sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A HIPOCRISIA E A INVEJA

  

E Jesus olhou para Natanael e disse: “Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo” (engano, fraude. Ver João 1,47). Jesus amava a sinceridade. Vivia pregando contra as autoridades do tempo por serem hipócritas, fingidos, embusteiros, enganadores Em Mateus 15,7-8 ele diz “Hipócritas! O profeta Isaías profetizou bem a vosso respeito: 'Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim”.
       A hipocrisia é algo medonho, assustador, mas que infelizmente está presente em todas as classes sociais e mesmo nas religiões cristãs, não apenas no antigo judaísmo.
Nós nos deparamos diariamente com pessoas sendo desmascaradas e mostrando o seu lado oculto, oculto pelo menos para a maioria das pessoas.
         Eu, que escrevo estas palavras, terei sido hipócrita algum dia? Acho que sim. Tanto assim, que procurei algum artigo na Internet para copiá-lo aqui, a fim de não ter que falar sobre algo desse tipo. Pasmem vocês, que não encontrei. Só encontrei temas particulares, como a hipocrisia nesta doutrina ou naquela entidade. Não encontrei nada sobre a hipocrisia interna, de cada um de nós.
       Começando, por exemplo, com o bom dia que você dá diariamente. É um “bom dia “ sincero? Quando você pergunta à pessoa à sua frente (às vezes não deu tempo de você evitá-la) “Como vai?” , você está realmente querendo saber como ela vai? Se a pessoa parar e começar a dizer como realmente vai, ou seja, que está doendo aqui, ali, o que você faz? Imediatamente inventa alguma coisa urgente para fazer: “Olhe, eu estou com pressa, e prometo que amanhã a gente conversa!”.
      Quando sua esposa pergunta se você gostou da comida, o que você diz? A verdade? Mas... será que ela está querendo ouvir a verdade? E se você disser a verdade, será que ela vai aceitar?
     Quando você recebe um presente, e não gostou, diz que não gostou?
     Num filme a mãe recebe da filha um cortador-de-uva-da-parreira e pergunta à filha para que servia aquilo. Quando a filha lhe disse, a mãe lhe falou, com um ar pesaroso e ao mesmo tempo irônico: “Filha, que presente legal ! Como é que eu consegui ficar sem isto a vida toda?”
       Estamos o tempo todo fingindo, usando nossas máscaras.   Quanto mais digno e alto é o cargo de uma pessoa, mais hipocrisia ela tem de usar em seu relacionamento, para manter as aparências de dignidade.
Sinceridade. Que palavra bonita, mas quão pouco praticada!    
      Todos enganam a todos, de uma forma ou de outra. O pai de uma pessoa está morrendo, mas ela lhe fala sobre o passeio que farão dali a duas semanas. Fala sobre sua cura, quando o homem não tem mais fígado, nem rins, nem uma parte do estômago. Quanta falta faz a sinceridade nessa hora!
       Um amigo meu, com fama de santidade, enviou-me, dia destes, um email idiota, uma piadinha infeliz. Eu me escandalizei, embora não seja santo nem moralista. Nunca achei ouvir aquilo de sua boca. Nós não somos donos de nossa vida. Ela pertence àqueles a quem dedicamos o nosso tempo! Não temos o direito de agir de modo diferente do que os outros pensam que nós vivemos, levados justamente pelas palavras que lhes dirigimos. Se fazemos ver que somos homens e mulheres de Deus, se incentivamos os demais a serem homens e mulheres de Deus, temos também que nos esforçar para sermos, diante de Deus, homens e mulheres de Deus. Somos o que somos diante de Deus.
         Um dia vamos ser julgados no tribunal divino. Lá não haverá hipocrisia. Nossas máscaras cairão. Todos nos verão “nus e crus”. Todos nos verão como realmente somos. As pessoas que têm suas vidas devassadas maldosamente pela imprensa e TV, têm, por assim dizer, seu julgamento feito na sociedade e todos ficam sabendo das acusações, mesmo que sejam falsas. No julgamento final, ao chegar a hora deles, Jesus vai dizer: “Pule este, porque todos já conhecem até mais do que ele realmente fez”.
       Isso lhes dá uma alegria imensa! Saber que não precisam usar mais nenhuma márcara! Muitas mentiras são contadas na mídia a respeito de muitas pessoas, e isso lhes dá a paz incrível de saber que qualquer coisa que elas façam é inferior, infinitamente inferior às coisas, muitas delas puras mentiras, que disseram delas.
     Qualquer márcara que essas pessoas porventura tiverem a infelicidade de usar, nunca será superior aos crimes de que as acusaram. Talvez sejam inocentes quanto à acusação de crimes, mas, pecadores que somos, todos teremos muitos pecados pelos quais deveremos prestar contas a Deus.
      Embora sejam inocentes ou parcialmente inocentes diante da justiça, ou seja, embora não tenham cometido crime algum, ou pelo menos uma boa parte daquilo que foi apregoado pela mídia, diante de Deus ninguém é perfeito. Essas pessoas, se souberem trabalhar esse benefício, acabarão até agradecendo a Deus pelo privilégio de terem sido conhecidos como pessoas piores do que realmente são.
      A máscara enorme que lhes tiraram, talvez elas não a usassem, mas com essa máscara grande, caíram também as menores, deixando-as livres, numa paz que só os que passaram por isso entendem.
      Somos o que somos diante de Deus, nada mais. Importa é pedirmos o perdão divino pelas nossas máscaras, recomeçarmos uma vida de sinceridade e verdade, sem mentiras nem hipocrisia. Se não cometermos nenhum pecado, não precisaremos ser hipócritas, não precisaremos usar nenhuma máscara.
      
A sinceridade é o único caminho para chegarmos a Deus. É o único caminho para entrarmos em comunhão verdadeira com nossos irmãos e, juntos, continuarmos a nossa caminhada para a eternidade, devagar, mas no caminho certo, pois se corrermos, mas no caminho errado, nunca chegaremos lá (Sto Tomás de Aquino).
Na eternidade enfrentaremos o único julgamento verdadeiro, em que não haverá máscara alguma, mentira alguma. E diz o Apocalipse 21, 27: “Nada de imundo entrará na cidade celeste”.

A INVEJA- TEXTO DO PE. FERNANDO CARDOSO
19 de janeiro de 2012
Hoje o autor do Livro de Samuel toca uma tecla muito sensível para os tempos dele, e para os nossos também: a inveja. Saul matou mil, mas Davi matou dez mil. Assim cantavam, em coro, as jovens de Israel, diante da vitória de Davi sobre Golias. Mas este canto não agradou a Saul. “A mim deram-me apenas mil, enquanto a este pastorzinho lhe dão dez mil?” E, a partir daí, começa uma triste história de perseguição de Davi, por parte de Saul.
Que é a inveja? A inveja é uma patologia que nos habita, e ninguém de nós se diga imune de inveja. Quando se dá a inveja? A inveja, esta patologia que nos habita, e que normalmente não vem bem tratada, manifesta-se quando alguma pessoa de nosso conhecimento nos sobressai; quando alguma pessoa de nosso círculo é elogiada, ou elevada: “porque ele e não eu? Porque ele recebe mais do que eu? Porque ele é mais considerado do que eu?” E assim começa a inveja, que corrói o coração, e lhe retira a paz e a tranqüilidade, até se manifestar na forma de perseguição, que é o que acontecerá aqui, entre Davi e Saul.
Repito; é uma doença patológica, que se aninha em nossos corações. Não suportamos a superioridade dos outros; não suportamos o elogio que é dado aos outros, não suportamos que alguém seja mais importante do que eu. E, como conseqüência desta patologia, vem as mais diversas formas de eliminação, ou pretensão de eliminação, daquele rival.
Quem de nós nunca se tornou vítima desta doença? Quem de nós nunca sentiu inveja de alguém? Atenção; simplesmente gostar de ter uma coisa que o outro tem, não é o vício da inveja. Simplesmente gostar eu de ter um carro, ou uma casa que o outro tem, não é ainda inveja. A inveja acontece quando eu me entristeço ou, sobretudo, quando eu não tolero que ele possua, o que eu não possuo; quando eu não tolero que ele seja elogiado, e eu não. E, a partir daí, começo a olhá-lo com suspeição, ou com olhos maus, desejando, eu mesmo, a sua destruição.


Este é um pecado capital; um pecado realmente grave, que corrói o nosso interior e nos tira a paz. Examinemos a fundo, diante desta página, quantas vezes tivemos inveja, e o mal que a inveja faz a nossos corações.

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