segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O PECADO DO MUNDO E O NOSSO




Recebi um e-mail falando sobre a preocupação do papa e de muitas autoridades eclesiásticas em relação ao medo de um novo Cisma na Igreja Católica, motivado pelos últimos acontecimentos desagradáveis e, ao mesmo tempo, pela insistência sobre a ordenação sacerdotal exclusiva para homens solteiros e tantas outras coisas referentes aos divorciados e, o mais grave, à negação que muitos estão fazendo da infalibilidade do Concílio Ecumênico Vaticano II e, consequentemente, a negação da infalibilidade dos demais concílios (o que equivale a negar a presença do Espírito Santo nessas decisões da Igreja).

Por ser sábado de carnaval, tive pouco trabalho e pude meditar um pouco mais nisso. Percebi que não é tão importante assim saber se vai ou não haver um Cisma, mas acho que o problema está num outro mais grave: o mundo perdeu e está perdendo cada vez mais a noção de pecado.

Deus tenta convencer as pessoas do Caminho, mas elas insistem em não seguir por ele e pegar o atalho do próprio querer. Daí saem tantos pecados pessoais e coletivos, que ampliam suas garras sobre o mundo, abraçando todos os que se deixam abraçar por eles.

À tardezinha preparei as leituras do 7º domingo comum B, que justamente falam sobre isso. O comentário do missal individual começa assim:

Quando o homem adquire a consciência de ser indigente e pecador, então lhe é revelada a face da misericórdia de Deus”.

Isso me lembra Sabedoria 1,1-2:

Pensai no Senhor com retidão,k procurai-o com simplicidade de coração,porque ele se deixa encontrar por aqueles que não o tentam, ele se revela aos que não lhe recusam a fé”.

As leituras falam justamente do pecado que, mesmo arraigado, tanto o individual como o coletivo, podem ser perdoados e esquecidos por Deus.

Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei dos teus pecados” Isaías 43,25

Lembrei-me dos pais que tentam mostrar aos filhos o caminho do bem mas veem, com tristeza e impotência, que seguem o mal, a indiferença religiosa, a negação de Deus.

Quantas dessas pessoa que estão preocupadas em que não haja divisões e o cisma na Igreja estão realmente vivendo uma vida santa e agradável a Deus?

Tantos apelos divinos, tanto pela bíblia como pelos pregadores sérios e honestos, tantos apelos de Maria em suas aparições, mas o mundo continua debochando de Deus e negando-se a buscar seu auxílio!

Deus quer agir em nós. Para isso, precisamos, como diz o comentário do missal, nos conscientizar de que somos indigentes e pecadores. “Quem não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”. (parábola da construção da torre e do rei que vai à guerra com poucos soldados).


As idéias vão pesar pouco no Juízo Final. O que vão pesar são as boas obras, tudo o que pudemos construir com a ajuda de Deus, para o bem do mundo e do próximo. As testemunhas de Jeová não acreditam na divindade de Jesus Cristo mas, pelo menos as que eu conheço, são pessoas excelentes, caridosas, prestativas, mesmo levando-se em conta o problema apontado num texto postado neste mesmo blog. Duvido que esses que seguem com amor o caminho não sejam salvos. Mas... e nós? E eu? E você? Que estamos realmente fazendo, além de nos preocupar se a Igreja Católica vai ou não se dividir em outras Igrejas? Essas pessoas que se separarem, se seguirem coisas que contrariam os ensinamentos de Jesus Cristo, vão ter que prestar contas a Deus após a morte. Não se trata tanto de saber se o Concílio foi ou não infalível, mas se ESTAMOS OU NÃO SEGUINDO O QUE JESUS ENSINOU.



Por outro lado, uma das coisas que meditei também neste sábado de carnaval de 2012 é o fato de que muitos de nós nos culpamos muito de nossos pecados cometidos. Não nos perdoamos! Essa mágoa nos abate e tem a tendência de nos levar ao desânimo.

Olhei ao sacrário e senti toda a mágoa que tenho de mim mesmo. A oração me brotou espontaneamente dos lábios:

Senhor, eu nunca vos quis ofender realmente. Desde a infância mais tenra eu vos amo e sempre vos busquei. Nunca quis vos magoar, nem magoar ninguém! Olhai-me, Senhor, como a criança que faz malandragens e, mesmo depois do castigo dos pais, continua a amá-los e sabe que eles fazem o mesmo. Sei que Vós continuais a me amar, Senhor, apesar dos meus pecados. Já me arrependi deles, e quero agora recomeçar uma nova vida, sem remorsos, sem sentimentos de culpa, sem azedumes no coração. Quero viver uma vida alegre e feliz, seja qual for o tipo de vida que devo viver.”

Amigos (as), por que ficarmos amargurados pelos pecados cometidos e perdoados? Vamos nos propor a não pecar mais, mas a deixar de lado todo o nosso amargor” Vejam algumas frases da Bíblia que nos confortam nesse assunto:

Não relembreis coisas passadas! Não olheis fatos antigos! (Isaías 43,18-19).

Passaram-se as coisas antigas; eis que se faz uma realidade nova” (2ª Cor. 5,17)

Irmãos, uma coisa eu faço: esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3,13-14).

Nós sabemos que Paulo está falando do sistema duro e escravizante do judaísmo, mas não estou errado em aplicar essas frases para nossa vida espiritual, pois fizemos um “judaísmo” de nossa vida, baseada em remorsos, dores, sentimentos de culpa. Libertemo-nos desse lixo que nos acompanha! Confiemos em Deus, que nos perdoou, que ouviu nossas queixas, nosso arrependimento, nosso propósito de uma vida nova!

Deus guardou em seu odre (um vasilhame de pôr líquidos) todas as nossas lágrimas! Ele registrou todos os nossos passos em seu livro! É o que nos diz o salmo 55 (56). Deus sabe que nunca quisemos realmente ofendê-lo. E se isso ocorreu em sua vida passada, mesmo que você tenha tido muita raiva, ódio, má intenção em fazer o que você fez, anime-se! O perdão de Deus é total e irrestrito.

No capítulo 55 de Isaías vemos que os pensamentos de Deus estão muito acima dos nossos. Não sejamos mais duros para conosco do que o próprio Deus! Se houver sinceridade em nosso coração, se há um desejo firme de agradar a Deus, o resto Deus provê!

Sejamos como crianças, como nos pede o próprio Jesus, pois elas fazem coisas erradas mas confiam que nunca vão perder o amor dos pais. E no dia seguinte, após os conselhos dos pais, ou um pequeno castigo, já não se lembram mais da malandragem feita.

Termino com a frase inicial do missal da missa do 7º domingo comum ano B

Quando o homem adquire a consciência de ser indigente e pecador, então lhe é revelada a face da misericórdia de Deus”.

PENSEMOS NISSO! E “DURMA COM UM BARULHO DESSES”, como dizia um meu amigo padre da Diocese de Franca, o Pe. Denizar.

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