sábado, 11 de fevereiro de 2012

DOUTRINA-IGREJA-25- AS IMAGENS


Nós, católicos, usamos imagens de santos, santas, anjos, N. Senhora, Jesus Cristo, e até da Santíssima Trindade em nossas orações. Os que não são católicos nos criticam, dizendo que adoramos imagens. Isso não é verdade. O católico que adorasse imagens, estaria errado.
                             
Dizer que nós católicos adoramos imagens é o cúmulo do absurdo, além de ser pecado de falso julgamento. Nós todos sabemos que não adoramos imagens. Apenas as veneramos, como o jovem “venera” e conversa com a foto da namorada. Contemplá-las ajuda-nos e muito na oração. Seria uma grande idiotice ou mesmo ignorância adorar imagens.
  
    A Bíblia não proíbe imagens. Ela proíbe adorá-las. Se fosse proibido fazer imagens, não poderíamos fazer fotos ou pinturas de nada que existe sobre a terra, como manda o mandamento dado por Moisés. A idolatria do nosso tempo é a adoração do dinheiro, dos artistas, dos jogadores de futebol, dos times, etc. Em Colossenses 3,5 lemos que a avareza é uma idolatria! Se seguirmos o mandamento à risca, nem poderíamos usar essas camisetas estampadas.

    Moisés fez dois querubins de ouro para enfeitar a Arca da Aliança, como você pode ler em Êxodo 25,18-22; Hebreus 9,5; cap. 26, 1.31; cap. 36,8.35; cap. 37,7.9; Números 7,89; 1ª Reis 6,23.27-28. No vers. 29, vemos também que Salomão mandou colocar no templo, além de Querubins, palmas, cálices de flores abertos. Em 1ª Reis 7,29, também de animais, como segue: “Sobre os painéis entre as travessas havia leões, touros e querubins; da mesma forma, sobre as travessas, acima e abaixo dos leões e bois, havia guirlandas em relevo.”

    Moisés também fez, a pedido do próprio Deus, a serpente de bronze. Os picados pelas cobras olhavam para a de bronze e se curavam! Esse fato, que está em Números 21,7-9, foi mencionado por Jesus em João 3,14-15 como símbolo de sua morte na cruz. Se fosse proibido fazer imagens, Jesus teria condenado a confecção da serpente de bronze, e não a teria dado como símbolo dele mesmo.

    Outro fato, que ninguém presta atenção, é o fato de que Jesus e os Apóstolos usavam as moedas cunhadas com a face do imperador romano, que se considerava um deus (veja Mateus 22,19-21 e 17,27). Ora, o fato de carregar no bolso ou na bolsa as moedas com a imagem de um deus pagão (=o imperador), não fazia deles pessoas idólatras!

    Desse modo, rezar ou orar olhando para uma imagem de alguém que já está no céu não tem problemas, desde que não se adore essa imagem como se fosse a própria pessoa que estivesse ali. A Arca da Aliança era mais sagrada, para os judeus, do que a imagem de N. Sra. Aparecida o é para os católicos. É só conferir em 1ª Samuel 4,5; 2ª Samuel 6,1-19. A simples presença da Arca era motivo de alegria ou de desgraças!

    Enfim, precisamos nos lembrar de que também somos uma imagem, ou seja, a imagem de Deus. Como abraçar e beijar a esposa, os filhos, se eles são uma imagem de Deus?

    Então, eu digo isto: nunca devemos exagerar em nada. Pode, sim, ter a sua imagem de Jesus, de Maria, de algum santo de sua devoção, sabendo, é claro, que aquilo é apenas uma imagem, um pedaço de algum material, e não o próprio santo a quem se está rezando. Há um ditado que diz ser as imagens a “Bíblia dos analfabetos”. Mas até os que sabem ler se sentem melhores, na oração, quando contemplam a imagem de sua preferência.

As imagens, para nós, são objetos sagrados, que nos recordam os que vivem no céu. Mesmo os protestantes e os evangélicos possuem objetos sagrados, como a bíblia, por exemplo.

Se um evangélico fosse capaz de pisotear um livro qualquer mas não fosse capaz de pisotear uma bíblia, isto significa que a bíblia é um livro sagrado para ele, que o remete ao próprio Deus e à sua Palavra, à história do povo de Deus. É a mesma coisa quando, além da bíblia, reverenciamos uma imagem sagrada: nós nos remetemos aos que habitam no céu.

Vejam um outro exemplo: Paulo tem 25 anos e mora em São Paulo. Seus pais moram no interior e não possuem internet. Seu pai, ao escrever-lhe uma carta, morreu de infarto fulminante com uma caneta na mão. No velório, a mãe do Paulo lhe mostra a caneta e lhe conta a história. Ele a pega com muito carinho e a guarda como lembrança terna de seu pai. Após algum tempo, ele pega a caneta, com saudades do pai, e reza a Deus pelo pai, olhando para a caneta.

Pergunto: o Paulo estaria adorando a tal caneta? Estaria rezando para aquela caneta, como se fosse um “deus”? Claro que não! Aquela caneta o lembra tantos dias alegres e tristes que vivera com o pai! Quanta coisa bonita aquela caneta simboliza para ele! Ele pode dispor de qualquer caneta, dá-la a outra pessoa, mas aquela de seu pai não tem preço! Ele tem amor por ela, a única lembrança de seu pai.

Assim acontece conosco, os católicos: ao rezar diante de uma imagem, não pedimos nada para aquela imagem, mas sim para a pessoa que ela simboliza e que já mora no céu! Isso não é idolatria. Idolatria seria adorar uma imagem ou qualquer outra coisa como se fosse um deus, achando que aquele objeto tem a divindade. Ademais, se eu posso rezar por você agora que ainda sou pecador, por que não poderei rezar por você no céu, após a minha morte?

As imagens se difundiram muito no passado por causa do grande analfabetismo antigo. As imagens foram verdadeiras bíblias visuais para aquelas pessoas. A imprensa foi inventada no século anterior ao que Martinho Lutero se revoltou contra a Igreja Católica. Antes da imprensa, uma bíblia era escrita à mão e enorme. Custava o equivalente a uma casa. As igrejas que podiam tinham uma bíblia presa a uma corrente para o povo consultar. É o que se lê, por exemplo, na biografia de S. Francisco de Assis, quando conta que ele entrou na igreja para ler na bíblia o que Deus queria dele.

Quanto aos exageros no uso de imagens, veja o que disse o Pe. Fernando Cardoso em seu site, referindo-se a 1ª Samuel 4,1-11:

12 de janeiro de 2012

O texto do Livro primeiro de Samuel hoje nos coloca diante de um campo de batalha: de um lado Israel, e de outro lado, os Filisteus, seus arqui-inimigos na Palestina. Israel estava inteiramente confiante em seu Deus e, quando se viram em apuros, não tiveram dúvidas; foram buscar a arca da aliança, símbolo visível da presença de Deus no meio de seu povo, e a trouxeram para o campo de batalha.

A consequência foi a mais trágica que podemos imaginar: os Israelitas perderam a batalha, os Filisteus levaram a melhor e, para encerrar a tragédia, a arca da aliança foi roubada, e passou para o lado do inimigo. E aqui nós podemos nos deter, para nossa reflexão à partir do texto da Palavra de Deus. Que fizeram aqueles Israelitas?

Fizeram o que muitos de nós continuamos a fazer: buscar Deus ou buscar objetos sagrados, pensando que a simples presença de objetos sagrados, é capaz de eliminar os perigos que nos assolam. Nunca aconteceu conosco buscar um amuleto? 

E se não buscamos um amuleto, não buscamos desesperadamente, para fins ambíguos, objetos sagrados como um crucifixo, como água benta, como um ramo bento e outras coisas mais? E imaginamos que com água benta, com ramo bento, com cinza benta, com água do rio Jordão, com terra da Palestina, resolveremos todo o nosso conjunto de problemas existenciais? Fazer isto é viver uma religiosidade mágica.

O texto é muito claro, e quer nos ensinar que Deus não Se deixa enroscar por essas sutilezas de nossa parte. Não são objetos sagrados, não são águas bentas ou sagradas, não são terras consagradas que nos libertarão, mágica ou mecanicamente, de nossos males. E, de resto, Deus não prometeu a ninguém que nada de ruim ou indesejável lhe acontecerá durante esta vida.

Durante esta vida, nós temos que levar em conta sim os perigos, temos que levar em conta os contratempos, temos que levar em conta as dificuldades e os sofrimentos de toda espécie. Deus não promete, nem a custa de água benta, nem a custa de água do rio Jordão, eliminar os nossos sofrimentos.

 Deus promete, e isto é muito mais importante e consolador para nós, entrar conosco na atribulação, entrar conosco na provação para sairmos, do lado de lá, juntamente com Ele, fortes e mais consolidados na fé. E isto porque, quem nunca foi provado, quem nunca sofreu um contratempo, quem nunca sofreu uma tentação, quem nunca foi vítima de uma tribulação, não tem fé comprovada.


Deixemos de lados estas coisas, deixemos de lado amuletos religiosos e confiemos, cegamente, na providência de Deus, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

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