sábado, 11 de fevereiro de 2012

JESUS, ESSE DEUS MISERICORDIOSO


     Diz Efésios 2, 4: “Deus é rico em misericórdia!”, e quer que também nós o sejamos, ajudando as pessoas, acolhendo-as, nunca desprezá-las e sempre perdoá-las. Tiago 2,1-26 nos diz que a fé, sem as obras, é morta: precisamos ajudar os pobres e necessitados, não desprezando nem humilhando a ninguém. Agindo assim, no julgamento final Deus será misericordioso também para conosco.

    É o que diz Mateus 25, 31-46, quando Jesus dá uma amostra simbólica de como será esse julgamento: o critério de sermos acolhidos ou não no paraíso será o que fizemos ou deixamos de fazer para com os outros. Diz também Tiago 2,13: “A misericórdia vence (triunfa sobre ) o julgamento”. Quer dizer: se exercermos a misericórdia, não iremos ser julgados. É bom lembrar que a misericórdia implica, também, a não julgarmos a ninguém. Veja Mateus 7,1-4 e 1ª Pedro 4, 8 “A misericórdia cobrirá a multidão dos pecados!.




 NOSSA VIDA COM ESSE DEUS DE MISERICÓRDIA

    Deus criou o mundo de tal forma que nele pudéssemos viver, pois somos a obra mais importante de sua criação. Deus nos criou para que pudéssemos morar com ele no céu e gozermos sua presença, admirarmos sua beleza, fazer-nos felizes. Para deixarmos fora nosso egoismo e aprendermos a partilhar, ele planejou tudo de tal forma que nos tornamos seus “sócios” na criação: cada vez que uma criança é concebida, Deus cria, naquele momento, uma alma imortal e ele se torna um ser humano, com direito a viver feliz no paraíso pelo resto da eternidade.

     Deus não quer obrigar-nos a estar com ele. Por isso, deu-nos o livre arbítrio, pelo qual temos a vida toda para escolhermos essa vida feliz (o paraiso) ou estarmos longe dele (o inferno). Quem morre sem ter escolhido Deus de modo pleno, mas buscou-o durante sua vida, vai para o Purgatório, até purificar-se, pois como diz o Apocalipse 21,27: “Na cidade celeste não entrará nada de imundo, nada que contamine, nada que cometa abominação e mentira”. 

        Muitas vezes parece-nos que Deus é incapaz de impedir o mal, o sofrimento. Parece-nos que ele não está “nem aí” conosco. Não é verdade! Mesmo quando ele não interfere, ele está “torcendo” por nós, para que sujperemos com heroismo e amor aquela fase triste de nossa vida.

     Ele nos deixou livres em nossa ação. Quando não impede o mal, na verdade está preservando nossa liberdade. Ele não quer ser servido por “fantoches”, mas por pessoas conscientes, de livre e espontânea vontade. Se não nos tira daquela situação, dá-nos a força e as condições para vencermos. O próprio São Paulo Apóstolo não obteve a cura de um mal que sofria: “Pedi ao Senhor por três vezes que me livrasse desse espinho na carne, mas ele apenas me respondeu: 'A ti, basta-te a minha graça', porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.' ”(2Cor 12,8-9).

     Em Hebreus 12,5-13, vemos todo um tratado de como Deus nos permite os sofrimentos como um meio de corrigir-nos e nos educarmos para a santidade. Ele nos permite os sofrime3ntos “para que possa nos infundir a sua santidade” (Hebreus 12,10). e Sabedoria 12,2: “ É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor!” Também em Apocalipse 3,19: “Euj repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te”.

     Quantas sementes há num moranguinho? E numa melancia? E num maracujá? E numa jaca? Inúmeras, abundantemente. Deus não é “pão-duro”! Ele tudo criou com abundância, para “mortal algum pôr defeitos”. O ser humano, entretanto, insiste em negar, em querer lucrar muito sobre coisas que a natureza cede gratuitamente; a cobrar muitíssimo mais do que valeu e custou o seu trabalho. Isso e outras coisas semelhantes agridem frontalmente o Senhor e criador de tuo, o verdadeiro dono de tudo o que existe!

     Todos os seres irracionais soltos na natureza recebem de Deus seu sustento (Mateus 24,45; 6,19-34). Por menou e mais ínfimo e humilde que seja, todos são conhecidos e amados por Deus. Se houvesse alguma coisa que Deus não tivesse amado, ele não a teria criado (confira em Sabedoria 11,24).

      Se Deus cuida assim dos seres irracionais, o que não fará por nós, criados à sua imagem e semelhança? (Cf. Mateus 6,19-34) Mas muitas vezes nós não levamos isso em consideração quando é a nossa vez de partilharmos! Qualquer partilha que temos de fazer nos custa muito, e é com tremendo esforço que o fazemos, e quando temos a coragem de o fazermos.

     São Basílio era de família aristocrata e partilhou tudo o que tinha, apesar de ser bispo, para viver com os pobres de seu tempo. E seguia uma regra que ele mesmo propusera: era ilícito ao cristão possuir mais do que quatro vezes o mínimo necessário.

     Se traduzíssemos isso para os dias de hoje, ele ficaria horrorizado se o visse! Quantas vezes mais do que o mínimo necessário ganha um locutor esportivo, por exemplo, alguns deles com mais de centenas de milhares de reais fixos? Ou mesmo um bom jogador de futebol? É preciso tanto para viver?

     Essa não é a sociedade pensada por Deus! Até quando Ele vai permitir isso ao mundo? Neste ano de 2011 a Campanha da Fraternidade fala sobre a destruição do planeta, que estamos “promovendo” com nossos descuidos e agressões à natureza. Essa é (ou era) a natureza criada com tanto amor e carinho por Deus, que viu “Que tudo era bom” Gênesis cap. 1). 

     Que dirá Deus ao ver um rio tão poluido como o Tietê em São Paulo, por exemplo? Ou cidades ao lado de fábricas de cimento, ou de papel celulose? O cheiro é horrível, de enxofre. Tudo em nome do progresso. Para que serve esse progresso, se isto tudo vai deixar de ser habitável daqui a pouco tempo? Seria melhor menos progresso, mas melhor qualidade de vida por mais tempo!

     Diz o Frei Carlos Mesters, no livro “Paraiso Terrestre, Saudade ou Esperança?”, que o paráiso narrado no Gênesis é um objetivo de vida, e não algo que perdemos. É um “plano” de vida para nós todos, que Deus gostaria que existisse, como Isaías 11 nos narra? O lobo vivendo com o cordeiro, a criança brincando com a serpente...

     Para que haja isso é preciso muito empenho de nossa parte, e da parte dos milionários e tantos “ários” deste mundo, a fim de que a partilha torne a todos felizes. Sobretudo, é preciso que tenhamos mais fé em Deus, mais confiança na Providência Divina, e deixemos de adorar os falsos ídolos do dinheiro, vícios, fama, vaidade exagerada etc.



O QUE O SANTO PADRE, O PAPA JOÃO PAULO II FALOU NO DIA 22 DE ABRIL SOBRE A MISERICÓRDIA DIVINA: 

Celebramos o segundo Domingo de Páscoa, que desde o ano passado, ano do Grande Jubileu, também é chamado Domingo da Divina Misericórdia. É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, queridos peregrinos e devotos provenientes de várias nações para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor. 

Domingo, 22 de abril de 2001 

"Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos" (Ap 1, 17-18). 

Ouvimos na segunda leitura, tirada do livro do Apocalipse, estas palavras confortadoras. Elas convidam-nos a dirigir o olhar para Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, até a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: "Não temas!"; morri na cruz, mas agora "vivo pelos séculos dos séculos"; "Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive". 
"O Primeiro", isto é, a fonte de cada ser e a primícia da nova criação: "O Último", o fim definitivo da história; "O que vive", a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias crucificado e ressuscitado reconhecemos os traços do Anjo imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus algozes e abre para os pecadores penitentes as portas do céu; entrevemos o rosto do Rei imortal que já tem "as chaves da Morte e do Inferno" (Ap 1, 18). 

2. "Louvai o Senhor porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor" (Sl 117, 1). Façamos nossa a exclamação do Salmista, que cantamos no Salmo responsorial: porque é eterno o amor do Senhor! Para compreendermos profundamente a verdade destas palavras, deixemo-nos conduzir pela liturgia ao centro do acontecimento da salvação, que une a morte e a ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio em que se abre em plenitude o amor do Pai que, pela nossa redenção, não se poupa nem sequer perante o sacrifício do seu Filho unigênito. Em Cristo humilhado e sofredor, crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. Também depois da ressurreição do Filho de Deus, a Cruz "fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor para com o homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia" (Dives in misericórdia, 7). Desejamos dar graças ao Senhor pelo seu amor, que é mais forte do que a morte e do que o pecado. Ele revela-se e torna-se atuante como misericórdia na nossa existência quotidiana e convida todos os homens a serem, por sua vez, "misericordiosos" como o Crucificado. Não é porventura amar a Deus e amar o próximo e até os "inimigos", seguindo o exemplo de Jesus, o programa de vida de cada batizado e de toda a Igreja? 

3. Com estes sentimentos, celebramos o segundo Domingo de Páscoa, que desde o ano passado, ano do Grande Jubileu, também é chamado "Domingo da Divina Misericórdia". É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, queridos peregrinos e devotos provenientes de várias nações para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor. A elevação às honras dos altares desta humilde Religiosa, filha da minha Terra, não significa um dom só para a Polônia, mas para a humanidade inteira. De fato, a mensagem da qual ela foi portadora constitui a resposta adequada e incisiva que Deus quis oferecer às interrogações e às expectativas dos homens deste nosso tempo, marcado por grandes tragédias. Jesus, um dia disse à Irmã Faustina: "A humanidade não encontrará paz, enquanto não tiver confiança na misericórdia divina" (Diário, pág. 132). A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade no alvorecer do terceiro milênio. 

4. O Evangelho, que há pouco foi proclamado, ajuda-nos a compreender plenamente o sentido e o valor deste dom. O evangelista João faz-nos partilhar a emoção sentida pelos Apóstolos no encontro com Cristo depois da sua ressurreição. A nossa atenção detém-se no gesto do Mestre, que transmite aos discípulos receosos e admirados a missão de serem ministros da Misericórdia divina. Ele mostra as mãos e o lado com os sinais da paixão e comunica-lhes: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21). Imediatamente a seguir, "soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus confia-lhes o dom de "perdoar os pecados", dom que brota das feridas das suas mãos, dos seus pés e sobretudo do seu lado trespassado. Dali sai uma vaga de misericórdia para toda a humanidade. Revivemos este momento com grande intensidade espiritual. Também hoje o Senhor nos mostra as suas chagas gloriosas e o seu coração, fonte ininterrupta de luz e de verdade, de amor e de perdão. 

5. O Coração de Cristo! O seu "Sagrado Coração" deu tudo aos homens: a redenção, a salvação, a santificação. Deste Coração superabundante de ternura Santa Faustina Kowalska viu sair dois raios de luz que iluminavam o mundo. "Os dois raios segundo quanto o próprio Jesus lhe disse representam o sangue e a água" (Diário, pág. 132). O sangue recorda o sacrifício do Gólgota e o mistério da Eucaristia; a água, segundo o rico simbolismo do evangelista João, faz pensar no batismo e no dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14). Através do mistério deste coração ferido, não cessa de se difundir também sobre os homens e as mulheres da nossa época o fluxo reparador do amor misericordioso de Deus. Quem aspira à felicidade autêntica e duradoura, unicamente nele pode encontrar o seu segredo. 

6. "Jesus, confio em Ti". Esta oração, querida a tantos devotos, exprime muito bem a atitude com que também nós desejamos abandonar-nos confiantes nas tuas mãos, ó Senhor, nosso único Salvador. 
Arde em Ti o desejo de seres amado, e quem se sintoniza com os sentimentos do teu coração aprende a ser construtor da nova civilização do amor. Um simples ato de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado. Maria, Mãe da Misericórdia, faz com que conservemos sempre viva esta confiança no teu Filho, nosso Redentor. Ajuda-nos também tu, Santa Faustina, que hoje recordamos com particular afeto. Juntamente contigo queremos repetir, fixando o nosso olhar frágil no rosto do divino Salvador: "Jesus, confio em Ti". Hoje e sempre. Amém !! 



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