quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO


Deus quer que vivamos felizes, como diz João 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.” Entretanto, ele permite os sofrimentos para purificar- nos, a fim de transmitir-nos a sua santidade, como diz Hebreus 12, 10 e assim poder receber--nos no céu. Ofereçamos todos os sofrimentos que não pudermos evitar em reparação dos nossos pecados e para nossa santificação. Diz Apocalipse 21,27: “Coisa alguma imunda entrará na Cidade Celeste”.

O tempo que passamos aqui na terra é muito pequeno, em vista da eternidade que viveremos no paraíso. Se suportarmos com amor e paciência os problemas que temos aqui, receberemos a vida eterna como recompensa. Por isso é que sofremos: porque, pecadores, precisamos nos purificar. Quem não tem pecado e assim mesmo sofre, é porque Deus vê sua bondade e docilidade e, permitindo o sofrimento, pode com isso salvar muitos outros que convivem com aquela pessoa.

Jesus, Filho único do Pai, também sofreu muito para nos salvar. Se ele não nos libertou ainda dos nossos sofrimentos, só ele sabe o porquê, pois diz São Paulo em Efésios 3, 20: “Deus é poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou pensamos”. Cabe a nós confiarmos nele e aguardarmos a libertação com confiança e paciência. Não maldigamos a Deus e nem a ninguém. Ainda podemos ser felizes!

Muitas vezes parece-nos que Deus é incapaz de impedir o mal, o sofrimento. Parece-nos que ele não está “nem aí” conosco. Não é verdade! Mesmo quando ele não interfere, ele está “torcendo” por nós, para que superemos com heroísmo e amor aquela fase triste de nossa vida.

Ele nos deixou livres em nossa ação. Quando não impede o mal, na verdade está preservando nossa liberdade. Ele não quer ser servido por “fantoches”, mas por pessoas conscientes, de livre e espontânea vontade. Se não nos tira daquela situação, dá-nos a força e as condições para vencermos. O próprio São Paulo Apóstolo não obteve a cura de um mal que sofria: “Pedi ao Senhor por três vezes que me livrasse desse espinho na carne, mas ele apenas me respondeu: 'A ti, basta-te a minha graça', porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.' ”(2Cor 12,8-9).

Em Hebreus 12,5-13, vemos todo um tratado de como Deus nos permite os sofrimentos como um meio de corrigir-nos e nos educarmos para a santidade. Ele nos permite os sofrimentos “para que possa nos infundir a sua santidade” (Hebreus 12,10). e Sabedoria 12,2: “ É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor!” Também em Apocalipse 3,19: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te”.

Geralmente Ele permite as provações, os sofrimentos, quando resolvemos seguir os caminhos de Jesus. As provações e dificuldades nos seguem e até nos oprimem. Precisamos pedir a proteção divina para vencermos tudo isso. Quem fala isso é o Eclesiástico 2,1-18: Somos provados em nossa fé, esperança e caridade como o “ouro é provado no cadinho” (v.5); “Confie no Senhor e Ele o ajudará; seja reto o seu caminho, espere no Senhor” (v.06). “Todos os que confiaram no Senhor não ficaram desiludidos” (v.10); “O Senhor é compassivo e misericordioso, perdoa os pecados e salva do perigo” (v 11); “Ai do pecador que anda por dois caminhos” (v.12); “Ai de vocês que perderam a paciência!” (v.14); “Cada um de nós se coloque nas mãos do Senhor, e não nas mãos dos homens, pois a misericórdia dele é como a sua grandeza”(v.18).

Deus é misericordioso porque é Todo-poderoso. Ele é onisciente e sabe do que precisamos. Por que então nos preocuparmos? Por que termos medo do futuro? Coloquemo-nos em suas mãos! (Mateus 5;6;7; MT 6,25-32). O versículo 5 do trecho àcima do Eclo 2, lembra que seremos provados como o ouro no cadinho. É muito bonita essa comparação se a entendermos: O ouro é um metal nobre e não faz liga com nenhum outro metal; apenas se mistura. No cadinho, sobre o fogo, ele se derrete e se desliga de todos os outros metais com os quais está misturado e sai, puro, do outro lado.

 Pela provação, pelos sofrimentos, pelas contrariedades, somos purificados de todas as impurezas com as quais nos misturamos em nossa vida de pecadores, e iniciaremos uma nova vida de conversão puros, sem mistura alguma com o que desagrada a Deus, “para que Deus nos infunda a sua santidade” (Hebreus 12,10).

Nunca duvidemos do poder, da sabedoria e da graça de Deus, e não tenhamos medo (como o Apocalipse inteiro nos mostra)! Joyce Mayer, pastora evangélica americana, diz que Jesus nos proibiu de termos medo, mas não de suarmos frio e tremermos. Jesus não teve medo, mas até suou sangue!

Muitos sofrimentos que temos são grandes e parecem infindáveis. Às vezes nos dá a impressão que colocaram obstáculos, pedras, muros, desvios, barreiras em nosso caminho. Dizem Isaías 25,8 e Apocalipse 21,4|: “O Senhor enxugará toda lágrima de nossos olhos”.

Também diz Santa Faustina: “Ó tempo presente! Tu me pertences totalmente!” e Santa Teresinha: “Quero amar-vos, Senhor, só por hoje, nada mais!” Deixemos, então, nas mãos de Deus o nosso futuro e comecemos a “degustar” o tempo presente. Olhemos a Eucaristia, que é Jesus, nosso companheiro de caminhada, e a nuvem da provação passará!

São Paulo Apóstolo fala, em Filipenses 3,8-16:

Tudo considero como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar Cristo”. (...) “Irmãos, (...) Esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo para o alvo, como prêmio da vocação do alto, que vem de Deus em Cristo Jesus”(...) “ Entretanto, qualquer que seja o ponto a que chegamos, conservemos o rumo!”.

A provação se faz necessária para forjarmos uma vida santa e fortalecermos a esperança, como nos diz Romanos 5,3-5: “(...) Nós nos gloriamos na tribulação(...) que produz a paciência(...) que produz a experiência(...) que produz a esperança(...) que não engana, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo, que nos foi dado”.

Quando estivermos em dificuldade, coloquemos tudo nas mãos de Deus, por Maria, nossa querida Mãe. Tudo se resolverá a seu tempo! Confiemos! Esta vida é muito curta, e assim também será o sofrimento.

Pergunto: Você já ficou brabo(a) com Deus porque passou por alguma contrariedade?


Quando estamos em período de sofrimento, o que devemos fazer?


Acrescento a meditação belíssima do Pe. Fernando Cardoso (ver site na lista de blogs): 



31 de janeiro de 2012 – comentário de Mc 5,21-43 
 
O Evangelista Marcos fala-nos hoje da cura de uma mulher que sofria de hemorragia constante e, a seguir, da ressurreição de Talita. Doença e morte são os grandes inimigos do ser humano e são também inimigos de Deus, o qual promete no Apocalipse - isto é, no final da História - enxugar toda lágrima de nossos olhos, banir para sempre de nossa presença o luto e a dor. Mas, presentemente, convivemos com essas duras realidades: a doença e a morte. Jesus curou alguns e ressuscitou outros, mas foram ações proféticas que, de certa maneira, apontam para o que Deus quer fazer não com três ou quatro pessoas escolhidas, mas para com todos, no futuro escatológico.

Jesus não veio a este mundo para substituir-Se aos médicos ou à medicina. Ele não veio ao mundo para curar todos os paralíticos, dar a vista aos cegos, fazer recobrar a audição aos surdos e ressuscitar os que morreram. Veio trazer-nos o que não nos podemos conceder: a vida de Deus. Vida que se inicia agora e que se consumará na eternidade. Nesse intermédio, vivamos entregues a Deus, com confiança e esperança ilimitadas. Durante esse tempo, temos que conviver com essas duras realidades: a doença e a morte biológica - porque ainda não foram banidas.

No entanto, a pessoa que se consagrou a Deus e vive sua consagração batismal, pode fazer tesouro até mesmo das dores e de outros tantos incômodos, sem excluir a morte. Pode e aprende, sobretudo, a oferecer-se a Deus nas horas tristes da vida, quando é visitada pela doença, atingida pelo luto ou quando recebe a notícia da aproximação da própria morte. Essas pessoas não se sentem abandonadas por Deus, ao contrário, sentem-se chamadas a cooperar com Ele de maneira muito mais frutuosa e fecunda, embora misteriosa para nós. Isso é o sofrimento livremente aceito, não por ser sofrimento, mas por fazer-nos crescer no amor e na doação. São muitas as pessoas que fazem de suas cadeiras de rodas, de seus leitos de hospital, de suas dores, um verdadeiro e fecundo apostolado.

Hoje, dirigir-lhes-ia as seguintes palavras: não se sintam abandonados por Deus, sintam-se privilegiados, pois possuem oportunidade de oferecer a Deus a própria dor, através da qual cresce a Igreja com sua fecundidade apostólica. Quantos de nós devemos nossa vida cristã a essas almas que, humilde e escondidamente, imolam-se em nosso favor!

Existem três maneiras de se vencer a morte: a primeira consiste em postergá-la; é o que comumente se faz com o avanço da medicina. A segunda é a que vem descrita no texto evangélico de hoje: trata-se de um ressuscitamento ou, se preferirmos, uma ressurreição para trás; certamente, Talita teve de morrer uma segunda vez. A terceira é a que damos o nome de ressurreição, quando se ressuscita para a frente ou para a escatologia. Essa foi a Ressurreição de Cristo: a que se torna objeto de nossa fé e maior esperança.

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