OU À NOITE: Mateus 14,23; Marcos 1,35; Lucas 5,16
   
    ÁS REFEIÇÕES: Mt 14,19; 15,36; 26,26-27
   
    EM OCASIÕES IMPORTANTES:

no batismo: Lc 3,21;
antes da escolha dos doze: Mt 6,5
antes da confissão de Cesaréia: Lc 9,18
na transfiguração: Lc 9,28-29
no Getsêmani: Mt 26,36-44
na cruz: Mt 27,46; Lc 23,46
pelos seus carrascos:Lc 23,34;
por Pedro: Lc 22,32
pelos discípulos da época dele e os do futuro (=nós): Jo 17,9-24
por si mesmo: Mt 26,39; Jo 17,1-5; Hb 5,7

     ESSAS ORAÇÕES MOSTRAM E MANIFESTAM:

a intimidade constante com o Pai: Mt 11,25-27
o Pai nunca o deixa só: Jo 8,29
o Pai o atende sempre: Jo 11,22.42; confira Mt 11,25-27
por seu exemplo, bem como pelo seu ensinamento, jesus inculcou aos discípulos a necessidade e a maneira de orar: Mt 6,5 ss
agora, na glória, continua a interceder por nós: Romanos 8,34;Hebreus 7,25; 1ª Jo 2,1, como prometera em Jo 14,16;

     AS ORAÇÕES DE SÃO PAULO APÓSTOLO

Romanos (Rm); Efésios (Ef); Filipenses (Fil); Colossenses (Col); Primeira e segunda cartas aos Tessalonicenses (1Ts e 2Ts); Primeira e segunda cartas a Timóteo (1Tm e 2Tm); Primeira e segunda carta aos Coríntios (1Cor e 2Cor); Filemon (Fm); Gálatas (Gal); Hebreus (Hb)
Ver em Romanos 8,27, nota C, da Bíblia de Jerusalém.
    
Orar sem cessar; Rm 12,12; Ef 6,18; Fil 4,6; Col 4,2; 1Ts 5,17; 1Tm 2,8; 5,5; 1Cor 7,5

Paulo reza sem descanso pelos seus fiéis: Ef 1,16; Fil 1,4; Col 1, 3.9; 1Ts1,2; 3,10; 2Ts 1,11; Fm 4;

Pede que rezem por ele: Rm 15,30; 2Cor1,11; Ef 6,19; Fil 1,19; Col 4,3; 1Ts 5,25; 2Ts 3,1; Fm 22; Hb 13,18;

Pede que rezem uns pelos outros: 2Cor 9,14; Ef 6,18;

A respeito da oração pelos irmãos pecadores e doentes: Confira 1Jo 5,16; Tg 13-16

Pelo progresso espiritual e afastamento dos obstáculos exteriores: 1Ts 2,18; 3,10; Rm 1,10 e interiores; 2cOR 12,8-9

Pelo bem da ordem social: 1Tm 2,1-2

Oração de Ação de Graças: 2Cor 1,11; Ef 5,4; Fil 4,6; Col 2,7; Col 4,2; 1Ts 5,18; 1Tm 2,1

Essa oração de A.G. deve acompanhar toda ação: Ef 5,20; Col 3,17

Às refeições: Rm 14,6; 1Cor 10,31; 1Tm 4,3-5;

Inicia por ela todas as cartas: Rm1,8; 1Cor 14,17; 2Cor 1,11; 4,15; 2Cor 9,11-12

Com cânticos inspirados que edifiquem: Ef 5,19; Col 3,16

Na oração Eucarística e de louvor que são as almas das Assembléias Litúrgicas; 1Cor 11,14

Eficácia da oração pela presença do Espírito de Cristo no Cristão, que o faz orar como filho: Rm 8,15.26-27; Gal 4,6; Ef 6,18; Judas 20

Cristo, à direita do Pai, intercede por nós: Rm 8,34; Hb 7,15; 1Jo 2,1;

O Pai atende com superabundância: Ef 3,20

Os cristão são os que invocam o nome de Jesus Cristo: 1Cor 1,2; confira: Rm 10,9-13; 2Tm 2,22; Tg 2,7; Atos 2,21+; cap.9,14.21; cap.22,16

Com relação à atitude exterior da oração: 1Cor11,4-16; 1Tm 2,8


A ORAÇÃO VERDADEIRA
1º de março de 2012- do Pe. Fernando Cardoso


Os textos bíblicos são escolhidos a dedo neste tempo da Quaresma, que é tempo favorável à conversão. Hoje, em Mateus, escutamos um Evangelho extremamente consolador, pelo menos à primeira vista. “Batei e a porta vos será aberta; pedi e recebereis; procurai e encontrareis.”


Quem não conhece este texto? Quem nunca fez a experiência na própria vida deste texto? Quem nunca o observou? Nós nos comportamos diante de Deus como mendigos e, diariamente, Lhe batemos às portas.


Permitam-me, no entanto, relatar um fato que presenciei no final do ano passado, quando me encontrava em Tel Aviv, Israel, e me preparava para voar para Roma.


Estava no aeroporto, o avião estava um pouco atrasado e havia um grupo de brasileiros e brasileiras, cristãos mas não católicos, cristãos protestantes e de seitas pentecostais. Eu escutava a conversa daquelas pessoas com o pastor.


À pergunta: que graça receberam na Terra Santa? Uma afirmou que havia desaparecido sua artrose, uma segunda afirmou que havia desaparecido sua enxaqueca, uma terceira disse que não sentia mais dores nas costas, um quarto afirmou que conseguia dormir melhor e eu, comigo mesmo, pensava: “mas que pobreza, essa gente atravessou o Ocidente, e veio até aqui para receber esse tipo de graça?”


Ninguém ali, longinquamente, disse ter recebido a graça de entrar vivamente nos padecimentos de Cristo; ninguém disse ter recebido a graça da compaixão, isto é, de compadecer-se com Cristo; ninguém disse ter recebido a graça de entrar, com Cristo, no mistério Pascal de Sua morte, para viver, na esperança, a glória da Ressurreição. Ninguém recebeu estas graças, e eu dizia comigo mesmo: “que pobreza!”


Deus quer dar muito mais, mas essa gente, ao que tudo indicava, contentava-se com bem pouco; apenas isto que acabo de dizer, a modo de exemplo.


Provavelmente, não sendo pessoas católicas, não são pessoas que estão me ouvindo neste momento. Porém, se houver uma ou outra, que isto sirva de reflexão e exame de consciência pessoal.


Deus quer dar sempre mais, e nós teimamos em pedir e nos contentar sempre com menos. É verdade, já fizemos a experiência de ter pedido e não ter recebido, e isto porque nós devemos apresentar nossas súplicas a Deus, mas deixar a solução para Ele. Não fica bem, e não é rezar com as devidas disposições, apresentar com uma mão a necessidade, a tragédia ou o pedido, e com a outra mão apresentar a solução também. Aqui vai o meu pedido, aqui vai a minha súplica, e esta é a minha solução. Isto não é rezar como convém; isto não é rezar com reverência.


Devemos deixar a Deus, para o momento e forma como ele desejar, responder a nós. Mas tenhamos isto diante dos olhos: Ele quer dar muito mais, e por isso mesmo nos sintonizaremos melhor com Ele, se Lhe pedirmos o Espírito Santo. Não há nenhum dom superior, ou melhor, ou mais excelente, que o Espírito Santo.


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