quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

OS MANDAMENTOS E O SERMÃO DA MONTANHA



1- OS MANDAMENTOS

Os ensinamentos de Jesus estão embutidos nos mandamentos de Deus e os da Igreja:

Os mandamentos de Deus:
1 – Amar a Deus sobre todas as coisas;
2 – Não tomar o seu santo nome em vão;
3 – Guardar os domingos e dias santos;
4 – Honrar pai e mãe;
5 – Não matar (e não odiar);
6 – Não pecar contra a castidade;
7 – Não furtar;
8 – Não levantar falso testemunho;
9 – Não desejar a mulher (ou o marido) de outra pessoa;
10 – Não cobiçar o que não nos pertence.

Esses dez mandamentos se resumem em dois, que na verdade são três: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, como está em Marcos 12,28-34; João 13,34-35. Repare que Jesus manda amar a Deus, ao próximo e a si mesmo.Quem cai nos vícios, por exemplo, não está amando a si mesmo e a todos os que convivem com ele, que precisam aturá-lo.

Os mandamentos da Igreja

Os católicos devem também seguir os cinco mandamentos da Igreja, que são:
1 – Participar das missas inteiras nos domingos e dias santos;
2 – Confessar-se ao menos uma vez por ano;
3 – Comungar ao menos uma vez por ano, no tempo pascal;
4 – Jejuar e não comer carne na quarta-feia de cinzas e na Sexta – Feira Santa.
5 – Pagar o dízimo segundo o costume da igreja à qual pertence.

2- Sermão da Montanha

No sermão da montanha de Mateus (cap. 5,6 e 7) ou no da planície de Lucas (cap. 6,20-49), Jesus aprofundou e ampliou o alcance desses 10 mandamentos. Não basta cumpri-los externamente, como se fossem um ritual, mas temos que mudar por dentro nossas atitudes. Jesus sempre criticava os escribas e fariseus justamente por causa do fato dele cumprirem uma santidade externa, apenas nos ritos, mas que não correspondia à prática da caridade. Nós, cristãos, para sermos autênticos, temos que praticar a caridade, a partilha, a oração e, sobretudo, mostrar com uma vida honesta, simples e pacífica, que realmente cremos em Deus e queremos ser discípulos de Jesus.

Eis a seguir, um resumo dos ensinamentos de Jesus no sermão da montanha de Mateus e no da planície de Lucas:

1- É mais feliz quem escolhe viver uma vida mais simples, mais pobre do que os que escolhem viver na riqueza e numa vida separada do serviço ao próximo. Dos pobres será exigido muito menos, no juízo final, que dos ricos.

2- É mais feliz quem procura resolver os problemas sociais, pessoais, familiares, comunitários, de modo pacífico, sem violência, do que os que buscam resolvê-los na ira, na guerra, na violência, na prepotência, na opressão. Os que sofrem injustiças serão julgados com menos rigor no juízo final.

3- É mais feliz quem age com misericórdia do que os que agem na base da cobrança, da crítica, os que julgam os outros. Com a medida que julgarmos, nós também seremos julgados. Julgar é pôr má intenção nos atos de alguém. Se apenas mostrarmos o erro para ser corrigido, não pecamos; pelo contrário, fazemos um ato de caridade. Por exemplo, se o meu filho quebrar um copo, vou dizer a ele simplesmente para ter mais cuidado, etc. Julgar seria dizer que ele quebrou o copo só para me irritar. Dizer isso a ele seria pecado.

4- É mais feliz o puro de coração, ou seja, quem age sem malícia, sem segundas intenções, do que os que procuram sempre usar máscaras, são “duas caras”, mentirosos, falsos. A sinceridade, ou seja, uma vida sem falsidade, atrai a misericórdia divina.

5- Desagrada a Deus quem tem o suficiente para viver bem e não ajuda os outros, ou seja, quem vive uma vida egoísta, e só pensa em si mesmo ou só na própria família.

6- Amar os inimigos é o que há de mais próprio no cristão. É o que o diferencia de todos os demais. Amar, entretanto, não significa gostar. Temos que amar (= querer o bem de) mesmo dos de que não gostamos. E como disse o papa João Paulo II, na carta do dia 01/01/2002, “o perdão não anula a justiça” ou seja, amar não é deixar impune, mas cuidar para que a pessoa tenha condições psicológicas, espirituais e físicas de mudar de vida e deixar o erro. O nosso testemunho de amor e misericórdia acaba transformando a vida do outro.

7- Tudo nesta vida passa, é passageiro. Só Deus nunca muda. (“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. A quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta – Sta. Teresa de Ávila). E Ele nos dá tudo o que for necessário para nossa vida. Não tem sentido, pois, nos apegarmos às coisas e mesmo ás pessoas. O apego às coisas materiais nos traz muitas decepções, desilusões e tristeza. Viver desapegado das coisas é viver livre, sem amarras, em plena liberdade. Empreste a quem lhe pedir algo emprestado. Nunca dê esmolas ou coisa semelhante para aparecer e com segundas intenções.

8- Com as boas obras e uma vida santa, conseguiremos atingir as outras pessoas mais até do que com as palavras, como diz o Irmão Carlos de Foucauld: “Gritar o evangelho com a vida” Um bom exemplo vale mais do que mil sermões. Nós, cristãos, somos o sal da terra e a luz do mundo (= a luz refletida de Jesus).

9- Quem cumpre a vontade de Deus é recebido por Ele

10- Sem a caridade e a misericórdia não entraremos no céu. Deixemos de lado a vingança e o ódio!

11- É preciso reconciliarmo-nos com todas as pessoas, perdoar, para sermos perdoados e recebidos pelo Pai.

12- O sexo foi feito para a procriação. A força sexual, tanto masculina como feminina foi feita para sermos sempre ternos, dóceis e amigos. Não é justo a usarmos como área de lazer. Diz 1ª Coríntios 6,13b-20 que devemos fugir da fornicação, que é qualquer contato carnal for a do matrimônio ou contra a natureza. O missal comenta isso (2ºdom. Comum B, 2ª leitura), dizendo que a fornicação é má em si mesma por três razões:
Primeira – É injustiça contra Deus, a quem pertence unicamente o nosso corpo (ou seja, nós mesmos), destinado à ressurreição.
Segunda – É um sacrilégio, porque pertencemos ao Corpo Místico de Cristo, e prostituímos, com a fornicação, um membro de Cristo.
Terceira – É uma profanação, pois somos templos do Espírito Santo que habita em nós.

Desse modo, a única relação sexual permitida é a feita entre marido e mulher, e tem mais: não pode ser feita nada contra a natureza. Jesus condena o adultério (Mt 5,27-32, Tiago 4,4). Joâo Batista morreu por ter denunciado o adultério de Herodes e foi elogiado por Jesus (Mc 6,17-29). Em João 8,11, Jesus perdoou a mulher adúltera, mas lhe disse para não mais pecar!

13- Se dissermos sempre a verdade, nunca precisaremos jurar por nada.

14- Seja nossa oração constante e confiante. Dedique mais tempo para rezar, no mínimo duas horas diárias. Reze sempre o terço.

15- Jejum só tem valor para Deus quando acompanhado da partilha e da misericórdia. Podemos fazer jejum de outras coisas que não seja alimento, como da tv, das palavras, etc.

16-Não basta a oração para não cairmos em tentação. Precisamos também VIGIAR, e sempre. Por mais que um alcoólatra reze, por exemplo, só vai deixar a bebida alcoólica se não entrar em bares e nunca tê-las em casa. “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, e o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado” (Mt 6,22).

17- Muitas vezes teremos de escolher entre fazer o bem ou o mal. Há certas companhias, certos lugares, certas festas, que, se quisermos servir a Deus, vamos ter que renunciar.

18- Quem dá do que tem, ou seja, quem partilha, pratica a caridade, ajuda, trabalha pelos outros, nunca será desamparado por Deus, nunca sentirá falta de nada. É o que chamamos “Providência Divina”

19- Deus sempre ouve nossas orações. Muitas vezes Ele não nos atende porque, em sua sabedoria divina, sabe que aquela graça iria atrapalhar nossa vida eterna em seu Reino.

20- Para não sermos iludidos pelos falsos profetas, procuremos sempre conhecer e seguir as orientações da Igreja.

21- Seguindo Jesus, ouvindo e praticando o que nos diz a Igreja, estaremos construindo a nossa casa sobre a Rocha, que é Jesus Cristo (Lc 6,47-49; Mt 7,24-27). Tempestade alguma poderá derrubá-la. Seguir os falsos profetas, as propagandas que nos fazem pecar e nos desviar do bom caminho, que põe mais fogo em nossas paixões, permanecer no nosso egoísmo, no nosso individualismo e comodismo, é como construir a casa sobre a areia, e qualquer chuvinha derruba. Quem “esculpir” a sua vida com a ferramenta divina, vai se dar bem, e sua vida nunca será destruída.

22- A gratidão foi muito percebida por Jesus. Ele criticou a gratidão de muitas pessoas e do povo. Em Lc 17,17-18, criticou a ingratidão dos leprosos que não voltaram para agradecê-lo da cura. Em Lc 19,41, chorou sobre a cidade de Jerusalém, motivado pela ingratidão de seus moradores. Em Mt 23,37-38, não só chorou sobre a cidade ingrata, mas se comparou a uma galinha choca, que puxa seus pintinhos para debaixo de suas asas. Em Mc 14,37, sente a ingratidão de Pedro por estar dormindo enquanto ele suava sangue de angústia no Getsêmani. Cuidemos para nunca sermos ingratos nem para com Deus nem para com ninguém! Nas orações diárias, agradeça sempre. Há pessoas que só pedem, pedem, e nunca agradecem!

Pergunto: Você procura cumprir os mandamentos?

Quais mandamentos são mais fáceis para você cumprir?

Que tipo de jejum você faz na Quarta-feira de cinzas e na Sexta-feira Santa?


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