domingo, 18 de dezembro de 2011

PARA QUE FAZER O BEM?


(11/12/2011)

Um amigo meu que trabalhou por certo tempo num alojamento do meio do mato conta muitas experiências. Uma delas é de seu trabalho como professor (ele morava dentro do alojamento com os demais).

Muitas vezes eu me perguntei se não era burrice dele querer estar ali com aquelas pessoas tão diferentes.

Ele via com tristeza quanta preguiça tinham em aprender as lições que ele preparava com tanto carinho! Quantos analfabetos que continuarão analfabetos! Quanta indiferença! Parecia que adoravam aquele tipo de vida descompromissado e alheio a tudo.

Muitos ficavam devendo muito aos traficantes de maconha, e viviam desesperados por dinheiro. Certa vez roubaram quinze reais do meu amigo. Ele ficou quieto, pois sabia quem fizera isso. O que roubou não suspeitava disso.

É difícil lidar com dependentes químicos. Eles dão tudo o que têm. Alguns chegam ao cúmulo de se prostituirem para pagar as dívidas!

Muitas vezes, como estava comentando, eu me perguntava o que meu amigo fazia ali. Por que fazer o bem? Por que ajudar os outros?

Conheço pessoas que só fizeram o bem e se deram mal, ao contrário do que pensamos. Foram, alguns deles, caluniados. Um outro amigo meu foi até preso, por pura calúnia. E como se dedicava aos outros!

Ele me escrevia que, quando pensava em desistir, ou como dizemos “dependurar as chuteiras”, meditava em Jeremias:

“Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir! Tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste”!

E também:

"Isto era em meu coração como um fogo devorador, encerrado em meus ossos”.

E Jeremias não desistiu nunca! Não conseguia ficar sem obedecer ao Senhor. Assim também pensa o meu amigo. 

Você se sente desse mesmo jeito? Incapaz de desistir? Nós recebemos muita ingratidão e incompreensão em nosso trabalho; mas não podemos desistir. Deus respeita a liberdade de todos, mesmo dos maus, e não nos liberta de infortúnios feitos pelas outras pessoas, mas nos conforta e nos liberta das prisões internas. Diz o salmo 55(56), 9, na bela tradução da liturgia das horas:

“Do meu exílio registrastes cada passo, em vosso odre recolhestes cada lágrima, e anotastes tudo isso em vosso livro”.

Isso nos dá uma luz, um esperança e uma segurança incríveis! Deus vê nosso coração, nossa vida, e estamos em suas mãos! Que ele nos recompense, já está mais do que bom ! Diz o mesmo salmo, vers. 5-6:

“Quando o medo me invadir, ó Deus Altíssimo, porei em vós a minha inteira confiança!”



E o salmo 72 (73), v. 25: “Para mim, o que há no céu fora de vós? Se estou convosco, nada mais me atrai na terra!”



Às vezes ficamos angustiados e frustrados com a ingratidão das pessoas com quem trabalhamos, sentimos que qualquer bem que lhes façamos não será agradecido, mas no meio disso tudo alguma semente ficará, e será germinada, florescerá, dará frutos e será colhida por Deus Altíssimo.


Para que fazer o bem? Para agradecer a Deus por todo o bem que ele nos faz, que pelo menos de nossa parte ele não receba ingratidão.

(Ir. Teófilo Aparecido, eremita de Jesus Misericordioso )

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