sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CURSO DE CRISMA- 2ª parte

             

     O sacramento da Crisma, ou Confirmação é, de certo modo, um complemento indispensável do sacramento do Batismo, mas não é um sacramento estritamente necessário para a salvação, haja vista que pelo Batismo todos nós nos tornamos TEMPLOS DO ESPÍRITO SANTO.

     Vejam bem: como dissemos no texto anterior, só o bispo ou, na falta dele, o padre podem ministrar o sacramento da Crisma, mas isso não quer dizer que a pessoa não receba o Espírito Santo sem o ministro ordenado. O Espírito Santo pode ser recebido por qualquer pessoa em qualquer situação, mas se quiser recebê-lo como sacramento, deve recorrer à Igreja.

        Nunca é demais repetir  Lucas 11,13: “Pois vós, sendo maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” Para receber o Espírito Santo, é preciso querer, é preciso pedi-lo.

Diz o Catecismo Católico(nº 1285):

Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação ou crisma constitui o conjunto dos “sacramentos da iniciação cristã”, cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária à consumação da graça batismal.” Diz que a crisma, pela imposição das mãos do bispo, perpetua, de certo modo, na Igreja, a graça de Pentecostes. Sem o Espírito Santo, dado em plenitude no sacramento da crisma, o batismo fica incompleto.

       Para nós, que temos a tradição de batizar as pessoas ainda crianças, o sacramento da crisma se torna imprescindível (=não pode ser deixado de lado) para confirmar (como o nome já explica) a graça do batismo, recebido quando criança.

      No Judaísmo também era assim! O fulaninho era circuncidado no oitavo dia do nascimento e se tornava, desse modo, membro do povo judeu e, ao mesmo tempo, do povo de Deus. Ninguém perguntava a ele se queria ou não ser do povo de Deus! É como no nosso batismo, que ninguém pode perguntar à criança se ela quer ou não ser católica

     Aos 12 ou 13 anos, ele tinha que confirmar essa sua pertença ao povo de Deus, com a cerimônia chamada até hoje de “BAR-MITZVÁ” , “Filho do preceito”. Jesus participou desses dois atos: da circuncisão ao oitavo dia (Lucas 2,21) e o “Bar-mitzvá” (Lucas 2,41-50).

      Nessa cerimônia o rapaz era considerado responsável pelos seus atos e podia ser recebido como membro ativo da comunidade. Era também admitido para conversar com as autoridades do templo, coisa proibida aos que ainda não haviam feito essa cerimônia. É por isso que Jesus ficou três dias conversando com eles, quando se “perdeu” no templo: essa era a primeira vez que ele podia fazer isso. Até então era considerado criança, sem responsabilidade, e não era ouvido.

      São Paulo alude ao batismo como uma substituição da circuncisão, como já Jeremias via a necessidade de um empenho maior do fiel para continuar a ser do povo de Deus, não bastando ter simplesmente sido circundado (ver Romanos 2,25-29; Colossenses 2,11-12; A circuncisão do coração: Jeremias 4,4).

     Diz em Jeremias 4,4: “Circuncidai, tirai o prepúcio de vossos corações” . Circuncidar é como uma operação de fimose. Jeremias disse isso para lhes dizer que eles deveriam tirar a maldade de suas vidas.

      Dessa forma, a pessoa entra no povo de Deus pelo batismo, e já recebe o Espírito Santo como vida. Aos 13 ou 14 anos, já consciente, confirma o batismo e recebe o Espírito Santo plenamente, também como Força, e se torna um apóstolo na palavra de Deus, um cristão engajado e autêntico, pronto para lutar contra o mal, o maligno e o pecado, e construir uma vida agradável a Deus.

      Quem não recebe o Sacramento do Crisma pode salvar-se normalmente, mas não recebe muitos dos dons que o Espírito Santo nos dá quando crismados. É como a diferença de uma televisão moderna, de plasma, com uma daquelas antigas. Ambas sintonizam o canal, mas a moderna tem mais cor, mais vida, mais facilidade de sintonia. Ou ainda maior: é como a diferença entre uma carroça e um automóvel moderno! O Sacramento do Crisma nos fortalece e nos dá esses dons tão necessários para a luta diária. Sem eles, teremos que lutar mais e com mais esforço para obtermos o mesmo resultado.

        É como diz o salmo 126(127): "Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os seus construtores"


        PERGUNTAS PARA REUNIÃO DE GRUPOS

1 – O que você entende por “Circuncisão do coração”? (Dicas para a resposta: Ezequiel 11,19; Romanos 2,25-29; Jeremias 4,4; Provérbios 23,26).

2 – Por que a crisma é o complemento do batismo?

3 – Na minha vida atual, eu estou vivendo o meu batismo? Tenho me afastado do que não agrada a Deus?

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